quarta-feira, 13 de julho de 2011


José: Forte ou Fraco?

Felippe Amorim




INTRODUÇÃO



O perdão ilimitado de Deus é uma das grandes e maravilhosas mensagens da Bíblia. Há perdão para qualquer pecado, desde que confessado e abandonado. Essa é uma verdade confortadora para nós, seres humanos falhos.

Infelizmente, algumas pessoas deturpam as verdades bíblicas e fazem do perdão de Deus uma autorização para viverem no pecado. Alguns chegam ao cúmulo de “programarem” o pecado e também o pedido de perdão. Não é assim que deve ser a vida do cristão.

O pecado na vida do cristão deve ser um acidente e não uma constante. Assim João expôs este assunto: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo. 2:1). O ideal da vida cristã é não pecar, o perdão é a solução de Deus para quando não conseguirmos atingir este ideal.

Deus deixou em Sua palavra princípios que, se seguidos, podem nos fazer mais resistentes ao pecado. A vida de José é, sem dúvida, uma rica fonte dos princípios divinos para este assunto.

Um dos episódios mais significativos da vida deste patriarca foi relatado na Bíblia da seguinte forma: “José foi levado ao Egito; e Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o haviam levado para lá. Mas o Senhor era com José, e ele tornou-se próspero; e estava na casa do seu senhor, o egípcio. E viu o seu senhor que Deus era com ele, e que fazia prosperar em sua mão tudo quanto ele empreendia. Assim José achou graça aos olhos dele, e o servia; de modo que o fez mordomo da sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha. Desde que o pôs como mordomo sobre a sua casa e sobre todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor estava sobre tudo o que tinha, tanto na casa como no campo. Potifar deixou tudo na mão de José, de maneira que nada sabia do que estava com ele, a não ser do pão que comia. Ora, José era formoso de porte e de semblante. E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os olhos em José, e lhe disse: Deita-te comigo. Mas ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe o que está comigo na sua casa, e entregou em minha mão tudo o que tem; ele não é maior do que eu nesta casa; e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto és sua mulher. Como, pois, posso eu cometer este grande mal, e pecar contra Deus? Entretanto, ela instava com José dia após dia; ele, porém, não lhe dava ouvidos, para se deitar com ela, ou estar com ela. Mas sucedeu, certo dia, que entrou na casa para fazer o seu serviço; e nenhum dos homens da casa estava lá dentro. Então ela, pegando-o pela capa, lhe disse: Deita-te comigo! Mas ele, deixando a capa na mão dela, fugiu, escapando para fora” (Gn. 39: 1 – 12).

Uma rasteira da vida

José era o filho preferido de Jacó, nascido de sua esposa amada o pai dava uma atenção especial para ele. Por exemplo, certa vez Jacó fez uma capa especial e a deu a José, o que provocou muito ciúme em seus irmãos.

Mas na vida de José aconteceu algo que é comum entre os seres humanos. Ele estava em um lugar confortável, tinha toda a atenção que poderia ter, morava em segurança com seus pais, mas a vida deu uma rasteira nele, de filho preferido de Jacó ele passou a ser um escravo no Egito.

As vezes acontece isso em nossa vida. Temos um emprego estável, uma família feliz, uma boa saúde, mas de repente uma dessas coisas ou todas elas nos são tiradas pelas circunstâncias da vida. José passou por isso. Em um espaço de dias, ele saiu da casa do pai para a casa dos escravos, passou da condição de livre para cativo, saiu de sua terra para um lugar distante e desconhecido.

Hoje nós sabemos que Deus tinha um plano a executar através de toda esta tragédia que acontecia na vida de José, mas certamente enquanto ele vivia aqueles momentos muitas dúvidas pairavam em sua cabeça e ele se sentiu golpeado pela vida.

A ASCENSÃO


Apesar de toda a angustia pela qual passava a Bíblia diz que “O Senhor era com José”. Aí está o segredo desse jovem que naquele momento tinha aproximadamente 18 anos. Não importa o quão difícil é a situação pela qual passamos, o que importa é com quem passamos por este situação. Quem está com o Senhor tem paz na tempestade.

É interessante observarmos uma coisa. A Bíblia começa descrevendo José por sua condição interior. Estar com o Senhor é essencialmente uma condição interna.

A Igreja Adventista tem falado ultimamente muito sobre reavivamento e reforma. São duas necessidades urgentes dos cristãos modernos. Mas esta sequência precisa ser respeitada. Primeiro a comunhão com Deus deve acontecer para que depois as reformas possam ser realizadas. Reforma sem reavivamento vai gerar legalismo. Reavivamento sem reforma é apenas “fogo de palha”.

Na vida de José vemos claramente o processo correto acontecendo. Após a Bíblia descrever a situação interna dele, passa a descrever a parte exterior do jovem. O versículo seguinte começa dizendo: “Vendo Potifar que o Senhor era com José”.

Aqui percebemos claramente a situação interior sendo retratada no exterior. José não forçava uma aparência de cristianismo. A comunhão que ele tinha com Deus era facilmente percebida por quem o observava.

É útil que pensemos um pouco em quem viu que o Senhor era com José. Potifar era um pagão, certamente idólatra, pois era um egípcio. Não tinha o temor do verdadeiro Deus, mas até um pagão percebeu que aquele jovem era diferente. Dentre todos os escravos, José se destacava moralmente e quando Potifar precisou de alguém de confiança para administrar sua casa, foi o jovem diferente que ele buscou.

Por mais que o mundo critique o cristão, sempre que precisam de pessoas confiáveis os procuram. Portanto, não devemos ter vergonha ou medo de sermos diferentes. Os jovens devem mostrar a diferença de ter Cristo na vida ao estudarem, trabalharem, namorarem ou fazerem qualquer outra atividade. As pessoas devem “ver” Cristo em nós.

Precisamos lembrar que para aqueles que não conhecem a Cristo, nós somos “Cristo”. Que tipo de “Cristo” temos sido? O que as pessoas estão vendo em nós? Quando andamos na nossa vizinhança, na faculdade, no trabalho, o que as pessoas dizem ao nosso respeito?

José ascendeu no trabalho, virou mordomo de Potifar, porque nele se via a Cristo. Deus abençoou Potifar por causa de José. Deus abençoou um ímpio por causa de um jovem justo.


A Prova



A Bíblia diz que José era “Formoso de porte e de aparência”. Todo o período de escravidão não retirou de José o porte de um filho de Deus. Não devemos permitir que as pancadas que levamos da vida nos façam perder a noção de quem somos. Somos príncipes, filhos do Rei do universo.

Todos perceberam que José era um jovem especial, inclusive a esposa de Potifar. Ela começou a encher a cabeça do jovem fiel de propostas indecentes de adultério e fornicação. Satanás lançou sobre José uma tentação que tem levado muitos jovens cristãos a se afastarem de Deus: a sexualidade ilícita. O relato inspirado diz que todos os dias ela o importunava.

José era exatamente como qualquer outro jovem saudável. Possuía todos os hormônios e desejos que qualquer rapaz normal possui, fisicamente ele era igual a todos, mas espiritualmente tinha qualidades que o tornavam especial. A resposta de José nos dá uma pista de quem ele era: “Mas ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe o que está comigo na sua casa, e entregou em minha mão tudo o que tem; ele não é maior do que eu nesta casa; e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto és sua mulher. Como, pois, posso eu cometer este grande mal, e pecar contra Deus?” (Gn. 39: 8-9).

Aquela era uma decisão que definiria toda a vida futura dele. Se observarmos bem a resposta, perceberemos que a preocupação de José não estava em não desagradar homens, ele preocupava-se de verdade em não desagradar a Deus. Assim deve ser a vida de cada cristão. Em todas as nossas decisões devemos ter a preocupação de agradar primeiramente a Deus e, se possível, agradarmos também aos homens.

José possuía outra coisa que nos seria muito útil: a noção perene da presença de Deus. “Se acalentássemos uma impressão habitual de que Deus vê e ouve tudo que fazemos e dizemos, e conserva um registro fiel de nossas palavras e ações, e de que devemos deparar tudo isto, teríamos receio de pecar” ( Patriarcas e Profetas, pág. 217).

Quão bom seria se ao resistirmos à tentação pela primeira vez ela nos abandonasse, mas a tentação insiste, e a mulher insistia com José todos os dias. Um dia ela o agarrou arrancou sua roupa e ele fugiu, saiu correndo da presença da mulher.

José era fraco ou forte? Ele era fraco e tinha total noção de sua fraqueza. Sabia que se ficasse mais alguns momentos ali corria o sério risco de cair. Nós também precisamos ter a consciência de que somos muito fracos em relação ao pecado. Dessa forma faremos o possível para sempre andar longe dele e apegados ao único que tem força contra a tentação: Jesus cristo.

Preciosas Lições


Todos os dias somos tentados como José. Talvez não com a mesma modalidade de tentação, mas certamente com a mesma intensidade. O inimigo não desiste de nos vencer. Constantemente inventa novos métodos para nos derrubar. Fabrica tentações personalizadas com as quais tenta nos tirar dos braços de Jesus.

Sempre me perguntava por que a história da vida de José começava a ser contada no capítulo 37 de gênesis era interrompida pela história de Judá e Tamar no capítulo 38 e era retomada no capítulo 39. Se formos atentos, perceberemos que no capítulo 38 temos uma história de um homem que foi derrotado espiritualmente pelo pecado sexual e no capítulo 39 temos a vitória de um jovem sobre o mesmo tipo de pecado. Deus queria estabelecer uma comparação entre as duas histórias.

Judá não tinha algo que abundava na vida de José: comunhão com Deus. Na frase “O Senhor era com José” estão contidas as bases da força espiritual dele. Estudo da Bíblia e oração. É somente assim que o Senhor pode ser conosco. Não existe mágica para nos aproximarmos de Deus. É caminhando com Ele cada dia, tendo momentos de íntima comunhão que conseguiremos ter a força que estava em José. Deus quer nos dar as vitórias que deu aos heróis da fé, porém há uma parte que cabe a nós. Este é o momento de nos aproximarmos de Deus e sermos fortes em Seu nome.

quinta-feira, 7 de julho de 2011


Quem Morará no Céu?

Felippe Amorim


Introdução:


A hospitalidade é uma característica do cristão. Receber pessoas em casa geralmente é algo muito prazeroso, principalmente quando recebemos pessoas que amamos.

Infelizmente, no mundo em que vivemos não podemos abrir a porta de nossa casa indiscriminadamente. Há muita violência e isso nos deixa receosos quanto a quem irá frequentar nossa casa.

Sem dúvida, fazemos uma seleção de quem convidamos para estar conosco em casa. Que tipo de pessoa você convidaria para passar uns dias em sua casa? Que tipo de pessoa você convidaria para morar em sua casa?

Deus é o grande exemplo de hospitalidade. Mas, apesar disso, ele seleciona seus hóspedes. Deus tem uma casa temporária neste planeta, é a Sua igreja. Para esta casa Deus convida a todos. O maior pecador ou a mais inocente criança são convidados a frequentar a igreja. Mas dentro de algum tempo Deus nos levará para uma casa definitiva, que já está construída no céu. Para esta casa, Deus também convida a todos, mas não levará qualquer um. Ele fará uma seleção. O direito à entrada já foi garantido por Jesus na cruz, mas algumas características serão peculiares àqueles que desfrutarão da graça de estarem nas mansões celestiais. O salmo 15 nos diz quem morará com Jesus no céu. Neste salmo existem onze características dos que desfrutarão da eterna presença física de Jesus.


Deus é o anfitrião


Antes de apresentarmos as características dos cidadãos do céu apresentadas no Salmo 15, precisamos pensar em algumas questões importantes. A primeira coisa que necessitamos entender é que Deus é o anfitrião no céu. Como anfitrião, Ele tem todo o direito de estabelecer parâmetros para quem entrará em Sua casa. Deus é quem determina que tipo de hóspede quer receber.

Alguns creem na teoria universalista de que a morte de Jesus levará todas as pessoas, indiscriminadamente, para o céu. Mas não é isso o que a Bíblia apresenta. Percebemos claramente nas escrituras que no final dos tempos haverá um grupo de salvos e um grupo de perdidos. O pensamento de que “Deus é amor e por isso salvará a todos” não é bíblico. Deus salvará a todos que o aceitaram como Salvador e Senhor de sua vida. Aceitar Jesus como Salvador significa que entendemos que seu sacrifício foi suficiente para nos salvar do pecado e nos conduzir à vida eterna. Aceitá-lo como Senhor é submeter-se aos seus mandamentos. Todos os que morarão no céu, aceitaram, de acordo com a luz que tinham, as ordenanças de Deus em sua vida.

Outro aspecto importante que devemos entender é que precisamos ter um relacionamento com a pessoa que convidamos para morar em nossa casa. Deus só convidará para morar em Sua casa pessoas com as quais Ele tem um relacionamento. Não existe cristianismo sem relacionamento com Jesus Cristo.

As Características dos cidadãos do céu


O salmo 15 começa com uma pergunta importante: Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? quem morará no teu santo monte? (Sl. 15:1). Sem dúvida essa é uma pergunta importante para o cristão e sua resposta é essencial para o destino eterno da cada um. Na sequência do texto encontramos 11 características que analisaremos brevemente a seguir.

Integridade

A primeira característica dos cidadãos do céu que o Salmo 15 nos apresenta é a integridade. Segundo o dicionário ser íntegro é ser "completo", "inteiro", "sem defeito".

Deus ordenou a Abraão, um dos personagens ideais do Antigo Testamento, que fosse íntegro (Gn. 17: l). Nós sabemos que a vida deste homem não foi uma vida perfeita, impecável. Abraão cometeu erros.

Portanto, do ponto de vista bíblico, ser íntegro não é viver em ausência de pecado. É estar completamente submisso à vontade de Deus. Ser integro é estar sempre submetido a Jesus.

O cristão íntegro entende que Deus não quer apenas uma parte de sua vida, Ele a quer completamente. Infelizmente há pessoas que se entregam parcialmente a Jesus. Reservam sua alimentação, suas músicas ou outras coisas para que elas mesmas tomem conta. Não é assim que o cidadão do céu faz, ele se entrega inteiramente a Deus e deixa com que Deus determine por onde ele anda, o que ele ouve, o que ele bebe, compra, ou seja, entrega-se integralmente a Jesus.

Pratica a Justiça

Para entendermos o que significa praticar a justiça podemos apelar para o que o apóstolo João escreveu em 1 João 3: 6- 10: “Todo o que permanece nele não vive pecando; todo o que vive pecando não o viu nem o conhece. Filhinhos, ninguém vos engane; quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo; quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão”.

Praticar a justiça é não viver no pecado voluntário. O pecado na vida do cristão deve ser apenas um acidente. Deus deixou em Sua palavra a Sua vontade revelada. Pecado é ir contra esta palavra.

Devemos seguir o que Deus determina mesmo que não seja o que nós queremos, pois a vontade de Deus sempre é melhor que a nossa.

Fala a verdade de coração.


Esta é sem dúvida uma característica desafiadora. Vivemos em uma época na qual a mentira está generalizada. Nesta sociedade os fins justificam os meios, mentir não importa muito, contanto que se leve alguma vantagem, essa é a filosofia da nossa sociedade.

O cidadão do céu preza pela verdade. Sua palavra é como Jesus determinou: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno”(Mt 5:37). O verdadeiro cristão é totalmente sincero, não trabalha com “meia-verdade”.

Ele fala a verdade de coração, ou seja, suas palavras verdadeiras derivam de um coração que está em harmonia com o criador. O cidadão do céu cuida do seu coração, seguindo a recomendação de Salomão: “Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”(Pv. 4:23)

As três primeiras características apresentadas pelo salmo 15 são internas. Deus tem uma mensagem com isso. Primeiro devemos cuidar das nossas questões internas. No movimento de reavivamento e reforma, esta sequência precisa ser respeitada. Reforma sem reavivamento prévio gera legalismo. O que importa não são formas nem cerimônias, senão o caráter que se manifesta nas ações nobres.

Não difama

O cidadão do céu não lança palavras mentirosas contra seu irmão. Falar mal do próximo, mesmo contra uma pessoa má, não é uma característica de um cristão. Mesmo ouvir a difamação já é participar deste pecado.

“Quando damos ouvidos a uma difamação contra nosso irmão, somos responsáveis pela mesma. [...] Devemos esforçar-nos por pensar bem de todos os homens, especialmente de nossos irmãos, até que sejamos forçados a pensar de outro modo. Não devemos ter pressa em acreditar em relatórios maus. Eles são muitas vezes resultado de inveja ou mal-entendidos, ou podem proceder de exageros ou de uma exposição de fatos tendenciosa. O ciúme e a suspeita, uma vez se lhes tendo dado lugar, espalhar-se-ão aos quatro ventos, como as sementes de cardo. Se um irmão se desvia, é então ocasião de nele mostrardes vosso real interesse. Ide ter com ele bondosamente, orai com ele e por ele, lembrados do preço infinito que Cristo pagou por sua redenção. Deste modo podereis salvar da morte uma alma e cobrir multidão de pecados.” (Conselho Sobre Educação. 88,89)

Obreiros fervorosos não têm tempo para demorar-se nos defeitos alheios. Contemplam o Salvador, e contemplando-O transformam-se em Sua semelhança. Ele é Aquele cujo exemplo devemos seguir na formação do nosso caráter. Em Sua vida na Terra Ele revelou claramente a natureza divina. (Testemunhos Seletos v. 3, 230)


Não faz mal ao semelhante


Na vida de um cidadão que morará no céu o fazer o bem é uma ação constante. Sua preocupação constante é como ajudar ao semelhante. Uma pergunta importante é “quem é meu semelhante?”

Jesus respondeu a esta pergunta com a parábola do Bom Samaritano, segundo esta história, o nosso semelhante são todas as pessoas que estão próximas de nós e são necessitadas de ajuda.

A partir deste princípio o cidadão do céu é alguém que faz bem a TODOS, sem exceção.


Não lança calúnia


O cidadão do céu vive segundo a regra de ouro: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas” (Mat. 7: 12).

“Quando alguém chega a vós com uma história acerca de vosso semelhante, deveis recusar-vos a ouvi-la. Deveis dizer-lhe: "Falaste com a pessoa interessada a esse respeito?"... Dizei-lhe que ele deve obedecer a regra bíblica, e ir primeiro a seu irmão, e dizer-lhe em particular sua falta, e com amor. Caso os conselhos de Deus fossem seguidos, cerrar-se-iam os diques à maledicência”. (Review and Herald, 28 de agosto de 1888.)

“Os pastores e leigos desagradam a Deus, permitindo a indivíduos falar-lhes acerca dos erros e defeitos de seus irmãos. Não deveriam atender a essas informações, mas sim inquirir: Acaso fizeste como manda o Salvador? Foste ter com o teu ofensor, advertindo-o de suas faltas entre ti e ele só? E recusou ouvir-te? Tomaste contigo, depois de orar sobre o caso, duas ou três testemunhas, buscando convencê-lo com ternura, humildade e mansidão, e com o coração palpitante de simpatia por ele?” (Testemunhos Seletos v. 2, 260)
Rejeita o desprezível


Essa é uma expressão muito interessante. Rejeitar o desprezível significa se afastar de coisas proibidas.

Alguns cristãos gostam de estar perto de coisas que são proibidas. Vivem se perguntando “até onde posso ir sem pecar?” Esta não é a pergunta correta. Deveríamos nos perguntar “como devo viver para estar bem longe do pecado?”

Deveríamos rejeitar tudo o que não agrada a Deus. Programas de televisão, músicas, conversas, comidas, enfim, o cristão que morará no céu é inimigo daquilo que Deus é inimigo.

Honra os que temem ao Senhor

Essa característica diz respeito a como o cristão encara as homenagens que presta a outras pessoas. O texto nos diz que nós podemos prestar homenagens. Porém, também nos é apresentado quem merece nossas homenagens.

O cristão genuíno honra aos verdadeiros seguidores de Deus. Dá mais importância à verdadeira piedade que à linhagem e à posição.

Bajular pessoas por causa de sua riqueza ou por causa de algum benefício que possa receber não é uma ação do cidadão do céu. A honra deve ser dada àqueles que temem a Deus, esse é o verdadeiro critério para as homenagens do cristão.

Mantêm a palavra mesmo prejudicado

Pode-se ter absoluta confiança no que o cidadão do céu prometeu. Ele sempre cumpre sua palavra, mesmo que sua promessa o faça ter prejuízo, ele sempre cumpre-a. Ele sempre é fiel em seus negócios, cumpre os horários combinados.

Este cristão tem a consciência de que “os cálculos de cada negócio, os pormenores de cada transação passam pelo exame de auditores invisíveis, agentes dAquele que nunca transige com a injustiça, nem abona o mal, nem passa por alto o erro” (Educação, 144).

Não empresta visando lucro


A décima característica diz respeito a não exploração dos pobres. O cidadão do céu não se aproveita de pessoas em condições piores que a dele para tirar proveito financeiro.

Isso se aplica também na hora de comprar e vender. Não se deve aproveitar-se da situação de desespero das pessoas para lucrar com isso. Os negócios precisam ser feitos com justiça nos preços e nos lucros.

Não aceita suborno

A última característica tem relação com a honestidade. Em um mundo onde a desonestidade tem virado “virtude” dos espertos, estamos precisando de mais cidadãos do céu que são honestos na hora de fazer uma prova, na hora de fechar um negócio, na hora de vender seus produtos.

Outro aspecto importante deste ponto é que o cidadão do céu faz o que é certo mesmo quando alguém lhe oferece vantagens para que ele faça o que é errado.

Poderíamos resumir estes onze pontos com uma citação muito significativa: “A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus”. (Educação, 57)


A Fonte das características


O salmo termina de uma forma muito significativa: “Quem desse modo procede não será abalado”(v.5)

A pessoa em cujo caráter se mostra as características enumeradas nos versos 2-5 é digna de ser hóspede de Deus. Como está colocada sobre uma base segura, não será abalada. Mas qual é essa base segura. Como o cristão pode “não ser abalado”?

Mateus 7:24-25 nos diz quem é este cristão que não será abalado: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha”.

Somente quando nos firmamos na Rocha, ou seja, em Cristo, é que podemos não ser abalados. Todas estas características do cidadão do céu somente são possíveis de existirem em uma pessoa se ela estiver firmada na rocha da salvação. Só Jesus conseguiu cumprir tudo perfeitamente e quando falhamos é nos méritos dEle que confiamos para continuarmos a caminhada. Confiados em Seus méritos é que viveremos aqui como cidadãos do céu e finalmente entraremos nas mansões celestiais.

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Vinícius Mendes de Oliveira
Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
Formando em Teologia no IAENE


A DOUTRINA DA MORTE



INTRODUÇÃO

O estado do homem na morte é um assunto muito controvertido em nossos dias. Compreender esse assunto é de vital importância devido ao fato de que envolve a natureza do homem e o plano de Deus para salvá-lo do pecado. È por isso que o inimigo de Deus tem trabalhado muito para que haja confusão a respeito desse ponto e que em seu primeiro engano para o ser humano, levou nossos primeiros pais a pensarem que não morreriam, como tem ensinado o espiritismo.

Portanto, esse texto aborda esse tema a partir da perspectiva bíblico-antropológica e da análise de dois textos bíblicos usados erroneamente para refutar a correta doutrina bíblica a respeito do estado do homem na morte.

ANTROPOLOGIA BÍBLICA

Esse é um tema antropológico. Logo, precisamos recorrer, para iniciarmos o assunto, à criação do homem e a forma como Deus define a pergunta geradora da antropologia: “O que é o homem?” Gênesis 2:7 diz: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente.”

De acordo com essa simples e clara definição o homem não possui uma alma. O homem é uma alma vivente. Do ponto de vista bíblico, a vida humana é uma composição de dois elementos: fôlego de vida e pó da terra. Observe que no texto de Genesis 2:7 a integralidade do ser humano é definida como alma vivente, ou seja, a alma não é uma entidade que está no homem, mas é o próprio homem. O texto é claro com respeito a isso. Há ratificações neotestamentárias desse pensamento mosaico em I Coríntios 15:45: “o primeiro homem Adão, foi feito em alma vivente...” E Apocalipse 16:3:” E o segundo anjo derramou a sua salva no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda alma vivente.”

É interessante observar a relação que o Gênesis faz entre o tipo de vida que há no homem e a que existe nos animais: “Expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de fera, e de todo réptil que se roja sobre a terra, e todo homem, tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia no seco morreu.” Gênesis 7: 21-22.

O texto deixa claro que os animais possuem o mesmo fôlego de vida que os homens possuem. Assim, fica difícil pensar que os animais possuem uma alma pensante que sai de seu corpo quando morrem. O sábio Salomão acrescenta: “Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso também sucede aos animais; a mesma coisa lhe sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para o mesmo lugar, todos são pó, e ao pó tornarão.” Eclesiates 3:19-20

O texto acima ainda iguala o lugar para onde vão os mortos de forma tácita: pó da terra, porque todos são pó, tanto homens quanto animais. Veja que o texto não dá nenhuma margem para considerarmos outro lugar para onde vão os mortos senão o pó da terra.

Eclesiastes 12:7, falando sobre a morte diz: “e o pó volte a terra, como era, e o espírito volte a Deus que o deu.” O ponto de vista antropológico de Salomão (inspirado) é de que o homem é uma composição de pó (corpo) e espírito (hebraico ruaj e traduzido pela LXX como pneuma). Assim o termo ruaj e seu correlato grego pneuma equivalem a fôlego de vida. A analogia das Escrituras deixa claro que a fórmula antropológica de Salomão é a mesma que aparece em Gênesis 2:7.

Com respeito à incapacidade cognitiva e volitiva do estado do homem na morte, diz Eclesiastes 9:5-6 “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.” Assim, não é possível uma formulação doutrinária bíblica que derive uma interpretação de um estado de consciência do homem após a morte.

É importante mencionar ainda que a compreensão de que a alma humana é imortal contradiz frontalmente a doutrina da ressurreição.

No Éden, o engano da serpente girou em torno da mortalidade X imortalidade da alma. Enquanto Deus havia dito que o casal original não devia comer do fruto, pois a consequência seria a morte (Gn. 3:3), Satanás, contradizendo a Deus disse “Não morrereis”(Gn. 3:4). O primeiro engano satânico foi levar o homem à compreensão mentirosa da imortalidade. A frase “É certo que não morrereis” tem ecoado hoje através do espiritismo, falsas doutrinas bíblicas, filmes, novelas etc.

Com esse ensino quer Satanás levar o homem a viver irresponsavelmente pois, segundo seu engano, sempre haverá uma chance, mesmo após a morte do corpo. Isso contradiz a Bíblia em Hebreus 9:27, que diz: “E, assim como aos homens está ordenado morreram uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.”

A certeza de um juízo após a morte evidencia a necessidade de levar-nos a sério as coisas de Deus enquanto estamos vivos, pois a morte não nos reserva outra chance. É por isso que a Bíblia sempre apela para uma decisão para hoje (Hb. 4:7). Por outro lado, o juízo determinará de que maneira a eternidade se revelará para cada ser humano. É por isso que a Bíblia ensina que há duas ressurreições (João 5:28-29; Apoc. 20:1-6). A primeira para a vida eterna e a segunda para a morte eterna. O desejo de Deus é de que todos tenham parte na primeira ressurreição.

ANÁLISE DE I PEDRO 3: 13-20 E LUCAS 23:43

I PEDRO 3: 13-20

Com respeito, a I Pedro 3 : 18-20 a explicação bíblica é clara. No entanto, é preciso considerar o contexto em que esse texto aparece. A perícope inicia-se no verso 13, a partir de onde Pedro está instruindo os crentes a permanecerem firmes na fé diante da perseguição daqueles que não crêem na fé evangélica. O apóstolo recomenda a santificação e preparo para responder a respeito da esperança que os cristãos possuem. Pedro afirma, então, que é melhor sofrer pela verdade do que praticar o mal.

Com base nesse contexto, o apóstolo usa exemplo de Cristo, que morreu por justos e injustos. Pedro explica que a morte de Cristo lhe subtraiu temporariamente seu corpo humano, mas não lhe tirou a vida espiritual que Ele possui desde a eternidade. Foi no uso dessa vida (vida espiritual e não em Seu corpo humano) que Cristo pregou, através do ministério de Noé, aos antidiluvianos, que rejeitaram a oferta de salvação, zombando do profeta. A pregação de Noé resultou na salvação de sua família apenas, a qual os livrou do dilúvio, o que para Pedro simboliza o batismo, no qual os que ouvem e praticam a voz de Deus são salvos.

A dificuldade aparente desse texto reside no uso do termo “vivificado no espírito”(v.18) e à expressão “espíritos em prisão (v.19). A expressão “vivificado no espírito” está em oposição a “morto, sim, na carne”. O que Pedro quer ensinar aqui é que Cristo, durante a encarnação, viveu em carne humana, mas que, a despeito dessa condição humana, Ele possui vida espiritual. E foi no uso dessa vida espiritual que Ele pregou, nos dias da pregação histórica de Noé, através de Noé, aos antidiluvianos, chamados aqui de “espíritos em prisão”. Uma exegese honesta do texto, com base na analogia das Escrituras, não permite a inferência de que essa pregação foi após a morte de Cristo, até porque, segundo Hebreus 9:27, os homens morrem e estão sujeitos ao juízo, não havendo mais possibilidade de se mudar seu destino. Essa verdade bíblica torna sem propósito uma suposta pregação de Cristo a seres que morreram sem salvação. Se por acaso for tomada a teoria falsa de Cristo foi pregar, em Sua morte, aos anjos caídos, o problema persistirá pois Judas 6 diz que esses anjos estão sob trevas espirituais, com seus casos decididos aguardando o dia do juízo.

A expressão “espíritos em prisão” está fazendo uma clara referência aos antidiluvianos que viviam durante a pregação de Noé. A Bíblia, no Novo testamento, usa muitas vezes o termo “espírito” para se referir a pessoas vivas (I Cor,16:18; Gl. 6:18). Com respeito a essa expressão associada à prisão, a explicação é a de que o pecado (natureza pecaminosa) é uma prisão para o ser humano sem Cristo (Rm 7:7-25).

Assim, o resumo do ensino de Pedro nessa perícope (I Pedro 3: 13-22) é de que os crentes devem permanecer na fé e defendê-la com amor, mesmo que isso resulte em desprezo e perseguição. O caso de Cristo, pregando aos antidiluvianos é tomado como exemplo, pois mesmo estes não aceitando Sua pregação (apenas oito pessoas foram salvas) e Ele sendo morto em Sua encarnação, isso não lhe tirou a vida espiritual que Ele possuía desde a eternidade, a qual foi plenamente recuperada por Ele em Sua ressurreição. O que Pedro quer ensinar que essa vida espiritual, através da ressurreição, é oferecida a todos os que permanecem na Palavra de Deus.

LUCAS 23: 43

“E Jesus respondeu: em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”

A explicação dessa passagem passa pelos seguintes seguimentos: 1- contextual e 2- linguístico

CONTEXTUAL

Em Suas palavras de despedida aos apóstolos no Cenáculo, vinte quatro horas antes de dizer essas palavras ao ladrão, Jesus disse: “E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também.” João 14:3. Essas palavras indicam claramente que o paraíso, para onde os salvos vão, só pode ser acessado quando Jesus voltar. Isso torna incoerente a suposta promessa de Jesus de que o ladrão estaria naquele mesmo dia, com Ele, no paraíso. Da boca de Cristo nunca saiu e nunca sairá incoerência.

Três dias após a promessa ao ladrão, Jesus diz a Maria Madalena: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai...” João 20:17. Haveria uma grave contradição contextual se Jesus de fato tivesse prometido ao ladrão que estaria com Ele naquele dia no paraiso, pois nem Ele mesmo tinha ascendido ao céu. Entendendo que na Bíblia não há contradição, fica claro que o ladrão não poderia estar com Jesus, naquele dia, no paraíso.



LINGUÍSTICO

É essencial saber que a versão grega original do texto de Lucas 23:43 não possui nem sinais de pontuação tampouco o conectivo que aparece nas versões modernas. Assim no texto original grego de Lucas não aparece a conjunção subordinativa oti (que). Seu acréscimo nas versões atuais decorre da influência que a doutrina da imortalidade da alma exerceu sobre os tradutores modernos da Bíblia.

Dessa forma, o texto deveria ser lido corretamente assim: “Em verdade te digo hoje estarás comigo no paraíso.” O advérbio hoje (grego semeron) nesse texto é usado para modificar o verbo digo e não o verbo estarás.

Em Marcos 14:30, aparece o advérbio semeron (hoje) antecedido pela comjunção oti (que): Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.”

No texto de Marcos, vemos Jesus enfatizando que a negação de Pedro ocorreria naquela mesma noite, como de fato aconteceu. Portanto, o uso de semeron (hoje) antecedido de oti (que) aparece corretamente no original grego. Mas o mesmo não ocorre em Lucas 23: 43, pois Jesus não desejava, neste texto, enfatizar uma noção presente da ida ao paraíso com a palavra hoje (semeron), mas relacionar o termo hoje ao verbo digo com o propósito fortalecer o valor do que ia dizer.

Infelizmente para, literalmente, colocar palavras na boca de Jesus, forçando-O a dizer o que não pretendia, os tradutores modernos da Bíblia acrescentaram a palavra que ao texto de Lucas para que essa passagem pudesse ser base para uma doutrina não bíblica.

CONCLUSÃO

Embora a doutrina da morte seja controvertida em nossos dias, um exame criterioso do ensino das Escrituras sobre o tema deixa clara a noção de que o ser humano é uma entidade holística, composta por corpo (pó da terra) e espírito (fôlego de vida).. Logo, o homem não possui uma alma, mas é uma alma. Uma análise criteriosa, embasada em uma exegese séria, de qualquer texto bíblico, inclusive os que parecem mais complexos revelam a doutrina de que o homem é mortal, e que o juízo de Deus decidirá o destino de todos os homens. Está diante de todas as pessoas escolher apenas dois caminhos: vida eterna ou morte eterna. Não há uma estrada alternativa. A mentira Satânica, desde o Éden, foi fazer pensar que o homem poderia ser eterno como Deus. Mas só o Senhor tem esse dom e deseja compartilhar com todos aqueles que aceitam e praticam toda a palavra que procede da boca de Deus (Mateus 4:4).

sábado, 25 de junho de 2011


Livrando-se do Peso da culpa

A experiência de Davi mostra o quão prejudicial é o pecado e como podemos nos livrar dele.


Felippe Amorim



Introdução



No meio do ano passado eu e minha esposa resolvemos mudar de casa e fomos morar no terceiro andar de um pequeno prédio. Naturalmente fomos fazer a mudança. Com a ajuda de alguns amigos descarregamos os móveis de uma caminhonete e começamos a subir as escadas até o apartamento.

Confesso que subir escadas carregando móveis não é algo agradável, aliás, nunca é confortável ter um peso nos ombros.

Pode ser que algumas pessoas não carreguem pesos materiais nos ombros, mas estão encurvadas por um peso que incomoda muito mais que o físico. Estão sobrecarregadas com o peso da culpa. Este peso tem algumas peculiaridades. Quanto mais tempo fica sobre nós, mais pesado ele vai ficando. A culpa vai sugando as energias da alma até que prostra o ser humano. Outra característica desse peso é que nós não temos a capacidade de retirá-lo de nós. Apenas Jesus Cristo o pode fazer.

O rei Davi passou por uma experiência da qual podemos tirar importantes lições a respeito do peso da culpa e de como nos livrarmos dele.

O peso do pecado

“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniquidade, e em cujo espírito não há dolo” (Sl. 32: 1-2). É assim que Davi começa a escrever o Salmo 32. Este é um Salmo de reminiscências, o salmista está lembrando momentos de sua vida nos quais ele passou por situações cruciais. Davi começa falando de como é bom receber o perdão. Nesse momento o rei de Israel está sentindo a felicidade que todos os seres humanos sentem quando o peso da culpa é retirado de seus ombros.

Deus oferece a cada filho Seu a oportunidade de se livrar dos pesos de culpa que carrega sobre seus ombros. Os consultórios dos psicólogos e psiquiatras estão lotados de pessoas que não conseguem ter paz devido a algo de seu passado que os perturba todos os dias. Davi sofreu disso e da experiência dele podemos retirar princípios de perdão para nossa vida.

Após falar da alegria do perdão, o homem segundo o coração de Deus começa a relembrar os difíceis momentos pelos quais passou. Ele os relata assim: Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. (Sl 34:3,4)

Podemos identificar alguns elementos que evidenciam a condição emocional e espiritual de Davi. Ele estava tentando encobrir algo de errado que ele havia feito, mas isso o estava destruindo internamente. A sua sensação era que seus ossos estavam se deteriorando aos poucos. Ao longo de suas atividades reais diárias, ele não conseguia se concentrar, seu trabalho estava sendo prejudicado por causa de seu sentimento de culpa.

O texto continua nos dizendo que o sono de Davi também não era mais o mesmo. A insônia sempre acompanha aqueles que carregam a carga mais pesada que alguém pode colocar em seus ombros: a culpa. Certamente seu corpo já estava cansado de não dormir em paz por longos meses.

Davi não conseguia se livrar dos pensamentos de acusação que o acompanhavam desde o momento em que ele caiu e escolheu esconder seu pecado.

O caminho para o pecado



Em II Samuel 11 descobrimos o que fazia com que a vida do rei Davi estivesse numa condição emocional tão ruim. Lá encontramos a história do pecado de Davi com Bate-Seba. É uma história que contêm mentiras, adultério, assassinatos, ociosidade e muitos outros atos pecaminosos cometidos por Davi.

Durante algum tempo me perguntei por que uma história tão vergonhosa foi registrada no livro sagrado de Deus. Até que compreendi que Deus estava querendo ensinar profundas lições aos seus filhos. São lições que podem fazer diferença entre a vida e a morte eternas.
O texto começa dizendo que “tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem à guerra, Davi enviou Joabe, e com ele os seus servos e todo o Israel; e eles destruíram os amonitas, e sitiaram a Rabá. Porém Davi ficou em Jerusalem” (II Sm 11:1). Naquele momento Davi não deveria estar em casa, mas ele fez a escolha errada.

O reino de Israel passava por um momento político-social muito bom. A agricultura ia bem, a maior parte dos inimigos já tinham sido derrotados e os cofres estavam abarrotados de ouro, prata e outros bens preciosos.

Diante desta situação confortável, o rei Davi estava no auge de sua vida pública. Frequentemente recebia homenagens e aclamações por todos os seus feitos. O rei tinha uma vida muito confortável.

Se existe um lugar perigoso para o ser humano, este lugar é o “auge”. É uma posição muito almejada e também perigosa. Todos sonham em chegar no auge da vida profissional, da vida sentimental, da vida espiritual. Mas no auge, muita vezes, é o lugar onde começa o declínio, pois lá existe a tentação da acomodação, da autossuficiência , do esquecimento de Deus.

Foi no auge da carreira profissional de Davi que Satanás viu o melhor momento para derrubá-lo. Davi estava no lugar errado, era época dos reis estarem na guerra. O exército de Israel estava na guerra, mas o seu líder estava em casa, na ociosidade. Davi achava que já havia conquistado tudo o que precisava. “Foi o espírito de confiança e exaltação próprias o que preparou o caminho para a queda de Davi” (Patriarcas e Profetas, 717).

Alguns passos foram dados até a consumação do pecado. A Bíblia diz que Davi acordou tarde naquele dia. Estava dormindo quando deveria estar lutando. A ociosidade foi o primeiro erro do rei. O pecado não chega rapidamente, Satanás vai minando as forças do ser humano aos poucos. “A obra do inimigo não é feita abruptamente; não é, ao princípio, súbita e surpreendente; é uma ação secreta de minar as fortalezas dos princípios. Começa em coisas aparentemente pequenas - negligência de ser fiel a Deus e de confiar nEle inteiramente, disposição para seguir costumes e práticas do mundo” (Patriarcas e Profetas, 718).

O segundo passo de Davi rumo ao pecado foi “ver”. A palavra de Deus diz que ele viu uma mulher tomando banho. Naquele momento Davi foi tentado. Estava diante dos seus olhos a oferta de satanás, mas ele poderia recusar as insinuações do inimigo. O problema é que ele fixou seus olhos na tentação. Ele poderia ter feito como José, fugido, mas Davi se deteve contemplando aquela mulher.

Aqui há uma importante lição para nós. Cada ser humano sabe exatamente quais são as suas tentações, alguns são tentados por bebidas alcoólicas, outros por pornografia, outros por dinheiro fácil. Cada um sabe o que mais lhe tenta. Precisamos agir diferente de Davi. Não podemos fixar os olhos naquilo que nos tenta. Quanto mais distantes da nossa tentação, menor a possibilidade de cairmos.

Um momento de afastamento de Deus e Davi caiu em um buraco de pecado. Pediu informações a respeito da mulher e alguém lhe disse “Porventura não é Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?” Percebemos claramente o que este recado dizia: “Davi, a mulher é casada”. O rei não escutou a advertência que Deus havia mandado para ele. Quando nos afastamos de Deus escutamos cada vez menos a sua voz.

Davi chamou a mulher, que veio sem resistir. Não há desculpas para Bate-Seba, ela poderia ter preferido à morte a trair seu esposo. Então, o ato pecaminoso foi consumado.

A mulher voltou para sua casa e aparentemente as coisas voltaram ao normal. Algum tempo depois chegou para Davi a notícia da gravidez de Bate-Seba. Certamente o monarca lembrou-se de Levítico 20: 10. Sabia que se seu pecado fosse descoberto ele deveria morrer.

Arquitetou um plano para conseguir um pai legítimo para aquela criança. Mandou chamar de volta Urias, marido de Bate-Seba, da guerra. Após, sem sucesso, tentar fazer com que aquele fiel soldado voltasse para sua casa e dormisse com sua esposa, encobrindo assim seu pecado, Davi envolveu todo o seu exército em um plano de assassinato. Escreveu uma carta para Joabe, seu general e a mandou por Urias, que conduziu sua própria sentença de morte. Voltou para a guerra e lá foi assassinado.

Um ano de “tranquilidade” se passou. Davi casou com aquela mulher viúva e o

bebê nasceu. Mas Deus não permitiu que Seu nome fosse envergonhado e nem que seu filho ficasse naquela situação de perdição. Davi estaria perdido enquanto não confessasse seu pecado.

O profeta Natã foi enviado por Deus e com muita habilidade, digna de imitação

pelos pregadores atuais, mostrou para o rei seu pecado e apresentou a solução. Um ano após o pecado, finalmente Davi conseguiu respirar aliviado.


Libertando-se do peso do pecado.



Na terceira parte do salmo 32 nos é revelado o segredo para nos livrarmos do peso da culpa: “Confessei-te o meu pecado, e a minha iniquidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Sl. 32:5-6).

Confessar o pecado era o que faltava para que Davi conseguisse novamente ter paz. Só há uma base para o perdão: o arrependimento acompanhado de confissão. Precisamos, contudo, saber que o arrependimento compreende a expulsão do pecado da vida. O ato de confessar está acompanhado do ato de abandonar, pois, “a justiça de Cristo não encobrirá pecado algum acariciado” (Parábolas de Jesus, 316). Uma clara convicção do dever cristão sempre acompanha à mudança de coração" ( RH 18-12-1913).

Agora é o momento de Confessar. Podemos até pensar que o que fizemos é tão grave que Deus não nos aceitará de volta. Mas “não devemos estar ansiosos acerca do que Cristo e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de Cristo, nosso Substituto. Vós sois aceitos no Amado” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 32 e 33). Deus promete perdão para todos os que, de todo coração, confessam e abandonam seus pecados.

Depois de perdoado e aliviado do peso da culpa, Davi fez uma oração que cada um de nós deveria fazer todos os dias. “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito inabalável” (Sl. 51: 10). O pedido de perdão sempre deveria ir acompanhado de um pedido para que Deus renove e santifique o coração. Davi compreendeu que somente com um coração criado e renovado por Deus ele poderia continuar tendo uma vida sem culpa, com muita paz interior. Hoje é o dia de fazermos a oração de Davi!





sábado, 18 de junho de 2011


AS DUAS FACES DO CORDEIRO

                                   Vinícius Mendes de Oliveira
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
  Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Aluno do 7º período do SALT – IAENE
vimeo@hotmail.com




“Os reis da terra, os grandes , os comandantes, os ricos, os poderosos e todo livre, se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” Apocalipse 6: 15-17

INTRODUÇÃO

O texto acima apresenta o quadro caótico em que estará o mundo e a situação de desespero de grande parte da população nos momentos que antecedem imediatamente a volta de Jesus. O verso 17 revela a imagem de Jesus, o Cordeiro, irado, vindo nas nuvens do céu para executar o Seu juízo. Milhares de pessoas se encontrarão perdidas, pessoas estas de todas as classes sociais, que clamarão aos montes e rochedos “caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono”.
 Tal situação, então, faz emergir a séria pergunta que finaliza o capítulo seis de Apocalipse, onde, nos versos 12 a 17, aparece o sexto selo. Diante de tamanha perdição em que estão submetidos, os perdidos dramaticamente perguntam: “quem é que pode suster-se?”. O livro do Apocalipse não deixa sem resposta essa questão. No capítulo sete, o apóstolo João apresenta três características daqueles que passarão incólumes pelo caos em que o mundo estará nos momentos antecedentes à volta de Jesus e esclarece qual o motivo por que essas pessoas não sofrerão a ira do Cordeiro, mas usufruirão de Sua amorável proteção.

SELAMENTO

            O capítulo sete de Apocalipse inicia a resposta à pergunta que finaliza o capítulo anterior apresentando quatro anjos que estão neste planeta, evitando que o mundo seja completamente devastado até que outro anjo pudesse assinalar a fronte dos fiéis com o selo do Deus vivo (Ap 7: 1-2). O anjo assinalador diz, no verso 3: “Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.”
            Esse texto começa respondendo a pergunta do capítulo seis, apresentando claramente que haverá um grupo de selados, os quais são chamados de “servos do nosso Deus.” Esse grupo, frente ao terrível drama pelo qual o mundo passará, estará seguro, mesmo diante das provas, pois estarão protegidos por Deus e Seus anjos.
            A pergunta que surge, no entanto, é: qual é o selo que distinguirá os protegidos servos de Deus dos desesperados perdidos descritos no final do capítulo seis de Apocalipse?
            O apóstolo Paulo em Efésios 1: 13 e 4:30 diz: “em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” Os textos acima são claros em apresentar o Espírito Santo como o agente selador, ou seja, o crente só recebe o selo de Deus através do Espírito Santo. Assim, fica claro que o selamento é produto da ação de Deus no ser humano e não de um esforço humano para alcançar mérito diante de Deus, habilitando-o para a salvação.
            Nesse momento, no entanto, é importante refletirmos sobre qual é, de fato, a obra do Espírito Santo na vida do crente para compreendermos o que o Espírito sela na vida de um servo de Deus. Em Ezequiel 36: 26 e 27, lemos: “Porei dentro de vós o meu espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardareis os meus juízos e os observareis.” O profeta Ezequiel nesses versos deixa claro qual é a obra do Espírito no coração: fazer um transplante de coração do fiel, inscrevendo nesse novo coração os estatutos e juízos de Deus que são termos sinônimos para lei. Assim, o profeta quer evidenciar que Deus deseja uma obediência que não seja externa, mas que seja produto de um coração transformado. Sobre esse mesmo tema, Jeremias 31: 33 diz: “Porque esta á a aliança que firmarei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” Portanto, conforme, os textos acima, a obra do Espírito Santo, ou o seu selo, tem que ver com a inscrição da imutável e eterna Lei de Deus no coração, transformando a obediência a Deus em algo que procede de um coração “transplantado” que obedece por amor e não por obrigação. Isaías 8: 16 também menciona o tema do selamento da lei: “Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos meus discípulos.” Dessa forma fica claro que o agente selador é o Espírito Santo e que o que Ele sela está diretamente relacionado à Lei de Deus.
            O selamento é a obra em que Deus diferencia claramente aqueles que lhe pertencem em relação àqueles que escolheram espontaneamente não serem de Seu povo. O selo, portanto, é um sinal distintivo. Falando sobre a obra de Deus em distinguir o Seu povo, Ezequiel 20: 12 diz: “ Também lhes dei os meu sábados, para servirem de sinal entre mim e eles para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.” Nos versos 19 e 20, Ezequiel completa: “ Eu sou o Senhor, vosso Deus; andai nos meus estautos, e guardai os meus juízos, e praticai-os; santificai os meus sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o Senhor que os santifica.” Nesses textos, Ezequiel apresenta o sábado como um claro sinal distintivo entre Deus e Seu povo. Foi o mesmo Ezequiel quem apresentou o Espírito Santo como agente selador da lei no coração. No entanto, nos versos acima, o profeta destaca, da lei, um mandamento para funcionar especificamente como sinal entre Deus e Seu povo, sem, obviamente, desconsiderar os demais mandamentos como esclarece Ezequiel 20:19.
            O questionamento que surge, portanto, agora é: por que o quarto mandamento foi destacado por Deus para ser o selo distintivo entre Si e Seu povo? A resposta encontra-se no próprio quarto mandamento: “Lembra-te do dia de Sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e fará toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Êxodo 20: 8 -11)
A imagem que é evocada com o tema do selamento é a de um proprietário de gado marcando seus animais, para diferenciá-los dos que não lhe pertencem. É por isso que o mandamento do sábado é tão importante nesse contexto, pois é o único entre os demais, que apresenta claramente o nome de Deus, (Senhor, teu Deus), o mandamento diz qual a jurisdição em que atua o Senhor, (os céus e a terra) e apresenta ainda Deus como o criador de todas as coisas. Esses dados presentes no quarto mandamento caracterizam efetivamente um selo, pois evidenciam plenamente quem é Deus, mostra quais são os “limites” de sua atuação e  garante que Deus é o dono de cada um de nós por ser o nosso criador. Assim, é explicada a escolha de Deus pelo quarto mandamento como Seu selo diferenciador sobre Seu povo. Só a atuação do Espírito Santo no coração permite esse reconhecimento do senhorio de Cristo, mesmo que tal atitude coloque o cristão na contramão do mundo.

GRANDE TRIBULAÇÃO

“Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação,...” Apocalipse 7: 13-14
            O apóstolo continua descrevendo os salvos e, no texto acima, apresenta uma importante característica que será verificada na vida daqueles que estarão salvos por ocasião da volta de Jesus e que poderão suportar os eventos finais que antecedem a volta do Senhor.
            O texto revela que haverá na identidade do fiel povo de Deus o traço de ter sido perseguido. Naturalmente, essa perseguição é produto da obediência a Deus. “A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fonte, para que ninguém possa comprar ou vender senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.” (Ap 13: 16 -17) O texto acima apresenta todas as classes de pessoas recebendo sob imposição a marca da besta. Esta imposição restringe a liberdade de comprar e vender para aqueles que rejeitam receber a marca sobre a mão direita (representando o trabalho) e sobre a fronte (representando a consciência), caracterizando assim uma real perseguição sobre os que se mantiverem fiéis a Deus, rejeitando a marca da besta.
            A pergunta que surge, então, nesse momento é: o que é a marca da besta? A resposta a essa questão será clara se entendermos que Satanás é o grande contrafator. Ou seja, se o selo de Deus é a obediência ao quarto mandamento, que se refere à observância do sábado, que é um dia da semana, a marca da besta precisa ser a obediência a um mandado que se refira a um dia, neste caso, o domingo. Apocalipse 14:8 diz: “Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição.” O texto acima indica que a obra de Babilônia é prostituir as verdades apresentadas na palavra de Deus e isso é exatamente o que o catolicismo romano fez com lei de Deus, no que diz respeito ao quarto mandamento que requer a observância do sábado, modificando para o domingo (Dn 7:25). Conforme Apocalipse 13, essa mudança se tornará em um decreto dominical. Quando isso ocorrer, estará estabelecida a marca da besta. A aceitação da marca da besta resultará em  “benefícios” temporais humanos. Mas essa decisão determinará uma posição definitiva contra Deus, selando o destino dessas pessoas e atraindo sobre elas as sete e últimas pragas. “Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9-10) O texto esclarece que receber a marca da besta vai resultar em condenação por parte dos infiéis a Deus.
            Na sequência, agora se referindo, ao povo de Deus, o apóstolo João diz: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Apocalipse 14:12) O termo utilizado para se referir aos cristãos é “perseverança”. Naturalmente, a não aceitação da marca da besta resultará em terrível perseguição contra o povo de Deus, mas a consciência de que estão seguindo a Palavra de Deus e que a provação que passam não pode ser comparada “com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8: 18) está no foco da visão do remanescente de Deus. Outra certeza que o povo de Deus terá é a de que as pragas e a perdição eterna são muito piores, logicamente, do que a provação por causa da fidelidade a Deus pela qual passarão. Isso faz com que sejam perseverantes em guardar os mandamentos de Deus (porque estão selados pelo Espírito Santo) e continuem crendo em Jesus como seu salvador pessoal (Apocalipse 14:12).

SALVAÇÃO PELA FÉ

            A resposta à pergunta de um dos anciãos sobre quem são as pessoas vestidas de branco revela ainda outro aspecto. Diz ele: são os que “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Apocalipse 7:14) Essa característica enfatiza a fé na graça de Deus como único meio de salvação e que, apenas aqueles que forem objetos do sangue do Cordeiro, poderão estar salvos por ocasião da volta de Jesus.
            A imagem que emerge nessa passagem é a da morte do cordeiro pascal. A páscoa foi instituída na ocasião da saída do povo de Israel do Egito, quando por causa da décima praga, os primogênitos de quem não tivesse o sangue do cordeiro nos umbrais da porta da casa, seriam exterminados. Nesse sentido, a páscoa foi o ato de o anjo destruidor saltar a casa na qual havia o sangue na porta.
            O texto de Apocalipse 7:14 diz que aqueles que estarão salvos por ocasião da volta de Jesus, ou seja, os únicos que poderão suportar o caos em que o mundo estará antes do retorno do Senhor, “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”, indicando que as pragas e a perdição final não alcançarão essas pessoas, pois elas têm a marca do sangue nos umbrais do seu coração.
O ato de lavar as vestes no sangue de Jesus remete ao perdão dos pecados que os remidos recebem de graça quando aceitam a salvação. A lavagem simboliza a remoção desses pecados e a possibilidade de ter nova vida. O texto acrescenta o fato de que as vestes foram alvejadas no sangue de Jesus. Essa imagem remete à purificação plena que o sangue de Cristo efetua na vida do crente. Isso sugere que a atuação de Deus no cristão não consiste em apenas perdoar-lhes os pecados, eliminando, assim o registro deles, mas também de transformar a vida da pessoa redimida de tal forma que não fique em seu caráter a mancha do pecado. Os que estarão salvos são aqueles que aceitam a salvação pela fé na graça de Deus e que permitem que seu caráter seja completamente transformado. Isso, no entanto, não implica impecabilidade ou uma blindagem plena contra o pecado, pois enquanto estivermos com nosso corpo corruptível estaremos sujeitos a pecar, mas implica que o sangue de Cristo produz contínuo crescimento na graça de tal forma que o caráter vai sendo gradativamente limpo das manchas do pecado.

CONCLUSÃO

            A pergunta desesperada que aprece no final do sexto selo (Apo. 6:17) é respondida claramente no capítulo sete de Apocalipse. Esse capítulo aparece como uma espécie de parênteses entre o sexto e o sétimo selo (volta de Jesus) para responder à pergunta feita no final do capítulo seis.
            A mensagem do capítulo sete é, portanto, uma mensagem de esperança para todos aqueles que desejam permanecer ao lado de Deus e receber a salvação eterna. O texto apresenta de maneira clara as características do fiel remanescente de Deus. O apóstolo lança mão de belíssimas imagens para ensinar que o povo de Deus será selado, será perseguido, mas que só estará salvo por causa do sangue de Jesus.
            O apóstolo evoca uma imagem pascoal: um cordeiro, cujo sangue é derramado para que alguém não morra. Para a pergunta “quem pode suster-se?” que se faz no final do capítulo seis de Apocalipse, a resposta definitiva é: aqueles que permitiram que o sangue do Cordeiro os perdoasse e os transformasse. Falando sobre o mesmo grupo que será salvo, Apocalipse 14:4 faz o seguinte comentário: “São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá.” Essa imagem é linda! Somente seguir a Jesus em todos os Seus caminhos poderá sustentar-nos nos terríveis momentos que o mundo passará em breve.
            O quadro que o final de Apocalipse seis apresenta é de desespero por conta do medo que os perdidos terão da ira do Cordeiro. No entanto, Apocalipse sete termina de maneira maravilhosa, descrevendo o estado perene de paz e conforto que os salvos usufruirão “pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” (Apocalipse 7:17)
            O mesmo Cordeiro apresenta-se de forma distinta nos dois capítulos: irado no final do capítulo seis e manso no final do capítulo sete. Naturalmente, os ímpios, porque rejeitaram a salvação oferecida de graça, se encontrarão com o Cordeiro irado, enquanto os salvos serão objeto da proteção e bondade do Cordeiro. A questão que surge nesse momento é séria e de resposta pessoal: de que forma a face do Cordeiro será revelada para nós, quando Ele voltar? O desejo de Jesus é salvar a todos e que ninguém peça aos montes que os escondam da “face daquele que se assenta sobre o trono e da ira do Cordeiro.” (Apocalipse 6:16)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por que sou Adventista do Sétimo Dia?

Felippe de Amorim Ferreira


A pergunta tema deste texto deve ser motivo de profunda reflexão. Parece ser uma pergunta simples, mas não é. A resposta a esta pergunta está intimamente ligada com o destino eterno de quem responde.

Durante algum tempo de minha vida eu era adventista do sétimo dia por diversos motivos, nem um deles era o motivo pelo qual Deus espera que estejamos na igreja. Eu era adventista porque a maioria dos meus amigos estava nesta igreja, era adventista porque minha mãe me conduzia à igreja desde criança e isso virou um costume (agradeço a Deus por minha mãe ter feito isso). Outro razão que me levava a ser membro desta igreja é que nunca gostei de gritaria e barulho em cultos religiosos e nunca fui atraído por êxtases espirituais ou curas miraculosas. A igreja adventista era, portanto, a mais apropriada para que eu frequentasse. Estar desta maneira até me fazia um membro da igreja, mas não me fazia um cristão.

Louvo a Deus porque em um momento da minha história Deus conseguiu me alcançar e me mostrou o verdadeiro sentido de ser um adventista do sétimo dia.

A primeira coisa que Deus me ajudou a compreender foi o que significa o nome da minha igreja. Primeiro sou um adventista, ou seja, aguardo a volta de Jesus. Infelizmente, muitos, embora carreguem o nome, não vivem como quem aguarda o retorno de Jesus. Deus me fez compreender que preciso comer, me vestir, falar e fazer todo o resto das minhas atividades como se o Senhor retornasse hoje. Nunca devo retirar de minha mente a promessa “eis que venho sem demora” (Ap. 22:12).

A segunda parte do nome diz que sou “do sétimo dia”. A guarda do sábado bíblico precisa ser uma marca em minha vida. Devo ser um instrumento de Deus para resgatar o verdadeiro sentido da obediência aos dez mandamentos, especialmente do quarto (Ex. 20:4-8). Guardar e pregar o quarto mandamento é um dever meu como salvo por Jesus e membro desta igreja.

Outro motivo que me leva a fazer parte dessa igreja é a sua origem profética. Os adventistas não surgiram da briga entre dois líderes religiosos, mas como resultado do cumprimento exato das profecias de Daniel e apocalipse. Deus me ajudou a entender que esta igreja é parte do povo remanescente de Deus para os últimos dias e que este povo tem uma mensagem específica. Devemos pregar toda a Bíblia, mas nosso enfoque principal deve ser nas três mensagens angélicas (Ap. 14:6-12), pois elas serão a principal pregação daqueles que prepararão o planeta para a volta de Jesus.

Ser um adventista do sétimo dia também significa crer no dom de profecia dado a Ellen White. São muitos conselhos sobre diversos assuntos que devem receber de nós muita atenção, pois foram inspirados pelo mesmo Espírito que inspirou os autores bíblicos.

Ter o nome escrito no livro da igreja não nos faz cristãos, apenas nos torna membros de uma comunidade. Jesus não virá buscar membros de comunidades, Ele virá buscar Cristãos, ou seja, pessoas que o imitam e seguem seus ensinamentos. Louvo a Deus, pois, por Sua graça, me tornou genuinamente um ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vinícius Mendes de Oliveira
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Aluno do 7º período do SALT – IAENE
vimeo@hotmail.com


NO ESPÍRITO DE ELIAS
(Matéria de Capa da Revista Adventista de Maio/2011)

As características da vida e ministério de Elias representam a forma como Deus guiará Seu povo para o cumprimento da missão.


“Eis que enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.” Malaquias 4: 5-6


Introdução

O texto acima propõe um interessante parâmetro para o povo de Deus em nossos dias. Malaquias termina seu livro profetizando a respeito da vinda de Elias, antes do aparecimento do Messias. No que diz respeito ao primeiro aparecimento de Jesus, essa profecia se cumpriu em João Batista.

No entanto, a expressão “grande terrível Dia do Senhor” deve ser aplicada também ao segundo aparecimento de Jesus nas nuvens do Céu. Por isso, é importante perceber que a vida de Elias, com todas as nuances que o relato bíblico revela, apresenta-se como um importante paralelo para aqueles que têm de anunciar ao mundo as três mensagens angélicas. Na verdade, tal qual o Elias histórico, o Elias escatológico deveria levar as pessoas à conversão a fim de livrá-las dos juízos reservados para os ímpios.

O problema é que quando se examina a vida de Elias têm-se a impressão que ele é um tipo quase que não humano de profeta. Ser como ele parece algo impossível. Tiago aumenta essa nossa perplexidade diante de Elias:

“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.” (Tiago: 5:17)
Assim, a Bíblia deixa claro que o padrão que Deus nos deu (Elias) era “sujeito aos mesmos sentimentos” que nós, ou seja, possuía uma natureza pecaminosa, sujeito a cometer atos pecaminosos, mas que, pela fé, foi um vitorioso na vida espiritual e se tornou um poderoso anunciador da justiça em seu tempo, cumprindo a missão que Deus lhe deu. Isso nos permite inferir que Elias representa o caráter do povo remanescente nos últimos dias, de forma que nós deveríamos analisar sua vida fim de extrair de suas vitórias e fracassos lições para o cumprimento da missão da igreja.

Um exame da vida de Elias permite perceber pelo menos três características que marcaram seu ministério: a inconformidade com a pecaminosidade de sua época, sua relevância profética e a depreesão laodiceana que experientou.

A Inconformidade de Elias

Os últimos versículos de I Reis 16 pintam um lamentável quadro do Israel governado por Acabe. O verso 31 diz que Acabe andou nos pecados de Jeroboão, ou seja, adorava a Jeová, utilizando imagens de esculturas para representá-lO, quebrando e levando o povo a quebrar o segundo mandamento, que proíbe o uso de imagens de escultura na adoração (Êxodo 20: 4 e 5). Além disso, os versos 31, 32 e 33 mencionam o casamento de Acabe com Jezabel, a qual introduziu o culto a Baal em Israel, com toda a licenciosidade que isso implicava. “Ao Elias ver Israel aprofundar-se mais e mais na idolatria, sua alma ficou angustiada e despertou-lhe a indignação.” (Profetas e Reis, p. 57)

Esse sentimento que houve no profeta deve ser manisfestado na vida individual e corporativa da igreja remanescente em nossos dias. O apóstolo Paulo é enfático em Romanos 12:2 onde diz “não vos conformeis com este século.” Essa inconformidade deve produzir uma manifesta diferença entre o povo de Deus e o mundo, deixando claro que o fiel reamanescente não sucumbe aos apelos da cultura contemporânea que pressiona as pessoas a assumirem uma forma de vida contrária ao ensino da Palavra de Deus.

A inconformidade de Elias com a apostasia de sua geração o levou a uma busca insistente por vindicação da verdade de Deus.

Tiago 5:17 menciona que Elias orou “com insistência”, para que Deus interrompesse as chuvas. É importante mencionar, neste momento, o fato de que Baal era considerado um deus provedor de chuvas, já que, na mente de seus adoradores, ele era responsável pelos fenômenos naturais. O profeta, insistentemente, orou para que a mentirosa impressão de que Baal estava “abençoando” Israel com a chuva, fosse desfeita. Só havia um meio de conseguir isso: O Senhor Deus “fechar” o céu. Era com esse propósito que Elias orava.

Na verdade a insistente oração do profeta estava baseada em uma exortação divina através de Moisés, quando orientava o povo a respeito de como deveriam se comportar como nação:

“Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prosteis perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos dá.”(Deut. 11:16-17)
Nessa passagem, Moisés adverte o povo para o fato de que a idolatria resultaria em uma terrível estiagem. O fato é que nos dias do rei Acabe, embora toda a sua impiedade, havia prosperidade, devido, entre outros fatores, à regularidade das chuvas. Elias insistentemente orou, então, para que Deus interrompesse as chuvas, fazendo o povo lembrar-se da Palavra de Deus, voltando-se a Ele.

Essa passagem da vida de Elias reserva uma importante lição para o povo remanescente: fé na palavra de Deus e oração com base nas promessas apresentadas na revelação são essenciais para o sucesso no cumprimento da missão. Assim, movido por um senso de grande insatisfação com a apostasia predominante, Elias, um profundo conhecedor da vontade de Deus revelada no Pentateuco, pôs-se a orar para que o Senhor interviesse no curso da história, impedindo que a onda de impiedade prosseguisse.

Tal qual Elias fez, devemos fazer hoje. Devemos ter a Bíblia e o Espírito de Profecia como base para nossas ações, em qualquer aspecto de nossas vidas. Não podemos nos acomodar, muito menos nos adequar, aos ditames pecaminosos do mundo. As pessoas precisam perceber com clareza que nos opomos veementemente aos caminhos errados do secularismo e, por nós, serem advertidas contra isso, através do testemunho de nossa vida prática e pregação.

A Relevância Profética de Elias

Nesse momento é importante ter em mente que Elias sabia exatamente o que deveria pregar para o Israel de seus dias e não se desviou de seu foco. Na verdade, Elias era um tipo de pregador que não amenizava o que tinha de dizer. Não pretendia ser visto como politicamente correto, relativizando a verdade que tinha de anunciar em nome de uma política de boa vizinhança. Ele era enérgico e inflexível ao anunciar a verdade. Fazia a sua parte e deixava as consequências com Deus.

Elias diz ao rei acabe: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra (I Reis 17:1).

Nas entrelinhas dessa mensagem de Elias estava o tema da adoração. Na verdade, o anúncio desse juízo a Israel era baseado, na advertência de Moisés em Deuteronômio, que orientava o povo a não abandonar a adoração ao Deus verdadeiro, seguindo deuses falsos.

É interessante observar o paralelo que há entre essa mensagem de Elias a Israel e o tom imprecatório e até ameaçador que aparece no conteúdo da terceira mensagem angélica, a qual temos o dever de anunciar ao mundo hoje.

“Se alguém adora a besta e sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também este beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9-10)
Guardadas as devidas diferenças, as duas mensagens corajosamente apresentam a consequência terrível do pecado da adoração falsa.

Da mesma forma como o Israel do tempo de Elias estava em crise por não saber a quem adorar, coxeando “entre dois pensamentos” (I Reis 18:21) o mundo de hoje está divido entre Deus e os ídolos modernos.

O presente século é tão verdadeiramente um século de idolatria como aquele em que Elias viveu. Pode não haver nenhum altar externamente visível; pode não haver nenhuma imagem sobre que os olhos repousem, contudo, milhares estão seguindo após os deuses deste mundo – riquezas, fama, prazeres e as agradáveis fábulas que permitem ao homem seguir as inclinações do coração não regenerado. (Profetas e Reis, p.177)
Está explícita na Bíblia e no Espírito de Profecia qual é a verdade presente para os nossos dias. O adventismo precisa ser distintivamente específico no que diz respeito a sua identidade doutrinária e deve enfatizar as verdades que lhe são peculiares. Somos um povo que nasceu de um movimento profético que anunciou ao mundo a volta de Jesus. Não devemos abandonar as verdades que compartilhamos com os evangélicos, mas devemos enfatizar, em um “alto clamor”, as verdades que Deus confiou ao povo remanescente, especificamente a terceira mensagem angélica.

Embora houvesse muitas coisas boas e agradáveis que podiam ser pregadas nos dias de Elias, ele sabia de que o povo precisava exatamente ouvir em sua época: o juízo de Deus viria, cumprindo uma profecia de Moisés (Deut. 11:16-17). Essa não era uma mensagem agradável de ser pregada, mas para permanecer fiel a sua legítima vocação profética, Elias não podia desviar seu foco dela. É importante lembrar que no tempo de Elias já havia pregadores (falsos profetas) que falavam o que as pessoas gostavam de ouvir (I Reis 22:11-12).

Comentando a coragem profética de Elias, Ellen G. White aconselha o povo remanescente, falando especialmente aos pregadores:

Há necessidade hoje da voz de severa repreensão, pois graves pecados têm separado de Deus o povo. A infidelidade está depressa tornando-se moda. “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lc 19:14), é a linguagem de milhares. Os sermões macios tão frequentemente pregados não deixam a impressão duradoura; a trombeta não dá o sonido certo. Os homens não são atingidos no coração pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus. (Profetas e Reis, p. 140)
As pessoas devem ser levadas a entender claramente a terrível situação em que se encontram. Nossas verdades distintivas devem receber destaque em nossa pregação. A apresentação dos temas proféticos, em especial os que envolvem a identidade do movimento remanescente, devem ser proclamados em grande voz e sem rodeios.

Quando fizermos isso, no poder e na virtude de Elias, chamando o povo a uma tomada definitiva de posição como fez nosso profeta no monte Carmelo (I Reis 18:21), Deus derramará sobre nós a chuva serôdia, ratificando nossos esforços missionários, como fez com Elias ao fazer descer fogo do céu (I Reis 18:38), e o mundo será iluminado com a veradade (Ap. 18:1). Dessa forma, como ocorreu no Carmelo, os sinceros que hoje estão perdidos no vale da decisão, serão levados a exclamar “O Senhor é Deus!”, depois de verem o poder de Deus, através da coragem do profeta Elias ( I Reis 18: 39).

O episódio do Carmelo foi memorável. O Senhor respondeu com fogo e consumiu a oferta de Elias. Houve uma conversão em massa, mas algo estranho aconteceria no coração do profeta.

O “Laodeceanismo” de Elias

A ira de Jezabel se ascendeu contra Elias. O homem cujo nome significa “Jeová é Deus” temeu a mulher cujo nome fazia uma direta referência a Baal como Deus (I Reis 19: 2 e 3). Ele empreendeu uma fuga que o levou a um dos mais eminentes lugares da história de Israel: Horebe, o monte de Deus.

Por mais que aquele lugar fosse importante para a história de Israel, não era ali que Deus queria Elias. O profeta tinha uma missão e estava fugindo dela. Sem dúvida esse foi um momento de terrível incredulidade, que levou o profeta para dentro de uma caverna.

Na verdade a caverna em que Elias se escondeu representava todo o seu orgulho espiritual. No interiror dela, “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (I Reis 19: 10)

O medo de continuar pregando sua severa mensagem levou o profeta à fuga. É interessante observar que Elias fugiu para um lugar sagrado na história de Israel. Horebe era um outro nome para o o monte Sinai, local onde Deus havia dado a Lei ao Seu povo. Embora o Sinai fosse um monte sagrado, não era lá que o Senhor queria que Elias estivesse. Deus queria Elias anunciando a Lei que séculos atrás naquele mesmo monte fora dada ao povo de Israel, a qual eles estavam quebrando. Mas num surto de medo e orgulho espiritual, o profeta esconde-se na caverna, deixando de cumprir sua missão.

É importante a comparação com a atitude de Moisés nesse momento, porque quando Deus sugeriu que o povo que idololatrava no pé do monte fosse destruído a postura dele foi uma linda intercessão em favor daquele povo (Êxodo 32: 11-13). A Bíblia resgistra assim a atitude de Moisés diante da idolatria do povo no pé do monte Sinai: “E, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos” (Êxodo 32:15). Moisés desceu do monte Sinai com a Lei para que o povo se voltasse para Deus. Elias subiu para o monte, deixando o povo sem ouvir sua voz profética.

Uma terrível tentação para o adventismo contemporâneo é querer desculpar a sua omissão missionária, fugindo para o “Horebe” de um triunfalismo sem lugar. Deitarmo-nos no “berço esplêndido” de uma igreja doentiamente voltada apenas para si mesma e esquecermos que as pessoas lá fora precisam de nós é a mais séria tentação com a qual temos que lidar como povo.

O inimigo tem trabalhado duro para que não preguemos nossas mensagens distintivas ao mundo e fiquemos voltados para nós mesmos, com programações que servem apenas para nos “engordar” espiritualmente em “banquetes” laodiceanos nos quais Jesus é deixado à porta batendo, convidando-nos a levar nossa mensagem às pessoas que estão morrendo de fome espiritual no mundo (Ap. 3:20). Enquanto o mundo perece sem esperança, nós nos “fartamos” da mensagem que é a única esperança para essa geração. O pecado laodiceano é claramente apresentado por Deus nas seguintes palavras:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre cego e nu.” (Apocalipse 3:15-17)

A acusação de Deus a Laodicéia dá conta de seu orgulho espiritual, o qual produz uma mornidão letárgica e falta de zelo missionário, que enoja ao Senhor. Diz a senhora White:

“A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade. Nem são frios nem quentes; ocupam uma posição neutra e, ao mesmo tempo, lisonjeiam-se de não necessitar de coisa alguma. A Testemunha Verdadeira aborrece essa mornidão. Causa-Lhe desgosto a indiferença dessa classe de pessoas. (...). Não se empenham inteiramente e de coração na obra de Deus, identificando-se com seus interesses; mas se mantêm afastados, e estão prontos a deixar seus postos quando os interesses mundanos, pessoais o exijam.” (Testemunhos Seletos, Vol. 1, p. 476 e 477)

Está evidente nas linhas acima qual é o motivo da insatisfação de Deus com Seu povo em nossos dias: falta de empenho missionário, indiferença com a necessidade espiritual das pessoas e lisonja a respeito de sua condição. Esse é o espírito laodiceano em essência. É por isso que a serva do Senhor diz que “A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade.” O conselho em Apocalipse é claro, portanto: “... que de mim compres (...) colírio para ungires os olhos , a fim de vejas” (Apocalipse 3: 18).

Na escuridão da caverna, Elias também precisava enxergar a condição em que estava. Escondido, sozinho e considerando-se orgulhosamente o único fiel em Israel, Elias não conseguia ver que, embora Israel realmente estivesse apostado, sua omissão o colocava também em uma pecaminosa situação.

No entanto, I Reis 19:9 apresenta um lindo detalhe que às vezes nos passa despercebido. Deus diz a Elias, quando o profeta estava no interior da caverna: “Que fazes aqui, Elias? Deus se dirigiu à entrada da caverna e convidou o profeta a sair de lá. Observe o advérbio de lugar que Deus usou: “aqui”. Esse termo indica que o Senhor entrou na da caverna onde Elias estava com o objetivo de tirá-lo dali. Se não estivesse lá, Ele poderia ter dito: “Que fazes aí, Elias?”, mas não. Deus resolveu ir à caverna onde Seu servo estava para tirá-lo de lá, curando-o de sua depressão laodiceana. Graça maravilhosa!

Essa atitude de Deus diante de Elias na caverna é muito semelhante à postura de Jesus diante dos laodiceanos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo.” (Apocalipse 3:20) O fato de Jesus está à porta, batendo, indica que os laodiceanos, orgulhosos de sua condição espiritual, estão deixando fora de suas vidas a Jesus, O qual representa os necessitados materiais e espirituais que vivem à margem do evangelho (Mateus: 25:40).

O método que o Senhor utilizou para curar a depressão “laodiceana”de Elias, foi:

“Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, em chegando lá unge, a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá ungirás profeta em seu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará.. ” (I Reis 19: 15-17)
É dessa forma que Deus também pretende curar nosso espírito laodiceano. Ele está à porta de nossa caverna, batendo e nos convidando à ceia espiritual que alimentará o mundo com a última mensagem de advertência a qual o Senhor deseja que anunciemos. Ele insta-nos com o verbo “vai”, o mesmo que aparece na célebre comissão evangélica “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.” (Mateus 28:19 e 20). O verbo ir, foi usado por Deus para Elias no modo imperativo na segunda pessoa do singular (vai), indicando uma ordem pessoal para ele, enquanto que na grande comissão evangélica de Mateus 28:19 e 20 o verbo também está no imperativo, mas na segunda pessoa do plural, indicando que esta ordem é para todos aqueles que são discípulos de Jesus. Só indo e cumprindo nossa missão, somos imunizados contra a mornidão espiritual profetizada a respeito da igreja de Laodicéia. Como o “Elias” para o tempo final podemos ouvir da boca de Deus um sonoro “VAI” individual ou mesmo um “IDE” corporativo.

Conclusão

O fato é que Elias foi e cumpriu aquilo que Deus esperava dele. Ungiu Hazael rei sobre a Síria, Jeú, rei sobre Israel e Eliseu como profeta em Israel. Todas essas atitudes eram politica e espiritualmente necessárias naquele momento para que a reforma iniciada por Elias tivesse continuidade.

O Senhor ainda esclarece ao profeta algo que ele não sabia, com o propósito de confortá-lo e animá-lo: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou. ” (I Reis 19:18). Essa explicação de Deus a Elias pode ser relacionada a expressão “povo meu” que aparece em Apocalipse 18:4 “Retirai-vos dela, povo meu”. No mundo há milhares de pessoas sinceras que nunca ouviram as advertências derradeiras de Deus a este mundo e que, quando ouvirem, se unirão ao povo de Deus, antes que a porta da graça se feche. São os sete mil que não dobraram conscientemente seus joelhos a Baal e vivem fiéis de acordo com a luz que possuem. Elas só precisam ouvir. Deus deseja profundamente nos usar para isso.

Elias reabilitou-se de sua condição espiritual e continuou servindo ao Senhor. Após o Seu servo cumprir sua missão, Deus o tomou para Si, fazendo-o “um tipo dos santos que estarão vivendo na Terra por ocasião do segundo advento de Cristo, e que serão ‘transformados num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta (1 Co 15: 51, 52) sem provar a morte.” (Profetas e Reis, p. 114).

Elias, dessa forma, passou a fazer parte do seleto grupo de seres humanos que vivem no Céu, como representantes de todos aqueles que um dia estarão lá. Elias portanto tipifica aqueles salvos que estarão vivos e vivenciarão os eventos finais, apresentando, resolutamente a última mensagem de advertência a esta Terra.

Essa recompensa- seja para aqueles que permanecerem vivos, seja para aqueles que serão tirados antes - incluirá todos aqueles que viverem “no espírito e poder de Elias” (Lc 1:17)