segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JOÃO BATISTA: UM GENUÍNO ADVENTISTA

JOÃO BATISTA: UM GENUÍNO ADVENTISTA
Publicado na Revista Adventista de Novembro/2010
Vinícius Mendes


A missão do povo remanescente escatológico prefigurada na vida e ministério de João Batista



“Mas para que saíste? Para ver um profeta? Sim eu vos digo, e muito mais que um profeta. Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior que João Batista; mas o menor do reino dos céus é maior do que ele.” Mt 11: 9-11



A missão de João Batista

O texto acima apresenta uma das mais categóricas afirmações de Jesus a respeito de uma pessoa. Cristo diz que João Batista foi o maior homem que nasceu neste planeta. A pergunta natural que surge após uma detida reflexão nesses versos é: que motivos levaram Jesus a fazer tão enfática declaração? As próprias palavras de Cristo no verso 10 revelam o motivo: João Batista foi quem recebeu a mais importante missão dada a um homem: preparar o caminho para o aparecimento de Jesus, em Sua primeira vinda. Se acrescentarmos ainda o fato de que João cumpriu fielmente essa missão, perceberemos com clareza a motivação de Jesus em declarar algo tão forte a respeito de uma pessoa de carne e osso como qualquer um de nós.

A respeito disso aplica Ellen White: “Preparando o caminho para o primeiro advento de Cristo, (João) era representante dos que têm que preparar um povo para a segunda vinda de nosso Senhor.” (WHITE, 101) Isso nos faz pensar que, se João Batista representa aqueles que prepararão o mundo para a segunda vinda de Jesus, nós como povo de Deus, vivendo mo limiar da história, muito próximos da volta de Cristo, deveríamos estudar a vida de João Batista e tentar extrair dela os princípios norteadores para que possamos cumprir cabalmente a solene missão que nos foi confiada e sermos declarados como grandes homens e grandes mulheres como ocorreu com João Batista.

A origem de João Batista

Homens como João Batista não são produto do acaso. Vidas vitoriosas como a de João são resultado, em via de regra, de uma educação que vislumbra para os filhos a eternidade. Neste momento, seria relevante então meditarmos em que tipo de pessoas foram escolhidas por Deus para educarem o precursor do Messias e o que eles fizeram para preparar o futuro profeta.

“Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel”. (Lc 1:5) Esse verso contém um detalhe essencial, o qual está na base da família que produziria um homem como João. O verso diz que o pai de João, Zacarias, era sacerdote e menciona o critério que ele utilizou para escolher a sua esposa: “era das filhas de Arão.” O sacerdócio foi dado a Arão e sua descendência perenemente (Ex 28 :1; Nm 7:19). Logo, essa expressão indica que Isabel era também da linhagem sacerdotal. Fica evidente, então, que Zacarias resolveu se casar com alguém que além de compartilhar a mesma fé que ele tinha, fora criada em uma família que servia ao Senhor no sacerdócio. Há aqui uma importante lição para nós. Um homem como João Batista só nasce em um lar de pais sacerdotes. Pais que estejam dispostos a oferecer suas vidas como oferta agradável a Deus. Pais que gastem tempo de qualidade, ao amanhecer e ao entardecer, apresentando-se a Deus.

Se houve um tempo em que cada casa deve ser uma casa de oração, é hoje. Pais e mães devem muitas vezes erguer o coração a Deus em humilde súplica por si e por seus filhos. Que o pai, como o sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde, enquanto a esposa e filhos se unem em oração e louvor. Em uma casa tal, Jesus gostará de demorar-Se. (PP, 144)

Esse texto não poderia ser mais claro. Deus deseja que, de nossas casas, ascendam constantes orações aos céus. Pai e mãe devem ser parceiros nisso para que os filhos possam aprender tal rotina e desejar viver isso em sua vida adulta. E ainda, o detalhe mais lindo: Jesus gostará de demorar-se em casas assim. Essa mensagem é para jovens que ainda não decidiram com que vão se casar, evidenciando o tamanho da responsabilidade que têm ao decidir-se, como também para famílias estabelecidas, deixando clara a importância de implementarem uma vida sacerdotal.

Outro aspecto relevante no caráter dos pais de João Batista está expresso em Lc 1:6. “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor.” Esse texto revela a atitude zelosa que os pais de João Batista mantinham. Eles procuravam tomar conhecimento de toda a revelação divina disponível a eles e viver à altura do que conheciam. Assim puderam moldar o caráter daquele que prepararia o caminho para o primeiro advento de Jesus. Fica para nós também um importante modelo de vivência como também de educação dos nossos filhos.

No verso 13 do cap. 1 de Lucas, podemos perceber que Zacarias era um homem que entendia o tempo em que vivia. “Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho; a que darás o nome de João.” Esse verso indica que Zacarias orava com base no cumprimento da promessa da vinda do Messias. Ele havia entendido, através do estudo das profecias, que aquele era o tempo em que Deus visitaria o Seu povo. Ele orava para que o Senhor cumprisse a Sua promessa. Precisamos entender o tempo em que vivemos, discernir os tempos e épocas e orarmos para que as promessas que Deus tem para nossos dias se cumpram, como, por exemplo, o envio da Chuva Serôdia e o retorno de Jesus.

João Batista foi forjado num lar cujos pais reuniam as características acima. Foi produto dessa educação e o resultado foi se tornar um proclamador da justiça.

Mensagem de João Batista

“Naqueles dias , apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” Mt 3:1e 2 João Batista tinha uma mensagem simples e direta para dar às pessoas de seu tempo. Ele sabia que o Messias estava prestes a surgir e que o povo não estava preparado para recebê-LO. O evangelista Mateus resume a mensagem de João em duas orações: a primeira contendo uma verbo no imperativo (exortando a uma tomada de decisão) “arrependei-vos” e a segunda, contendo uma frase explicativa, apresentando o motivo pelo qual as pessoas deveriam se arrepender “porque está próximo o reino dos céus.”

É interessante perceber que a mensagem de João Batista tem um conteúdo muito semelhante à mensagem que Deus espera que o povo remanescente em nossos dias dê ao mundo e que se encontra resumida na primeira mensagem angélica de Apocalipse. “Temei a Deus e dai-lhe glória porque vinda é a hora de seu juízo... .” Ap 14:7. Esta mensagem também é composta por duas frases, uma imperativa e outra explicativa, assim como a mensagem de João. Devemos dizer às pessoas que elas precisam temer a Deus, isto é, reverenciá-lo, voltar-se para Ele e abandonar os seus pecados e a causa disso é “porque vinda é a hora de seu juízo.” Nossa mensagem distintiva de um santuário celestial no qual ocorre um juízo investigativo deve nos inflamar a anunciar ao mundo que Jesus está voltando e que hoje é o tempo de que todos dispõem para preparo a fim de se encontrarem salvos quando Jesus voltar.

João não hesitou em dar a sua mensagem. Era uma mensagem direta e condenatória, mas ele a anunciou, dando um importante exemplo. O resultado dessa mensagem está expresso nos versos 5 e 6 de Mateus 3: “Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.” Que extraordinário! Uma mensagem simples, direta e sem rodeios atraiu milhares de pessoas, levando-as ao batismo. Nós precisamos evangelizar o mundo e, às vezes, devido às grandes dificuldades que enfrentamos, nos questionamos a respeito de como poderemos cumprir a grande comissão evangélica. João nos dá uma grande lição aqui. As pessoas precisam ser levadas a abandonar seus pecados. Nossa mensagem e, sobretudo, nossa vida, darão a elas esse recado. Era assim que João Batista fazia.

“Usava João vestes de pelos de camelo e um cinto de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre.” Mt 3: 4. Esse texto, de alguma forma, apresenta a estratégia que João usava para atrair as pessoas com o propósito de ouvir a sua mensagem. Diz Ellen White, comentando esse texto:

Ao tempo de João Batista, a cobiça das riquezas e amor ao luxo e a ostentação se haviam alastrado. Os prazeres sensuais, banquetes e bebidas, estavam causando moléstias e degeneração física, amortecendo as percepções espirituais. João devia assumir a posição de reformador. Por sua vida abstinente e simplicidade de vestuário, devia constituir uma repreensão para sua época. (White, 100)



João era diferente. Esse era o seu segredo. Enquanto o mundo ostentava, ele era simples. Na verdade, esse é o princípio que devemos tirar da vida desse profeta e aplicar em nossa prática como anunciadores do iminente retorno de Jesus. Se queremos que as pessoas de nosso tempo ouçam nossa mensagem, precisamos viver diferente da forma como elas vivem. Precisa haver uma clara distinção entre os servos de Deus e aqueles que não O servem. Por incrível que pareça, isso atrai. As pessoas estão em busca de referenciais. Nós temos uma mensagem diferente do estilo de vida do mundo. Precisamos tão-somente vivê-la e as pessoas estarão dispostas a ouvir o que temos a dizer.

É importante ressaltar ainda outro ponto. Veste de pelos de camelo é a roupa com a qual a Bíblia descreve a vestimenta de Elias. Isso é extremante significativo. João tinha como referencial um grande profeta do passado. Nitidamente imitava-o. É disso que nós precisamos. Ao invés de imitar os ícones que o mundo tem produzido na mídia e nos esportes, por exemplo, por que não imitar Jesus, seus discípulos, os reformadores e os pioneiros de nossa igreja. Não estou falando aqui de extremismos, como nos vestir da mesma forma que se vestiam essas pessoas. Estou dizendo que podemos extrair o princípio por trás dessa atitude de João. Devemos ter o mesmo amor à verdade e as almas que os grandes homens e mulheres do passado tiveram. Fazer de suas vidas objeto de nosso estudo e permitir que as características espirituais que modelaram suas vidas se apoderem das nossas. A Bíblia diz que nós somos transformados por aquilo que contemplamos. Se continuamente contemplarmos os ícones do mundo seremos como eles. Se contemplarmos a Jesus e Seus seguidores, através do estudo da Bíblia e do Espírito de Profecia, naturalmente o rosto de Jesus se imprimirá em nós. Assim fez João, assim podemos fazer.

O fim de João Batista

Em Mateus 11:11, Jesus apresenta João Batista de forma gloriosa. O Senhor diz que João foi o maior homem nascido de mulher. O paradoxo dessa afirmação é que enquanto Cristo dizia isso, o profeta estava encerrado em um cárcere do qual foi retirado para ser morto pelo ímpio Herodes. Que final! Às vezes fico pensando que João merecia um fim diferente. Depois de viver para pregar o evangelho, quem sabe uma digna aposentadoria, uma bela casinha de campo e a companhia de pessoas amadas seria o mais justo pagamento para um homem de Deus como foi João.

A verdade é que os caminhos que João Batista escolheu os levaram para um destino diferente desse. Ele era fiel à sua missão de condenar o pecado e foi isso que fez com relação à pecaminosa situação em que viviam Herodias e Herodes. O resultado foi prisão e morte. O interessante é que a esse homem preso e humilhado é que Cristo dedica uma de suas mais gloriosas declarações: “o maior nascido de mulher.” O comentário da senhora White é enfático a respeito disso:

Que em face da maneira de avaliar do Céu constitui grandeza? Não o que o mundo considera como tal; não riqueza, nem posição, nem nobreza de linguagem, nem dons intelectuais considerados em si mesmos. Se grandeza intelectual, à parte de qualquer consideração mais elevada, é digna de honra, então Satanás merece nossa homenagem, que suas faculdades intelectuais nenhum homem já igualou. (...) Valor moral, eis o que é estimado por Deus. Amor e pureza são os atributos que mais aprecia. João era grande aos olhos do Senhor. (WHITE, 219)

Esse é o tipo de homem e mulher que Deus espera contar em nossos dias. Gente grande aos olhos do céu. Gente que resolveu desprezar a glória dos homens e se apegar à Deus, custe o que custar. Olhando para o calabouço em que João Batista foi posto e sua decapitação, entretanto, ainda permanece um ar de injustiça. Parece que está faltando alguma coisa, como se a história dele não estivesse concluída. Essa é a impressão que tenho. No entanto, a senhora White acrescenta o seguinte comentário a respeito do caráter das pessoas que ressuscitaram com Jesus e ascenderam com Ele para o céu.

Quando Cristo ressurgiu, trouxe do sepulcro uma multidão de cativos. O terremoto, por ocasião de Sua morte, abrira-lhes o sepulcro e, ao ressuscitar Ele, ressurgiram juntamente. Eram os que haviam colaborado com Deus, e que à custa da própria vida tinham dado testemunho da verdade. Agora deviam ser testemunhas dAquele que os ressuscitara dos mortos. (WHITE, 786)

Naturalmente, o texto acima não declara explicitamente que João Batista ressuscitou com Cristo, mas apresenta uma característica muito adequada àquela que marcou a vida de João. Não há dúvida de que João Batista “à custa da própria vida” deu testemunho da verdade. João morreu porque defendia a verdade. Tenha João Batista ressuscitado ou não, fica-nos a certeza de que os salvos o verão no céu. O fato é que resta-nos, tal como ele foi, sermos embaixadores de Deus, anunciando a breve vinda de Jesus, apropriando-nos da verdadeira grandeza.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Iguais aos Outros?

Iguais aos Outros?

Felippe Amorim


“e lhe disseram: Vê que estás velho e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o tem todas as nações.” (I Samuel 8:5)



Ao lermos o texto acima podemos inicialmente pensar que o problema deste episódio foi o pedido do povo. Mas o fato de pedir um rei para Israel não é um problema do ponto de vista bíblico.

Deus já havia previsto muito tempo antes que Ele estabeleceria um rei sobre seu povo. Em Gênesis 17: 6 e 16, Deus já tinha mencionado a Abraão e Sara que viria um rei sobre seu povo. Jacó também recebeu a mesma promessa em Gênesis 35:11 e Gênesis 49:10. O Senhor já havia, inclusive, estabelecido as regras da monarquia em Deuteronômio 17:14-20, onde Ele fala que o rei deveria governar a partir de Sua Palavra.

Como vimos acima o problema não estava com o pedido feito a Samuel. O real problema, portanto, estava nos motivos que levaram o povo a pedir um rei.

O período dos Juízes foi de intensos perigos externos. Diversos povos ameaçavam a integridade física e territorial do povo escolhido. Dentre eles estavam os amorreus (norte) e amonitas (oriente). As Escrituras deixam aparente que o povo que mais os incomodava eram os filisteus, que após a decadência dos Hititas obtiveram o monopólio das armas de ferro, o que dava a eles vantagens bélicas ( I Samuel 13:19-21).

Essas ameaças de invasão dos povos vizinhos foram um dos motivos que levaram o povo a solicitar o estabelecimento de um rei.

Os problemas não se restringiam às questões bélicas. Havia problemas mais sérios ainda, relacionados à liderança espiritual do povo. Samuel estava velho e, portanto, próximo de morrer. No período dos juízes era comum que, após a morte de um desses líderes, se passasse muito tempo sem liderança até que outro juiz fosse estabelecido. Como Samuel estava próximo de morrer, certamente o povo estava temeroso de ficar outro período longo sem uma tão necessária liderança.

Esta situação se agravava porque os filhos de Samuel, que seriam a sucessão natural dele, não seguiam seus passos, pelo contrário, eram completamente afastados dos padrões de Deus(I Samuel 8:3).

O problema com a liderança em Israel teve um efeito direto sobre a atitude do povo em relação aos líderes e ao próprio Deus.

Devemos analisar também o próprio pedido feito pelo povo a Samuel. Nele estão contidos alguns elementos importantes para a compreensão daquela complexa situação.

Um primeiro aspecto é a precocidade do pedido do povo. Deus havia prometido estabelecer uma monarquia entre seu povo, mas o tempo deste estabelecimento era o Senhor que determinaria e não o povo(Gn 17:6, Nm. 24:17, Dt. 17:15, Dt. 17:15). Não esperar pelo tempo de Deus foi um dos aspectos errados daquele controvertido pedido feito pelo povo.

Na sequência do texto de I Samuel 8:5, podemos perceber outro aspecto falho deste episódio. O povo pediu “um rei para que nos governe”. Até então Israel era uma teocracia, portanto Deus os governava. Os anciãos, no entanto, rejeitaram a liderança divina e pediram a liderança de um homem. O próprio Deus no diálogo com Samuel atestou isso(I Sm. 8:7).

Há ainda um próximo erro contido no pedido do povo exposto no verso analisado. Existia um vontade imbutida no coração do povo: ser igual as outras nações. Essa foi a justificativa utilizada pelos anciãos para pedir um rei. Deus em diversas ocasiões havia advertido que o seu povo deveria ser distinto dos demais povos da terra(Ex. 8:23, Ex. 19:5,6, Lv 20:6,7, Dt. 7:6).

Os anciãos de Israel foram de encontro a uma recomendação expressa de Deus: Ser diferente. Esta oposição aos desígnios de Deus não poderia trazer outra coisa, senão maldição. Samuel chegou a advertir o povo sobre as consequências de instituir uma monarquia naquele momento (I Sm 8:11 a 18).

Duras advertências foram feitas por Samuel. O rei recrutaria servos, imporia trabalhos forçados, cobraria elevados impostos e faria desaparecer a liberdade e a igualdade entre o povo. Mesmo diante de todas estas consequências os anciãos confirmaram seu pedido(I Sm 8:19 e 20).

Eles realmente estavam decididos a trocar a liderança de Deus pela liderança de homens. Deus em sua misericórdia atendeu o pedido do povo e através do resignado profeta Samuel ungiu Saul, mas as consequências das más escolhas do povo vieram sobre eles, porque as consequências de nossas ações inevitavelmente virão sobre nós. O problema do povo não foi pedir um rei a Samuel. Os problemas foram não esperar pelo tempo de Deus, rejeitar a soberania de Deus sobre o povo e querer ser iguais às outras nações.

Este episódio da história do povo de Israel deve ser motivo de meditação para os cristãos modernos. Os erros cometidos por eles devem ser evitados por nós. Uma das lições que podemos aprender é que quando a liderança do povo (pastores, anciãos, diretores, etc.) não está em plena condições físicas ou espirituais de liderar a igreja, sérios problemas podem vir sobre a congregação, inclusive a apostasia de grande parte dos irmãos. Quem está na liderança precisa vigiar tanto a si mesmo, quanto à sua família, para que não incorra nos erros de Samuel, era um fiel servo de Deus, mas não obteve sucesso na criação dos filhos.

Esperar pelo tempo de Deus, não tentando adiantar os planos dEle para nossa vida é outro desafio que temos enquanto Israel espiritual. Confiemos em seus desígnios!

Aceitar a soberania do Senhor sobre nossas vidas é outra condição essencial para uma vida feliz. Ele é o dono e todas as vezes que tentamos ocupar o lugar que só pertence a Ele, certamente acabaremos mal.

Outra preciosa lição que necessitamos internalizar é a de sermos diferentes do mundo. Infelizmente muitos estão crendo na satânica filosofia de parecer com o mundo para ganhar o mundo. Outros querem paracer pelo simples fato de realmente serem “menos diferentes”. A diferença incomoda e alguns cristãos não estão dispostos a pagar o preço.

Ellen White comenta este assunto da seguinte forma: “Os israelitas não compreendiam que serem neste sentido diferentes de outras nações era um privilégio e bênção especiais. Deus havia separado os israelitas de todos os outros povos, para deles fazer Seu tesouro peculiar. Eles, porém, não tomando em consideração esta alta honra, desejaram avidamente imitar o exemplo dos gentios! E ainda o anelo de conformar-se às práticas e costumes mundanos existe entre o povo professo de Deus. Afastando-se eles do Senhor, tornam-se ambiciosos dos proveitos e honras do mundo. Cristãos acham-se constantemente procurando imitar as práticas dos que adoram o deus deste mundo. Muitos insistem em que, unindo-se aos mundanos e conformando-se aos seus costumes, poderiam exercer uma influência mais forte sobre os ímpios. Mas todos os que adotam tal método de proceder, separam-se desta maneira da Fonte de sua força. Tornando-se amigos do mundo, são inimigos de Deus. Por amor à distinção terrestre, sacrificam a indizível honra a que Deus os chamou, honra esta de mostrarem os louvores dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” (Patriarcas e Profetas, 607)

Há um imperativo divino. Devemos ser diferentes. A nossa roupa deve ser diferente, nossa alimentação deve ser diferente, nossa música deve ser diferente, enfim, os cristãos tem que atender ao chamado de Deus: sede santos, ou seja, separados.

A oração da igreja de Deus deve ser constantemente que o Senhor nos ajude a nos submetermos a Ele e aceitar os desafios que a Sua Palavra constantemente nos faz.

sábado, 23 de outubro de 2010

Prega a Palavra

Prega a Palavra
Felippe Amorim


        

Vivemos nos últimos dias da história da humanidade. Não há dúvida de que estamos muito próximo da volta de Jesus a este planeta. As profecias bíblicas a respeito deste período estão se cumprindo fielmente: catástrofes naturais, violência, fome, doenças, dentre tantas outras evidências do final dos tempos.


Os cristãos deveriam estar cada vez mais alerta diante de tudo que tem acontecido. Deus se preocupou em deixar em Sua Palavra conselhos que nos ajudariam a viver melhor neste período. Paulo, em sua carta a Timóteo, informa-nos como seriam os últimos dias da história deste planeta.

Em II Timóteo 3:1 a 5 o apóstolo descreve como estará o mundo pouco antes do retorno de Cristo. Ele informa profeticamente que seriam “tempos díficeis” nos quais os homens seriam “egoistas, avarentos, desobedientes aos pais, cruéis... mais amigos dos prazeres do que de Deus”. Apenas palavras inspiradas poderiam ser tão exatas em sua descrição, pois é um retrato fiel do mundo em que vivemos.

Após nos dar uma visão mais abrangente, Paulo concentra seu olhar na igreja e destaca dois grupos que existiriam nos últimos dias.

O primeiro grupo está descrito em II Timóteo 4:3,4. Este grupo estaria dentro da Igreja, mas sem compromisso algum com a Palavra de Deus. Uma das características desta porção da igreja é que “não suportariam a sã doutrina”. A pregação doutrinária confronta o pecado sem rodeios e isto ofende aos que amam o pecado. Para fugir destes sermões, este grupo procuraria mestres que apresentariam mensagens que “coçariam os seus ouvidos”. Esta expressão do apóstolo nos leva a pensar em pessoas que querem ouvir mensagens “agradáveis”, bonitas ,engraçadas, mas, muitas vezes, vazias.

Infelizmente, muitas igrejas na atualidade têm assumido este padrão homilético, tornando-se, assim, “amigáveis”. John MacArthur em seu livro “Com Vergonha do Evangelho”(Editora Fiel, 2009) diz que “ Nada, praticamente, é dispensado como impróprio para o culto [das igrejas “amigáveis”] ... Aliás, uma das poucas coisas que é considerada como inadequada é a pregação clara e poderosa”(p. 46). Este autor registra alguns depoimentos interessantes de líderes destas igrejas. “ Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas”. “Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los”. “O Pastor está pregando mensagens bastante atuais... mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” (p. 48-49). Percebe-se facilmente que não há compromisso algum com a Palavra de Deus nestas igrejas. O apóstolo Paulo não recomenda estas mensagens e as cita em tom de reprovação.

O segundo grupo está descrito em I Timóteo 4:1,2. Enquanto o primeiro permanece dentro da igreja, este está sofrendo o processo de apostasia. Os motivos são esclarecidos. “Obedecem ensinos de demônios”,ou seja, seguem ensinamentos religiosos que são contrários à Bíblia. Outro motivo apresentado no texto é hipocrisia, pessoas que levam uma vida dupla, são uma coisa na igreja e outra no mundo. Os apóstatas do final dos tempos também têm a “mente cauterizada”, são membros de igreja para os quais nada mais é pecado. O Espírito Santo não consegue mais falar com estas pessoas.

Jon Paulien em seu livro “Deus no Mundo Real”(CPB, 2009) apresenta alguns passos que são dados no processo de apostasia: 1- Deixar a oração particular, orar apenas em público. Na igreja, por exemplo. 2- Deixar de Estudar a Bíblia e o Espírito de profecia. 3- A queda das normas do estilo de vida. 4- Frequência irregular aos cultos. 5- Dúvidas acerca da Bíblia e da Vida futura, ou seja, a pessoa começa a se ater aos “textos difíceis” e aos poucos vai desacreditando da Palavra de Deus. 6- Desconfiança na instituições religiosas, o que redunda em rebelar-se contra a igreja. Em um processo lento e às vezes imperceptível para quem está sofrendo, a pessoa sai da igreja.

O quadro descrito acima é lamentável, mas, graças a Deus, Paulo não nos deixou sem solução. Em I Timóteo 4:1,2 nos é apresentada a saída. A frase chave deste texto é: “Prega a Palavra”. Enquanto não colocarmos em nossos púlpitos e em nossa vida a mensagem da Bíblia como ela é, não conseguiremos escapar do triste fim que está reservado para o mundo.

Precisamos estudar mais a Bíblia, os pregadores precisam pregar mais a Bíblia e menos fábulas e histórias que comovem, mas não alimentam. Apenas a Palavra de Deus pode nos livrar da falta de fé e da apostasia. Paulo nos orienta como deve ser esta pregação. Com longanimidade (paciência) e doutrina. Não devemos usar o púlpito como chicote contra a igreja, a doutrina deve ser pregada com amor, paciência, mas sem omitir nenhuma parte dela.

“Recebidas, as verdades bíblicas elevarão a mente e a alma. Se a Palavra de Deus fosse apreciada como deveria ser, tanto os jovens como os idosos possuiriam uma retidão interior, uma firmeza de princípios que os habilitariam a resistir à tentação”(Ciência do Bom Viver, 459). Que a Bíblia seja nossa companheira diária na jornada rumo às mansões celestias!













domingo, 12 de setembro de 2010

O Campeão Espiritual

O Campeão Espiritual

Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. II Tm. 2:5 (ARA)

Felippe Amorim

            A vitória sempre é o objetivo de qualquer atleta profissional. Para alcançá-la todos os meios são utilizados, alguns até usam de meios ilícitos para ficarem mais fortes ou mais rápidos e acabam sendo descobertos e desclassificados. A questão é que sempre os atletas buscam a vitória. Mas ela não vem por acaso, há um preço a ser pago pelo êxito. Paulo usa a figura do atleta para ilustrar a preparação pela qual o cristão precisa passar ao longo de sua caminhada rumo ao céu. Precisamos, portanto, analisar quais as “normas” que envolvem a preparação e a luta de um atleta espiritual.
            O texto de I coríntios  9:24 e 25 nos diz algo interessante a respeito do atleta espiritual.

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só é que recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta, em tudo se domina; ora, eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível.

            Paulo estava escrevendo para um povo acostumado a assistir e participar de competições esportivas. Na Grécia a cada quatro anos aconteciam os jogos olímpicos e na própria cidade de Corinto a cada três anos aconteciam os jogos Istmicos. Portanto os leitores primários desta carta de Paulo entendiam exatamente o que o apóstolo queria falar.          
            O primeiro conselho do apóstolo é: “correi de tal maneira que o alcanceis”. Para alcançar a vitória, o atleta não podia correr de qualquer maneira. Existia um jeito certo de se portar para que o objetivo fosse alcançado. Na vida espiritual não é diferente. Não é de qualquer maneira que seremos vencedores. Necessitamos primeiramente ajustar o nosso foco. Nunca um atleta espiritual pode tirar os olhos de Jesus, único meio de alcançarmos a salvação. Correr em qualquer outra direção é perder tempo.
            Determinação é outro aspecto imbutido neste primeiro conselho paulino. Há duas partes do treinamento que não são naturalmente atrativas para nós, mas que são essenciais para o sucesso na carreira: O estudo da Bíblia e a oração. Nenhum atleta será campeão na corrida espiritual se não for determinado nestes dois “treinamentos” da preparação cristã. Determinação se faz necessária, porque a nossa natureza não busca essas coisas. Na verdade para que possamos praticar constantemente o estudo da Bíblia e a oração precisamos lutar contra a nossa natureza carnal.
            No versículo 25, Paulo nos apresenta uma segunda característica do atleta que precisamos aplicar à nossa vida espiritual. Ele diz: “E todo aquele que luta, em tudo se domina”. Os atletas gregos quando iam se preparar para uma competição se submetiam a um rigoroso treinamento que durava em média dez meses. Durante este período eles abriam mão de muitas coisas. Eles sacrificavam a convivência com amigos e familiares, não desfrutavam de prazeres nas festas que eram comuns na Grécia. Cuidavam da alimentação, evitando os alimentos que não os ajudariam na preparação para a competição. Os atletas gregos rejeitavam, durante aqueles dez meses, qualquer coisa que não os ajudasse a tornarem-se vencedores.
            Assim como eles, nós, os atletas espirituais, precisamos nos dominar em muita coisa se queremos alcançar a coroa. Podemos citar várias das áreas nas quais precisamos exercer o domínio prórpio, que é fruto do Espírito. No namoro, no trabalho, nas relações sociais precisamos dominar nossa inclinação para o erro. Outra área é a alimentação. Há uma dieta ideal que o Senhor deseja que tenhamos e precisamos buscar cada vez mais estar perto do ideal de Deus para nós. Essa dieta está inserida dentro de um estilo de vida que deve ser buscado por cada cristão na face da terra.
            Para os gregos o tempo era de dez meses. Para nós também há um tempo: até a volta de Jesus. Muitas vezes o treinamento é rigoroso e acompanhado de sofrimento. Nessas horas devemos pedir ajuda ao treinador Jesus e pensar no prêmio que estamos buscando.
            Aliás, não tirar os olhos do prêmio é o grande segredo da vitória na vida espiritual. Os atletas que Paulo cita, corriam, se esforçavam, renunciavam por causa de um prestígio passageiro e de uma coroa de louros que dentro de dias estaria murcha e deveria ser jogada no lixo. Se eles se dedicavam tanto para ganhar coisas passageiras, quanto mais nós que temos a ganhar uma coroa eterna.
            Há muitas diferenças entre o prêmio do atleta secular e o nosso prêmio. Nos jogos olímpicos, em cada modalidade, apenas um atleta poderia ser campeão e todos os outros que fizeram esforço equivalente ficavam tristes. Na competição espiritual a disputa não é contra o companheiro do lado, a luta é contra nós mesmos e todos podem ser campeões ao mesmo tempo. Há coroa para todos!
            Em Tiago 1:12 lemos:

Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam.

            Apocalipse 2:10 completa esta ideia:

 Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.

            A nossa luta não é fácil. Jesus nunca prometeu que a preparação do atleta espiritual seria um mar-de-rosas, mas para todos aqueles que forem fiéis, há um prêmio preparado que compensará todo esforço e renúncia feitos neste processo de preparação.
            Na primeira visão de Ellen G. White foi revelado a caminhada do povo de Deus rumo às mansões celestiais. Na parte final desta revelação ela e o grupo dos salvos chegaram ao céu. Após sete dias de viagem em uma núvem, finalmente eles chegaram ao mar de vidro e ali receberam das mãos do próprio Cristo a sua coroa, harpas de ouro e palmas de vitória. Sob a companhia dos anjos e o convite de Jesus, todos entraram na cidade santa vestindo vestes brancas lavadas no sangue do cordeiro. Todos se maravilhavam com as construções de ouro e logo se dirigiram para perto da árvore da vida. Neste momento acontece um episódio muito lindo:

Todos nós fomos debaixo da árvore, e sentamo-nos para contemplar o encanto daquele lugar, quando os irmãos Fitch e Stockman, que tinham pregado o evangelho do reino, e a quem Deus depusera na sepultura para os salvar, se achegaram a nós e nos perguntaram o que acontecera enquanto eles haviam dormido. Tentamos lembrar nossas maiores provações, mas pareciam tão pequenas em comparação com o peso eterno de glória mui excelente que nos rodeava, que nada pudemos dizer-lhes, e todos exclamamos - "Aleluia! é muito fácil alcançar o Céu!" - e tocamos nossas gloriosas harpas e fizemos com que as arcadas do Céu reboassem. (Primeiros Escritos, 17)

            O galardão era tão maravilhoso, que as lutas pelas quais passaram na terra se tornaram em nada. É isso que está guardado para nós. O prêmio da “competição espiritual” é tão maravilhoso que qualquer esforço nosso no processo de preparação se tornará minúsculo  frente a maravilha da coroa da vida. Que o Espírito Santo nos guie na preparação e nos faça campeões espirituais.
           


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Carta Aberta

Carta Aberta
Publicado na Revista Adventista de Julho/2010

Felippe Amorim



Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração. II Cor. 3:2,3



A bíblia registra diversas metáforas a respeito da vida cristã. Sal da terra, luz do mundo, dentre outras. Uma destas metáforas é a relatada no texto acima. Podemos tirar muitas lições para nossa vida cristã quando pensamos em nós como a carta de Cristo ao mundo.

Quando escrevemos uma carta e endereçamos a alguém, ela se torna uma parte de nós que estamos deixando com a outra pessoa. Aquele pedaço de papel representa a pessoa que o enviou. Se a carta foi enviada para alguém desconhecido, tudo o que aquela pessoa saberá de nós é o correspondente ao conteúdo da carta.

Assim também acontece conosco em relação a Jesus. A bíblia nos diz que somos a carta de Cristo para a humanidade. Portanto, quando as pessoas nos “lerem” elas estarão aprendendo a respeito de Jesus e do cristianismo. A pergunta importante é: O que as pessoas estão “lendo” em nós? Quando estamos no nosso trabalho, o que mostramos às pessoas a respeito de Jesus e do cristianismo? E quando estamos na escola ou faculdade, que tipo de mensagens as nossas ações e palavras têm dado a respeito do Senhor?

A bíblia apresenta-nos a história de alguém que foi uma “boa carta” de Deus à humanidade. Onde este homem passava as pessoas o reconheciam como um homem de Deus. Estamos falando de Eliseu, o profeta que sucedeu Elias.

Um episódio muito significativo da vida deste profeta foi registrado na bíblia assim: “Sucedeu também certo dia que Eliseu foi a Suném, onde havia uma mulher rica que o reteve para comer; e todas as vezes que ele passava por ali, lá se dirigia para comer”.(II Reis 4:8) Esta mulher e sua família ficaram tão impressionados com a conduta de Eliseu que construiram um quarto e o mobiliaram especialmente para o profeta. Mas, o que impressionou tanto estas pessoas? Que características Eliseu possuia que fez uma família rica admirar tanto o profeta? A bíblia responde: “E ela disse a seu marido: Tenho observado que este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus. Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto sobre o muro; e ponhamos-lhe ali uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, quando ele vier a nós se recolherá ali”. (II Reis 4:9,10)

“Um santo homem de Deus”. Esta foi a característica que fez de Eliseu tão atrativo a esta família. Eis um método missionário excelente: uma vida que prega sem proferirir uma só palavra.

Muitos têm se preocupado com quais métodos utilizar para que o evangelho seja pregado aos ricos. A história de Eliseu nos dá uma direção infalível. Uma vida consagrada a Deus pode impressionar vidas e levá-las para mais perto de Jesus. Como diz Ellen White: Em cada esforço para alcançar as mais altas classes, o obreiro de Deus necessita de forte fé. As aparências podem parecer desoladoras, mas na hora mais escura há luz do alto. A força dos que amam a Deus e a Ele servem será renovada cada dia. A mente do infinito está posta a seu serviço, para que ao executarem Seu propósito não cometam erro.(White, 1986. P.242)

Precisamos nos preocupar com o tipo de testemunho que temos dado a respeito da religião que professamos. As palavras que proferimos, as comidas que comemos, as músicas que cantamos e ouvimos, os lugares que frequentamos, tudo isso mostra o quão comprometidos com o evangelho de Jesus nós somos. Pois, “muitos há, cujos nomes estão nos livros da igreja, mas não sob o governo de Cristo. Não Lhe ouvem as instruções, nem fazem Sua obra. Por isto estão sob o domínio do inimigo. Não fazem positivamente bem, por isto produzem dano incalculável. Por sua influência não ser cheiro de vida para vida, é cheiro de morte para morte(White . PJ 304). Temos sido cartas que levam mensagens de vida ou de morte?

Não existe meio termo nesta questão “ou somos coobreiros de Cristo, ou coobreiros do inimigo. Ou ajuntamos com Cristo ou espalhamos.Ou somo cristãos decididos, de todo coração, ou nada somos(White, CPI. 41). Que possamos pedir todos os dias que a graça de Cristo nos santifique a tal ponto que as pessoas possam ver Cristo em nós.





Bibliografia



WHITE, Ellen G. Conselhos para a igreja. Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira,2007

WHITE, Ellen G. Párabolas de Jesus. 14ª edição (eletrônica).Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira,

WHITE, Ellen G.. Atos dos Apóstolos. Tatuí – SP . Casa Publicadora Brasileira, 1986

sábado, 24 de julho de 2010

A Chama não pode se apagar

Felippe Amorim

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. João 14: 1-3




Existem muitos motivos pelos quais podemos ser cristãos e especialmente Adventistas do Sétimo Dia. A tradição da família, os princípios cristãos que nos ajudam a viver em paz neste mundo conturbado, o hábito e outros motivos que nos levam a freqüentar a igreja. A despeito de todos os motivos acima mencionados, nenhum é mais importante para justificar a vida cristã do que a esperança na volta de Jesus.

O conhecido verso bíblico acima foi pronunciado por Jesus aos seus discípulos quando os mesmos estavam angustiados pela iminência da separação de seu Mestre. Eles ainda não compreendiam muito bem as palavras de Jesus a respeito dos acontecimentos que em breve ocorreriam e ficaram amedrontados em pensar que teriam que continuar o trabalho sem o seu Senhor.

Neste contexto, Jesus faz a mais linda e importante promessa da Bíblia, o seu retorno. Nestes três versículos estão contidas palavras essenciais para a nossa vida. Considero a mais importante promessa das escrituras primeiramente porque é o motivo da nossa carreira cristã. A existência de escolas, hospitais e igrejas adventistas só se justifica se o pano de fundo for a esperança na volta de Jesus. Se estas instituições perderem este foco, perdem também o razão de existitem.

Outro motivo pelo qual considero o tema da promessa de João 14:1-3 como o mais importante da Bíblia é que esta é a única e realmente eficiente solução para os problemas do mundo. Por mais que tenhamos estratégias para combater a violência, a destruição do meio ambiente, a corrupção e outros problemas que tem afetado cada um de nós moradores do planeta Terra, nenhuma delas é absoluta. Somente o retorno de Jesus dará a solução final para os problemas da humanidade.

O primeiro grande ensinamento desta promessa é que Crer é o segredo para a tranquilidade. Os discípulos estavam com o coração agitado, cheios de perguntas sem respostas, cheios de medos e incertezas. Assim como as vezes acontece conosco hoje, eles não conseguiam viver uma vida de tranquilidade. Jesus, então, dá a receita infalível para uma vida de paz: “credes em Deus, crede também em mim”. A fé, a entrega de nossa vida a Deus em atitude de completa confiança é a única maneira de vivermos em paz em meio as tempestades deste mundo. A primeira parte da promessa nos garante que podemos viver um vislumbre do céu aqui na terra quando cremos em nosso Senhor.

O Salvador continua sua preciosa promessa falando do lugar para onde iremos. A expressão usada é muito interessante. Ele diz que na “casa do pai” há muitas moradas e que lá iria preparar um lugar para nós. No céu não haverá pessoas que moram mais próximas do trono de Deus e outras mais distantes. Não haverá periferia no céu. Todos nós moraremos na mesma casa, sem distinção, sem classificação, todos teremos um quarto dentro da casa do Pai.

Existe, porém, a parte central desta promessa. Jesus disse: “Voltarei”. Todas as palavras de Jesus não teriam sentido se não existisse esta parte. Só podemos viver tranquilos e sonhando com a casa do Pai, porque Jesus prometeu voltar. Esta é a maior e mais importante doutrina Bíblica e consequentemente dos Adventistas, motivo maior da existência desta igreja, por isso retratada no início do nosso nome: Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Essa esperança moveu os pioneiros desta igreja. O ano de 1844 é, sem dúvida, um marco na nossa história. Naquele ano milhares de pessoas aguardavam o retorno de Jesus para o dia 22 de outubro. A vontade de ver o Senhor era tamanha que para eles não havia um assunto mais importante do que este. Em qualquer momento e para qualquer pessoa eles falavam sobre este evento.

Nos meses que antecederam a data marcada, os adventistas mileritas venderam tudo o que eles tinham e investiram na pregação da volta de Jesus. Aquele evento era prioridade para eles, portanto, não mediam esforços para proclamá-lo.

O dia 22 de outubro de 1844 chegou e com ele uma alegria que não cabia no coração. Era o dia de encontrar com o Salvador. O líder do movimento, Guilherme Miller, havia trabalhado duro para pregar a mensagem da volta de Cristo, muitas pessoas estavam como ele aguardando ver Jesus nas nuvens. O dia passou, a noite chegou e Jesus não veio. Um grande desapontamento se estabeleceu em todos os adventistas.

Não seria diferente para Miller, era a segunda vez que ele se desapontara. Muitos zombaram dele e sua vida se tornou dolorosa por causa dos inimigos. Mas ao invés de desanimar, este grande homem de Deus afirmou que tinha uma nova data para a volta do seu Senhor. Ele disse que aguardaria Jesus para “Hoje, Hoje e HOJE, até que Ele venha”. Que fé!

Mais de 160 anos já se passaram desde aqueles dias e infelizmente alguns Adventistas do Sétimo Dia não têm mais a chama da volta de Jesus acesa em seu coração. Vivem como se não tivessem esta esperança. Dela não falam, com ela não sonham, para ela não se preparam, parece que este mundo está bom demais para que eles desejem sair dele.

Quanto tempo do nosso dia temos passado pensando na volta de Jesus? Será que ainda pensamos nela? Quando foi a última vez que você falou sobre isto a alguém ou a você mesmo? Não existe real motivo para a vida cristã se não arde em nosso coração o desejo pela volta de Jesus. Parece estar demorando, mas o tempo é de Deus e não nosso. Nossa preocupação deve estar em como estamos. O “quando” é de Deus. Precisamos voltar a ter a chama da volta de Jesus acesa em nosso coração. Não podemos nos deixar abater por causa do tempo. Devemos fazer tal qual Guilherme Miller, aguardar Jesus para “hoje, hoje e HOJE, até que Ele venha”. Jesus está voltando e a chama não pode se apagar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sermão Pregado na 59ª Conferência Geral, sábado, 03 de julho de 2010.

Sermão Pregado na 59ª Conferência Geral, sábado, 03 de julho de 2010.
Pr. Ted Wilson (Presidente eleito da IASD mundial)




INTRODUÇÃO



Bom dia irmãos e irmãs em Cristo! Que privilégio é adorarmos juntos nesta manhã de sábado. Somos gratos a Deus pela forma que conduziu as decisões de Sua igreja durante esta semana. Rendemos glória ao seu nome.



A Igreja Adventista do Sétimo Dia encontra-se em uma jornada rumo ao céu, e estamos quase em casa. Eu acredito com todo meu coração que Jesus breve voltará! Em todas as línguas existentes podemos dizer: “Breve Jesus Voltará!".



- Jésus va revenir bientôt (Francês),

- Jesús volverá pronto (Espanhol),

- Jesus is coming soon (Inglês),

- Иисус скоро вернется (Iisus skoro vernet•sya - Russo),

- Yesu ana-kuja kari-buni sana (Swahili),

- 예수님은 곧 돌아올 겁니다 (yesunim-eun god dol-aol geobnida - Coreano),

- 耶稣将很快返回 (Yēsū jiāng hěn kuài fǎnhuí - Chinês),

- यीशु ने जल्द ही वापसी करेंगे (Yīśu nē jalda hī vāpasī karēṅgē - Hindi),

- Si Jesus ay bumalik sa lalong madaling panahon (Tagalo),

- يسوع سوف يعود قريبا (Ha ana ahti seriahn - Árabe),

- Jesus wird bald zurückkehren (Alemão),

- E, assim por diante, em muitas outras linguas do mundo.



Eu particularmente aprecio o maravilhoso espírito e o entusiasmo de nossa família mundial de fé. E enquanto, todos nós estamos orgulhosos de nossas nações e culturas diferentes, eu louvo ao Senhor, por haver uma cultura de Cristo que nos une e substitui todas as outras. Nesse espírito, eu humildemente peço suas orações para que a mensagem que partilho hoje, seja ouvida de forma clara e, que o mensageiro não seja engrandecido, mas sim Deus. Para esse efeito, se há um determinado ponto com o qual você concorda, por favor, responda com um sincero "Amém", ao invés de aplausos. Obrigado por sua ajuda em manter o foco na mensagem, não no mensageiro.



Mundo Caótico



Os sinais da vinda de Cristo aumentam com frequência e intensidade a cada dia. Eventos destruidores da natureza, a grande confusão da política mundial, o crescente comprometimento com atividades ecumenicas, o aumento dramático e influência do espiritismo, a deterioração das economias do mundo, a desintegração da sociedade e dos valores familiares, a descrença na autoridade absoluta de Deus, na Sua Santa Palavra e nos Dez Mandamentos, a criminalidade e decadência moral, guerras e rumores de guerra. Todos apontam inequivocamente para o clímax da história da Terra e do retorno do Senhor Jesus.



Que grandioso privilégio temos em saber que mesmo em meio à incerteza do mundo, podemos descansar com absoluta confiança na imutável Palavra de Deus! Durante todo o curso da história humana e contra o ataque satânico implacável, Deus preservou a Sua Santa Palavra. A Bíblia contém um relato preciso das nossas origens, um registro confiável de nossa salvação, e um vislumbre glorioso da nossa libertação por vir. Como adventistas do sétimo dia, aceitamos a Bíblia como a base para todas as nossas crenças e vemos em suas páginas a nossa identidade e missão profética original.



Identidade Adventista e Missão



Com o poder da Sua verdade, Deus esculpiu neste mundo caótico a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Devemos ser um povo peculiar, povo remanescente de Deus, para levantar Cristo, a Sua justiça, Suas três mensagens angélicas registradas em Apocalipse 14, e Sua breve volta. Como cristãos que creem na Bíblia, vivendo nos últimos dias da história da Terra, precisamos ser o que o apóstolo Pedro chamou de "uma geração eleita, o sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva, para anunciar os louvores Daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz." Como povo remanescente de Deus, identificados em Apocalipse 12:17, como aqueles que "guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo", temos uma única mensagem de esperança e um imperativo para anunciar a graça de Deus ao mundo. No sétimo volume dos Testemunhos lemos: "Os adventistas do sétimo dia foram escolhidos por Deus como um povo peculiar, separado do mundo [...] Ele os fez os seus representantes e os chamou para ser Seus embaixadores na última obra da salvação."



SÁBADO



Uma das características de identificação do povo de Deus dos últimos dia é o fato de que os membros de sua igreja aceitam e acreditam em TODOS os dez mandamentos de Deus, incluindo o quarto mandamento, que nos convoca a lembrar do dia do Senhor, o santo sábado. A observância do sábado não é apenas um sinal da Sua obra criadora, mas será o sinal do povo de Deus nos últimos dias, em contraste com aqueles com possuem a marca da besta, que representa uma tentativa em santificar um dia que Deus não separou como santo.



O Sábado e a Mensagem dos Três Anjos



O sábado e o seu significado diz respeito a cada uma das três mensagens angélicas de Apocalipse 14. O primeiro anjo tem o Evangelho Eterno – a justiça de Cristo, ele diz: “Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora de seu juízo e adorai Aquele que fez o céu e a terra, o mar e as fontes das águas." Deus é o Criador e deve ser adorado em Seu Sábado como um sinal da nossa fidelidade à Sua Palavra e poder criativo. O segundo anjo proclama no versículo 8: "Caiu, caiu a grande Babilônia [...] porque ela a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição." Ela corrompeu os mandamentos de Deus e instituiu um novo dia de adoração que não é o sábado do sétimo dia, que é a marca única e verdadeira de Deus. O terceiro anjo anuncia nos versículos 9-12 que "Se alguém adora a besta e a sua imagem, e recebe a sua marca na testa ou na mão", ele ou ela será atormentado ou destruído com fogo e enxofre. Se você adora a besta e a sua imagem está rejeitando o sinal que Deus proclamou como Seu teste de fidelidade – o sábado do sétimo dia.



SALVAÇÃO



O terceiro anjo encerra sua proclamação no versículo 12 identificando o povo de Deus como aqueles que "guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus". Nós confiamos inteiramente em Jesus e no nosso relacionamento com Ele para obter salvação. Não acreditamos que obtemos a salvação pelas obras, mas pela graça de Cristo que anunciamos. Graça é a promessa do perdão e da provisão do poder de Deus – justificação e santificação. Você não pode separar o que Cristo faz POR você do que ele faz EM você. Este é o evangelho eterno expresso na mensagem do primeiro anjo. É a justificação pela fé. É por isso, que os adventistas do sétimo dia devem ser a voz mais poderosa em proclamar a graça de Deus! O tema do Grande Conflito refere-se sobre como Deus por sua graça salva os pecadores e através de seu poder os transforma em filhos e filhas, fiéis testemunhas aptos a proclamar as três mensagens angélicas, com o santo zelo que vem do Espírito por meio de uma ligação viva com Jesus, o autor e consumador da nossa a fé.



O sangue expiatório de Jesus Cristo na cruz e o ministério expiatório de Jesus Cristo no Santuário Celestial, têm apenas um propósito: a salvação de todo pecador arrependido. Assim, através de Seu sacrifício expiatório e do ministério sacerdotal, podemos: "nos achegar com confiança ao trono de graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça e socorro em tempo de necessidade." É esta maravilhosa e poderosa graça redentora, que fomos chamados a anunciar ao mundo pecador.



Além disso, apenas a graça de Deus pode remover do coração humano a auto-indulgência ou auto-suficiência. O maravilhoso livro, Caminho a Cristo, explica que, “nada temos, pois, em nós mesmos, de que nos possamos orgulhar. Não temos nenhum motivo para exaltação própria. Nosso único motivo de esperança está na justiça de Cristo a nós imputada, e naquela atuação do Seu Espírito em nós e através de nós.” (p. 63)



Espírito de Profecia



Agora, voltando a Apocalipse 12:17 temos uma outra grande marca distintiva do povo remanescente de Deus. Lemos que eles "têm o testemunho de Jesus Cristo". Apocalipse 19:10 nos diz que "o testemunho de Jesus é o espírito de profecia". O mesmo espírito que moveu os homens santos de outrora, mais uma vez, nestes últimos dias, levantou uma mensageira do Senhor. Meus irmãos e irmãs da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o Senhor nos deu um dos maiores dons, os escritos do Espírito de Profecia. Assim como a Bíblia, o testemunho da mensageira de Deus para o tempo fim, não é ultrapassado ou irrelevante.



Deus usou Ellen G. White como uma humilde serva a fim de fornecer discernimento sobre a Escritura inspirada, profecias, saúde, educação, relacionamentos, missão, vida familiar, e muitos outros temas. Precisamos ler o Espírito de Profecia, seguir o Espírito de Profecia e apresentá-lo a outros. Há muitos livros maravilhosos para compartilhar, principalmente, o que ela mesma indicou, como sendo o que precisava ser mais distribuído do que qualquer outro, O Grande Conflito. Agradeça ao Senhor pela liberdade religiosa neste e em outros países que nos permite apresentar a verdade. O Espírito de Profecia é uma das marcas de identificação do povo de Deus nos últimos dias e, é tão aplicável hoje como nunca, porque nos foi dado pelo próprio céu. Como remanescente fiel de Deus, não podemos tornar sem efeito a preciosa luz dada nos escritos de Ellen G. White.



Na humildade de Cristo



Quando usamos esse termo: Igreja Remanescente ou Povo Remanescente, nunca devemos usá-lo de forma egocêntrica, exclusiva. Temos de ser as mais humildes pessoas na terra, reconhecendo nossa necessidade completa de Jesus, nosso Salvador, e louvá-Lo por nos chamar para este poderoso movimento do Advento. Este movimento do Advento é feito de pessoas humildes, gente simples – não simplistas, mas simples. Muitos do povo de Deus são educados, disciplinados e experientes, mas ainda precisam ser um povo simples. Nosso Salvador, falou com autoridade surpreendente e ainda foi humilde o suficiente para ser atraente para com o pior dos pecadores. Esta igreja não é apenas uma outra denominação, é um movimento único, iniciado no céu, com a missão de salvar o mundo, que deve continuamente avançar na humildade de Jesus. O mundo precisa ouvir a mensagem de Cristo por intermédio de um povo que é como Cristo. Quando formos transformados por Sua graça, pregaremos, ensinaremos e testemunharemos a mensagem diretamente da Bíblia e do Espírito de Profecia de uma forma humilde, discreta, carinhosa e encantadora.



Quando nós, com toda a humildade, estivermos completamente nos braços eternos do Senhor, Ele atuará por nosso intermédio de maneira poderosa para dar a última mensagem de misericórdia a um mundo agonizante. Nosso sucesso na finalização deste trabalho depende de nossa submissão à Palavra de Deus e da liderança do Espírito Santo. Depende de nos humilharmos diante de nosso Criador e, negar o nosso “eu” de modo que Jesus possa nos guiar e vencer o nosso pecado. Isto, depende se estamos ou não prontos para humildemente pedir reavivamento e reforma em nossa vida pessoal e coletivamente como igreja, o que permitirá a efusão do Espírito Santo na chuva serôdia.



A Sra. White registra uma visão em Testimonies Vol. 8, intitulada O que poderia ter sido. Ela viu que Deus queria fazer duas grandes coisas na Sessão da Conferência Geral em 1901:



1°) Reorganizar a Igreja, o que nos permitiu ter muito da estrutura que temos hoje, e

2°) Prover o derramamento do Espírito Santo, o que não aconteceu porque havia descrença na igreja e, os líderes de Deus e membros não eram humildes diante de Deus. A igreja perdeu a oportunidade de receber a chuva serôdia. Isso foi há 109 anos. Não façamos Deus esperar mais para derramar a chuva serôdia, para que Jesus possa vir.



Precisamos orar fervorosamente por esta experiência. Nós temos feito isso durante esta sessão e devemos continuar buscando seriamente a vontade do Senhor em nossa vida depois que sairmos daqui. A Sra. White deixa claro que: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser a nossa primeira ocupação. Importa haver diligente esforço para obter a bênção do Senhor, não porque Deus não esteja disposto a outorgá-la, mas porque nos encontramos carecidos de preparo para recebê-la. (E recebereis poder, p. 285) Durante as sessões de trabalho desta Conferência Geral, temos suplicado a Deus por reavivamento e reforma, pelo Espírito Santo e pela chuva serôdia. Irmãos e irmãs, este é o tempo – o Senhor virá em breve! Ele quer usar a Sua igreja remanescente de uma forma mais poderosa.



O Senhor está desejoso de reproduzir em nós o Seu próprio caráter. Isto só pode acontecer quando nos rendermos a Ele a cada dia. Como Paulo nos diz em Filipenses 2:5, "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus." No momento em que nos conectarmos com Cristo diariamente e permitirmos que Ele opere através de nós, seremos, então, usados pelo Espírito Santo para proclamar a Sua graça e apressar a vinda do Senhor. Lembre-se, este é o movimento do Advento, um povo chamado, uma igreja remanescente, um povo em uma jornada para o céu na qualidade de proclamar a graça de Deus.



No livro Parábolas de Jesus, lemos do desejo de Cristo para o Seu povo, Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. “Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então, virá para reclamá-los como Seus. Todo cristão tem o privilégio, não só de esperar a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, como também de apressá-la. Se todos os que professam Seu nome produzissem fruto para Sua glória, quão depressa não estaria o mundo todo semeado com a semente do evangelho! Rapidamente amadureceria a última grande seara e Cristo viria recolher o precioso grão.” (p. 69)



Israel fora do Egito



No Antigo Testamento, Deus chamou um povo peculiar, com uma mensagem especial e um futuro. Eles foram chamados para ir a uma jornada de fé e por sua confiança nEle proclamar a graça de Deus ao mundo. Os Filhos de Israel viveram no Egito durante 400 anos e acabaram sendo escravos dos egípcios. Eu cresci no Egito até os meus oito anos de idade. Cairo foi a minha casa. Eu sabia muito pouco sobre o resto do mundo, exceto do Oriente Médio. É um lugar maravilhoso cheio de pessoas maravilhosas. No entanto, nesse tempo antigo, Israel estava em cativeiro no Egito. Através dos milagres de Deus e por meio de Moisés, Arão e Miriam, Deus libertou o Seu povo para uma jornada – para uma missão no mundo. Depois da décima praga final e devastadora, os Filhos de Israel deixaram o Egito.



Êxodo 13:21 diz que "... o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para guiar o caminho, e de noite numa coluna de fogo ..." Que Deus maravilhoso! Ele nos guiará dia e noite! O Senhor levou-os para o lado oeste do Mar Vermelho ao lado do deserto egípcio. Lemos no capítulo 14:2 que Deus levou-os a um lugar para "acampar diante de Pi Hairote, entre Migdol e o mar, defronte de Baal-Zefom, você deve assentar o acampamento junto ao mar." Meu pai que passou quase 15 anos no Egito, sente que sabe onde este lugar é e, como é da forma que está descrito em Patriarcas e Profetas. Ali, é um lugar onde Deus poderia demonstrar o seu poder contra os egípcios. Alguns estudiosos da Bíblia pensam que os filhos de Israel atravessaram o Mar Vermelho em um ponto onde havia um mar até a cintura de juncos. Que valor teria para Deus demonstrar o Seu poder em um lugar assim? Absolutamente nenhum valor! Na realidade, era um lugar muito difícil. Como os israelitas estavam progredindo do sul, tinham o deserto egípcio a oeste, uma montanha na frente deles, o Mar Vermelho a leste e o Egito por trás deles. O capítulo continua a descrever como Faraó mudou de ideia e como ordenou suas tropas para perseguir os israelitas com "seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito." O versículo 10 diz que quando os israelitas ouviram o exército do Faraó chegando ficaram aterrorizados. Por que quando Deus está conduzindo, ficamos com medo? Os israelitas tinham a manifestação da nuvem e a coluna de fogo, por que não confiar no poder que os estava guiando?



Vamos aprender a lição. Os israelitas estavam tão perturbados que repreenderam Moisés (versículo 11) dizendo: "Foi por não haver sepulcros no Egito que nos tiraste de lá para que morramos aqui neste deserto?" Por que agimos da mesma maneira às vezes? Nós vemos sinais miraculosos de Deus de misericórdia e orientação e, em seguida, algo vai mal e culpamos Deus.



Em seguida, (versículo 13), Moisés diz ao povo para não ter medo: "Fiquem quietos, e vede a salvação do Senhor, que hoje Ele fará." Muitas vezes, somos tentados a agir por nossos próprios impulsos, sem permitir ao Senhor que guie os nossos passos. No entanto, o Senhor nos pede para ir avante apenas sob Sua direção. Assim, Moisés deu a promessa poderosa que está no versículo 14, que deve ser a promessa que todos devemos nos apropriar em face do grande conflito entre Cristo e Satanás, "O Senhor guerreará por vós, e manterá a sua paz." Irmãos e irmãs, o Senhor vai lutar por nós, Ele abrirá o caminho. Ele dará a vitória para a Sua Igreja, mas devemos confiar nEle, devemos nos humilhar diante dEle, devemos obedecê-Lo, e devemos seguir o seu líder. E então, Deus proclamou aos filhos de Israel através de Moisés, o mesmo comando que Ele dá a Sua igreja remanescente dos últimos dias. O versículo 15 declara: "E o Senhor disse a Moisés: "Por que clamas a mim? Diga aos filhos de Israel para que marchem". Quando Deus diz: “marchem”, devemos marchar.



No entanto, os filhos de Israel não puderam ver o cenário completo. Eles haviam esquecido de como Deus os havia guiado no passado. Não podemos nunca nos esquecer de como Deus direcionou este Movimento do Advento no passado e como Ele vai levá-lo à vitória, no futuro, para a glória de Seu nome e reivindicação de Seu plano de salvação perante o universo. Estamos vivendo no final do Grande Conflito e Deus diz: "Marchem".



Mas o que os filhos de Israel poderiam fazer? Sentiam-se preso pelo deserto à sua direita, a montanha à frente, o Mar Vermelho à esquerda e o exército do Egito que se aproximava, por trás. Eles não confiaram no poder de Deus. Tudo o que puderam ver foram as barreiras.



Eu não sei que barreiras você está enfrentando hoje. Eu não sei que barreiras você acha que a igreja está enfretando. Seja o que for, Deus tem um meio para libertar cada um de nós e, para libertar a Sua igreja, proclamadora de Sua graça.



Quais são as barreiras que você enfrenta neste sábado?



1. Você está enfrentando:



-Montanhas de dúvidas sobre a Bíblia?



-Um mar de interpretação liberal da Palavra de Deus?



-Exércitos da confusão espiritual?



Deus diz que somos uma nação santa e um povo peculiar – "Marchem"



2. Você está sendo confrontado por:



-Montanhas de dificuldades financeiras?



-Um mar de conflitos familiares e pessoais?



-Forças de mudanças sociais negativas?



O Senhor diz: "Marche", tu és o meu povo escolhido.



3. Você está cercado por:



-Montanhas da falta de comunicação?



-Um mar de agitação e confusão em casa, no trabalho, na igreja e na sociedade?



-Forças de conflito emocional e desconfiança?



Deus diz: "Marche", independentemente das circunstâncias. Deus tem um caminho a seguir. A Inspiração nos diz: "Deus, em Sua providência, trouxe os hebreus ao aperto das montanhas, diante do mar, para que pudesse manifestar Seu poder no livramento deles, e humilhar de maneira extraordinária o orgulho de seus opressores. Ele os poderia ter salvo de qualquer outro modo, mas escolheu este, a fim de lhes provar a fé e fortalecer a confiança nEle.” (Patriarcas e Profetas, p. 290)



Foi então, que Deus operou um dos seus grandes milagres, assim como Ele fará hoje! Os versículos 19 e 20 de Êxodo 14 nos dizem que a nuvem de proteção de Deus se moveu da frente para trás dos israelitas, a fim de protegê-los do exército egípcio. Para os israelitas a nuvem foi uma inundação de luz, no entanto, para os egípcios era uma parede de escuridão.



O verso 21 diz que Moisés estendeu a mão sobre o Mar Vermelho e Deus abriu um grande caminho pelo meio do mar. A nuvem manteve os egípcios atrás, enquanto os israelitas marcharam em frente, com fé pelo meio do Mar Vermelho. Você pode imaginar a emoção de mais de um milhão de pessoas andando pelo mar em uma estrada seca? Imagine a emoção das crianças ao verem os peixes nadando como se estivessem em um aquário?



A inspiração descreve a cena em uma linguagem poderosa, "A grande lição ali ensinada é para todos os tempos. Muitas vezes, a vida cristã é cercada de perigos, e o dever parece difícil de cumprir-se. A imaginação desenha uma iminente ruína perante nós, e escravidão ou morte atrás. Contudo, a voz de Deus fala claramente, "Marchem." Devemos obedecer a este comando, mesmo que nossos olhos não consigam penetrar as trevas e sintamos as ondas frias sobre os nossos pés. Os obstáculos que impedem nosso progresso nunca desaparecerão diante de um espírito que se detém ou duvida." (Patriarcas e Profetas, p. 202)



Assim, irmãos e irmãs, olhem para o Deus Todo-Poderoso que pode guiá-lo através de qualquer coisa que você enfrentará no futuro. Nunca perca a sua confiança nEle. Sempre obedeça ao Seu comando: "Marche".



Depois de os israelitas terem completado a sua tarefa dirigida pelo céu de caminhar através do Mar Vermelho, os egípcios, em seguida, foram autorizados a persegui-los. Foi tudo de acordo com o plano de Deus. Deus tem um plano para sua vida e para esta igreja. Nunca duvide do destino deste poderoso movimento do Advento. Ele está nas mãos de Deus. Deus nos deu a instrução profética para saber o ponto culminante do Grande Conflito – Deus é o vencedor!



Os versículos de 23 a 30 descrevem a incrível vista que exército egípcio perseguindo aos israelitas teve, só para então, mostrar o Senhor milagrosamente retirando as rodas dos carros e, em seguida, fazer com que o poderoso Mar Vermelho engolisse todo o exército para a vitória completa. Você vê o que acontece quando "estamos quietos, e vemos a salvação do Senhor"? Versículo 31 registra "... viu Israel a grande obra que o Senhor havia feito no Egito, pelo que o povo temeu ao Senhor, e creu no Senhor, e em Moisés, seu servo."



Êxodo capítulo 15 registra a canção de grande vitória cantado por Moisés e os filhos de Israel, "... Ele triunfou gloriosamente! O cavalo e seu cavaleiro jogou no mar. O Senhor é minha força e canção , e ele se tornou a minha salvação, Ele é o meu Deus e eu o louvarei, Deus de meu pai, e eu o exaltarei. "



Irmãos e irmãs do Movimento do Advento, estamos em uma viagem tremenda. Olhe apenas para Deus a fim de obter libertação. A mensageira do Senhor declara: "O caminho que Deus mostra pode estar no deserto ou no mar, mas é um caminho seguro."



Sim, você pode estar certo de que Deus lhe mostrará uma direção, e Satanás tentará conduzi-lo por um caminho bem diferente. Quando Deus diz: "Marche," o inimigo lhe apresenta razões para dar um passo para trás. Mas meus amigos, estamos à beira da nossa casa eterna, o mesmo Deus que ordenou aos israelitas para marchar, para a terra prometida e, não para trás, para o Egito, é quem hoje está chamando você para prosseguir e não retrosceder. Avante (Marche!), não retrosceda.



Vá em frente, não para trás – Não permita-se sucumbir à ideia equivocada, que muitas vezes vem ganhando apoio até mesmo da Igreja Adventista do Sétimo Dia, de aceitar a adoração ou métodos de evangelismo simplesmente porque são novos e populares. Temos de estar vigilantes para testar todas as coisas de acordo com a suprema autoridade da Palavra de Deus e do conselho com o qual temos sido abençoados nos escritos de Ellen G. White.



Não devemos nos misturar a movimentos ou a mega igrejas fora da Igreja Adventista do Sétimo Dia que prometem o sucesso espiritual baseado em uma teologia defeituosa. Afaste-se de assuntos espirituais não-bíblicos, ou métodos de formação espiritual que estão enraizadas no misticismo, como oração contemplativa, de oração centrada, e a movimentos de igrejas emergentes que são promovidos.



Olhe para dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, temos pastores humildes, evangelistas, os estudiosos bíblicos, líderes e diretores de departamentos, que podem fornecer métodos de evangelismo e vá avante, não para trás! Cristo deve ser a base da nossa adoração. Embora, compreendamos que o culto e as culturas variam em todo o mundo, não retrosceda em configurações pagãs confusas, onde a música e adoração tornar-se tão centrada na emoção e experiência que levam a perder o foco central na Palavra de Deus.



Todo culto, por mais simples ou complexo deve fazer uma coisa e apenas uma coisa: levantar Cristo e render o “eu”. Métodos de Adoração que exaltem o “eu” devem ser substituídos por uma simples e doce reflexão, centrada em Cristo por meio de uma abordagem bíblica. Definir a adoração verdadeira pode ser quase que uma impossibilidade, contudo, quando examinamos na Escritura Sagrada a santidade da presença de Deus, o Espírito Santo irá nos ajudar a conhecer o que é certo e o que é errado.



Avante (Marche!), não retrosceda! Defenda a verdade, ainda que o céu esteja desmoronando sobre você. Não se permita sucumbir à teologias fanáticas que distorcem a Palavra de Deus e os pilares da verdade bíblica da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Não se deixe influenciar com os caprichos da “nova” teologia, ou com aqueles que se preocupam em explicar conceitos cuidadosamente incomuns ou obscuros que pouco têm a ver com a nossa teologia e missão global. As crenças bíblico-históricas da Igreja Adventista do Sétimo Dia não serão modificadas. O fundamento bíblico estará seguro até o fim do tempo. Ouça o que nos é dito em Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 207-208:



“Que influência essa, que desejaria levar os homens, neste período de nossa história, a trabalhar de modo enganador e poderoso, para solapar os alicerces de nossa fé – alicerces que foram lançados no princípio de nossa obra mediante devoto estudo da Palavra e pela revelação? Sobre esses alicerces temos estado a construir, nos últimos cinquenta anos. Admirai-vos de que, quando vejo o princípio de uma obra que pretende remover alguns dos pilares de nossa fé, tenha algo a dizer? Tenho de obedecer à ordem: "Enfrentai-o!"



Tenho de proclamar as mensagens de advertência que Deus me dá para divulgar, e então deixar com o Senhor os resultados. Tenho de agora apresentar o assunto em todos os seus aspectos, pois o povo de Deus não deve ser despojado.



Somos o povo de Deus, observador dos mandamentos. Nos passados cinquenta anos tem-se feito pressão sobre nós com toda sorte de heresias, a fim de embotar-nos o espírito em relação aos ensinos da Palavra – especialmente quanto ao ministério de Cristo no santuário celestial e à mensagem do Céu para estes últimos dias, como foi dada pelos anjos do décimo quarto capítulo do Apocalipse. Mensagens de toda espécie e feitio têm feito pressão sobre os adventistas do sétimo dia, pretendendo substituir a verdade que, ponto por ponto, tem sido buscada com estudo e oração, e atestada pelo poder milagroso do Senhor. Mas os marcos que nos tornaram o que somos, devem ser preservados, e sê-lo-ão, conforme Deus o mostrou mediante Sua Palavra e o testemunho de Seu Espírito. Ele nos conclama a nos apegarmos firmemente, com a mão da fé, aos princípios fundamentais baseados em autoridade inquestionável.”



Avante (Marche), não retrosceda! Fique firme à Palavra de Deus como ela é, literalmente, lida e compreendida. É claro, devemos sempre humildemente reconhecer que somos finitos, criaturas caídas, observando as obras de um Deus infinito onipotente. Há coisas em ambos os dois livros de Deus – a natureza e a Bíblia – que nós não compreendemos totalmente. De fato, somos informados de que o sacrifício de Jesus será "a ciência e o cântico dos redimidos ao longo dos séculos sem fim da eternidade". Mas, o que o Senhor em Sua misericórdia, tem dado a nós em linguagem clara para ser tomado como verdade, simplesmente porque Ele disse, isso não deve ser envolto em ceticismo. Não retrosceda, interpretando mal os primeiros onze capítulos do Gênesis e outras áreas da Escritura, como sendo de cunho alegórico ou meramente simbólico.



Nesta semana, temos afirmado, uma vez mais, de forma latente que a Igreja Adventista do Sétimo Dia ensina e acredita no registro bíblico da criação que teve lugar recentemente, em seis dias literais de 24 horas e consecutivos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia não mudará sua crença nesta doutrina fundamental. Se Deus não criou o mundo em seis dias literais e, em seguida, abençoou o dia de sábado, porque então, nós O estamos adorando, hoje, neste sábado do sétimo dia? A incompreensão ou a má interpretação dessa doutrina nega a Palavra de Deus, assim como, nega a própria finalidade do movimento adventista do sétimo dia em proclamar a mensagem dos três anjos. Não retrosceda, buscando teorias da evolução teísta ou ateísta, avance no conhecimento profético por meio da fidelidade a Deus, o Criador e Redentor, e então, perceberá que a observância do sábado do sétimo dia é a característica distintiva do povo de Deus no final de tempo.



Membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mantenham seus líderes, pastores, igrejas locais, educadores, instituições e organizações administrativas, responsáveis perante os mais altos padrões de nossa crença, baseada em uma compreensão literal das Escrituras. Utilize os maravilhosos recursos, tais como o novo livro do Instituto de Pesquisa Bíblica Hermenêutica que nos ajuda a saber a maneira correta de interpretar as Escrituras.



Novamente lemos em Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 170, “Cumpre-nos ser cuidadosos para que não interpretemos mal as Escrituras. Os claros ensinos da Palavra de Deus não devem ser tão espiritualizados que a realidade se perca de vista. Não forceis o sentido de sentenças bíblicas no esforço de produzir qualquer coisa de singular a fim de comprazer a fantasia. Tomai as Escrituras como rezam.”



Eu louvo ao Senhor, por Nancy e eu termos sidos criados por pais piedosos. Em nenhuma de nossas casas ouvimos uma palavra sequer depreciativa sobre a Bíblia ou o Espírito de Profecia. Nós fomos educados a temer ao Senhor e a reverênciar a Sua Palavra.



Há algumas semanas eu perdi meu precioso marcador de Bíblia, durante uma viagem. Eu o apreciou muito e estou triste de não tê-lo comigo hoje, mas louvo ao Senhor, pois eu não perdi a Palavra de Deus. Você não pode perder a Palavra de Deus! Você deve tê-la em suas mãos, seja impressa, em seu iPhone, IPAD, ou outro dispositivo eletrônico. Não devemos nunca fazer concessões à liberdade que temos de ler e estudar a Palavra de Deus. Ellen White falou de maneira pungente sobre a Bíblia, no ano de 1909, em sua última aparição pública em uma sessão da Conferência Geral, depois de falar, ela deixou a plataforma, voltou, pegou uma Bíblia grande e com as mãos trêmulas segurou-a perante a congregação e disse: "Irmãos e Irmãs, confio-vos este livro". Hoje, meus queridos irmãos e irmãs da Igreja Adventista do Sétimo Dia, devemos permanecer firmes nas Escrituras Sagradas. Como "o povo de Deus do Livro", vamos ler a Bíblia, viver a Bíblia, ensinar a Bíblia e pregar a Bíblia com toda a força que vem do alto.



Avante (Marche), não retrosceda! Deixe a Escritura ser seu próprio intérprete. Nossa igreja há muito tem-se firmado no método bíblico-histórico de entender a Escritura, permitindo que a Bíblia interprete a si mesma, verso por verso, preceito sobre preceito. No entanto, um dos ataques mais sinistros contra a Bíblia é daqueles que acreditam no método crítico-histórico de explicar a Bíblia. Esta abordagem bíblica da "alta crítica" é um inimigo mortal de nossa teologia e missão. Ela coloca um estudioso ou pessoa acima das escrituras e, dá permissão para decidir o que entende como verdade tendo como base os recursos da educação e da crítica. Fique longe desse tipo de abordagem, ela leva as pessoas a desconfiarem de Deus e de Sua Palavra.



Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 17-18 fala diretamente sobre esta questão. “Quando homens, em seu juízo finito, julgam necessário fazer um exame de textos para definir o que é inspirado e o que o não é, estão dando um passo adiante de Jesus a fim de mostrar-Lhe um caminho melhor do que aquele em que Ele nos tem guiado. [...] Irmãos, nenhuma mente ou mão se empenhe em criticar a Bíblia. É uma obra que Satanás se deleita que qualquer de vós faça, mas não é obra a vós designada pelo Senhor. Irmãos, apegai-vos à Bíblia, tal como ela reza, parai com vossas críticas relativamente a sua validade, e obedecei à Palavra, e nenhum de vós se perderá.”



Avante (Marche), não retrosceda! Aceite o Espírito de Profecia como um dos maiores dons concedidos à Igreja Adventista do Sétimo Dia, não apenas no passado, mas ainda mais importante para o futuro. Embora, a Bíblia seja a nossa autoridade fundamental, máxima e árbitro final da verdade, o Espírito de Profecia provê conselho, claro e inspirado para nos ajudar na aplicação da verdade bíblica. É um guia enviado do céu para instruir a igreja a fim de cumprir a sua missão. É um expositor da veracidade teológica das Escrituras. O Espírito de Profecia é para ser lido com confiança, aplicado, promovido. Não é para ser usado como um chicote, mas deve ser utilizada como uma bênção maravilhosa para dirigir a igreja de Deus nos últimos dias da história deste planeta. Permita-me frisar uma convicção minha: o Espírito de Profecia não possui nada de antiquado ou arcaíco, ele é atual hoje, e continuará sendo até a volta de Cristo. Avante!



Membros da igreja remanescente de Deus! O Senhor está nos dizendo que chegamos ao fim do tempo: "Avante". Marche! Exaltando a Cristo e enaltecendo a graça de Deus; Marche! Proclamando as três mensagens angélicas; Marche! Defendendo o reavivamento e reforma; Marche seguindo a Bíblia tal como ela é; Marche! Estudando e defendendo o Espírito de Profecia; Marche! Proclamando ao mundo a boa notícia da salvação e da segunda vinda iminente de Jesus Cristo.



A graça de Deus está levando pessoas em todo o mundo a "Avançar". Nós devemos continuamente levantar a bandeira do Evangelismo Público. A proclamação da graça de Deus e as três mensagens angélicas estão mudando as pessoas em toda parte. O Espírito Santo está trabalhando no coração de quem ouve a mensagem do Advento, através de sua Palavra e do testemunho evangélico – proclamação da graça de Deus. Precisamos integrar o evangelismo às diversas áreas de nossa vida, assim como fizeram em muitos lugares, principalmente na Divisão Sul-Americana, onde "evangelismo integrado" é simplesmente um estilo de vida.



Um exemplo disto, vem-nos da Divisão Euro-Asiática. Há alguns anos, Vasili era um policial, na Moldávia. Tornou-se convicto da verdade sobre a Bíblia e a mensagem do Advento e quis ser batizado como um adventista do sétimo dia. Quando ele contou à família sobre a sua nova fé, seus pais disseram que iriam deserdá-lo, seu irmão disse que já não o considerava um irmão, sua esposa, Galina, pediu o divórcio, e seu comandante disse que não lhe concederia os sábados livres.



Vasili agonizou com Deus, orou para que Ele lhe desse uma resposta direta à oração através da Bíblia. “O que devo fazer?” questionava-se. Abriu a Bíblia e pela graça de Deus, seus olhos captaram as palavras de Mateus 10:35-38, quando, Jesus explica como a família pode ser os nossos inimigos e, diz que se você ama seu pai ou sua mãe mais do que Cristo, não é digno de Cristo. Vasili sentiu-se levado a ouvir a ordem de Jesus de tomar a sua cruz e segui-Lo.



Vasili agradeceu a Deus. Tomou sua decisão. Dura decisão, mas não retroscedeu. Ele foi batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando disse à esposa que tinha sido batizado, ela disse que já tinha os papéis do divórcio prontos. Vasili não discutiu, mas disse apenas que a amava. Acreditando que eles iriam apoiar suas objeções, Galina acompanhou Vasili até casa de seus pais para contar a notícia de seu batismo. Mas para sua surpresa, os pais e o irmão de Vasili aceitaram a decisão sem contestação.



Depois, Vasili procurou o seu comandante com a carta de demissão, explicando que ele havia sido batizado. O oficial disse: "O que é isso? Leve-o daqui e lhe dê uma semana para pensar sobre o assunto." Depois de uma semana, Vasili voltou e, novamente, apresentou sua renúncia. Em vez de aceitá-la, o comandante promoveu Vasili, assim ele não teria problemas com o sábado.



Nesse interim, a esposa de Vasili, Galina, desenvolveu um sério problema em seu trabalho, onde desenvolvia a função de caixa. O total do dia não batia com a quantia disponível, e a empresa disse que ela deveria pagar a diferença. Em desespero, pediu a Vasili para orar por ela. Os dois oraram juntos sobre o problema. No dia seguinte, Galina encontrou o erro na contabilidade e conseguiu reaver a situação. Vasili humildemente apelou para que Galina entegasse seu coração a Deus, mas em vão.



Mais tarde, a mãe de Galina teve câncer e o casal a visitou e orou por ela. Através da intervenção de Deus ela foi curada! Galina foi tocada profundamente, saiu dali e foi imediatamente a uma igreja adventista para ser batizada. Estou tão feliz em informar-vos, hoje, que Vasili Garascuic agora é o tesoureiro da União Moldávia e pela graça de Deus, o casal está presente aqui conosco. Por favor, fiquem em pé! Louve a Deus por Sua salvação e Sua graça!



Meus irmãos e irmãs presentes aqui no Georgia Dome e no mundo, através do poder do Espírito Santo proclamem a graça de Deus e as três mensagens angélicas. Somos uma igreja maravilhosamente diversificada, mas unida em Cristo e nesta preciosa mensagem bíblica. Nós somos uma família mundial, de todos os cantos do globo, anunciando a graça de Deus, assim, nós "avançamos" unidos pelo Espírito Santo e no fundamento de nossas crenças bíblicas.



Que mensagem preciosa temos para anunciar ao mundo nestes nos últimos dias! A proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas, a fim de trazer as pessoas de volta à adoração verdadeira e bíblica.



Que grande Criador! Redentor! Sumo Sacerdote! Advogado! Amigo! Que Deus! Jesus está voltando! Logo, veremos no céu uma nuvem pequena, escura do tamanho da mão, que a medida que se aproxima da Terra ficar maior e mais brilhante. Todo olho verá, ao mesmo tempo, por um milagre dos céus. E ali, assentado no meio de milhões de anjos estará Aquele a quem tanto aguardamos – não o humilde Cordeiro, mas o Sumo Sacerdote, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus Cristo, nosso Redentor! Vamos olhar para cima e dizer: "Este é o Deus a quem aguardávamos." Cristo vai olhar para baixo e dizer: "Bem está, servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor" e, vamos subir ao encontro do Senhor nos ares, onde eternamente estaremos – o esplendoroso final da jornada do Advento!



Se o amor maravilhoso do Senhor e Seu plano de salvação – Sua triunfante graça – tocou seu coração e você deseja renovar seu compromisso com Ele e com a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia; Se você deseja voltar para casa e anunciar a Sua graça; Se deseja pedir por reavivamento e reforma em sua vida e na Igreja; Se almeja a presença do Espírito Santo e da chuva serôdia para anunciar a graça de Deus; Se está em seu coração proclamar as três mensagens angélicas ao mundo; Se você quer fazer de sua vida um testemunho pessoal e depô-la nas mãos do Todo-Poderoso, nosso Redentor, Sumo Sacerdote e Rei Vindouro; Se deseja humildemente pedir ao Senhor para tomar o controle de sua vida e ajudá-lo a anunciar a graça de Deus, nestes últimos dias da história da Terra; Que com reverência permaneça em pé firmando o compromisso com Ele.



Convido-vos a aceitar a graça maravilhosa de Cristo em sua vida, para renovar seu compromisso com Ele e com este grande movimento do Advento, a fim de proclamar a graça de Deus, e pedir ao Senhor para ajudar a igreja a "Avançar". Eu o convido a ficar de pé e juntamente com o amigo que está ao seu lado em sincera e humilde oração clamar ao Senhor por reavivamento e reforma e, que o Espírito Santo nos leve “Avante”, anunciando a graça de Deus e as três mensagens angélicas. Por favor, orem juntos.



(Ted termina com breve oração após alguns instantes e convida a congregação a permanecer em pé para cantar a música tema da Conferência Geral).



Tradução: Jorgeana Longo