sábado, 25 de junho de 2011


Livrando-se do Peso da culpa

A experiência de Davi mostra o quão prejudicial é o pecado e como podemos nos livrar dele.


Felippe Amorim



Introdução



No meio do ano passado eu e minha esposa resolvemos mudar de casa e fomos morar no terceiro andar de um pequeno prédio. Naturalmente fomos fazer a mudança. Com a ajuda de alguns amigos descarregamos os móveis de uma caminhonete e começamos a subir as escadas até o apartamento.

Confesso que subir escadas carregando móveis não é algo agradável, aliás, nunca é confortável ter um peso nos ombros.

Pode ser que algumas pessoas não carreguem pesos materiais nos ombros, mas estão encurvadas por um peso que incomoda muito mais que o físico. Estão sobrecarregadas com o peso da culpa. Este peso tem algumas peculiaridades. Quanto mais tempo fica sobre nós, mais pesado ele vai ficando. A culpa vai sugando as energias da alma até que prostra o ser humano. Outra característica desse peso é que nós não temos a capacidade de retirá-lo de nós. Apenas Jesus Cristo o pode fazer.

O rei Davi passou por uma experiência da qual podemos tirar importantes lições a respeito do peso da culpa e de como nos livrarmos dele.

O peso do pecado

“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniquidade, e em cujo espírito não há dolo” (Sl. 32: 1-2). É assim que Davi começa a escrever o Salmo 32. Este é um Salmo de reminiscências, o salmista está lembrando momentos de sua vida nos quais ele passou por situações cruciais. Davi começa falando de como é bom receber o perdão. Nesse momento o rei de Israel está sentindo a felicidade que todos os seres humanos sentem quando o peso da culpa é retirado de seus ombros.

Deus oferece a cada filho Seu a oportunidade de se livrar dos pesos de culpa que carrega sobre seus ombros. Os consultórios dos psicólogos e psiquiatras estão lotados de pessoas que não conseguem ter paz devido a algo de seu passado que os perturba todos os dias. Davi sofreu disso e da experiência dele podemos retirar princípios de perdão para nossa vida.

Após falar da alegria do perdão, o homem segundo o coração de Deus começa a relembrar os difíceis momentos pelos quais passou. Ele os relata assim: Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. (Sl 34:3,4)

Podemos identificar alguns elementos que evidenciam a condição emocional e espiritual de Davi. Ele estava tentando encobrir algo de errado que ele havia feito, mas isso o estava destruindo internamente. A sua sensação era que seus ossos estavam se deteriorando aos poucos. Ao longo de suas atividades reais diárias, ele não conseguia se concentrar, seu trabalho estava sendo prejudicado por causa de seu sentimento de culpa.

O texto continua nos dizendo que o sono de Davi também não era mais o mesmo. A insônia sempre acompanha aqueles que carregam a carga mais pesada que alguém pode colocar em seus ombros: a culpa. Certamente seu corpo já estava cansado de não dormir em paz por longos meses.

Davi não conseguia se livrar dos pensamentos de acusação que o acompanhavam desde o momento em que ele caiu e escolheu esconder seu pecado.

O caminho para o pecado



Em II Samuel 11 descobrimos o que fazia com que a vida do rei Davi estivesse numa condição emocional tão ruim. Lá encontramos a história do pecado de Davi com Bate-Seba. É uma história que contêm mentiras, adultério, assassinatos, ociosidade e muitos outros atos pecaminosos cometidos por Davi.

Durante algum tempo me perguntei por que uma história tão vergonhosa foi registrada no livro sagrado de Deus. Até que compreendi que Deus estava querendo ensinar profundas lições aos seus filhos. São lições que podem fazer diferença entre a vida e a morte eternas.
O texto começa dizendo que “tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem à guerra, Davi enviou Joabe, e com ele os seus servos e todo o Israel; e eles destruíram os amonitas, e sitiaram a Rabá. Porém Davi ficou em Jerusalem” (II Sm 11:1). Naquele momento Davi não deveria estar em casa, mas ele fez a escolha errada.

O reino de Israel passava por um momento político-social muito bom. A agricultura ia bem, a maior parte dos inimigos já tinham sido derrotados e os cofres estavam abarrotados de ouro, prata e outros bens preciosos.

Diante desta situação confortável, o rei Davi estava no auge de sua vida pública. Frequentemente recebia homenagens e aclamações por todos os seus feitos. O rei tinha uma vida muito confortável.

Se existe um lugar perigoso para o ser humano, este lugar é o “auge”. É uma posição muito almejada e também perigosa. Todos sonham em chegar no auge da vida profissional, da vida sentimental, da vida espiritual. Mas no auge, muita vezes, é o lugar onde começa o declínio, pois lá existe a tentação da acomodação, da autossuficiência , do esquecimento de Deus.

Foi no auge da carreira profissional de Davi que Satanás viu o melhor momento para derrubá-lo. Davi estava no lugar errado, era época dos reis estarem na guerra. O exército de Israel estava na guerra, mas o seu líder estava em casa, na ociosidade. Davi achava que já havia conquistado tudo o que precisava. “Foi o espírito de confiança e exaltação próprias o que preparou o caminho para a queda de Davi” (Patriarcas e Profetas, 717).

Alguns passos foram dados até a consumação do pecado. A Bíblia diz que Davi acordou tarde naquele dia. Estava dormindo quando deveria estar lutando. A ociosidade foi o primeiro erro do rei. O pecado não chega rapidamente, Satanás vai minando as forças do ser humano aos poucos. “A obra do inimigo não é feita abruptamente; não é, ao princípio, súbita e surpreendente; é uma ação secreta de minar as fortalezas dos princípios. Começa em coisas aparentemente pequenas - negligência de ser fiel a Deus e de confiar nEle inteiramente, disposição para seguir costumes e práticas do mundo” (Patriarcas e Profetas, 718).

O segundo passo de Davi rumo ao pecado foi “ver”. A palavra de Deus diz que ele viu uma mulher tomando banho. Naquele momento Davi foi tentado. Estava diante dos seus olhos a oferta de satanás, mas ele poderia recusar as insinuações do inimigo. O problema é que ele fixou seus olhos na tentação. Ele poderia ter feito como José, fugido, mas Davi se deteve contemplando aquela mulher.

Aqui há uma importante lição para nós. Cada ser humano sabe exatamente quais são as suas tentações, alguns são tentados por bebidas alcoólicas, outros por pornografia, outros por dinheiro fácil. Cada um sabe o que mais lhe tenta. Precisamos agir diferente de Davi. Não podemos fixar os olhos naquilo que nos tenta. Quanto mais distantes da nossa tentação, menor a possibilidade de cairmos.

Um momento de afastamento de Deus e Davi caiu em um buraco de pecado. Pediu informações a respeito da mulher e alguém lhe disse “Porventura não é Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?” Percebemos claramente o que este recado dizia: “Davi, a mulher é casada”. O rei não escutou a advertência que Deus havia mandado para ele. Quando nos afastamos de Deus escutamos cada vez menos a sua voz.

Davi chamou a mulher, que veio sem resistir. Não há desculpas para Bate-Seba, ela poderia ter preferido à morte a trair seu esposo. Então, o ato pecaminoso foi consumado.

A mulher voltou para sua casa e aparentemente as coisas voltaram ao normal. Algum tempo depois chegou para Davi a notícia da gravidez de Bate-Seba. Certamente o monarca lembrou-se de Levítico 20: 10. Sabia que se seu pecado fosse descoberto ele deveria morrer.

Arquitetou um plano para conseguir um pai legítimo para aquela criança. Mandou chamar de volta Urias, marido de Bate-Seba, da guerra. Após, sem sucesso, tentar fazer com que aquele fiel soldado voltasse para sua casa e dormisse com sua esposa, encobrindo assim seu pecado, Davi envolveu todo o seu exército em um plano de assassinato. Escreveu uma carta para Joabe, seu general e a mandou por Urias, que conduziu sua própria sentença de morte. Voltou para a guerra e lá foi assassinado.

Um ano de “tranquilidade” se passou. Davi casou com aquela mulher viúva e o

bebê nasceu. Mas Deus não permitiu que Seu nome fosse envergonhado e nem que seu filho ficasse naquela situação de perdição. Davi estaria perdido enquanto não confessasse seu pecado.

O profeta Natã foi enviado por Deus e com muita habilidade, digna de imitação

pelos pregadores atuais, mostrou para o rei seu pecado e apresentou a solução. Um ano após o pecado, finalmente Davi conseguiu respirar aliviado.


Libertando-se do peso do pecado.



Na terceira parte do salmo 32 nos é revelado o segredo para nos livrarmos do peso da culpa: “Confessei-te o meu pecado, e a minha iniquidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Sl. 32:5-6).

Confessar o pecado era o que faltava para que Davi conseguisse novamente ter paz. Só há uma base para o perdão: o arrependimento acompanhado de confissão. Precisamos, contudo, saber que o arrependimento compreende a expulsão do pecado da vida. O ato de confessar está acompanhado do ato de abandonar, pois, “a justiça de Cristo não encobrirá pecado algum acariciado” (Parábolas de Jesus, 316). Uma clara convicção do dever cristão sempre acompanha à mudança de coração" ( RH 18-12-1913).

Agora é o momento de Confessar. Podemos até pensar que o que fizemos é tão grave que Deus não nos aceitará de volta. Mas “não devemos estar ansiosos acerca do que Cristo e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de Cristo, nosso Substituto. Vós sois aceitos no Amado” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 32 e 33). Deus promete perdão para todos os que, de todo coração, confessam e abandonam seus pecados.

Depois de perdoado e aliviado do peso da culpa, Davi fez uma oração que cada um de nós deveria fazer todos os dias. “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito inabalável” (Sl. 51: 10). O pedido de perdão sempre deveria ir acompanhado de um pedido para que Deus renove e santifique o coração. Davi compreendeu que somente com um coração criado e renovado por Deus ele poderia continuar tendo uma vida sem culpa, com muita paz interior. Hoje é o dia de fazermos a oração de Davi!





sábado, 18 de junho de 2011


AS DUAS FACES DO CORDEIRO

                                   Vinícius Mendes de Oliveira
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
  Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Aluno do 7º período do SALT – IAENE
vimeo@hotmail.com




“Os reis da terra, os grandes , os comandantes, os ricos, os poderosos e todo livre, se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” Apocalipse 6: 15-17

INTRODUÇÃO

O texto acima apresenta o quadro caótico em que estará o mundo e a situação de desespero de grande parte da população nos momentos que antecedem imediatamente a volta de Jesus. O verso 17 revela a imagem de Jesus, o Cordeiro, irado, vindo nas nuvens do céu para executar o Seu juízo. Milhares de pessoas se encontrarão perdidas, pessoas estas de todas as classes sociais, que clamarão aos montes e rochedos “caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono”.
 Tal situação, então, faz emergir a séria pergunta que finaliza o capítulo seis de Apocalipse, onde, nos versos 12 a 17, aparece o sexto selo. Diante de tamanha perdição em que estão submetidos, os perdidos dramaticamente perguntam: “quem é que pode suster-se?”. O livro do Apocalipse não deixa sem resposta essa questão. No capítulo sete, o apóstolo João apresenta três características daqueles que passarão incólumes pelo caos em que o mundo estará nos momentos antecedentes à volta de Jesus e esclarece qual o motivo por que essas pessoas não sofrerão a ira do Cordeiro, mas usufruirão de Sua amorável proteção.

SELAMENTO

            O capítulo sete de Apocalipse inicia a resposta à pergunta que finaliza o capítulo anterior apresentando quatro anjos que estão neste planeta, evitando que o mundo seja completamente devastado até que outro anjo pudesse assinalar a fronte dos fiéis com o selo do Deus vivo (Ap 7: 1-2). O anjo assinalador diz, no verso 3: “Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.”
            Esse texto começa respondendo a pergunta do capítulo seis, apresentando claramente que haverá um grupo de selados, os quais são chamados de “servos do nosso Deus.” Esse grupo, frente ao terrível drama pelo qual o mundo passará, estará seguro, mesmo diante das provas, pois estarão protegidos por Deus e Seus anjos.
            A pergunta que surge, no entanto, é: qual é o selo que distinguirá os protegidos servos de Deus dos desesperados perdidos descritos no final do capítulo seis de Apocalipse?
            O apóstolo Paulo em Efésios 1: 13 e 4:30 diz: “em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” Os textos acima são claros em apresentar o Espírito Santo como o agente selador, ou seja, o crente só recebe o selo de Deus através do Espírito Santo. Assim, fica claro que o selamento é produto da ação de Deus no ser humano e não de um esforço humano para alcançar mérito diante de Deus, habilitando-o para a salvação.
            Nesse momento, no entanto, é importante refletirmos sobre qual é, de fato, a obra do Espírito Santo na vida do crente para compreendermos o que o Espírito sela na vida de um servo de Deus. Em Ezequiel 36: 26 e 27, lemos: “Porei dentro de vós o meu espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardareis os meus juízos e os observareis.” O profeta Ezequiel nesses versos deixa claro qual é a obra do Espírito no coração: fazer um transplante de coração do fiel, inscrevendo nesse novo coração os estatutos e juízos de Deus que são termos sinônimos para lei. Assim, o profeta quer evidenciar que Deus deseja uma obediência que não seja externa, mas que seja produto de um coração transformado. Sobre esse mesmo tema, Jeremias 31: 33 diz: “Porque esta á a aliança que firmarei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” Portanto, conforme, os textos acima, a obra do Espírito Santo, ou o seu selo, tem que ver com a inscrição da imutável e eterna Lei de Deus no coração, transformando a obediência a Deus em algo que procede de um coração “transplantado” que obedece por amor e não por obrigação. Isaías 8: 16 também menciona o tema do selamento da lei: “Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos meus discípulos.” Dessa forma fica claro que o agente selador é o Espírito Santo e que o que Ele sela está diretamente relacionado à Lei de Deus.
            O selamento é a obra em que Deus diferencia claramente aqueles que lhe pertencem em relação àqueles que escolheram espontaneamente não serem de Seu povo. O selo, portanto, é um sinal distintivo. Falando sobre a obra de Deus em distinguir o Seu povo, Ezequiel 20: 12 diz: “ Também lhes dei os meu sábados, para servirem de sinal entre mim e eles para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.” Nos versos 19 e 20, Ezequiel completa: “ Eu sou o Senhor, vosso Deus; andai nos meus estautos, e guardai os meus juízos, e praticai-os; santificai os meus sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o Senhor que os santifica.” Nesses textos, Ezequiel apresenta o sábado como um claro sinal distintivo entre Deus e Seu povo. Foi o mesmo Ezequiel quem apresentou o Espírito Santo como agente selador da lei no coração. No entanto, nos versos acima, o profeta destaca, da lei, um mandamento para funcionar especificamente como sinal entre Deus e Seu povo, sem, obviamente, desconsiderar os demais mandamentos como esclarece Ezequiel 20:19.
            O questionamento que surge, portanto, agora é: por que o quarto mandamento foi destacado por Deus para ser o selo distintivo entre Si e Seu povo? A resposta encontra-se no próprio quarto mandamento: “Lembra-te do dia de Sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e fará toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Êxodo 20: 8 -11)
A imagem que é evocada com o tema do selamento é a de um proprietário de gado marcando seus animais, para diferenciá-los dos que não lhe pertencem. É por isso que o mandamento do sábado é tão importante nesse contexto, pois é o único entre os demais, que apresenta claramente o nome de Deus, (Senhor, teu Deus), o mandamento diz qual a jurisdição em que atua o Senhor, (os céus e a terra) e apresenta ainda Deus como o criador de todas as coisas. Esses dados presentes no quarto mandamento caracterizam efetivamente um selo, pois evidenciam plenamente quem é Deus, mostra quais são os “limites” de sua atuação e  garante que Deus é o dono de cada um de nós por ser o nosso criador. Assim, é explicada a escolha de Deus pelo quarto mandamento como Seu selo diferenciador sobre Seu povo. Só a atuação do Espírito Santo no coração permite esse reconhecimento do senhorio de Cristo, mesmo que tal atitude coloque o cristão na contramão do mundo.

GRANDE TRIBULAÇÃO

“Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação,...” Apocalipse 7: 13-14
            O apóstolo continua descrevendo os salvos e, no texto acima, apresenta uma importante característica que será verificada na vida daqueles que estarão salvos por ocasião da volta de Jesus e que poderão suportar os eventos finais que antecedem a volta do Senhor.
            O texto revela que haverá na identidade do fiel povo de Deus o traço de ter sido perseguido. Naturalmente, essa perseguição é produto da obediência a Deus. “A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fonte, para que ninguém possa comprar ou vender senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.” (Ap 13: 16 -17) O texto acima apresenta todas as classes de pessoas recebendo sob imposição a marca da besta. Esta imposição restringe a liberdade de comprar e vender para aqueles que rejeitam receber a marca sobre a mão direita (representando o trabalho) e sobre a fronte (representando a consciência), caracterizando assim uma real perseguição sobre os que se mantiverem fiéis a Deus, rejeitando a marca da besta.
            A pergunta que surge, então, nesse momento é: o que é a marca da besta? A resposta a essa questão será clara se entendermos que Satanás é o grande contrafator. Ou seja, se o selo de Deus é a obediência ao quarto mandamento, que se refere à observância do sábado, que é um dia da semana, a marca da besta precisa ser a obediência a um mandado que se refira a um dia, neste caso, o domingo. Apocalipse 14:8 diz: “Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição.” O texto acima indica que a obra de Babilônia é prostituir as verdades apresentadas na palavra de Deus e isso é exatamente o que o catolicismo romano fez com lei de Deus, no que diz respeito ao quarto mandamento que requer a observância do sábado, modificando para o domingo (Dn 7:25). Conforme Apocalipse 13, essa mudança se tornará em um decreto dominical. Quando isso ocorrer, estará estabelecida a marca da besta. A aceitação da marca da besta resultará em  “benefícios” temporais humanos. Mas essa decisão determinará uma posição definitiva contra Deus, selando o destino dessas pessoas e atraindo sobre elas as sete e últimas pragas. “Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9-10) O texto esclarece que receber a marca da besta vai resultar em condenação por parte dos infiéis a Deus.
            Na sequência, agora se referindo, ao povo de Deus, o apóstolo João diz: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Apocalipse 14:12) O termo utilizado para se referir aos cristãos é “perseverança”. Naturalmente, a não aceitação da marca da besta resultará em terrível perseguição contra o povo de Deus, mas a consciência de que estão seguindo a Palavra de Deus e que a provação que passam não pode ser comparada “com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8: 18) está no foco da visão do remanescente de Deus. Outra certeza que o povo de Deus terá é a de que as pragas e a perdição eterna são muito piores, logicamente, do que a provação por causa da fidelidade a Deus pela qual passarão. Isso faz com que sejam perseverantes em guardar os mandamentos de Deus (porque estão selados pelo Espírito Santo) e continuem crendo em Jesus como seu salvador pessoal (Apocalipse 14:12).

SALVAÇÃO PELA FÉ

            A resposta à pergunta de um dos anciãos sobre quem são as pessoas vestidas de branco revela ainda outro aspecto. Diz ele: são os que “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Apocalipse 7:14) Essa característica enfatiza a fé na graça de Deus como único meio de salvação e que, apenas aqueles que forem objetos do sangue do Cordeiro, poderão estar salvos por ocasião da volta de Jesus.
            A imagem que emerge nessa passagem é a da morte do cordeiro pascal. A páscoa foi instituída na ocasião da saída do povo de Israel do Egito, quando por causa da décima praga, os primogênitos de quem não tivesse o sangue do cordeiro nos umbrais da porta da casa, seriam exterminados. Nesse sentido, a páscoa foi o ato de o anjo destruidor saltar a casa na qual havia o sangue na porta.
            O texto de Apocalipse 7:14 diz que aqueles que estarão salvos por ocasião da volta de Jesus, ou seja, os únicos que poderão suportar o caos em que o mundo estará antes do retorno do Senhor, “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”, indicando que as pragas e a perdição final não alcançarão essas pessoas, pois elas têm a marca do sangue nos umbrais do seu coração.
O ato de lavar as vestes no sangue de Jesus remete ao perdão dos pecados que os remidos recebem de graça quando aceitam a salvação. A lavagem simboliza a remoção desses pecados e a possibilidade de ter nova vida. O texto acrescenta o fato de que as vestes foram alvejadas no sangue de Jesus. Essa imagem remete à purificação plena que o sangue de Cristo efetua na vida do crente. Isso sugere que a atuação de Deus no cristão não consiste em apenas perdoar-lhes os pecados, eliminando, assim o registro deles, mas também de transformar a vida da pessoa redimida de tal forma que não fique em seu caráter a mancha do pecado. Os que estarão salvos são aqueles que aceitam a salvação pela fé na graça de Deus e que permitem que seu caráter seja completamente transformado. Isso, no entanto, não implica impecabilidade ou uma blindagem plena contra o pecado, pois enquanto estivermos com nosso corpo corruptível estaremos sujeitos a pecar, mas implica que o sangue de Cristo produz contínuo crescimento na graça de tal forma que o caráter vai sendo gradativamente limpo das manchas do pecado.

CONCLUSÃO

            A pergunta desesperada que aprece no final do sexto selo (Apo. 6:17) é respondida claramente no capítulo sete de Apocalipse. Esse capítulo aparece como uma espécie de parênteses entre o sexto e o sétimo selo (volta de Jesus) para responder à pergunta feita no final do capítulo seis.
            A mensagem do capítulo sete é, portanto, uma mensagem de esperança para todos aqueles que desejam permanecer ao lado de Deus e receber a salvação eterna. O texto apresenta de maneira clara as características do fiel remanescente de Deus. O apóstolo lança mão de belíssimas imagens para ensinar que o povo de Deus será selado, será perseguido, mas que só estará salvo por causa do sangue de Jesus.
            O apóstolo evoca uma imagem pascoal: um cordeiro, cujo sangue é derramado para que alguém não morra. Para a pergunta “quem pode suster-se?” que se faz no final do capítulo seis de Apocalipse, a resposta definitiva é: aqueles que permitiram que o sangue do Cordeiro os perdoasse e os transformasse. Falando sobre o mesmo grupo que será salvo, Apocalipse 14:4 faz o seguinte comentário: “São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá.” Essa imagem é linda! Somente seguir a Jesus em todos os Seus caminhos poderá sustentar-nos nos terríveis momentos que o mundo passará em breve.
            O quadro que o final de Apocalipse seis apresenta é de desespero por conta do medo que os perdidos terão da ira do Cordeiro. No entanto, Apocalipse sete termina de maneira maravilhosa, descrevendo o estado perene de paz e conforto que os salvos usufruirão “pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” (Apocalipse 7:17)
            O mesmo Cordeiro apresenta-se de forma distinta nos dois capítulos: irado no final do capítulo seis e manso no final do capítulo sete. Naturalmente, os ímpios, porque rejeitaram a salvação oferecida de graça, se encontrarão com o Cordeiro irado, enquanto os salvos serão objeto da proteção e bondade do Cordeiro. A questão que surge nesse momento é séria e de resposta pessoal: de que forma a face do Cordeiro será revelada para nós, quando Ele voltar? O desejo de Jesus é salvar a todos e que ninguém peça aos montes que os escondam da “face daquele que se assenta sobre o trono e da ira do Cordeiro.” (Apocalipse 6:16)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por que sou Adventista do Sétimo Dia?

Felippe de Amorim Ferreira


A pergunta tema deste texto deve ser motivo de profunda reflexão. Parece ser uma pergunta simples, mas não é. A resposta a esta pergunta está intimamente ligada com o destino eterno de quem responde.

Durante algum tempo de minha vida eu era adventista do sétimo dia por diversos motivos, nem um deles era o motivo pelo qual Deus espera que estejamos na igreja. Eu era adventista porque a maioria dos meus amigos estava nesta igreja, era adventista porque minha mãe me conduzia à igreja desde criança e isso virou um costume (agradeço a Deus por minha mãe ter feito isso). Outro razão que me levava a ser membro desta igreja é que nunca gostei de gritaria e barulho em cultos religiosos e nunca fui atraído por êxtases espirituais ou curas miraculosas. A igreja adventista era, portanto, a mais apropriada para que eu frequentasse. Estar desta maneira até me fazia um membro da igreja, mas não me fazia um cristão.

Louvo a Deus porque em um momento da minha história Deus conseguiu me alcançar e me mostrou o verdadeiro sentido de ser um adventista do sétimo dia.

A primeira coisa que Deus me ajudou a compreender foi o que significa o nome da minha igreja. Primeiro sou um adventista, ou seja, aguardo a volta de Jesus. Infelizmente, muitos, embora carreguem o nome, não vivem como quem aguarda o retorno de Jesus. Deus me fez compreender que preciso comer, me vestir, falar e fazer todo o resto das minhas atividades como se o Senhor retornasse hoje. Nunca devo retirar de minha mente a promessa “eis que venho sem demora” (Ap. 22:12).

A segunda parte do nome diz que sou “do sétimo dia”. A guarda do sábado bíblico precisa ser uma marca em minha vida. Devo ser um instrumento de Deus para resgatar o verdadeiro sentido da obediência aos dez mandamentos, especialmente do quarto (Ex. 20:4-8). Guardar e pregar o quarto mandamento é um dever meu como salvo por Jesus e membro desta igreja.

Outro motivo que me leva a fazer parte dessa igreja é a sua origem profética. Os adventistas não surgiram da briga entre dois líderes religiosos, mas como resultado do cumprimento exato das profecias de Daniel e apocalipse. Deus me ajudou a entender que esta igreja é parte do povo remanescente de Deus para os últimos dias e que este povo tem uma mensagem específica. Devemos pregar toda a Bíblia, mas nosso enfoque principal deve ser nas três mensagens angélicas (Ap. 14:6-12), pois elas serão a principal pregação daqueles que prepararão o planeta para a volta de Jesus.

Ser um adventista do sétimo dia também significa crer no dom de profecia dado a Ellen White. São muitos conselhos sobre diversos assuntos que devem receber de nós muita atenção, pois foram inspirados pelo mesmo Espírito que inspirou os autores bíblicos.

Ter o nome escrito no livro da igreja não nos faz cristãos, apenas nos torna membros de uma comunidade. Jesus não virá buscar membros de comunidades, Ele virá buscar Cristãos, ou seja, pessoas que o imitam e seguem seus ensinamentos. Louvo a Deus, pois, por Sua graça, me tornou genuinamente um ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vinícius Mendes de Oliveira
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Aluno do 7º período do SALT – IAENE
vimeo@hotmail.com


NO ESPÍRITO DE ELIAS
(Matéria de Capa da Revista Adventista de Maio/2011)

As características da vida e ministério de Elias representam a forma como Deus guiará Seu povo para o cumprimento da missão.


“Eis que enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.” Malaquias 4: 5-6


Introdução

O texto acima propõe um interessante parâmetro para o povo de Deus em nossos dias. Malaquias termina seu livro profetizando a respeito da vinda de Elias, antes do aparecimento do Messias. No que diz respeito ao primeiro aparecimento de Jesus, essa profecia se cumpriu em João Batista.

No entanto, a expressão “grande terrível Dia do Senhor” deve ser aplicada também ao segundo aparecimento de Jesus nas nuvens do Céu. Por isso, é importante perceber que a vida de Elias, com todas as nuances que o relato bíblico revela, apresenta-se como um importante paralelo para aqueles que têm de anunciar ao mundo as três mensagens angélicas. Na verdade, tal qual o Elias histórico, o Elias escatológico deveria levar as pessoas à conversão a fim de livrá-las dos juízos reservados para os ímpios.

O problema é que quando se examina a vida de Elias têm-se a impressão que ele é um tipo quase que não humano de profeta. Ser como ele parece algo impossível. Tiago aumenta essa nossa perplexidade diante de Elias:

“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.” (Tiago: 5:17)
Assim, a Bíblia deixa claro que o padrão que Deus nos deu (Elias) era “sujeito aos mesmos sentimentos” que nós, ou seja, possuía uma natureza pecaminosa, sujeito a cometer atos pecaminosos, mas que, pela fé, foi um vitorioso na vida espiritual e se tornou um poderoso anunciador da justiça em seu tempo, cumprindo a missão que Deus lhe deu. Isso nos permite inferir que Elias representa o caráter do povo remanescente nos últimos dias, de forma que nós deveríamos analisar sua vida fim de extrair de suas vitórias e fracassos lições para o cumprimento da missão da igreja.

Um exame da vida de Elias permite perceber pelo menos três características que marcaram seu ministério: a inconformidade com a pecaminosidade de sua época, sua relevância profética e a depreesão laodiceana que experientou.

A Inconformidade de Elias

Os últimos versículos de I Reis 16 pintam um lamentável quadro do Israel governado por Acabe. O verso 31 diz que Acabe andou nos pecados de Jeroboão, ou seja, adorava a Jeová, utilizando imagens de esculturas para representá-lO, quebrando e levando o povo a quebrar o segundo mandamento, que proíbe o uso de imagens de escultura na adoração (Êxodo 20: 4 e 5). Além disso, os versos 31, 32 e 33 mencionam o casamento de Acabe com Jezabel, a qual introduziu o culto a Baal em Israel, com toda a licenciosidade que isso implicava. “Ao Elias ver Israel aprofundar-se mais e mais na idolatria, sua alma ficou angustiada e despertou-lhe a indignação.” (Profetas e Reis, p. 57)

Esse sentimento que houve no profeta deve ser manisfestado na vida individual e corporativa da igreja remanescente em nossos dias. O apóstolo Paulo é enfático em Romanos 12:2 onde diz “não vos conformeis com este século.” Essa inconformidade deve produzir uma manifesta diferença entre o povo de Deus e o mundo, deixando claro que o fiel reamanescente não sucumbe aos apelos da cultura contemporânea que pressiona as pessoas a assumirem uma forma de vida contrária ao ensino da Palavra de Deus.

A inconformidade de Elias com a apostasia de sua geração o levou a uma busca insistente por vindicação da verdade de Deus.

Tiago 5:17 menciona que Elias orou “com insistência”, para que Deus interrompesse as chuvas. É importante mencionar, neste momento, o fato de que Baal era considerado um deus provedor de chuvas, já que, na mente de seus adoradores, ele era responsável pelos fenômenos naturais. O profeta, insistentemente, orou para que a mentirosa impressão de que Baal estava “abençoando” Israel com a chuva, fosse desfeita. Só havia um meio de conseguir isso: O Senhor Deus “fechar” o céu. Era com esse propósito que Elias orava.

Na verdade a insistente oração do profeta estava baseada em uma exortação divina através de Moisés, quando orientava o povo a respeito de como deveriam se comportar como nação:

“Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prosteis perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos dá.”(Deut. 11:16-17)
Nessa passagem, Moisés adverte o povo para o fato de que a idolatria resultaria em uma terrível estiagem. O fato é que nos dias do rei Acabe, embora toda a sua impiedade, havia prosperidade, devido, entre outros fatores, à regularidade das chuvas. Elias insistentemente orou, então, para que Deus interrompesse as chuvas, fazendo o povo lembrar-se da Palavra de Deus, voltando-se a Ele.

Essa passagem da vida de Elias reserva uma importante lição para o povo remanescente: fé na palavra de Deus e oração com base nas promessas apresentadas na revelação são essenciais para o sucesso no cumprimento da missão. Assim, movido por um senso de grande insatisfação com a apostasia predominante, Elias, um profundo conhecedor da vontade de Deus revelada no Pentateuco, pôs-se a orar para que o Senhor interviesse no curso da história, impedindo que a onda de impiedade prosseguisse.

Tal qual Elias fez, devemos fazer hoje. Devemos ter a Bíblia e o Espírito de Profecia como base para nossas ações, em qualquer aspecto de nossas vidas. Não podemos nos acomodar, muito menos nos adequar, aos ditames pecaminosos do mundo. As pessoas precisam perceber com clareza que nos opomos veementemente aos caminhos errados do secularismo e, por nós, serem advertidas contra isso, através do testemunho de nossa vida prática e pregação.

A Relevância Profética de Elias

Nesse momento é importante ter em mente que Elias sabia exatamente o que deveria pregar para o Israel de seus dias e não se desviou de seu foco. Na verdade, Elias era um tipo de pregador que não amenizava o que tinha de dizer. Não pretendia ser visto como politicamente correto, relativizando a verdade que tinha de anunciar em nome de uma política de boa vizinhança. Ele era enérgico e inflexível ao anunciar a verdade. Fazia a sua parte e deixava as consequências com Deus.

Elias diz ao rei acabe: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra (I Reis 17:1).

Nas entrelinhas dessa mensagem de Elias estava o tema da adoração. Na verdade, o anúncio desse juízo a Israel era baseado, na advertência de Moisés em Deuteronômio, que orientava o povo a não abandonar a adoração ao Deus verdadeiro, seguindo deuses falsos.

É interessante observar o paralelo que há entre essa mensagem de Elias a Israel e o tom imprecatório e até ameaçador que aparece no conteúdo da terceira mensagem angélica, a qual temos o dever de anunciar ao mundo hoje.

“Se alguém adora a besta e sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também este beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9-10)
Guardadas as devidas diferenças, as duas mensagens corajosamente apresentam a consequência terrível do pecado da adoração falsa.

Da mesma forma como o Israel do tempo de Elias estava em crise por não saber a quem adorar, coxeando “entre dois pensamentos” (I Reis 18:21) o mundo de hoje está divido entre Deus e os ídolos modernos.

O presente século é tão verdadeiramente um século de idolatria como aquele em que Elias viveu. Pode não haver nenhum altar externamente visível; pode não haver nenhuma imagem sobre que os olhos repousem, contudo, milhares estão seguindo após os deuses deste mundo – riquezas, fama, prazeres e as agradáveis fábulas que permitem ao homem seguir as inclinações do coração não regenerado. (Profetas e Reis, p.177)
Está explícita na Bíblia e no Espírito de Profecia qual é a verdade presente para os nossos dias. O adventismo precisa ser distintivamente específico no que diz respeito a sua identidade doutrinária e deve enfatizar as verdades que lhe são peculiares. Somos um povo que nasceu de um movimento profético que anunciou ao mundo a volta de Jesus. Não devemos abandonar as verdades que compartilhamos com os evangélicos, mas devemos enfatizar, em um “alto clamor”, as verdades que Deus confiou ao povo remanescente, especificamente a terceira mensagem angélica.

Embora houvesse muitas coisas boas e agradáveis que podiam ser pregadas nos dias de Elias, ele sabia de que o povo precisava exatamente ouvir em sua época: o juízo de Deus viria, cumprindo uma profecia de Moisés (Deut. 11:16-17). Essa não era uma mensagem agradável de ser pregada, mas para permanecer fiel a sua legítima vocação profética, Elias não podia desviar seu foco dela. É importante lembrar que no tempo de Elias já havia pregadores (falsos profetas) que falavam o que as pessoas gostavam de ouvir (I Reis 22:11-12).

Comentando a coragem profética de Elias, Ellen G. White aconselha o povo remanescente, falando especialmente aos pregadores:

Há necessidade hoje da voz de severa repreensão, pois graves pecados têm separado de Deus o povo. A infidelidade está depressa tornando-se moda. “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lc 19:14), é a linguagem de milhares. Os sermões macios tão frequentemente pregados não deixam a impressão duradoura; a trombeta não dá o sonido certo. Os homens não são atingidos no coração pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus. (Profetas e Reis, p. 140)
As pessoas devem ser levadas a entender claramente a terrível situação em que se encontram. Nossas verdades distintivas devem receber destaque em nossa pregação. A apresentação dos temas proféticos, em especial os que envolvem a identidade do movimento remanescente, devem ser proclamados em grande voz e sem rodeios.

Quando fizermos isso, no poder e na virtude de Elias, chamando o povo a uma tomada definitiva de posição como fez nosso profeta no monte Carmelo (I Reis 18:21), Deus derramará sobre nós a chuva serôdia, ratificando nossos esforços missionários, como fez com Elias ao fazer descer fogo do céu (I Reis 18:38), e o mundo será iluminado com a veradade (Ap. 18:1). Dessa forma, como ocorreu no Carmelo, os sinceros que hoje estão perdidos no vale da decisão, serão levados a exclamar “O Senhor é Deus!”, depois de verem o poder de Deus, através da coragem do profeta Elias ( I Reis 18: 39).

O episódio do Carmelo foi memorável. O Senhor respondeu com fogo e consumiu a oferta de Elias. Houve uma conversão em massa, mas algo estranho aconteceria no coração do profeta.

O “Laodeceanismo” de Elias

A ira de Jezabel se ascendeu contra Elias. O homem cujo nome significa “Jeová é Deus” temeu a mulher cujo nome fazia uma direta referência a Baal como Deus (I Reis 19: 2 e 3). Ele empreendeu uma fuga que o levou a um dos mais eminentes lugares da história de Israel: Horebe, o monte de Deus.

Por mais que aquele lugar fosse importante para a história de Israel, não era ali que Deus queria Elias. O profeta tinha uma missão e estava fugindo dela. Sem dúvida esse foi um momento de terrível incredulidade, que levou o profeta para dentro de uma caverna.

Na verdade a caverna em que Elias se escondeu representava todo o seu orgulho espiritual. No interiror dela, “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (I Reis 19: 10)

O medo de continuar pregando sua severa mensagem levou o profeta à fuga. É interessante observar que Elias fugiu para um lugar sagrado na história de Israel. Horebe era um outro nome para o o monte Sinai, local onde Deus havia dado a Lei ao Seu povo. Embora o Sinai fosse um monte sagrado, não era lá que o Senhor queria que Elias estivesse. Deus queria Elias anunciando a Lei que séculos atrás naquele mesmo monte fora dada ao povo de Israel, a qual eles estavam quebrando. Mas num surto de medo e orgulho espiritual, o profeta esconde-se na caverna, deixando de cumprir sua missão.

É importante a comparação com a atitude de Moisés nesse momento, porque quando Deus sugeriu que o povo que idololatrava no pé do monte fosse destruído a postura dele foi uma linda intercessão em favor daquele povo (Êxodo 32: 11-13). A Bíblia resgistra assim a atitude de Moisés diante da idolatria do povo no pé do monte Sinai: “E, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos” (Êxodo 32:15). Moisés desceu do monte Sinai com a Lei para que o povo se voltasse para Deus. Elias subiu para o monte, deixando o povo sem ouvir sua voz profética.

Uma terrível tentação para o adventismo contemporâneo é querer desculpar a sua omissão missionária, fugindo para o “Horebe” de um triunfalismo sem lugar. Deitarmo-nos no “berço esplêndido” de uma igreja doentiamente voltada apenas para si mesma e esquecermos que as pessoas lá fora precisam de nós é a mais séria tentação com a qual temos que lidar como povo.

O inimigo tem trabalhado duro para que não preguemos nossas mensagens distintivas ao mundo e fiquemos voltados para nós mesmos, com programações que servem apenas para nos “engordar” espiritualmente em “banquetes” laodiceanos nos quais Jesus é deixado à porta batendo, convidando-nos a levar nossa mensagem às pessoas que estão morrendo de fome espiritual no mundo (Ap. 3:20). Enquanto o mundo perece sem esperança, nós nos “fartamos” da mensagem que é a única esperança para essa geração. O pecado laodiceano é claramente apresentado por Deus nas seguintes palavras:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre cego e nu.” (Apocalipse 3:15-17)

A acusação de Deus a Laodicéia dá conta de seu orgulho espiritual, o qual produz uma mornidão letárgica e falta de zelo missionário, que enoja ao Senhor. Diz a senhora White:

“A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade. Nem são frios nem quentes; ocupam uma posição neutra e, ao mesmo tempo, lisonjeiam-se de não necessitar de coisa alguma. A Testemunha Verdadeira aborrece essa mornidão. Causa-Lhe desgosto a indiferença dessa classe de pessoas. (...). Não se empenham inteiramente e de coração na obra de Deus, identificando-se com seus interesses; mas se mantêm afastados, e estão prontos a deixar seus postos quando os interesses mundanos, pessoais o exijam.” (Testemunhos Seletos, Vol. 1, p. 476 e 477)

Está evidente nas linhas acima qual é o motivo da insatisfação de Deus com Seu povo em nossos dias: falta de empenho missionário, indiferença com a necessidade espiritual das pessoas e lisonja a respeito de sua condição. Esse é o espírito laodiceano em essência. É por isso que a serva do Senhor diz que “A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade.” O conselho em Apocalipse é claro, portanto: “... que de mim compres (...) colírio para ungires os olhos , a fim de vejas” (Apocalipse 3: 18).

Na escuridão da caverna, Elias também precisava enxergar a condição em que estava. Escondido, sozinho e considerando-se orgulhosamente o único fiel em Israel, Elias não conseguia ver que, embora Israel realmente estivesse apostado, sua omissão o colocava também em uma pecaminosa situação.

No entanto, I Reis 19:9 apresenta um lindo detalhe que às vezes nos passa despercebido. Deus diz a Elias, quando o profeta estava no interior da caverna: “Que fazes aqui, Elias? Deus se dirigiu à entrada da caverna e convidou o profeta a sair de lá. Observe o advérbio de lugar que Deus usou: “aqui”. Esse termo indica que o Senhor entrou na da caverna onde Elias estava com o objetivo de tirá-lo dali. Se não estivesse lá, Ele poderia ter dito: “Que fazes aí, Elias?”, mas não. Deus resolveu ir à caverna onde Seu servo estava para tirá-lo de lá, curando-o de sua depressão laodiceana. Graça maravilhosa!

Essa atitude de Deus diante de Elias na caverna é muito semelhante à postura de Jesus diante dos laodiceanos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo.” (Apocalipse 3:20) O fato de Jesus está à porta, batendo, indica que os laodiceanos, orgulhosos de sua condição espiritual, estão deixando fora de suas vidas a Jesus, O qual representa os necessitados materiais e espirituais que vivem à margem do evangelho (Mateus: 25:40).

O método que o Senhor utilizou para curar a depressão “laodiceana”de Elias, foi:

“Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, em chegando lá unge, a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá ungirás profeta em seu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará.. ” (I Reis 19: 15-17)
É dessa forma que Deus também pretende curar nosso espírito laodiceano. Ele está à porta de nossa caverna, batendo e nos convidando à ceia espiritual que alimentará o mundo com a última mensagem de advertência a qual o Senhor deseja que anunciemos. Ele insta-nos com o verbo “vai”, o mesmo que aparece na célebre comissão evangélica “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.” (Mateus 28:19 e 20). O verbo ir, foi usado por Deus para Elias no modo imperativo na segunda pessoa do singular (vai), indicando uma ordem pessoal para ele, enquanto que na grande comissão evangélica de Mateus 28:19 e 20 o verbo também está no imperativo, mas na segunda pessoa do plural, indicando que esta ordem é para todos aqueles que são discípulos de Jesus. Só indo e cumprindo nossa missão, somos imunizados contra a mornidão espiritual profetizada a respeito da igreja de Laodicéia. Como o “Elias” para o tempo final podemos ouvir da boca de Deus um sonoro “VAI” individual ou mesmo um “IDE” corporativo.

Conclusão

O fato é que Elias foi e cumpriu aquilo que Deus esperava dele. Ungiu Hazael rei sobre a Síria, Jeú, rei sobre Israel e Eliseu como profeta em Israel. Todas essas atitudes eram politica e espiritualmente necessárias naquele momento para que a reforma iniciada por Elias tivesse continuidade.

O Senhor ainda esclarece ao profeta algo que ele não sabia, com o propósito de confortá-lo e animá-lo: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou. ” (I Reis 19:18). Essa explicação de Deus a Elias pode ser relacionada a expressão “povo meu” que aparece em Apocalipse 18:4 “Retirai-vos dela, povo meu”. No mundo há milhares de pessoas sinceras que nunca ouviram as advertências derradeiras de Deus a este mundo e que, quando ouvirem, se unirão ao povo de Deus, antes que a porta da graça se feche. São os sete mil que não dobraram conscientemente seus joelhos a Baal e vivem fiéis de acordo com a luz que possuem. Elas só precisam ouvir. Deus deseja profundamente nos usar para isso.

Elias reabilitou-se de sua condição espiritual e continuou servindo ao Senhor. Após o Seu servo cumprir sua missão, Deus o tomou para Si, fazendo-o “um tipo dos santos que estarão vivendo na Terra por ocasião do segundo advento de Cristo, e que serão ‘transformados num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta (1 Co 15: 51, 52) sem provar a morte.” (Profetas e Reis, p. 114).

Elias, dessa forma, passou a fazer parte do seleto grupo de seres humanos que vivem no Céu, como representantes de todos aqueles que um dia estarão lá. Elias portanto tipifica aqueles salvos que estarão vivos e vivenciarão os eventos finais, apresentando, resolutamente a última mensagem de advertência a esta Terra.

Essa recompensa- seja para aqueles que permanecerem vivos, seja para aqueles que serão tirados antes - incluirá todos aqueles que viverem “no espírito e poder de Elias” (Lc 1:17)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Iminência: uma noção essencial


A consciência de que Jesus está às portas é o grande segredo para estarmos sempre preparados.

Felippe Amorim


Introdução



Não precisa ser um grande observador para perceber que algo muito estranho está acontecendo no planeta Terra. São tragédias constantes em todas as áreas imagináveis: sociais, econômicas, naturais etc.

Um dos fatos que chamou atenção do planeta foi o terremoto ocorrido no Japão em Março de 2011. Para termos uma ideia do tamanho deste evento sísmico, podemos compará-lo com outra grande catástrofe, o terremoto no Haiti em 2010. Este terremoto foi cerca de 900 vezes menor que o abalo japonês, mas matou 10 vezes mais. No Haiti morreram cerca de 200.000 pessoas e no Japão cerca de 20.000 pessoas.

Dentre as diversas diferenças entre esses dois países, uma foi determinante: todos os dias os japoneses esperavam pelo grande terremoto.

Há vários anos os sismólogos anunciavam o risco de um grande terremoto no Japão e todos os dias os japoneses acordavam pensando que aquele poderia ser o dia. A noção da iminência do terremoto fez com que eles estivessem diariamente preparados e isso determinou o pequeno número de mortos em relação ao Haiti.

Quando li esses dados em uma revista de circulação nacional lembrei-me do texto de Mateus 24:45-51, a parábola do servo bom e do servo mau. Esta é a segunda de seis ilustrações dadas para mostrar a importância de velar e estar preparado para a volta de Jesus. A ênfase na preparação para a volta de Cristo é mais destacada nestas parábolas do que a preocupação excessiva com a data do evento.


Identificação dos servos



Certamente a mensagem desta parábola tem muita relevância para o mundo atual e por isso será muito útil identificar quem são os personagens da história bíblica e quem seriam seus correspondentes hoje.

A primeira informação que o texto dá sobre os servos é que eles são aqueles a “quem o senhor confiou os servos”(v. 45). Outra informação importante é que estes homens são “aqueles que devem dar sustento (alimento) aos conservos”(v.45). Estas duas frases do texto inspirado nos indicam que os servos representam àqueles que têm a responsabilidade de cuidar e alimentar a igreja. Esta parábola se aplica especialmente aos dirigentes espirituais da igreja. Mas, sem dúvida, é possível aplicá-la também a cada cristão, pois todos somos sacerdotes de Deus e devemos cuidar uns dos outros (1 Pe. 2:9).



Características dos Servos



O texto bíblico trata de dois servos, um bom e um mau. Podemos perceber algumas semelhanças entre estes personagens. Ambos conhecem o senhor, sabem que o senhor virá e também os dois receberam uma responsabilidade do senhor.

A aplicação é muito óbvia: todos nós cristãos estamos incluídos nesta descrição dos servos. Nós conhecemos a respeito de Jesus, sabemos que Ele voltará à Terra e todos recebemos uma responsabilidade na missão de Deus. Cada cristão está incluído nesta parábola. Resta-nos saber qual servo somos.

Continuando a descrição dos servos, a Bíblia apresenta diferenças entre eles. O servo bom alimenta os conservos (v. 45) e trabalha até o momento da volta do seu senhor(v.46). Duas características muito importantes para a igreja do século XXI. Infelizmente alguns pregadores não estão alimentando a igreja, pois insistem em sermões que fogem da Bíblia. A única coisa que poderá realmente alimentar espiritualmente é a palavra de Deus, é ela que deve estar em evidência nos púlpitos. A segunda característica do servo bom deve ser uma inspiração para nós. Trabalhar sem desanimar até ver nosso Senhor nas nuvens.

As características do servo mau são bem destacadas no texto. Se apurarmos nossa visão perceberemos que o maior destaque desta parábola é dado ao servo mau, como se Jesus estivesse nos alertando para não o imitarmos.

O servo mau “diz consigo mesmo: meu Senhor demora-se”. Interessante! Ele não fala abertamente que não crê na volta do senhor para logo. Porém, basta observar as suas ações que perceberemos a sua falta de senso de iminência. Falta convicção para este servo. O texto ainda diz que ele espanca os companheiros e bebe e come com ébrios.

O mau servo hoje é aquele cristão, líder ou leigo, que apesar de saber de todas as promessas bíblicas e dos sinais da volta de Jesus, come, bebe, se veste, fala, canta, trabalha como se Jesus fosse voltar daqui a muito tempo. Mesmo frequentando a igreja e ouvindo os alertas da Bíblia, não vive como alguém que aguarda Jesus para logo.

Não sendo isso suficiente, ele ainda trata mal aqueles que vivem em busca constante pela santificação e dá um tremendo mal testemunho frequentando lugares e consumindo coisas que não são adequadas para um cristão. Infelizmente, segundo a parábola que Jesus contou, tem gente assim dentro da igreja.
A recompensa dos servos

A parábola não se encerra antes de expor a recompensa que cada um desses servos terá por causa de suas escolhas.

Para o servo mau, Jesus diz que ele terá a “sorte com os hipócritas”(v. 51). Isso é muito coerente já que este servo viveu uma vida de hipocrisia. Nos cultos estava na igreja bem vestido, talvez cantando, pregando. Mas fora da igreja vivia como alguém que não conhecia Jesus. Tinha uma vida dupla, era uma coisa na igreja e outra no mundo.

Para as pessoas deste grupo, o Senhor virá de surpresa. Apenas para este grupo, Jesus vem como um ladrão e então haverá “choro e ranger de dentes”.

O panorama para o servo bom é outro completamente diferente. Jesus prometeu que este servo, que não perdia a noção da iminência do retorno do seu senhor, desfrutaria de “todos os seus bens”.

Todos os cristãos que viverem de forma coerente com os textos inspirados deixados por Deus para nós receberão a vida eterna, as mansões celestiais e todos os outros bens que Deus tem preparado como recompensa. O servo bom é aquele que está preparado em todos os momentos para a volta de Jesus.


Conclusão
Nos primórdios do movimento adventista viveu Guilherme Miller. Seus contemporâneos entenderam errado a profecia bíblica, e acabaram acreditando que a data do retorno de Jesus à terra seria o dia 22 de outubro de 1844. No dia marcado muitas pessoas estavam aguardando o Senhor aparecer no céu. O dia passou e, decepcionados, todos voltaram para casa. Depois Miller e muitos outros compreenderiam a profecia corretamente. Mas nos dias seguintes ao grande desapontamento alguém querendo zombar de Guilherme Miller perguntou para quando ele aguardaria Jesus retornar dessa vez. Miller deu uma reposta que deve motivar cada cristão. Ele respondeu: “Eu esperarei para hoje, hoje e hoje até que ele venha”.

É assim que Jesus quer que o esperemos. Somente uma constante noção de iminência poderá nos fazer preparar-se agora e amanhã e depois até que ele venha. Que Deus coloque em nosso coração todos os dias o desejo ardente de vê-lo face a face.

felippeamorim@hotmail.com
Twitter - @p_felippeamorim





quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conexão Impossível

Felippe Amorim

O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável. (Pv 28:9)



Introdução



Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados.

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem. Querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-lo.


Que mensagem dura! É isso mesmo?



Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? Esta é uma mensagem muito dura, Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original?

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2 Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida sec. XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso.

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.



De quem o verso fala?



O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer.

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de provérbio 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor.

É importante também destacarmos a quem o verso não está se referindo. O texto

não se refere a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13).



O que tudo isso significa?



A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina.

A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras.

Quando estudamos os textos sagrados precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis, qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus.

O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno: “Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras (Am. 5:21-23). O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível.

Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça (Is. 59:1,2). Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia.

Ellen White confirma estes conceitos em diversos momentos: “Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”. (Mensagens Escolhidas V.3. p.199)

Comentando a primeira mensagem angélica ela escreveu: “Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: "Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem." Ecl. 12:13. Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. "Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável." I João 5:3; Prov. 28:9.( O Grande Conflito, págs. 435 e 436).

Completando este pensamento, ainda lemos: “Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que "o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável". Prov. 28:9 (Patriarcas e Profetas, 584).

Conclusão



A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus.

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência para àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar para aqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário.

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus.

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. (1 Jo. 1:9). A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus. Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Na contramão do mundo

Felippe Amorim




Introdução



Fiquei curioso para saber quais as lutas que os jovens cristãos têm enfrentado nesses tempos em que vivemos, então resolvi fazer uma pesquisa rápida sem muito rigor científico entre alguns alunos de uma escola de Ensino Médio. Passei um questionário simples com duas perguntas. A primeira foi: Em quais áreas você tem maior dificuldade de ser fiel a Deus? A segunda pergunta foi: Para você, qual é o maior desafio de um jovem cristão hoje?

As respostas foram muito interessantes. Para a primeira pergunta 64% dos pesquisados responderam que era ouvir somente músicas cristãs, 58% disseram que têm muita dificuldade em ler a Bíblia e orar diariamente. 21% indicaram problemas com a Internet, 26% responderam que têm dificuldade em sempre falar a verdade. Algumas áreas como sexualidade e frequência aos cultos também foram indicadas, dentre outras.

Para a segunda pergunta, tivemos respostas muito significativas também. Permanecer puro, se desligar das coisas mundanas e seguir os dez mandamentos foram algumas das respostas que obtivemos.

Sem dúvida, ser cristão no mundo contemporâneo é um grande desafio e ser um jovem cristão neste contexto é mais desafiador ainda.

Sempre ouvimos que o cristão precisa andar na contramão do mundo. Vamos pensar um pouco sobre o que significa estar na contramão. Estar na contramão não é confortável, é mais fácil ir para onde todos estão indo. A contramão é um lugar perigoso com grandes possibilidades de se machucar. Não é popular estar na contramão, certamente críticas serão ouvidas. Pode haver colisões frontais. Quando andamos na contramão certamente nos encontraremos com aqueles que vêm no sentido contrário. Finalmente é necessária muita coragem para estar nesta posição. Será que Deus realmente quer que andemos na contramão do mundo e soframos tantos constrangimentos?

A contramão: um imperativo bíblico



Em Romanos 12:2 lemos: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Não se conformar é não ter a mesma forma, em outras palavras é não estar na mesma direção. Deus requer de cada cristão que ande na contramão deste mundo.

A Bíblia nos apresenta vários exemplos de pessoas que escolheram estar na contramão deste mundo. Gostaria de destacar um deles.

O profeta Daniel foi levado de sua terra natal para a Babilônia quando ainda era jovem, provavelmente aos 18 anos de idade. Aquele lugar era o maior centro cultural e político de sua época. Em Daniel 1:5 lemos: “E o rei lhes determinou a porção diária das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem alimentados por três anos; para que no fim destes pudessem estar diante do rei.” Há uma palavra que precisamos destacar deste verso, “determinou”. A “mão” do mundo para Daniel naquele momento era comer daquilo que o rei havia posto à mesa. A Bíblia registra qual foi a atitude do jovem profeta: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”(Dn 1:8). Daniel resolveu andar na contramão do mundo.

Se analisarmos este verso perceberemos que não foi uma decisão fácil. Dentre todos os escravos, Daniel estava numa posição privilegiada, pois foi escolhido para estudar na “Universidade da Babilônia”, a melhor do mundo. Ao decidir não estar na “mão do mundo” ele estava arriscando perder a vaga na universidade, perder status social elevado e um bom emprego. A despeito de tudo isso, o profeta dá dois passos importantes que devem ser dados por todo cristão jovem ou adulto. Ele “decide” não se contaminar, mas apenas decidir não é o suficiente, logo após ele vai para a ação, pedir ao chefe dos eunucos. Decisão e ação devem marcar a vida dos cristãos que andam na contramão do mundo.

Deus nunca desampara seus filhos. A atitude de Daniel de andar na contramão do mundo foi recompensada pelo Senhor. Em Daniel 1:15 lemos que por escolher uma dieta diferente dos demais, em dez dias pode perceber-se que ele e seus amigos eram mais robustos que os outros. Depois de três anos de estudos eles foram achados dez vezes mais inteligentes que qualquer outro estudante daquele local (Dn 1:20).



Andar na contramão – A Prática



Aquele episódio pelo qual Daniel e seus três amigos passaram estava diretamente ligado a um importante aspecto do cristianismo, a alimentação. Mas dele podemos retirar um principio útil para qualquer aspecto da vida cristã. Todo cristão precisa andar no caminho de Deus e este é a contramão do mundo.

Na prática funciona assim:

A Mão do mundo diz: sexo livre. A contramão diz: sexo apenas no casamento.

A Mão do mundo diz: pornografia. A contramão diz: pureza da mente.

A Mão do mundo diz: perca tempo com futilidades. A contramão diz: Dedique tempo à Bíblia e oração.

A Mão do mundo diz: desrespeite os pais. A contramão diz: honra teu pai e tua mãe.

A Mão do mundo diz: cole na prova. A contramão diz: tire nota baixa, mas não cole.

A mão do mundo sempre leva à perdição, somente a contramão do mundo pode nos levar ao céu.



Qual o segredo?



É possível que nesse momento alguns estejam pensando: Sei que preciso estar na contramão do mundo, mas não tenho forças, como conseguirei?

Ellen White escreveu sobre Daniel: “O profeta Daniel tinha um caráter notável. Ele foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Santificação, 18). O Salmo 119: 9-11 diz: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra. De todo o meu coração tenho te buscado; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”.

Não existe fórmula mágica para a fidelidade. Apenas a união com Jesus pode nos dar forças para resistirmos às ondas deste mundo. Somente Cristo pode nos indicar o caminho. “Quando te desviares para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: este é o caminho, andai por ele” (Is. 30:21). Necessitamos com urgência ter mais intimidade com Deus para ouvirmos sua voz e só então podermos andar na contramão do mundo.