segunda-feira, 28 de junho de 2010

Como conhecer a vontade de Deus.

Como conhecer a vontade de Deus.


Vinícius Mendes de Oliveira

INTRODUÇÃO

Conhecer a vontade de Deus deve ser a mais ávida busca de um cristão. Nessa revelação reside o segredo do sucesso em todos os âmbitos da vida, sobretudo, com vistas à eternidade. Davi reflete sobre isso, no salmo 121, especialmente nos versos 7 e 8.

O salmo 121 foi escrito por Davi num contexto de terrível adversidade. Ele era fugitivo, havia se encontrado pela última vez com seu amigo Jônatas – ele sabia que era a última vez - , o profeta Samuel – seu tutor e protetor humano- havia morrido e, entre outras circunstâncias adversas, Davi estava longe de casa. Muito provavelmente escreveu essas linhas no deserto, que é símbolo de solidão e escassez. Fugindo de uma severa e injustificada perseguição de Saul, longe da família, acossado pela angústia, pelo medo e pela solidão, Davi precisava conhecer a vontade de Deus.

Olhando para os altaneiros montes que circundavam Jerusalém Davi pergunta: de onde me virá o socorro? A resposta: o meu socorro vem do Senhor.

COMO DEUS REVELAVA SUA VONTADE NAS BATALHAS DO ANTIGO TESTAMENTO

Davi sabia o que estava dizendo. Ele era um guerreiro. Tinha um exército de pelo menos quatrocentos homens à sua disposição. As lutas que empreendiam eram em nome de Deus. Por isso, Davi precisava dos dois aspectos da proteção de Deus: espiritual e material. No verso 8 do salmo 121, lemos: “O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre”. Entrada e saída são expressão de guerra muito conhecidas por Davi. Um guerreiro de Deus só deveria lutar com a autorização do Grande General. Só um guerreiro sensível à voz de Deus poderia discernir quando entrar e sair.

Davi viveu várias situações reais em que precisou, como general, conhecer a vontade de Deus. Uma em especial encontra-se registrada em I Samuel 23.

Nesse relato, Davi encontra-se diante de uma decisão: lutar ou não lutar em favor de uma cidade cujo nome era Queila. O texto diz que Davi consultou ao Senhor e Este lhe respondeu afirmativamente. No entanto, o verso 7, apresenta um aparente paradoxo: “Então foi anunciado a Saul que Davi tinha ido a Queila; e disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos; pois está encerrado, porque entrou numa cidade que tem portas e ferrolhos.” Estamos diante de um quadro em que dois oponentes estão reivindicando a guia e proteção de Deus: Saul e Davi.

A pergunta que se faz, portanto é: através de que método Deus manifestava a Sua vontade, especialmente em contexto de guerra? O verso 6 é esclarecedor: “Ora, quando Abiatar, filho de Aimeleque, fugiu para Davi, a Queila, desceu com um éfode na mão.”

Abiatar era filho do sumo sacerdote Aimeleque o qual havia protegido Davi da fúria perseguidora de Saul e que por esse motivo fora morto juntamente com todos os seus. No entanto, Abiatar conseguiu escapar, levando consigo o éfode ou estola sacerdotal. O que isso informa? Ora a estola sacerdotal era a roupa oficial do sumo sacerdote na qual continha o peitoral do juízo com doze pedras preciosas. Esse peitoral era feito num formato de bolso a fim de que envolvesse duas grandes pedras preciosas que se chamavam Urim e Tumim. Essas pedras eram o meio pelo qual Deus revelava a Sua vontade a respeito das empreitadas bélicas. Diz assim Números 27: 21: “Ele, pois, se apresentará perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele inquirirá segundo o juízo do Urim, perante o Senhor; segundo a ordem de Eleazar sairão, e segundo a ordem de Eleazar entrarão, ele e todos os filhos de Israel, isto é, toda a congregação.” Diz Ellen White:

“À direita e à esquerda do peitoral havia duas grandes pedras de grande brilho. Estas eram conhecidas por Urim e Tumim. Por meio delas fazia-se saber a vontade de Deus pelo sumo sacerdote. Quando se traziam perante o Senhor questões para serem decididas, uma auréola de luz que rodeava a pedra preciosa à direita, era sinal do consentimento ou aprovação divina, ao passo que uma nuvem que ensombrava a pedra à esquerda, era prova de negação ou reprovação”.PP, p.351

Davi, corretamente, reivindicava a guia e proteção de Deus pois estava cumprindo o propósito estipulado pelo Senhor, ou seja, estava guerreando para honrar o nome de Deus e, principalmente, nesse contexto, tinha em suas mãos o meio pelo qual Deus manifestava a Sua vontade.

Quão confortadora é para um guerreiro de Deus a certeza que está fazendo o que é correto. Diante da lutas da vida todos nós podemos ter segurança no Assim diz o Senhor: Nas horas mais severas da vida somos convidados pelo Senhor a escutar a sua doce voz dizendo: “Este é o caminho andai nele” (Isaías 30: 21) Salmos 119:105 diz: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho.”

A única segurança para um cristão é andar de acordo com a vontade de Deus. Por mais difícil e até louco que pareça, fazer o que Deus espera sempre é o melhor. O segredo do sucesso consiste em obedecer à vontade de Deus. Mas só pode obedecer quem está em condição de conhecer a revelação da vontade do Senhor. Isso estava efetivado na vida de Davi no referido episódio.

No entanto, essa não era uma realidade na vida de Saul. Deus o havia incumbido de ser Seu representante em Israel e, como tal, o guardião humano do povo. No relato de I Samuel 23, vemos uma cidade do povo de Deus sendo ameaçada pelos inimigos filisteus, mas Saul não mostra disposição em protegê-la; queria, na verdade, aproveitar o desprendimento de Davi em defender a cidade para aniquilá-lo. Diz Ellen White, no livro Patriarcas e Profetas, p. 650 “O demônio da inveja entrou no coração do rei.” Esse texto está em referência aos sentimentos de Saul em relação a Davi. Isso nos permite concluir que as decisões que Saul tomava estavam sendo baseadas em sentimentos escusos, como a inveja, e não no Assim diz o Senhor. Entretanto, o ímpio rei reivindicava direção de Deus. Isso permite inferir que é possível ser enganado por nossos sentimentos no que diz respeito à vontade de Deus. O cristão precisa ter sua mente guardada de todo o mal- inclui-se a inveja- para saber a vontade de Deus. A revelação da vontade de Deus vem para nos instruir no caminho certo, e este não é outro senão uma vida que se assemelha a Jesus e que se dispõe a obedecer a Deus irrestritamente e com coração puro. Esse não era o caso de Saul. Por isso não pôde vencer a Davi.

COMO DEUS MANIFESTA HOJE A SUA VONTADE

Vivemos em tempos pós-modernos e, mais do que nunca, precisamos conhecer a vontade de Deus. Mas como? O que seriam o Urim e Tumim pós-modernos? Urim e Tumim são palavras hebraicas para luz (revelação) e perfeição, respectivamente. Veja o que diz o apóstolo Paulo em Romanos 12: 1 e 2: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

Aí estão o Urim e Tumim dos nossos dias. Esse texto apresenta a chave pela qual podemos abrir os oráculos de Deus e conhecer a Sua vontade. No entanto, o apóstolo apresenta condições. Paulo usa a expressão “...não vos conformeis com este século...”. O termo conformar remete à idéia de ter a mesma forma de algo; e a palavra século refere-se ao tempo. Logo, poderíamos parafrasear essa expressão paulina assim: Não tenham a forma (ou estilo ou jeito) das pessoas desse tempo (no nosso caso, pós-modernas). Esse é um imperativo solene pois é condição para ter uma mente renovada na qual se revela “...a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Veja que as palavras perfeita e vontade fazem uma sutil referência ao Urim (Luz, revelação, vontade) e Tumim (perfeição).

O cristão que deseja sinceramente saber qual é vontade de Deus vai seguir essa solene recomendação de Deus. O apelo de Deus é que Seu povo não se pareça com as pessoas pós-modernas; que não pautem suas atitudes conforme as pessoas desse tempo. Deus deseja que Seu povo, no entanto, tenha um aspecto semelhante a Jesus. O senhor entristece-se quando Seus filhos imitam o comportamento e as atitudes das pessoas desse tempo. Ele lamenta por ver Seus filhos pensando, agindo, relacionando-se com os outros, vestindo, comendo, namorando, lendo, ou até mesmo adorando, como fazem as pessoas pós-modernas.

O Senhor anseia que, ao contrário do que geralmente tem acontecido, Seus filhos tenham como padrão de conduta a Jesus e aqueles que ao longo dos séculos têm imitado o humilde Salvador. Deus sonha que seu povo imite homens como Moisés, que rejeitou ser chamado filho da filha de Faraó, homens como João Batista que foi morto por proclamar a verdade, homens como os valdenses que pregaram a pura palavra de Deus e que por esse motivo foram perseguidos. Ao contrário de pós-modernos relativistas e duvidosos quanto à veracidade da palavra de Deus, devemos ser cristãos primitivos; aqueles da igreja primitiva que tinham tudo em comum “e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”(Atos 2:42) e, por isso, inundaram o mundo com o Evangelho Eterno. Ao invés de pós-modernos, devemos ser primitivos! Diz a Serva do Senhor:

“Antes de os juízos finais de Deus caírem sobre a Terra, haverá, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos apostólicos. ... O inimigo das almas deseja estorvar esta obra; e antes que chegue o tempo para tal movimento, esforçar-se-á para impedi-la, introduzindo uma contrafação. Nas igrejas que puder colocar sob seu poder sedutor, fará parecer que a bênção especial de Deus foi derramada; manifestar-se-á o que será considerado como grande interesse religioso. Há um excitamento emotivo, mistura do verdadeiro com o falso, muito apropriado para transviar. Contudo, ninguém necessita ser enganado. À luz da Palavra de Deus não é difícil determinar a natureza destes movimentos. Onde quer que os homens negligenciem o testemunho da Escritura Sagrada, desviando-se das verdades claras que servem para provar a alma e que exigem a renúncia de si mesmo e a do mundo, podemos estar certos de que ali não é outorgada a bênção de Deus”. O Grande Conflito, págs. 464 e 465.

ENTRAVES PARA SE DISCERNIR A VONTADE DEUS

O povo de Deus pode/deve descansar seguro no Assim diz o Senhor e basear suas decisões nas infalíveis prescrições divinas. Ellen White adverte sobre a tentativa de Satanás em frustrar o avivamento da primitiva piedade. A Mensageira do Senhor diz que um dos meios utilizados por nosso inimigo seria “um excitamento emotivo”, o que possibilitaria falta de discernimento do que é sagrado e do que é profano. O que tem ocorrido, infelizmente, é que professos cristãos, ao invés de fazerem a Bíblia e o Espírito de Profecia seu alimento espiritual têm sido alimentados pela perniciosa e contínua programação da TV, com seus filmes e novelas, que são, na verdade, poderosos marqueteiros do reino das trevas (mas com uma cara bonita). Tal exposição remodela gradativamente a cosmovisão desses professos cristãos (que infelizmente são uma maioria), fazendo com que a igreja esteja sendo diretamente afetada com uma terrível e paradoxal crise de identidade: nossas doutrinas, definidoras de nossa identidade, são a expressa vontade de Deus, mas grande parte de nosso povo não as conhece na essência e tampouco está disposto e preparado para vivê-las. Tudo isso porque o alimento diário não é a Bíblia nem o Espírito de Profecia, mas TV, Internet e outras fontes de entretenimento. Hoje é o tempo em que aqueles que desejam viver vida piedosa afastem-se dessas coisas.

Temos visto também uma crescente inserção de práticas litúrgicas “pentencostais” em nosso meio, especialmente, no que diz respeito à música. Temos visto muitos confundirem sensações de cunho estritamente emocionais produzidas geralmente por músicas com ritmos mundanos com presença imanente de Deus. Nesse tal “reavivamento litúrgico” as pessoas são levadas a “sentir a presença de Deus”. Argumenta-se que é isso que as pessoas querem e que isso encherá nossas “mornas” e vazias igrejas. Rejeita-se com isso, no entanto, o que o Senhor está mesmo disposto a nos oferecer amoravelmente: Sua direção, através da iluminação de Sua Santa Palavra. Comete-se um equívoco seríssimo: a mornidão laodiceana não está relacionada à liturgia, mas, sim, ao pouco valor que se dá à vontade revelada de Deus através da Bíblia e do Espírito de Profecia. Ao invés de se ter a Palavra de Deus como norma final e metodológica, utiliza-se, muitas vezes, o que o mundo tem proposto. Deus nos concedeu revelação suficiente para todas as circunstâncias que envolvem nossas práticas litúrgicas e missiológicas.

CONCLUSÃO

Precisamos, portanto, permitir que Deus opere o avivamento da primitiva piedade que nos levará de volta à Bíblia e ao Espírito de Profecia. Só assim seremos vitoriosos. Precisamos de uma vida amoldada em nosso Divino Padrão (Jesus) e dessa forma saberemos e experimentaremos a vontade de Deus e chegaremos seguros a Canaã celestial.

Vinícius Mendes de Oliveira. Professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio do IAENE, Aluno do 5º período do SALT-IAENE e Mestrando em Sociologia e Cultura na UFRB

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Oração: Chave na mão de Fé


Oração: Chave na mão de Fé

Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus na mão dos filhos de Israel, e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre Gibeão, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom.  E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no livro de Jasar? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. E não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, atendendo o Senhor assim à voz de um homem; pois o Senhor pelejava por Israel. (Josué 10:12 -14)



            A vida é repleta de grandes desafios. Muitas vezes nos encontramos diante de situações sobre as quais não temos poder algum. As impossibilidades são comuns no curso da nossa vida.
            Ao contrário de nós, para Deus não existe impossibilidades. Essa é uma das grandes diferenças entre Deus e a humanidade.
            Josué foi um homem que enfrentou grandes desafios e sempre saiu vencedor deles. Quando foi um dos doze espias, se mostrou confiante na vitória que Deus poderia dar ao povo. Em sua vida adulta teve que enfrentar provavelmente o maior de todos os desafios: substituir Moisés. Uma tremenda responsabilidade tanto do ponto de vista da pessoa a quem ele tinha que substituir, quanto da missão que a ele era dada, conduzir o povo na conquista da terra prometida.
            No texto bíblico acima novamente Josué está diante de um grande desafio. Os Gibeonitas haviam solicitado o auxílio do exército de Israel na luta contra  os Amorreus. O substituto de Moisés não era homem de fugir da luta, e logo arregimentou o exército para a batalha.
            Existe um detalhe interessante no verso 12. A Bíblia diz que a batalha aconteceu “no dia em que o Senhor entregou os amorreus na mão dos filhos de Israel”. Josué e o povo estavam em um guerra já ganha. Neste momento  podemos nos perguntar: por que lutar em uma batalha já ganha? Qual a intenção de Deus ao enviar o povo para uma guerra que Ele já havia vencido antecipadamente? A resposta é: apenas para batalhar.   
           
O segredo do êxito está na união do poder divino com o esforço humano. Aqueles que levam a efeito os maiores resultados são os que mais implicitamente confiam no Braço todo-poderoso.( Patriarcas e Profetas. p, 371.)

            Em  nossa vida constantemente nos deparamos com grandes desafios. Deus tem poder suficiente para vencer cada um deles em um piscar de olhos e sem nossa participação. Mas não é assim que Deus age. Ele não faz aquilo que está ao nosso alcance fazer. Para que tenhamos sucesso em nossas empresas se faz necessário que unamos o poder divino ao nosso próprio esforço. O poder divino sempre está a nossa disposição, o mais comum é faltar nossa parte. Sejam problemas nos relacionamentos, nos estudos, no trabalho, qualquer um, Deus pode resolver, mas se o ser humano não fizer sua parte, o sucesso não será alcançado.
            Naquela batalha, Josué e seus homens estavam fazendo sua parte. O desafio era coletivo, então cada um deles deveria fazer a parte que lhe correspondia. Contudo, Josué se deparou com algo sobre o qual ele não tinha o que fazer. O dia estava acabando e a batalha ainda estava longe de ser terminada. Se o dia terminasse, o exército amorreu teria tempo de se recompor e no outro dia a batalha seria ganha com bem mais dificuldade. Josué precisava do sol por mais tempo.
            Neste momento, foi feita uma oração muito ousada e estranha. “Sol, detém-se sobre Gibeão, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom.” Qualquer um de nós se estivéssemos do lado de Josué pensaríamos que ele estava louco. Mas o certo é que o sol parou.
            O autor bíblico não tinha dimensão do que aconteceu para que o “sol parasse”. A ciência nos mostrou que não é o sol que gira em torno dos planetas e sim o contrário. Portanto, Deus alterou toda a dinâmica do Sistema Solar apenas para ouvir a oração de Josué.
            Interessante como a Bíblia registra este acontecimento: “atendendo o Senhor assim à voz de um homem”(v. 14). Por que não ficou registrado “atendendo o Senhor a voz de Josué”? Existe um lindo recado nesta passagem. Deus atendeu a um pedido impossível de “um homem” igual a todos nós. É certo que nem sempre Deus fará tudo que nós queremos. Ele é soberano e onisciente e por isso não devemos discutir suas decisões, mas ele atende a oração de homens e mulheres pecadores por causa de Seu grande amor.
            O que tinha de especial em Josué para que um pedido tão difícil tenha sido atendido? Ellen White faz o seguinte comentário a respeito deste episódio:

O homem que ordenou: "Sol, detém-te em Gibeom, e Tu, Lua, no vale de Aijalom", é o homem que durante horas jazeu prostrado em terra, em oração, no acampamento em Gilgal. Os homens de oração são os homens de poder.( Patriarcas e Profetas. p,  371)

            Uma vida de oração. Eis o grande segredo de Josué. Este homem tinha tanta intimidade com Deus que sabia que podia pedir qualquer coisa.
            Este relato deve nos levar a pensar: como está minha vida de oração? Quanto tempo tenho investido do meu dia conversando com Deus? Sou íntimo o suficiente de Deus para confiar que Ele pode fazer o impossível em minha vida?
            A recomendação bíblica é “orar sem cessar”(I Tess. 5:17). Isso não significa ficar o dia todo ajoelhado. Significa orar em todos os momentos. Ter momentos de oração tranquilos sozinho com Deus, mas também orar enquanto caminha para o trabalho, orar enquanto pratica esporte, orar enquanto namora, orar enquanto dirige, orar sempre...
            A oração é um poderoso recurso,
As trevas do maligno envolvem os que negligenciam a oração. As sutis tentações do inimigo os incitam ao pecado; e tudo isso por não fazerem uso do privilégio da oração, que Deus lhes conferiu. Por que deveriam os filhos e filhas de Deus ser tão relutantes em orar, quando a oração é a chave nas mãos da fé para abrir o celeiro do Céu, onde se acham armazenados os ilimitados recursos da Onipotência? (Caminho a Cristo, p.  94)

            É por isso que uma vida de oração é tão importante, porque quando oramos, lançamos mão de recursos onipotentes vindos do céu. Não há impossibilidades na vida do crente de oração. Necessitamos de oração para nos mantermos vivos espiritualmente considerando que,

A oração é a respiração da alma. É o segredo do poder espiritual. Nenhum outro meio de graça a pode substituir, e a saúde da alma ser conservada. A oração põe a alma em imediato contato com a Fonte da vida, e fortalece os nervos e músculos da vida religiosa. Negligenciai o exercício da oração, ou a ela vos dediqueis de quando em quando, com intermitências, segundo pareça conveniente, e perdereis vossa firmeza em Deus. (Mensagens aos Jovens. p, 250)

            Cristão que não ora é cristão morto. Assim como o corpo não vive sem a respiração, a vida espiritual também não subsiste sem oração.
            Diante de tantos problemas que a vida nos apresenta, somente conseguiremos ser bem sucedidos se confiarmos em Deus e tivermos uma vida de oração. "Se tiverdes voz e tempo para orar, Deus terá tempo e voz para responder".(Ellen White . Review and Herald, 1º de abril de 1890.) Não é algo fácil, mas precisamos todos os dias nos entregar a Jesus  e apelar para que sua graça perdoadora e santificadora nos faça homens e mulheres de oração. “Que cada respiração seja uma oração” (Ciência do Bom Viver. p,  511).




BIBLIOGRAFIA
           
WHITE, Ellen G. Patriarcas e Profetas. Casa Publicadora Brasileira. 2007.
WHITE, Ellen G. Caminho a Cristo. Casa Publicadora Brasileira. 2007
WHITE, Ellen G. Mensagens aos Jovens. 10ª ed. (Eletrônica). Casa Publicadora Brasileira.
WHITE, Ellen G. Ciência do Bom Viver. 10ª Ed. (Eletrônica). Casa Publicadora Brasileira.

           

sábado, 29 de maio de 2010

O Regime Alimentar e a Saúde

O Regime Alimentar e a Saúde




“Nosso corpo é formado pela comida que ingerimos. Há constante desgaste dos tecidos do corpo; todo movimento de qualquer órgão implica um desgaste, o qual é reparado por meio do alimento. Cada órgão do corpo requer sua parte de nutrição. O cérebro deve ser abastecido com sua porção; os ossos, os músculos e os nervos requerem a sua.”



“Deve-se escolher o alimento que melhor proveja os elementos necessitados para a edificação do organismo. Nessa escolha, o apetite não é um guia seguro. Mediante hábitos errôneos de comer, o apetite se tornou pervertido.”

“A fim de saber quais são os melhores alimentos, cumpre-nos estudar o plano original de Deus para o regime do homem.”

“Cereais, frutas, nozes e verduras constituem o regime dietético escolhido por nosso Criador. Esses alimentos, preparados da maneira mais simples e natural possível, são os mais saudáveis e nutritivos. Proporcionam uma força, uma resistência e vigor intelectual que não são promovidos por uma alimentação mais complexa e estimulante.”

“Mas nem todas as comidas saudáveis em si mesmas são igualmente adequadas a nossas necessidades em todas as circunstâncias. Deve haver cuidado na seleção do alimento. Nossa comida deve ser de acordo com a estação, o clima em que vivemos e a ocupação em que nos empregamos. Certas comidas apropriadas para uma estação ou um clima, não o são para outro. Assim, há diferentes comidas mais adequadas às pessoas segundo as várias ocupações.”

“Deus nos tem dado ampla variedade de comidas saudáveis, e cada pessoa deve escolher dentre elas aquelas que a experiência e o bom senso demonstram ser as mais convenientes às suas próprias necessidades.”

“As pessoas que se têm habituado a um regime muito condimentado, altamente estimulante, têm um gosto não natural, e logo não podem apreciar o alimento simples. Levará tempo até que o gosto se torne natural, e o estômago se recupere do abuso sofrido. Mas os que perseveram no uso do alimento saudável, depois de algum tempo o acharão agradável ao paladar. Seu delicado e delicioso sabor será apreciado, e será ingerido com maior satisfação do que se pode encontrar em nocivas iguarias. E o estômago, numa condição saudável, não estimulado nem sobrecarregado, está apto a se desempenhar mais facilmente de sua tarefa.”



O Preparo do Alimento



“É pecado comer apenas para satisfazer o apetite, mas não se deve ser indiferente quanto à qualidade da alimentação, ou à maneira de a preparar. Se a refeição que comemos não é saborosa, o organismo não recebe tanta nutrição. O alimento deve ser cuidadosamente escolhido e preparado com inteligência e habilidade.”

“A alimentação deficiente, mal cozida, estraga o sangue, por enfraquecer os órgãos que o preparam. Isso desarranja o organismo, trazendo doenças, com seu cortejo de nervos irritados e mau gênio. As vítimas da deficiência culinária contam-se aos milhares e dezenas de milhares. Sobre muitos túmulos se poderia gravar: "Morto devido à má cozinha"; "Morto por maus-tratos infligidos ao estômago."”

“É um sagrado dever para os que cozinham o saber preparar alimento saudável. Muitas almas se perdem em razão de um errôneo modo de preparar os alimentos. Exige reflexão e cuidado o fazer um bom pão; há, porém, mais religião num pão bem feito do que muitos pensam. Na verdade há poucas boas cozinheiras.”

“É de vital importância a regularidade no comer. Deve haver tempo determinado para cada refeição. Nesta ocasião, coma cada um o que o organismo requer, e depois não tome nada mais até a próxima refeição. Muitas pessoas comem quando o organismo não sente necessidade de alimento, em intervalos irregulares e entre as refeições, porque não têm suficiente força de vontade para resistir à inclinação. Quando em viagem, alguns estão continuamente mordicando, se lhes chega ao alcance qualquer coisa de comer. Isso é muito nocivo. Se os viajantes comessem regularmente, um alimento simples e nutritivo, não experimentariam tão grande fadiga, nem sofreriam tanto enjôo.”

“Outro hábito prejudicial é o de tomar alimento exatamente antes de dormir. Pode-se haver tomado as refeições regulares, mas, por sentir-se uma sensação de fraqueza, ingere-se mais alimento. Mediante a condescendência, essa prática errônea se torna um hábito, e tantas vezes tão firmemente fixado que se julga impossível dormir sem comer. Em resultado de tomar ceias tardias, o processo digestivo é continuado através do período de repouso. Mas, embora o estômago trabalhe constantemente, sua função não é bem feita. O sono é mais vezes perturbado por sonhos desagradáveis, e pela manhã a pessoa acorda sem se haver descansado, e com pouco apetite para a refeição matinal. Quando nos deitamos para repousar, o estômago já devia ter concluído a sua obra, a fim de, como os demais órgãos do corpo, fruir repouso. Para as pessoas de hábitos sedentários, as ceias tarde da noite são particularmente nocivas. Para essas, as desordens criadas são geralmente o começo de doenças que findam na morte...Pelo menos cinco ou seis horas devem entremear as refeições; e a maior parte das pessoas que experimentarem esse plano verificará que duas refeições por dia são preferíveis a três.”



Maneiras Erradas de Comer



“O estômago está intimamente relacionado com o cérebro; e quando ele está doente, a força nervosa é chamada do cérebro em auxílio dos enfraquecidos órgãos digestivos. Sendo estas exigências demasiado freqüentes, o cérebro fica congestionado. Se este é constantemente sobrecarregado, e há falta de exercício físico, mesmo a comida simples deve ser tomada parcimoniosamente.”

“Muitas pessoas que rejeitam a carne e outros pesados e nocivos artigos pensam que, porque sua comida é simples e sã, podem condescender com o apetite sem restrições, comendo excessivamente, por vezes até a gulodice. Isso é um erro. Os órgãos digestivos não devem ser sobrecarregados com uma quantidade ou qualidade de alimento que torne pesado ao organismo o digeri-lo.”

“Alimento em excesso pesa no organismo, produzindo um estado mórbido, febricitante. Chama uma indevida quantidade de sangue para o estômago, causando resfriamento nos membros e extremidades. Impõe pesada carga aos órgãos digestivos, e, quando os mesmos têm executado sua tarefa, resta uma sensação de desfalecimento e fraqueza. Pessoas que estão continuamente a comer em excesso chamam fome a essa sensação de esvaimento; é, porém, causado pelo estado de exaustão dos órgãos digestivos. Há por vezes torpor do cérebro, com indisposição para o esforço mental e físico.”

“Não é fácil prescrever regras que se adaptem a todos os casos; mas, atendendo aos sãos princípios no comer, podem-se operar grandes reformas, e a cozinheira não precisa labutar continuamente para tentar o apetite.”

“Existem homens e mulheres de excelentes aptidões naturais, que não realizam metade do que poderiam efetuar se exercessem domínio sobre si mesmos quanto a negar-se ao apetite. Muitos escritores e oradores falham nesse ponto. Depois de comer à vontade, entregam-se a ocupações sedentárias, lendo, estudando ou escrevendo, não se dando nenhum tempo para exercício físico. Em conseqüência, é dificultado o livre fluxo dos pensamentos e das palavras. Não podem escrever nem falar com a intensidade e o vigor necessários para atingir o coração; seus esforços são fracos e infrutíferos.”

“Eis uma sugestão para todos quantos têm trabalho sedentário ou especialmente mental; experimentem-no os que tiverem suficiente força moral e domínio próprio: Comei em cada refeição apenas duas ou três espécies de alimento simples, não ingerindo mais do que o necessário para satisfazer a fome. Fazei exercício ativo todos os dias, e vede se não experimentais benefício.”

“A obediência às leis da saúde deve ser considerada questão de dever pessoal. Temos de sofrer os resultados da lei violada. Cumpre-nos responder individualmente a Deus por nossos hábitos e práticas. Portanto, a questão quanto a nós, não é: "Qual é o costume do mundo?", mas: "De que maneira eu, como indivíduo, tratarei a habitação que Deus me deu?"”



Retirado de: A Ciência do Bom Viver, cap. 23

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Como pregar o evangelho em todo o mundo


Como pregar o evangelho em todo o mundo
Felippe Amorim

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E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.
Mateus 24:14.
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O retorno de Jesus à Terra é uma certeza que todo estudante sério da Bíblia possui. Este evento foi afirmado pelo próprio Jesus quando disse:Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se Eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também” (Jo. 14:1-3). Esta é a grande esperança dos adventistas do sétimo dia. Por isso, todos devemos viver uma vida digna de quem aguarda este grande evento.
Jesus deixou registrado em Sua Palavra uma série de sinais que precederiam Seu glorioso retorno à Terra. Um estudo atento do capítulo 24 de Mateus nos mostra sinais naturais, políticos, sociais e religiosos que facilmente identificamos em nossos dias.
O último grande sinal da volta de Jesus também está registrado no capítulo 24 de Mateus. É a pregação do Evangelho em todo o mundo. Este é o grande evento que precede o maior                                                                                                                                                                                          espetáculo já presenciado pelo Universo.
Quando observamos o mundo que vivemos, podemos nos perguntar como o evangelho será pregado em todo o mundo. Hoje, mesmo com tantas facilidades tecnológicas, ainda enfrentamos grandes barreiras para a pregação do Evangelho. Países como a China e a Índia que detêm cerca de 1/3 da  população mundial possuem presença cristã muito pequena, e se falarmos da presença adventista, o número é ainda menor.
Mesmo aqui no Brasil, a situação é desafiadora. Em São Paulo, por exemplo, a população é de aproximadamente 18,8 milhões de habitantes e temos quase 70 mil adventistas.
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No restante do mundo, o desafio não é diferente, vejamos: Em Tóquio e adjacências vivem 35,6 milhões de pessoas e apenas 2.860 são adventistas. Em Nova York, são 19 milhões e 37.897 adventistas. Na Cidade do México, são 23,5 milhões de habitantes para 53.093 adventistas. Em Mumbai, na Índia, são 18,9 milhões e cerca de 10 mil adventistas. Se formos à China, um dos desafios do mundo atual, vamos encontrar Xangai com 14,9 milhões de habitantes para 6.274 membros, e em Beijing, 11,1 milhões de habitantes para 3.300 adventistas. A mesma realidade pode ser vista em Buenos Aires, com 12,7 milhões de habitantes para 22.978 adventistas. No Cairo, Egito, com 11,8 milhões de habitantes, vivem 289 adventistas. Em Manila, nas Filipinas, são 11,1 milhões de habitantes e 30.775 adventistas. Moscou na Rússia, tem 10,4 milhões de habitantes e 3.500 são adventistas (Revista Adventista. Nº 1218. Novembro de 2009. Ano 104. p. 4).


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            Quando nos deparamos com este quadro, corremos o risco de ficarmos desanimados, pensando que será impossível pregarmos o evangelho em todo o mundo para que a volta de Jesus seja uma realidade o mais rápido possível.
            Quando temos questões tão importantes como esta para responder, precisamos ir a mais confiável fonte de informações: A Bíblia. Nela encontramos relatos que nos dão o caminho para a solução deste nosso aparente impasse.
            Começaremos analisando o projeto evangelístico que Deus designou que Noé realizasse. O mundo antediluviano havia chegado ao limite da paciência de Deus. O supremo Criador resolveu então destruir o mundo, mas graças a Sua infinita misericórdia, quis salvar o maior número de pessoas. Por isso, deu uma mensagem a Noé e que ele fizesse uma série evangelística concomitante à construção da arca.
            Por cento e vinte anos, Noé pregou todos os dias a mesma mensagem, a mensagem presente para aquela época: o mundo seria destruído e as pessoas deveriam entrar na arca para se salvarem. Por certo, a maior série evangelística da história. No fim de 120 anos apenas 8 pessoas foram salvas. Será que era intenção de Deus condenar a maior parte das pessoas? Certamente não. Mas Deus não poderia salvar aqueles que não aceitaram a mensagem. Como diz Ellen White:
O Redentor do mundo tinha muitos ouvintes, mas poucos seguidores. Noé pregou ao povo cento e vinte anos antes do Dilúvio, e contudo bem poucos souberam dar valor a esse precioso tempo de graça. Exceto Noé e sua família, ninguém mais foi contado entre os crentes, nem entrou na arca. De todos os habitantes da Terra, somente oito almas aceitaram a mensagem; mas aquela mensagem condenou o mundo. A luz foi dada para que cressem, a rejeição da luz valeu-lhes a ruína. Nossa mensagem para o mundo será um cheiro de vida para todos quantos a aceitarem, e de condenação para todos os que a rejeitarem (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 190) .
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            A história de Noé nos dá a nossa primeira conclusão acerca da pregação de evangelho a todo o mundo. Devemos tentar alcançar o maior número de pessoas possível, mas para Deus a qualidade é mais importante que a quantidade. O ideal seria unir quantidade com qualidade, mas segundo a história bíblica, se tivermos que optar por uma das duas devemos sempre ficar com a qualidade dos conversos.
            Analisemos outra história registrada nas Sagradas Escrituras. Elias foi um fiel servo de Deus. Em certa ocasião do seu ministério, ele se deparou com um casal diabólico: Acabe e Jezabel. Este casal real havia feito o povo de Israel se distanciar de Deus e adorar deuses falsos da Fenícia.
            A missão de Elias era repreender o povo em nome de Deus. O profeta do Deus verdadeiro deveria levar a mensagem de juízo ao rei e, sob risco de perder a própria vida, entrou no palácio real e anunciou três anos e meio de seca na região. A palavra profética foi cumprida e quanto mais o tempo passava, mais a vida de Elias corria risco, pois Acabe e Jezabel queriam a todo custo a cabeça do profeta.
            Passado o tempo determinado por Deus, Elias marcou um encontro entre ele e os inimigos de Deus no Monte Carmelo. O profeta de Deus faz uma pergunta aos que estavam ali, pergunta esta que ecoa até nossos dias.




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E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém, não lhe respondeu nada (1 Reis 18:21).
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Esta é uma questão que precisa ser pensada seriamente por todos os cristãos. A pergunta de Elias não oferece a opção do meio-termo, era preciso uma posição firme por um dos lados – ou Deus ou Baal. Não podemos ficar servindo a dois senhores, ou melhor, a duas “teologias”, uma bíblica e outra contextual. A chamada ética circunstancial não pode ser aplicada na pregação do evangelho. A posição dos cristãos adventistas devem ser firme de tal forma que a identidade desta igreja seja mantida de acordo com a vontade de Deus expressa em Seus textos inspirados.

Após os improdutivos momentos de invocação dos profetas de Baal recheados de muito barulho, Elias orou a Deus, sem barulho, sem gritaria, sem agitação. Ele apenas orou a Deus e o Criador honrou a fidelidade do Seu servo. A Bíblia registra assim aquele momento:
Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram: O senhor é Deus! O Senhor é Deus! (1 Reis 18:38, 39).
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            Ellen White descreve aquele momento:
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Com impressionante distinção o grito ressoa sobre o monte e ecoa pela planície. Afinal Israel está desperto, esclarecido, penitente. O povo vê por fim quão grandemente havia desonrado a Deus. O caráter do culto de Baal, em contraste com a sensata adoração requerida pelo verdadeiro Deus, está plenamente revelado. O povo reconhece a justiça e misericórdia de Deus em haver retido o orvalho e a chuva até que tivessem sido levados a confessar o Seu nome. Agora estão prontos a admitir que o Deus de Elias está acima de qualquer ídolo (Patriarcas e Profetas, p. 153).
                 
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A vida fiel de Elias fez com que o evangelho fosse rapidamente espalhado por toda a região. Embora houvesse outros fiéis escondidos nas cavernas, naquela ocasião o testemunho de um homem fiel fez com que a mensagem presente para aquela época fosse pregada para “todo o povo”, segundo a Bíblia.
A Bíblia está repleta de episódios  que nos ajudam a responder nossa pergunta inicial: Como pregar o evangelho em todo o mundo?
Analisaremos a história registrada no capítulo 3 do livro de Daniel. Os três amigos do profeta, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego receberam a ordem da adorar a imagem que o rei Nabucodonosor havia construído.


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A ideia de estabelecer um império e uma dinastia que perdurassem para sempre, apelou fortemente ao poderoso monarca cujas armas as nações da Terra tinham sido incapazes de resistir. Com o entusiasmo nascido da ilimitada ambição e orgulho personalístico, ele tomou conselho com seus sábios quanto à maneira de levar avante o projeto. Esquecendo as assinaladas providências relacionadas com o sonho da grande imagem; esquecendo também que o Deus de Israel, por intermédio de Seu servo Daniel, tinha-lhe esclarecido o significado da imagem, e que em conexão com esta interpretação os grandes homens do reino tinham sido salvos de morte ignominiosa; esquecendo tudo, exceto o seu desejo de estabelecer o seu próprio poder e supremacia, o rei e seus conselheiros de Estado decidiram que todos os meios possíveis seriam utilizados para exaltar Babilônia como suprema, e digna de submissão universal (Profetas e Reis, p. 505).

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            Existia uma mensagem que deveria ser espalhada por todo o mundo: Somente o Deus de Israel era verdadeiro. Esta era a mensagem presente naquela ocasião. O desafio era muito grande, pois aparentemente tudo conspirava contra a mensagem de Deus.
            O rei Nabucodonosor tentou obrigar os jovens fiéis hebreus a adorar a imagem de ouro, usando como instrumento de coerção a fornalha ardente. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram fiéis sem pensar nas consequências:
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Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, e disseram ao rei: Ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha de fogo ardente; e Ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste (Daniel 3:16-18).

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            O rei, portanto, os jogou na fornalha e naquele momento Jesus apareceu no meio da fornalha e os livrou da morte.
            Os versículos 28 e 29 do capítulo 3 de Daniel falam algo sobre o qual nós deveríamos refletir bastante:
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Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, o qual enviou o seu anjo e livrou os Seus servos, que confiaram nEle e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus. Por mim, pois, é feito um decreto, que todo o povo, nação e língua que proferir blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro deus que possa livrar desta maneira (Daniel 3:28, 29).

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            É impressionante este relato. Todo o império babilônico, que abarcava quase todo o mundo conhecido da época, recebeu a mensagem do evangelho em um só dia.
O testemunho de três jovens fiéis foi o suficiente para que a mensagem fosse pregada rapidamente em todo o mundo. Sem mídia eletrônica, sem grandes meios de comunicação, em um dia a mensagem foi pregada de forma espetacular.
            Ainda no livro de Daniel temos outro relato que pode responder nossa pergunta inicial. Em seu livto, capítulo 6, encontramos a famosa passagem de Daniel na cova dos leões.
            A fidelidade de Daniel e o prestígio que ganhou junto ao rei Dario da Pérsia, fez surgir inveja nos seus colegas de trabalho que incentivaram o rei a fazer uma lei que obrigava a todos orarem somente a ele mesmo. Daniel que seguia o princípio bíblico de agradar a Deus e não aos homens, continuou fazendo suas orações com a janela aberta em direção a Jerusalém.
            A pena para o desobediente seria a morte na cova dos leões. Mesmo relutante, o rei Dario cumpriu sua palavra e jogou Daniel na cova dos leões. O anjo do Senhor protegeu o profeta, fechando a boca dos leões.
            Novamente a vida fiel de um servo de Deus faz um grande trabalho missionário, como vemos na Bíblia:
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Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada. Com isto faço um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque Ele é o Deus vivo, e permanece para sempre; e o Seu reino nunca será destruído; o Seu domínio durará até o fim.  Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; foi Ele quem livrou Daniel do poder dos leões (Daniel 6:25-27).

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            A mensagem presente para a época foi pregada em todo o reino da Medo-Pérsia em um só dia. Este é um grande exemplo de como podemos pregar a verdade de Deus em todo mundo. A vida de um fiel, Daniel, fez com que se espalhasse a mensagem de Deus em todo o mundo conhecido.
            No Novo Testamento podemos encontrar um outro exemplo de pregação do evangelho em todo mundo.
            Em Colossenses 1:23, Paulo diz:
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Se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro.
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            Um pequeno grupo de fiéis seguidores de Jesus foi o suficiente para pregar o evangelho em todo o mundo conhecido como lemos no texto acima. A vida deles foi uma pregação não verbal que convenceu multidões a seguir a Jesus.
            Os exemplos bíblicos que relatamos nas linhas acima nos mostram que a fidelidade de um cristão pode revolucionar o mundo.
            Quando hoje pronunciamos o nome de Osama Bin Laden, qualquer pessoa sabe a quem nos referimos. Mas antes de 11 de setembro de 2001 poucas pessoas no mundo saberiam quem era esse homem. Após o ataque às torres gêmeas em Nova York, em poucos minutos o mundo todo já sabia quem ele era. Não somente o interesse por Bin Laden cresceu, mas pela religião que ele professa. As grandes universidade do mundo criaram cursos sobre o islamismo, jornais fizeram reportagens de capa, revistas dedicavam muitas páginas ao assunto e o mundo inteiro passou a conhecer a filosofia e a cultura islâmica.
            Imagine agora que o decreto dominical saiu e o mundo inteiro está se adaptando a esta lei que supostamente trará a paz mundial. De repente surge um grupo de pessoas que são fiéis à Bíblia e, portanto, guardam o sábado, o verdadeiro dia do Senhor.
            Um fiel adventista do sétimo dia é preso e mesmo sob ameaça de perder a própria vida, não abre mão da verdade bíblica. Os jornais farão entrevistas para conhecer quem é este fiel adventista e farão reportagens sobre a Igreja Adventista e escreverão artigos sobre as doutrinas adventistas. As universidades farão debates sobre o sábado e em pouquíssimo tempo o evangelho será conhecido em todo o mundo.
            Um fiel é tudo de que precisamos. Apenas um fiel e o evangelho pode ser pregado em todo o mundo.
            Cada adventista do sétimo dia precisa buscar a Jesus de tal forma que quando chegar o momento certo, Deus trabalhe através da sua fidelidade e termine a pregação do evangelho em todo o mundo. Após a pregação em todo o mundo, Jesus voltará e nos levará para junto dEle e passaremos a eternidade sem a presença do pecado e com a presença de Deus.
   
 Artigo baseado em um sermão do Pr. Joaquim Azevedo.

BIBLIOGRAFIA

Revista Adventista. Nº 1218. novembro de 2009. Ano 104.
WHITE, Ellen G. Testemunhos Seletos, v. 3. 6ª edição. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira.
______ (2007) Patriarcas e Profetas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Oração


"Se tiverdes voz e tempo para orar, Deus terá tempo e voz para responder".

Ellen White (Review and Herald, 1º de abril de 1890.)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pela fé Enoque ...


Pela fé Enoque ...
Felippe Amorim

Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. (Hebreus 11: 5)


INTRODUÇÃO

            Quando criança, todos nós tentamos agradar nossos pais. As vezes  as motivações não são muito ortodoxas, tentamos agradar para ganhar um presente em uma data especial, tentamos agradar para podermos ir brincar no final do dia na rua. Por vezes nos esforçamos muito para agradar nossos pais somente para ganhar uma elogio na frente dos nossos irmãos.
            Essa preocupação de agradar é natural do ser humano em relação a todos quantos ele ama. É verdade que algumas vezes por mais que tentemos agradar, ganhamos palavras de reprovação a despeito do nosso esforço. Mesmo assim não desistimos de tentar agradá-los. A maior recompensa é sabermos que deixamos felizes àqueles que são objeto do nosso amor.
            Somos  filhos de Deus e como tal deveríamos nos preocupar em agradar nosso Pai. É certo que em relação a Deus, nada do que eu faça ou deixe de fazer fará com que Deus me ame mais ou menos, Ele já me ama com todo amor que Ele possui, uma amor infinito.
            Não agradamos a Deus para que ele nos ame mais, agradamos a Deus por  amá-Lo mais. Há uma grande diferença nisso.
            Foi exatamente isso que aconteceu na vida de Enoque. O texto de Hebeus 11: 5 relata que antes de ser trasladado ele agradou a Deus. Que privilégio ! Que honra ! Como deveríamos pensar a respeito desta declaração! Seria ideal que cada cristão recebesse essa mesma declaração de Deus:  João agradou a Deus (troque o nome João pelo seu).
            Nesta altura da reflexão precisamos nos perguntar: O que fez enoque para alcançar testemunho de que agradou a Deus? A seguir analisaremos relatos inspirados sobre a vida de Enoque para respondermos a esta importante pergunta.
Enoque andou com Deus
            O livro de Gênesis no capítulo 5: 22-24 resgistra as seguintes palavras a respeito de Enoque:
Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos;  Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.

            A primeira atitude de Enoque registrada pelas Escrituras Sagradas é que ele “andou com Deus”. Podemos, portanto, listar esta ação como a primeira de Enoque para alcançar testemunho de que agradou a Deus.
            Pode ser que passe por sua cabeça neste momento o seguinte pensamento: Era muito fácil para Enoque andar com Deus, pois o seu mundo era menos corrupto e depravado que o nosso. Não tinha as tentações que tem o nosso mundo, portanto, para ele era mais fácil ser cristão do que para nós.
            Esse pensamento não condiz com o que era a realidade do mundo do profeta trasladado. Quando Jesus quis comparar o mundo em que nós vivemos, ou seja, o mundo que antecederia a volta de Jesus, com alguma época, Ele comparou com o mundo ante-diluviano - Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem (Lc 17:26) . Sendo assim, a situação moral das pessoas do tempo de Enoque não facilitava, pelo contrário, dificultava a vivência dos preceitos divinos.
            A imoralidade sexual estava muito alastrada pois, “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”(Gen.6:1). A corrupção era muito comum entre os moradores contemporâneos de Enoque e o ateísmo, ou pelo menos o desprezo a Deus, era recorrente entre eles.
            Nós não vivemos em dias piores que o de Enoque. Não há desculpa para nenhum cristão viver uma vida frouxa moralmente, pois em dias de corrupção e imoralidade “andou Enoque com Deus”.
            É necessário perguntarmos como era esse andar de Enoque com Deus. Seria um andar literal ou uma metáfora? O livro Caminho a Cristo nos ajuda a compreender este assunto:

Orai em vosso aposento particular; e enquanto seguis vossos afazeres diários, elevai muitas vezes o coração a Deus. Era assim que Enoque andava com Deus. Essas orações silenciosas sobem para o trono da graça qual precioso incenso. Satanás não pode vencer aquele cujo coração deste modo se firma em Deus. (White, C. C. 2007 p. 89 – grifo suprido)

            O andar do profeta com Deus se dava através da oração ininterrupta. Esse é um exemplo no qual nós devemos meditar sempre. Quanto tempo nós temos gastado (ou investido) em oração? É importante que tenhamos momentos reservados para nossa oração pessoal nos quais abriremos nosso coração e contaremos ao nosso criador sobre nossas angústias, alegrias e problemas. Mas estes não devem ser os únicos momentos nos quais oramos a Deus. Orai sem cessar(1 tess. 5:17), esta é a recomendação da Bíblia. Orar enquanto trabalha, enquanto se recreia, enquanto se exercita, ou seja, precisamos estar em constante contato com nosso Pai. Dessa forma “Satanás não pode nos vencer”.
            Com o que temos gastado nosso tempo? Infelizmente, muitos cristão tem desperdiçado seu tempo gastando-o mais com televisão, filmes e outras diversões que nos afastam da comunhão com Deus do que com a Bíblia e a oração. Quão bom seria se assim como retiramos o dízimo do nosso dinheiro, também retirássemos o dízimo do nosso tempo para Deus. Cerca de 2 horas diárias de comunhão íntima com o Criador fariam grande diferença em nossa vida cotidiana, nos fariam muito mais fortes contra o inimigo.
            Esse era o andar de Enoque com Deus e deve ser o nosso também. Dessa forma daremos o primeiro passo para alcançarmos o testemunho de que agradamos  a Deus.


Pregação do Evangelho

            Em Judas versículos 14 e 15 encontramos outra declaração a respeito de Enoque que nos ajudará a montar o “quebra-cabeça” de uma vida que agrada a Deus:

Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram.

            Um segundo aspecto da vida do profeta que podemos destacar é a sua prática da pregação do evangelho. Enoque foi um anunciador da segunda vinda de Cristo, para ele foi revelado todo o plano da redenção e sua vida foi pautada pela esperança na segunda vinda de Cristo.

Por meio de santos anjos Deus revelou a Enoque Seu propósito de destruir o mundo por um dilúvio, e também lhe revelou amplamente o plano da redenção. Pelo Espírito de Profecia levou-o através das gerações que viveriam após o dilúvio, e mostrou-lhe os grandes acontecimentos ligados à segunda vinda de Cristo e ao fim do mundo. (White. Patriarcas e Profetas, p. 85)

            Que privilégio deste homem! Receber dos anjos a revelação do glorioso futuro que aguardava todos aqueles que se mantivessem fiéis ao Deus da misericórdia. Ao conhecer todos estes fatos, ele não guardou para si o conhecimento. Anunciou ao mundo.
Se queremos tal qual Enoque agradar a Deus, precisamos levar uma vida de testemunho da segunda vinda de Jesus e de todas as outras verdades do evangelho.
            Porém, alguém pode pregar aquilo que não conhece? O que acontece com um pessoa que se propõe a falar daquilo que lhe é extranho? Acaba falando o que não devia. Portanto, para podermos seguir o exemplo de Enoque temos que fazer um parte indispensável: o estudo da Palavra de Deus. O próprio Jesus falou a respeito disso quando disse, “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;”(Jo. 5: 39)
            Não existe cristianismo se não conhecermos a Cristo, e não tem método mais eficaz para isso que o estudo da Bíblia. Quanto tempo temos dedicado ao exame da palavra? Não me refiro ao Salmo lido de forma mecânica todos os dias. A Bíblia possui outros livros. As profecias devem ser estudadas. Doutrinas fundamentais como a doutrina do Santuário estão à disposição do crente, mas para conhecê-las é preciso se aprofundar no estudo bíblico. Precisamos deixar a leitura superficial e cavar fundo as escrituras.

Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. (Hebreus 5:12)

            Há cristãos que estão na igreja a muito tempo e deveriam conhecer muito da Bíblia, mas pouco sabem a respeito das razões de sua fé. Se quisermos agradar nosso salvador tal qual Enoque, precisamos conhecer Sua palavra e pregá-la a todo o mundo em nossa geração.


Perseverança

            Já havaliamos dois aspectos importantes da vida do profeta Enoque e começamos a descobrir porque o livro de Hebreus afirma que ele agradou a Deus.
            Existe, contudo, mais um ponto que devemos analisar. Para isso meditaremos na seguinte citação:

Durante trezentos anos Enoque estivera procurando pureza de alma, para que pudesse estar em harmonia com o Céu. Durante três séculos andara com Deus. Dia após dia, almejara uma união mais íntima; cada vez mais estreita se tornara a comunhão até que Deus o tomou para Si. Estivera no limiar do mundo eterno, havendo apenas um passo entre ele e o país da bem-aventurança; e, agora, abriram-se os portais; o andar com Deus durante tanto tempo praticado em terra continuou, e ele passou pelas portas da santa cidade - o primeiro dentre os homens a entrar ali. (White. Patriarcas e Profetas, p. 52)

            Essa passagem nos revela uma característica espetacular do profeta analisado. Uma vida de perseverança. Enoque viveu uma vida piedosa e pregou sobre a vinda de Jesus por mais de trezentos anos.
            Muitos dos Cristãos Adventistas tem desanimado do cristianismo por estarem pregando a dez, quinze, trinta, cinquenta anos a respeito da volta de Jesus e Ele ainda não voltou. O movimento Adventista prega esta mensagem a pouco mais de 150 anos e alguns querem desanimar por isso. Mas Enoque pregou durante mais de trezentos anos a mesma mensagem sem desanimar.
            Esta é a terceira característica que precisamos aplicar em nossa vida se queremos agradar a nosso Deus. Perseverança na fé. Não podemos desanimar, pois foi o próprio Deus que nos prometeu: “Certamente cedo venho” (Ap. 22:20). Não podemos desanimar nunca. A perseverança será recompensada ricamente pelo Senhor dos Exércitos.
            Andar com Deus, conhecer e pregar o evangelho e perseverar na fé, eis a fórmula para recebermos de Deus a mesma declaração que Enoque recebeu em Hebreus 11:5.

O final de Enoque

Seria incompleto se terminássemos esta reflexão sem tocarmos na recompensa que o profeta recebeu. Pois aquilo que aconteceu com ele, sonhamos que aconteça conosco.

Mas, como Enoque, o povo de Deus procurará pureza de coração, e conformidade com Sua vontade, até que reflitam a semelhança de Cristo. Como Enoque, advertirão o mundo da segunda vinda do Senhor, e dos juízos que cairão sobre os transgressores; e pela sua santa conversação e exemplo condenarão os pecados dos ímpios. Assim como Enoque foi trasladado para o Céu antes da destruição do mundo pela água, assim os justos vivos serão trasladados da Terra antes da destruição desta pelo fogo. (White. Patriarcas e Profetas, p. 89)

            Existe um paralelo entre a nossa vida e a de Enoque. Assim como ele andou com Deus em oração, nós também precisamos ter um contato íntimo com nosso Pai do céu. Assim como o profeta conhecia e pregava a respeito do Evangelho, nós também precisamos conhecer e pregar a Palavra de Deus. Assim como Enoque perseverou na fé, nós também precisamos perseverar na fé.
            Porém o mais bonito paralelo entre Enoque e nós é que como ele foi trasladado para o céu antes da destruição da terra po água, um dia se formos fiéis até a morte também seremos trasladados desta terra para nos encontrarmos com o primeiro trasladado da história, Enoque. O maior encontro, porém, será com o Deus de Enoque, com o nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos do qual estaremos naquele lindo lugar. Ele estará de braços abertos esperando para nos dar o abraço da vitória e da eternidade.




BIBLIOGRAFIA

WHITE. Ellen G. Caminho a Cristo. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 2007.
WHITE. Ellen G. Patriarcas e Profetas. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 2007.