quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

JESUS EM SEUS RELACIONAMENTOS:

Aprendendo com o mestre

Felippe Amorim



Certa vez escutava a coordenadora de uma faculdade comentar a respeito do perfil dos profissionais que ela procurava para contratar. Segundo ela, se suas duas únicas opções fossem um profissional altamente capacitado, mas com dificuldades de relacionamento e um profissional não tão capacitado quanto o primeiro, mas com uma boa capacidade de relacionar-se bem, escolheria, com certeza, o segundo profissional.

Pessoas que sabem se relacionar bem são bem-vindas em qualquer ambiente. O cristão deveria ser um modelo de bom relacionamento, pois temos o maior exemplo na pessoa de Jesus. Sem dúvida nosso salvador foi o mestre dos relacionamentos e ao analisar Sua vida podemos aprender preciosos princípios que nos ajudarão a construirmos boas relações interpessoais. A seguir estudaremos cinco características de Jesus como um ser relacional.

Compaixão

A Bíblia relata o episódio no qual Jesus curou um leproso. Ser leproso nos tempos de Cristo era ser considerado alguém à margem da sociedade. Mesmo assim, está relatado: “Jesus, pois, compadecido dele, estendendo a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero; sê limpo.”(Mc 1:41). Qualquer Judeu se recusava a se aproximar de uma pessoa que estivesse com problemas de pele. Porém o texto nos diz que a compaixão de Jesus foi tamanha que ele tocou o leproso e então o curou.

Para os Judeus, tocar em alguém leproso o fazia tornar-se imundo. A lógica era que o imundo contaminava o limpo. Mas com Jesus era diferente: o limpo purificou o imundo. Era exatamente por causa de Sua condição de superioridade em relação ao homem que Jesus poderia ter a verdadeira compaixão.

“Quando se olhava para Jesus, via-se um rosto em que a divina compaixão se misturava com um poder consciente. Ele parecia circundado de uma atmosfera de vida espiritual. Suas maneiras eram suaves e despretensiosas, mas Ele impressionava as pessoas com um senso de poder que, embora oculto, não podia ser inteiramente dissimulado”. (Ciência do Bom Viver, 51)

Em nossos relacionamentos diários precisamos também ter compaixão do nosso semelhante. Assim como Jesus se aproximou dos mais excluídos de seu tempo, nós também devemos dar atenção àqueles que são marginalizados seja por motivos socioeconômicos ou por outros motivos de natureza diversa.
Paciência

A paciência é uma das mais marcantes características de Jesus. Se não fosse esta virtude divina, todos nós estaríamos condenados para sempre. Em Marcos 2:16-17 temos um relato no qual podemos perceber claramente a paciência de Jesus. “Vendo os escribas dos fariseus que comia com os publicanos e pecadores, perguntavam aos discípulos: Por que é que ele como com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores”.

Os fariseus o atacavam constantemente. Mas Jesus sempre os tratou com muita paciência e até na hora de dar uma resposta, se preocupava em explicar o propósito de suas ações, como no caso acima. Na sua explicação paciente estavam contidas preciosas lições para todos os ouvintes.

"Mas fiel é o Senhor, que vos confortará, e guardará do maligno. E confiamos de vós no Senhor que não só fazeis, como fareis o que vos mandamos. Ora o Senhor encaminhe os vossos corações na caridade de Deus, e na paciência de Cristo." II Tess. 3:5.

Da mesma maneira como o nosso Senhor teve uma santa paciência com aqueles com os quais se relacionava, nós também como imitadores de Cristo devemos exercer paciência em nossos relacionamentos.

Nas relações interpessoais precisamos de paciência quando nos atacam injustamente, quando lidamos com pessoas que não têm o conhecimento que possuímos, quando nos deparamos com pessoas que pensam diferente de nós e em diversas outras situações da vida. Agir com paciência, conquistará os outros para nós e para Cristo.


Simplicidade e Sinceridade

Nosso salvador era sempre simples e sincero e esta atitude dele facilitava bastante os seus relacionamentos. Um exemplo dessa característica encontramos no episódio da mulher samaritana. Jesus aproximou-se dela e sem que ela esperasse foi simples e sincero: “Respondeu a mulher: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. (Jo. 4:17-18)

Precisamos salientar que ao ser sincero, Cristo não tinha a intenção de ferir as pessoas. Naquele momento tudo o que Jesus queria era levar a mulher a reconhecer seus pecados e converter-se dos seus maus caminhos.

Jesus era simples para que mesmo os samaritanos se sentissem a vontade perto dele. O “príncipe dos mestres, buscava acesso ao povo por meio de suas mais familiares relações. Apresentava a verdade de maneira que daí em diante ela estaria sempre entretecida no espírito de Seus ouvintes com suas mais sagradas recordações e afetos. Ensinava-os de maneira que os fazia sentir quão perfeita era Sua identificação com os interesses e a felicidade deles. Suas instruções eram tão diretas, tão adequadas Suas ilustrações, Suas palavras tão cheias de simpatia e animação, que os ouvintes ficavam encantados. A simplicidade e sinceridade com que Se dirigia aos necessitados santificavam cada palavra. (Ciência do Bom Viver, 24)

Ao sermos sinceros com aqueles que se relacionam conosco devemos cuidar para que a sinceridade não seja confundida com crueldade nas palavras. Devemos seguir o exemplo de Cristo, Sua sinceridade não era cruel, era amorosa e sensível.

Perdão

Encontramos nos evangelhos diversos exemplos de Jesus como alguém que perdoava. Um dos mais conhecidos é o relatado em João 8. A mulher apanhada em flagrante adultério deveria, de acordo com a lei mosaica, ser apedrejada.

Porém o Senhor que é rico em perdoar, ofereceu mais uma vez àquela mulher o perdão e junto com ele o poder de não repetir o pecado: “Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.”(Jo. 8:11)

A história da redenção é a história do perdão de Deus estendido à humanidade. Seguindo este exemplo, devemos aplicar perdão às nossas relações interpessoais.

O perdão aos que nos ofendem é não somente uma obrigação, como uma necessidade. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas. (Mt. 6:14,15)” O perdão de Deus está vinculado ao nosso perdão para com o próximo.

“Confessai vossos pecados a Deus, que é o único que os pode perdoar, e vossas faltas uns aos outros. Se ofendestes a vosso amigo ou vizinho, deveis reconhecer vossa culpa, e é seu dever perdoar-vos plenamente. Deveis buscar então o perdão de Deus, porque o irmão a quem feristes é propriedade de Deus e, ofendendo-o, pecastes contra seu Criador e Redentor”. (Caminho a Cristo, 37)

Amor

Todas as características acima citadas estão subordinadas ao maravilhoso amor de Cristo pela humanidade. Um dos versículos mais conhecidos da Bíblia nos diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo3:16)

Neste verso, encontramos pelo menos três aspectos do amor de Deus pela humanidade. É um amor que aceita, um amor que se doa e um amor que se entrega. Poderíamos escrever muitas e muitas páginas sobre o amor de Jesus e ainda estaríamos apenas tangenciando-o.

“Nosso próximo é toda a família humana. Devemos fazer o bem a todos os homens, e especialmente aos que são irmãos na fé. Devemos dar ao mundo uma demonstração do que significa praticar a lei de Deus. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, e ao nosso próximo como a nós mesmos”. (Review and Herald, 1º de janeiro de 1895.)

Que possamos aplicar aos nossos semelhantes o mesmo amor que recebemos de nosso grande Salvador e Senhor Jesus Cristo.


Conclusão

O apóstolo Paulo entendia exatamente como devia ser a vida de um cristão. Ele disse: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo”.(1 Co 11:1). Precisamos aplicar o princípio de imitar a Cristo em todos os aspectos de nossa vida, inclusive nos relacionamentos.

Se imitarmos ao Senhor no que diz respeito aos nossos relacionamentos, certamente seremos muito felizes no contato com os semelhantes.

Os cinco princípios que apresentamos acima são apenas uma pequena amostra do quanto Jesus valorizava os relacionamentos interpessoais e de que Ele realmente é o Mestre dos relacionamentos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Sábado: Santo ao Senhor


O Reavivamento e a Reforma da igreja passam pela reforma da observância do Sábado
Felippe Amorim



Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse. (Isa. 58:13,14)

Introdução



Desde a última reunião da Conferência Geral, “Reavivamento e Reforma” tem sido a ênfase da igreja. Neste e nos próximos anos todos unidos devemos trabalhar e orar em busca desse objetivo. Essas duas palavras são simples, mas têm uma extrema importância para a época em que vivemos. A Bíblia nos apresenta alguns exemplos de movimentos de Reavivamento e Reforma nos quais podemos nos inspirar para que possamos viver esta experiência em nossos dias.

O livro do profeta Isaías no capítulo 58:5-12 descreve uma reforma que aconteceu na época do profeta. Dentre os pontos da reforma proposta por Isaías está a verdadeira observância do sábado.

A restauração da observância autêntica do sábado faz parte da reforma que a igreja espera sofrer nesses tempos. É importante compreendermos que esta sequência “reavivamento e reforma” deve ser respeitada. Primeiro deve vir um verdadeiro reavivamento. Um reaquecimento da comunhão com Deus é o ponto de partida. Qualquer tentativa de colocar a reforma na frente do reavivamento gerará legalismo, algo muito prejudicial para a igreja.

Compreendendo que a verdadeira guarda do sábado é derivada de uma vida de comunhão com Deus, podemos estudar a mensagem que o profeta Isaías nos passa sobre o santo dia do Senhor.

É interessante como o profeta organizou esta parte de seu livro. Duas palavras nos ajudam a entender. Existe um “SE” e um “ENTÃO”, ou seja, há condições colocadas por Deus em relação ao sábado e consequências que decorrem da obediência a estas condições.


Só se profana algo que é sagrado



“Se desviares o pé de profanar o sábado”. Esta frase nos transmite uma importante mensagem. Só se profana algo que é sagrado. Em outras palavras, o tempo do sábado é um tempo sagrado.

É importante identificarmos quando começaram a existir estas horas sagradas. Em Gênesis 2:1-3 lemos: “Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera. Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus”.

A origem do sábado como dia sagrado remonta à criação, aliás, o sábado é o memorial da criação. Esse fato nos ajuda a contra argumentarmos àqueles que dizem que o sábado foi estabelecidos especificamente para os Judeus. A questão é que no último dia da criação ainda não existia nenhuma nação, apenas Adão e Eva. O sábado foi estabelecido para toda a humanidade.

Além disso, o verso de Gênesis nos diz quem nomeou de santo o sétimo dia. “Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou”. Seria no mínimo presunção querer dessacralizar algo que o próprio Deus tornou sagrado.

Ao Deus criar o sábado para a humanidade, Ele estabeleceu propósitos para este dia. O primeiro, encontramos em Ezequiel 20: 12, 20: “Demais lhes dei também os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles; a fim de que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica[...] E santificai os meus sábados; e eles servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus”. Um dos propósitos do sábado é servir de sinal entre o povo de Deus e aqueles que não se submetem ao Senhor. É como se fosse um “crachá de identificação”. Podemos identificar aqueles que pertencem a Deus pela sua submissão à vontade de Deus quanto ao dia que Ele nos pediu que santificássemos.

“Quem quer que obedeça ao quarto mandamento, verificará que está traçada uma linha divisória entre ele e o mundo. O sábado é uma prova, não uma exigência humana, mas a prova de Deus. É aquilo que distinguirá os que servem a Deus dos que não O servem; e em torno deste ponto sobrevirá o derradeiro e grande conflito da luta entre a verdade e o erro”. (Testemunhos Seletos. V. 2, 180)

A citação acima deve ser cuidadosamente observada. Primeiro ela corrobora o texto de Ezequiel 20:12. Além disso, nos esclarece que o grande motivo da perseguição que o povo de Deus sofrerá no final dos tempos, não será pela água ou pela comida, mas pela guarda do verdadeiro sábado.

Outro propósito do sábado é que ele funciona como prova de lealdade a Deus. “Alguns argumentarão que o Senhor não é tão exigente em Seus preceitos; que não é seu dever guardar o sábado estritamente com tão grande prejuízo, ou se colocarem em conflito com as leis da Terra. É, porém , justamente aí o ponto em que sobrevirá a prova, a ver se honraremos a lei de Deus acima das exigências dos homens. Isto é o que fará distinção entre os que honram a Deus e os que O desonram. É nisto que devemos provar nossa lealdade. A história do trato de Deus com Seu povo em todos os séculos, mostra que Ele exige exata obediência”( Testemunhos Seletos. V. 2, 183).


Como se profana o Sábado?



Quando falamos sobre a observância do sábado, sempre surgem perguntas de cunho prático. O que posso fazer no sábado? O que não posso fazer no sábado? Preparar uma lista de regras sobre como proceder durante o sábado é extremamente arriscado. Corremos sério risco de cair no pecado do legalismo como aconteceu com os fariseus no tempo de Cristo que tinham centenas de regras sobre o sábado.

Contudo, a Bíblia nos apresenta princípios que devem nortear nossas ações sabáticas. O texto que estamos analisando primariamente nos mostra como profanamos o Dia do Senhor: “cuidando dos próprios interesses, seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade” (Isa. 58:13). A essência do pecado é o egoísmo. No que se refere aos “atos sabáticos inadequados”, nos é útil analisá-los a partir do principio bíblico. Quando agimos a partir dos nossos desejos egoístas, certamente estaremos pecando, seja no sábado ou em qualquer outro dia da semana. Mas se queremos um critério para as nossas ações no sábado, devemos nos perguntar: Isto que estou fazendo é para satisfazer os meus desejos egoístas? A partir da resposta, avaliaremos se aquela ação é adequada ou não para as horas sabáticas.

O texto ainda nos apresenta outro princípio para nosso comportamento no Dia do Senhor: “não falando palavras vãs”. No sábado não devemos tratar dos nossos negócios, ou mesmo planejar o trabalho da semana. Certamente o texto de Isaías não está tratando apenas de palavrões, piadas do duplo sentido ou qualquer outra coisa desta espécie, pois estas devem estar longe do vocabulário de um cristão em qualquer dia da semana. Palavras vãs são aquelas que estão fora do contexto espiritual que deve permear o sábado.

O sábado proporciona ao homem a oportunidade de dominar o egoísmo e cultivar o hábito de fazer o que agrada a Deus, pois este deve ser o propósito do cristão: “e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista”. (1 João 3:22).

O texto do quarto mandamento é outra passagem importante para compreendermos qual a vontade de Deus para o Seu santo dia. Em Êxodo 20: 8-11, lemos: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou”.

Neste texto encontramos todos os elementos para que compreendamos a origem, o propósito e as ações do sábado. Neste momento, porém, nosso foco está no que não fazer, então destacaremos este aspecto. As horas do sábado não são próprias para o trabalho, para este Deus reservou seis dias como Ele deixou explícito no mandamento. Nem nós devemos trabalhar, nem aqueles que são nossos funcionários. Aqueles que trabalham em nossa empresa ou mesmo em nossa casa, devem ser dispensados do trabalho no sábado, mesmo que eles não o observem, pois o mandamento é claro: “nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas”.

Como se santifica o sábado?



A santificação do sábado começa com o dia da preparação. Na Bíblia encontramos um texto que nos apresenta o princípio a respeito da preparação para o sábado. Em Êxodo 16:21-25 encontramos o relato do maná com o qual Deus sustentou o povo durante a peregrinação pelo deserto: “Colhiam-no, pois, pela manhã, cada um conforme o que podia comer; porque, vindo o calor do sol, se derretia. Mas ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; pelo que todos os principais da congregação vieram, e contaram-no a Moisés. E ele lhes disse: Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, sábado santo ao Senhor; o que quiserdes assar ao forno, assai-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde-o de lado para vós, guardando-o para amanhã. Guardaram-no, pois, até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal, nem houve nele bicho algum. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do Senhor; hoje não o achareis no campo”.

Através do exemplo do maná, Deus nos deixou a lição de que devemos nos preparar para o sábado de tal forma que nossos afazeres corriqueiros não nos atrapalhem na adoração do dia santificado pelo Senhor.

“O dia anterior ao sábado deve ser feito dia de preparação, para que tudo esteja pronto para suas horas sagradas. "O que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água." "Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor." Êxo. 16:23[...]Muitos adiam negligentemente até ao começo do sábado pequeninas coisas que deviam ter sido feitas no dia de preparação. Isto não se deve fazer. Todo trabalho negligenciado até ao começo do sábado deve ficar por fazer até que ele haja passado” (Testemunhos Seletos. V.2, 184,185).

Voltemos ao texto de Isaías. Há nele outra frase que nos indica como santificar o sábado. “Se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor” (Isa 58:13). A mera formalidade da observância do sábado é de pouco proveito. Sentir prazer nas horas sabáticas faz parte da adoração. Para Deus só é válida uma obediência que seja feliz, por amor.



Ainda de acordo com Isaías 58:13,por contraste aprendemos que santificamos o sábado quando cuidamos dos interesses de Deus, seguimos os caminhos de Deus, fazendo a vontade de Deus, falando as palavras de Deus.

Uma chave para que possamos identificar o que podemos fazer no sábado também está no nosso texto primário. O texto diz: “digno de honra e o honrares”. Uma pergunta pode nos servir de chave para identificarmos o que é correto ou não para fazermos no dia do Senhor: “É para honra de Deus?” Toda vez que a resposta for positiva, a ação é adequada para as horas sabáticas.



Promessas para os Fiéis



A Bíblia está repleta de promessas para Seus filhos. Não é diferente em relação aos guardadores do sábado. Isaías 58:14 começa com a palavra “então”. Todas as promessas feitas neste texto são consequências para os que cumpriram o “se” do verso 13.

A primeira promessa é: “te deleitarás no Senhor”. As pessoas descobrirão a felicidade de servir ao Senhor quando se submeterem à vontade de Deus em relação ao sábado. Ninguém pode falar que ama a Deus e se deleita Nele, se se recusa a cumprir aquilo que Ele quer.

Outra promessa é que os fiéis iriam cavalgar sobre os altos da terra. Há uma relação entre esta promessa e as palavras de Jesus: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat. 6:33). Deus cuidará da carreira profissional, do sucesso profissional daqueles que forem fiéis ao quarto mandamento. A preocupação de muitas pessoas é que não conseguirão crescer em suas profissões se guardarem o sábado. Por isso Deus preocupou-se em deixar esta promessa para que confiemos Nele.

As promessas ainda não acabaram. Deus diz: “te sustentarei com a Herança de Jacó”. Interessante, há muitos personagens ricos na Bíblia. Por que Jacó foi escolhido para compor esta promessa? Qual é a herança de Jacó?

Na história de Jacó podemos perceber que ele tinha uma atração especial pela primogenitura. Na cultura de sua época, o primogênito recebia mais que herança financeira, recebia a bênção, a herança espiritual. Na vida de Jacó podemos constatar que ele escolheu a herança espiritual e Deus acrescentou a herança material. Assim acontecerá com os guardadores do sábado. Todos os que escolherem a parte espiritual, terão o cuidado de Deus em sua vida financeira. “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão (Sal. 37:25). Deus cuidará de todos os seus fiéis. Como posso ter certeza disso? A última parte do versículo nos diz: “A BOCA DO SENHOR O DISSE”. As promessas de Deus nunca falharam e o cuidado Dele para com os seus fiéis tem se cumprido na vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. Suas promessas são infalíveis.

Muitas pessoas têm experimentado as bênçãos de guardar o sábado e desfrutado do cuidado de Deus. Cada um de nós é convidado todos os dias a estar sob a proteção e o cuidado de Deus. Submeta-se a Ele e desfrute. 

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Graça e a Lei:
Entendendo a relação entre elas
Felippe Amorim



Introdução

            O mundo cristão de vez em quando se depara com questões que balançam a fé de alguns. São temas importantes que nem sempre são tratados da melhor forma possível, e por isso muitas pessoas sinceras acabam se enveredando por caminhos que arriscam o destino eterno delas.
            Um desses temas é a relação entre a Graça e a Lei. Sobre esse assunto, muitas perguntas surgem, tais como: A graça é suficiente para me salvar ou preciso fazer algo? Se sou salvo pela graça, por que devo guardar a lei? Se Jesus é amor, Ele me condenará porque não cumpro a lei? Ainda devo cumprir a lei mesmo estando sob a graça?
            Graças a Deus que deixou na Bíblia argumentos suficientes para que possamos responder todas essas perguntas. Abaixo traremos uma pequena amostra (existem muitas outras) de passagens bíblicas que nos ajudam a compreender este tema.

A salvação: somente pela graça

            Certamente um dos assuntos mais lindos e gostosos de se estudar na Bíblia é a Graça de Cristo. Ao longo de todo o Livro Sagrado encontramos evidências desse inexplicável e incompreensível amor que nos salva apesar de nós mesmos.
            A mensagem é confortante e precisamos tê-la profundamente arraigada em nosso coração. A Bíblia apresenta o que devo fazer para ser salvo. No diálogo entre Paulo, Silas e o carcereiro lemos: “e, tirando-os para fora, disse: Senhores, que me é necessário fazer para me salvar?  Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.(Atos 16:30,31). A condição humana pede um amor nas dimensões do amor de Deus pois, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”(Rom 3:23). Todos estamos na condição de pecadores e, portanto, na condição de perdidos. Nossa justiça não serve para nos garantir a salvação e por isso somos “justificados gratuitamente pela Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”(Rom 3:24). Percebeu a palavra “gratuitamente”? Que graça! Paulo ainda completa: “concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei”(Rom 3:28).
            A Bíblia é clara quando diz que a nossa salvação vem apenas de Jesus. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;  não vem das obras, para que ninguém se glorie(Ef. 2:8,9). Ninguém poderá chegar no céu e dizer que se encontra lá por causa de seus próprios méritos. Todos reconhecerão que estarão salvos por causa do incrível amor de Deus tão bem descrito em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
            Conta-se a história de um menino que morava nos EUA. Um dia ao passear com seu pai por um parque da cidade viu um grande monumento que ficava no meio do parque. O menino puxou a calça de seu pai e disse: “pai quero comprar o monumento para mim”. O pai comovido pela inocência da criança pediu que ela falasse com o policial que estava perto do objeto.
            O garoto se aproximou do policial e falou de sua intensão de comprar aquele grande objeto. O policial, com um sorriso no rosto, perguntou quanto o menino tinha no bolso. Depois de conferir o quanto tinha, disse ao policial que tinha cinquenta centavos e perguntou se com aquele valor ele compraria o monumento.
            O policial perguntou se o garoto era americano e a resposta foi positiva, então pediu que o garoto guardasse seu dinheiro e disse: este monumento não está à venda, todo o seu dinheiro não o compraria, mas por você ser americano ele já é seu.
            É assim com a salvação. Não está à venda, todo o seu dinheiro não a compraria, mas já pertence a todos aqueles que aceitam o sacrífício de Cristo.  

A graça nos isenta da lei?
           
            Há uma grande controvérsia a respeito da lei de Deus. Muitos acreditam que a morte de Jesus na cruz por nós, nos isenta de cumprir a lei. Mas não é isso que a Bíblia diz sobre a lei de Deus.
            Não resta dúvida de que somos salvos apenas pela graça, como vimos no tópico anterior, mas a graça de cristo não anulou a lei de Deus.
            A primeira coisa que precisamos é entender a função de lei. Em Romanos 7:7 lemos: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás”. A função da lei nunca foi salvar. Como lemos anteriormente a lei serve para indicar o pecado. A ilustração do espelho é muito útil. Quando nos olhamos em um espelho e detectamos uma sujeira em nosso rosto não apelamos para que o espelho nos limpe. Vamos até a água para nos lavar. A lei é como o espelho, ao olharmos para ela vemos onde estamos errados, mas somente Jesus, a água da vida, pode nos limpar do nosso pecado.
            Apenas este versículo já seria o bastante para que concluíssemos qua a lei não foi abolida. Mas pode ser que ainda reste um pensamento de que a graça de Deus nos livra das obrigações da lei. Por isso leremos Romanos 6:1,2,14 e 15: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?[...] Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum”. É útil neste momento definirmos pecado: “todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é transgressão da lei”(1 Jo. 3:4).
            Diante destas passagens podemos concluir que a lei de Deus não foi anulada  pela morte de Jesus e ainda temos a obrigação de observá-la, pois esta é a vontade de Deus.
            Infelizmente alguns cristãos estão confundindo o pecado acidental, que é aquele que está presente na vida do cristão convertido, com o pecado por rebelião. A graça de Cristo é suficiente para perdoar o pecado acidental. Mas Deus reprova e condena o pecador consciente, ou seja, aquele que pratica o pecado por escolha.
            Deus fala sobre filhos rebeldes em Isaias 30: 1,8 “ Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que executam planos que não procedem de mim e fazem aliança sem a minha aprovação, para acrescentarem pecado sobre pecado! [...] porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor”. O novo testamento confirma a aversão de Deus ao pecado consciente. O autor de Hebreus diz no capítulo 10:12: “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados”. Não há respaldo bíblico para transgredirmos a lei de Deus baseados na graça de Cristo.
            O fato é que uma grande parte dos cristãos não têm problema com 9 dos 10 mandamentos. Dificilmente veremos alguém defendendo o furto, o adultério ou a desonra a pai e mãe. O mandamento que incomoda é o quarto, o sábado. Por isso não podemos encerrar esta sessão sem citarmos Tiago 2:10: “Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”. Portanto, mesmo após a morte de Cristo, ainda é vontade de Deus que guardemos todos os seus mandamentos.

Amo o Deus que me salvou de Graça

            Imagine que você recebeu um presente muito grande e caro de alguém que não tinha obrigação nenhuma de presenteá-lo. Certamente o seu sentimento em relação à pessoa que o presenteou seria de muita gratidão.
            O presente que recebemos de Jesus, a salvação, é maior do que qualquer que poderíamos receber. Nosso sentimento em relação a Ele é de amor. Dificilmente você ouvirá de um cristão que ele não ama Jesus.
            Nosso amor cresce mais ainda quando meditamos no desprendido amor de Deus. “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”(Rom. 5:8). Não tem como não amar alguém que me ama tanto.
            A Bíblia nos diz quais os sinais existentes na vida de alguém que ama Jesus. Em João 14:15 Jesus nos diz: Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.
            Outro título que os cristãos gostam de autodenominar-se é de “amigos de Jesus”. Todos queremos ser amigos do Grande Mestre. Jesus estabeleceu as “regras” desta amizade: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”(Jo. 15:14).
            Amar a Deus é mais que palavras. Amar a Deus envolve ação. “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.  Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos”( 1 Jo. 5:2,3).
            Imagine que um marido infiel foi descoberto por sua esposa, que depois de muito sofrimento resolveu perdoar seu marido e aceitá-lo de volta. Esse marido perdoado depois de pouco tempo voltou a trair sua esposa confiando que seria perdoado novamente. Esse marido não entendeu o perdão de sua esposa. Ela não o perdoou para que ele continuasse no erro.
            Quando Jesus nos perdoa, seu perdão deve nos levar a abandonar o pecado e buscar a fidelidade à sua vontade. A graça de Cristo é suficiente para nos perdoar, mas além disso a graça nos dá poder para deixarmos as trevas e andarmos na luz.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O que significa temer a Deus ?
Felippe Amorim



O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. (Salmo 34:7)


Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; (1 Pedro 5:8)





Os dois textos acima são complementares. O primeiro é uma linda promessa e o segundo uma séria advertência para cada um de nós.

Saber que temos proteção divina em um mundo tão perigoso é, no mínimo, um alívio. Quando combinamos os dois textos, então, temos uma alegria maior ainda. O alerta feito na carta de Pedro nos diz que existe um inimigo sempre pronto a nos devorar assim como um leão faminto tenta devorar sua presa.

Duas expressões são importantes nestes textos: “Redor” e “derredor”. O anjo está ao redor e o diabo está ao derredor. Podemos perceber uma clara progressão nestas expressões. Temos um amigo protetor bem próximo de nós, mas logo após ele está o inimigo querendo nos destruir.

Enquanto o anjo estiver ao nosso redor estaremos seguros, mas no momento que o anjo sair do seu lugar, o inimigo terá acesso direto à nossa vida e estaremos correndo sérios perigos de consequências eternas.

O salmo 34:7 nos mostra como desfrutarmos permanentemente da companhia do anjo do Senhor. Ele está ao redor dos que o temem. Devemos, portanto, nos preocupar em compreender profundamente o que significa temer a Deus. Inicialmente já devemos saber que o temor nesse texto não é a mesma coisa que ter medo. No sentido bíblico, temer é algo muito mais amplo.

Temer a Deus envolve pelo menos três aspectos da vida cristã: Adoração, Amor a Deus e Serviço. Se compreendermos estes aspectos poderemos temer realmente a Deus e desfrutarmos de sua constante companhia e proteção.


Adoração



Adorar a Deus é mais que uma ação pontual é um estilo de vida. Portanto, devo adorar a Deus desde a hora que acordo até a hora que vou dormir, e inclusive meu sono deve ser revestido de adoração a Deus.

Gostaria, contudo, de destacar três aspectos de uma vida de adoração. O primeiro deles nos é apresentado no Salmo 66:4 onde lemos: “Toda a terra te adorará e te cantará louvores; eles cantarão o teu nome”. Adorar envolve cantar louvores a Deus. A música, sem dúvida, é uma maravilhosa forma de adorar o criador. Quando nos reunimos em congregação e entoamos músicas ao nosso Deus, quando ouvimos um lindo hino executado por uma orquestra, solista, grupo, enfim, podemos adorá-lo com todo nosso coração.

Devemos estar atentos para que a nossa música esteja de acordo com a vontade de Deus expressa em Sua palavra. O critério para que escolhamos as músicas de adoração na igreja não deve ser o que EU gosto, mas o que DEUS gosta, pois, “A música, quando não abusiva, é uma grande bênção; mas quando usada erroneamente, é uma terrível maldição”(O Lar Adventista, 408). Analisemos com cuidado os textos inspirados para que possamos utilizar a música sempre sob a vontade de Deus.

Um segundo aspecto da adoração que gostaria de destacar está explícito em Gênesis 22:5: “E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós”. Adorar envolve entrega total. O contexto do versículo anterior é o momento no qual Abraão estava subindo o monte para sacrificar seu filho Isaac. Como pode haver adoração em uma situação como aquela? A adoração consistia no ato de se submeter à vontade de Deus irrestritamente. Há algo que precisamos pensar a respeito daquela ocasião. Abraão não compreendia tudo a respeito da ordem que Deus havia dado, mas adorar a Deus é obedecê-lo mesmo quando não entendemos tudo a respeito do que Ele nos pede.

Quero ainda destacar um terceiro aspecto da adoração. Deuteronômio 26:10 nos diz: “E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás”. Adorar envolve fidelidade nos dízimos. Não há dúvida de que o texto de deuteronômio faz uma ligação íntima entre a fidelidade nos dízimos e a adoração a Deus. Existem declarações bíblicas claras a respeito da devolução dos dízimos e do ato de ofertar. Infelizmente, alguns cristãos têm resistido a este ensinamento divino. Criam suas próprias teorias sem embasamento bíblico e desviam o destino do dízimo e as vezes nem o devolvem. Ambas as ações são contrárias às romendações bíblicas, tornam o cristão um ladrão e o privam de bênçãos, de acordo com o que diz Malaquias 3:8 a 11.

Uma vida de adoração, portanto, é um dos aspectos do temor ao Senhor.



Amar a Deus



Temer a Deus envolve um segundo aspecto da vida cristã. Envolve amar a Deus. Falar de amor nos dias em que vivemos pode nos fazer ter uma concepção errada. O amor, infelizmente, se tornou um sentimento banalizado. Em qualquer relacionamento curto e superficial tem se usado a palavra amor. Mas o amor a Deus envolve compromisso e é mais que um sentimento. Amar a Deus nos leva a ação.

Um primeiro aspecto do ato de amar a Deus que gostaria de destacar é o que está contido em Deuteronômio 11:13: “[...]amar ao Senhor teu Deus, e o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Precisamos amar a Deus sem restrições, com tudo que temos e somos. As vezes isso não é fácil porque envolve abrir mão das coisas que gostamos em prol das coisas que Deus gosta.

Outra faceta do amor do homem para com Deus está em Deuteronômio 11:22: “[...]e andardes em todos os seus caminhos,[...]”. Andar nos caminhos de Deus requer submissão, porque nem sempre os caminhos de Deus são os nossos caminhos e quando não há a coincidência precisamos ser humildes o sufuciente para aceitarmos a vontade de Deus.

Em Deuteronômio 11:1 lemos: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus preceitos e os seus mandamentos, por todos os dias”. Amor e obediência aos mandamentos são coisas inseparáveis do ponto de vista bíblico. Encontramos esta mesma idéia em várias passagens bíblicas (ex. Dt. 31:12,13). A mais clássica, sem dúvida, foram as palavras pronunciadas pelo próprio Senhor Jesus em João 14:15: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Lemos ainda em 1João 5:2 : “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”. Portanto o amor a Deus envolve estrita obediência a todos os Seus mandamentos, lembrando que “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”(Tiago 2:10).

Temer a Deus, portanto, implica em amá-lo irrestritamente e amá-lo significa obedecê-lo, muitas vezes sem entender todos os aspectos do que Ele nos pede.


Serviço a Deus

Ainda há um terceiro aspecto do temor a Deus que precisamos conhecer. Lemos em Deuteronômio 10:12: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”. E o verso 20 complementa: “Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome jurarás”.

O Serviço é uma característica da vida de um cristão que teme a Deus. Infelizmente é comum vermos membros de igreja que a única atividade religiosa que exercem é sair de casa, ir até a igreja e “assistir” ao culto. Não são ativos na causa de Deus. É certo que nem todos estarão nos púlpitos pregando. Deus deu diversos dons à sua igreja e cada membro deve trabalhar de acordo com os dons recebidos. Ninguém ficou sem receber pelo menos um dom.

Porém, todos os dons devem ser usados para a pregação do evangelho. Cristão que de alguma forma não serve a Deus na pregação do evangelho, não pode afirmar que teme a Deus, pois o temor envolve serviço ativo na causa de Deus.



Conclusão



Quando eu era criança, estudava em uma escola que tinha um espaço muito grande. Tão grande que para percorrer toda sua extensão de forma rápida era necessário um carro.

Meus colegas tinham mania de pegar caronas nas Kombis que diariamente passavam na frente do prédio de aulas.

Minha mãe sempre me advertia a não pegar estas “caronas”, pois eram perigosas e eu, por respeitar (temer) minha mãe, realmente evitei por algum tempo. Até que um dia resolvi pegar a carona. O resultado, já anunciado previamente por minha mãe, foi que eu caí, quebrei dois dentes e quando cheguei em casa ainda tive que conter as lágrimas e contar o que tinha feito para minha mãe.

Naquele dia, embora disesse que respeitava minha mãe, agi como quem não respeita, pois respeito é muito mais que falar, é comprometer-se e obedecer.

As vezes agimos semelhantemente com Deus, dizemos que o tememos, mas na prática as evidências são de que não O tememos.

Precisamos da proteção de Deus para que estejamos a salvo das investidas de Satanás. Esta proteção está prometida para todos os que O temem, ou seja, para todos que o adoram, amam, obedecem e O servem.

Deus convida a cada um de nós hoje para que abramos nosso coração e deixemos que Ele nos ensine o que é o verdadeiro temor a Deus.







terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vinícius Mendes de Oliveira
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Aluno do 7º período do SALT – IAENE

NO ESPÍRITO DE ELIAS

As características da vida e ministério de Elias representam a forma como Deus guiará Seu povo para o cumprimento da missão.



“Eis que enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.” Malaquias 4: 5-6

Introdução

O texto acima propõe um interessante parâmetro para o povo de Deus em nossos dias. Malaquias termina seu livro profetizando a respeito da vinda de Elias, antes do aparecimento do Messias. No que diz respeito ao primeiro aparecimento de Jesus, essa profecia se cumpriu em João Batista.

No entanto, a expressão “grande terrível Dia do Senhor” deve ser aplicada também ao segundo aparecimento de Jesus nas nuvens do Céu. Por isso, é importante perceber que a vida de Elias, com todas as nuances que o relato bíblico revela, apresenta-se como um importante paralelo para aqueles que têm de anunciar ao mundo as três mensagens angélicas. Na verdade, tal qual o Elias histórico, o Elias escatológico deveria levar as pessoas à conversão a fim de livrá-las dos juízos reservados para os ímpios.

O problema é que quando se examina a vida de Elias têm-se a impressão que ele é um tipo quase que não humano de profeta. Ser como ele parece algo impossível. Tiago aumenta essa nossa perplexidade diante de Elias:

“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.” (Tiago: 5:17)
Assim, a Bíblia deixa claro que o padrão que Deus nos deu (Elias) era “sujeito aos mesmos sentimentos” que nós, ou seja, possuía uma natureza pecaminosa, sujeito a cometer atos pecaminosos, mas que, pela fé, foi um vitorioso na vida espiritual e se tornou um poderoso anunciador da justiça em seu tempo, cumprindo a missão que Deus lhe deu. Isso nos permite inferir que Elias representa o caráter do povo remanescente nos últimos dias, de forma que nós deveríamos analisar sua vida fim de extrair de suas vitórias e fracassos lições para o cumprimento da missão da igreja.

Um exame da vida de Elias permite perceber pelo menos três características que marcaram seu ministério: a inconformidade com a pecaminosidade de sua época, sua relevância profética e a depreesão laodiceana que experientou.

A Inconformidade de Elias

Os últimos versículos de I Reis 16 pintam um lamentável quadro do Israel governado por Acabe. O verso 31 diz que Acabe andou nos pecados de Jeroboão, ou seja, adorava a Jeová, utilizando imagens de esculturas para representá-lO, quebrando e levando o povo a quebrar o segundo mandamento, que proíbe o uso de imagens de escultura na adoração (Êxodo 20: 4 e 5). Além disso, os versos 31, 32 e 33 mencionam o casamento de Acabe com Jezabel, a qual introduziu o culto a Baal em Israel, com toda a licenciosidade que isso implicava. “Ao Elias ver Israel aprofundar-se mais e mais na idolatria, sua alma ficou angustiada e despertou-lhe a indignação.” (Profetas e Reis, p. 57)

Esse sentimento que houve no profeta deve ser manisfestado na vida individual e corporativa da igreja remanescente em nossos dias. O apóstolo Paulo é enfático em Romanos 12:2 onde diz “não vos conformeis com este século.” Essa inconformidade deve produzir uma manifesta diferença entre o povo de Deus e o mundo, deixando claro que o fiel reamanescente não sucumbe aos apelos da cultura contemporânea que pressiona as pessoas a assumirem uma forma de vida contrária ao ensino da Palavra de Deus.

A inconformidade de Elias com a apostasia de sua geração o levou a uma busca insistente por vindicação da verdade de Deus.

Tiago 5:17 menciona que Elias orou “com insistência”, para que Deus interrompesse as chuvas. É importante mencionar, neste momento, o fato de que Baal era considerado um deus provedor de chuvas, já que, na mente de seus adoradores, ele era responsável pelos fenômenos naturais. O profeta, insistentemente, orou para que a mentirosa impressão de que Baal estava “abençoando” Israel com a chuva, fosse desfeita. Só havia um meio de conseguir isso: O Senhor Deus “fechar” o céu. Era com esse propósito que Elias orava.

Na verdade a insistente oração do profeta estava baseada em uma exortação divina através de Moisés, quando orientava o povo a respeito de como deveriam se comportar como nação:

“Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prosteis perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos dá.”(Deut. 11:16-17)
Nessa passagem, Moisés adverte o povo para o fato de que a idolatria resultaria em uma terrível estiagem. O fato é que nos dias do rei Acabe, embora toda a sua impiedade, havia prosperidade, devido, entre outros fatores, à regularidade das chuvas. Elias insistentemente orou, então, para que Deus interrompesse as chuvas, fazendo o povo lembrar-se da Palavra de Deus, voltando-se a Ele.

Essa passagem da vida de Elias reserva uma importante lição para o povo remanescente: fé na palavra de Deus e oração com base nas promessas apresentadas na revelação são essenciais para o sucesso no cumprimento da missão. Assim, movido por um senso de grande insatisfação com a apostasia predominante, Elias, um profundo conhecedor da vontade de Deus revelada no Pentateuco, pôs-se a orar para que o Senhor interviesse no curso da história, impedindo que a onda de impiedade prosseguisse.

Tal qual Elias fez, devemos fazer hoje. Devemos ter a Bíblia e o Espírito de Profecia como base para nossas ações, em qualquer aspecto de nossas vidas. Não podemos nos acomodar, muito menos nos adequar, aos ditames pecaminosos do mundo. As pessoas precisam perceber com clareza que nos opomos veementemente aos caminhos errados do secularismo e, por nós, serem advertidas contra isso, através do testemunho de nossa vida prática e pregação.

A Relevância Profética de Elias

Nesse momento é importante ter em mente que Elias sabia exatamente o que deveria pregar para o Israel de seus dias e não se desviou de seu foco. Na verdade, Elias era um tipo de pregador que não amenizava o que tinha de dizer. Não pretendia ser visto como politicamente correto, relativizando a verdade que tinha de anunciar em nome de uma política de boa vizinhança. Ele era enérgico e inflexível ao anunciar a verdade. Fazia a sua parte e deixava as consequências com Deus.

Elias diz ao rei acabe: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra (I Reis 17:1).

Nas entrelinhas dessa mensagem de Elias estava o tema da adoração. Na verdade, o anúncio desse juízo a Israel era baseado, na advertência de Moisés em Deuteronômio, que orientava o povo a não abandonar a adoração ao Deus verdadeiro, seguindo deuses falsos.

É interessante observar o paralelo que há entre essa mensagem de Elias a Israel e o tom imprecatório e até ameaçador que aparece no conteúdo da terceira mensagem angélica, a qual temos o dever de anunciar ao mundo hoje.

“Se alguém adora a besta e sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também este beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9-10)
Guardadas as devidas diferenças, as duas mensagens corajosamente apresentam a consequência terrível do pecado da adoração falsa.

Da mesma forma como o Israel do tempo de Elias estava em crise por não saber a quem adorar, coxeando “entre dois pensamentos” (I Reis 18:21) o mundo de hoje está divido entre Deus e os ídolos modernos.

O presente século é tão verdadeiramente um século de idolatria como aquele em que Elias viveu. Pode não haver nenhum altar externamente visível; pode não haver nenhuma imagem sobre que os olhos repousem, contudo, milhares estão seguindo após os deuses deste mundo – riquezas, fama, prazeres e as agradáveis fábulas que permitem ao homem seguir as inclinações do coração não regenerado. (Profetas e Reis, p.177)
Está explícita na Bíblia e no Espírito de Profecia qual é a verdade presente para os nossos dias. O adventismo precisa ser distintivamente específico no que diz respeito a sua identidade doutrinária e deve enfatizar as verdades que lhe são peculiares. Somos um povo que nasceu de um movimento profético que anunciou ao mundo a volta de Jesus. Não devemos abandonar as verdades que compartilhamos com os evangélicos, mas devemos enfatizar, em um “alto clamor”, as verdades que Deus confiou ao povo remanescente, especificamente a terceira mensagem angélica.

Embora houvesse muitas coisas boas e agradáveis que podiam ser pregadas nos dias de Elias, ele sabia de que o povo precisava exatamente ouvir em sua época: o juízo de Deus viria, cumprindo uma profecia de Moisés (Deut. 11:16-17). Essa não era uma mensagem agradável de ser pregada, mas para permanecer fiel a sua legítima vocação profética, Elias não podia desviar seu foco dela. É importante lembrar que no tempo de Elias já havia pregadores (falsos profetas) que falavam o que as pessoas gostavam de ouvir (I Reis 22:11-12).

Comentando a coragem profética de Elias, Ellen G. White aconselha o povo remanescente, falando especialmente aos pregadores:

Há necessidade hoje da voz de severa repreensão, pois graves pecados têm separado de Deus o povo. A infidelidade está depressa tornando-se moda. “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lc 19:14), é a linguagem de milhares. Os sermões macios tão frequentemente pregados não deixam a impressão duradoura; a trombeta não dá o sonido certo. Os homens não são atingidos no coração pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus. (Profetas e Reis, p. 140)
As pessoas devem ser levadas a entender claramente a terrível situação em que se encontram. Nossas verdades distintivas devem receber destaque em nossa pregação. A apresentação dos temas proféticos, em especial os que envolvem a identidade do movimento remanescente, devem ser proclamados em grande voz e sem rodeios.

Quando fizermos isso, no poder e na virtude de Elias, chamando o povo a uma tomada definitiva de posição como fez nosso profeta no monte Carmelo (I Reis 18:21), Deus derramará sobre nós a chuva serôdia, ratificando nossos esforços missionários, como fez com Elias ao fazer descer fogo do céu (I Reis 18:38), e o mundo será iluminado com a veradade (Ap. 18:1). Dessa forma, como ocorreu no Carmelo, os sinceros que hoje estão perdidos no vale da decisão, serão levados a exclamar “O Senhor é Deus!”, depois de verem o poder de Deus, através da coragem do profeta Elias ( I Reis 18: 39).

O episódio do Carmelo foi memorável. O Senhor respondeu com fogo e consumiu a oferta de Elias. Houve uma conversão em massa, mas algo estranho aconteceria no coração do profeta.

O “Laodeceanismo” de Elias

A ira de Jezabel se ascendeu contra Elias. O homem cujo nome significa “Jeová é Deus” temeu a mulher cujo nome fazia uma direta referência a Baal como Deus (I Reis 19: 2 e 3). Ele empreendeu uma fuga que o levou a um dos mais eminentes lugares da história de Israel: Horebe, o monte de Deus.

Por mais que aquele lugar fosse importante para a história de Israel, não era ali que Deus queria Elias. O profeta tinha uma missão e estava fugindo dela. Sem dúvida esse foi um momento de terrível incredulidade, que levou o profeta para dentro de uma caverna.

Na verdade a caverna em que Elias se escondeu representava todo o seu orgulho espiritual. No interiror dela, “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (I Reis 19: 10)

O medo de continuar pregando sua severa mensagem levou o profeta à fuga. É interessante observar que Elias fugiu para um lugar sagrado na história de Israel. Horebe era um outro nome para o o monte Sinai, local onde Deus havia dado a Lei ao Seu povo. Embora o Sinai fosse um monte sagrado, não era lá que o Senhor queria que Elias estivesse. Deus queria Elias anunciando a Lei que séculos atrás naquele mesmo monte fora dada ao povo de Israel, a qual eles estavam quebrando. Mas num surto de medo e orgulho espiritual, o profeta esconde-se na caverna, deixando de cumprir sua missão.

É importante a comparação com a atitude de Moisés nesse momento, porque quando Deus sugeriu que o povo que idololatrava no pé do monte fosse destruído a postura dele foi uma linda intercessão em favor daquele povo (Êxodo 32: 11-13). A Bíblia resgistra assim a atitude de Moisés diante da idolatria do povo no pé do monte Sinai: “E, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos” (Êxodo 32:15). Moisés desceu do monte Sinai com a Lei para que o povo se voltasse para Deus. Elias subiu para o monte, deixando o povo sem ouvir sua voz profética.

Uma terrível tentação para o adventismo contemporâneo é querer desculpar a sua omissão missionária, fugindo para o “Horebe” de um triunfalismo sem lugar. Deitarmo-nos no “berço esplêndido” de uma igreja doentiamente voltada apenas para si mesma e esquecermos que as pessoas lá fora precisam de nós é a mais séria tentação com a qual temos que lidar como povo.

O inimigo tem trabalhado duro para que não preguemos nossas mensagens distintivas ao mundo e fiquemos voltados para nós mesmos, com programações que servem apenas para nos “engordar” espiritualmente em “banquetes” laodiceanos nos quais Jesus é deixado à porta batendo, convidando-nos a levar nossa mensagem às pessoas que estão morrendo de fome espiritual no mundo (Ap. 3:20). Enquanto o mundo perece sem esperança, nós nos “fartamos” da mensagem que é a única esperança para essa geração. O pecado laodiceano é claramente apresentado por Deus nas seguintes palavras:


“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre cego e nu.” (Apocalipse 3:15-17)
A acusação de Deus a Laodicéia dá conta de seu orgulho espiritual, o qual produz uma mornidão letárgica e falta de zelo missionário, que enoja ao Senhor. Diz a senhora White:

“A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade. Nem são frios nem quentes; ocupam uma posição neutra e, ao mesmo tempo, lisonjeiam-se de não necessitar de coisa alguma. A Testemunha Verdadeira aborrece essa mornidão. Causa-Lhe desgosto a indiferença dessa classe de pessoas. (...). Não se empenham inteiramente e de coração na obra de Deus, identificando-se com seus interesses; mas se mantêm afastados, e estão prontos a deixar seus postos quando os interesses mundanos, pessoais o exijam.” (Testemunhos Seletos, Vol. 1, p. 476 e 477)
Está evidente nas linhas acima qual é o motivo da insatisfação de Deus com Seu povo em nossos dias: falta de empenho missionário, indiferença com a necessidade espiritual das pessoas e lisonja a respeito de sua condição. Esse é o espírito laodiceano em essência. É por isso que a serva do Senhor diz que “A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade.” O conselho em Apocalipse é claro, portanto: “... que de mim compres (...) colírio para ungires os olhos , a fim de vejas” (Apocalipse 3: 18).

Na escuridão da caverna, Elias também precisava enxergar a condição em que estava. Escondido, sozinho e considerando-se orgulhosamente o único fiel em Israel, Elias não conseguia ver que, embora Israel realmente estivesse apostado, sua omissão o colocava também em uma pecaminosa situação.

No entanto, I Reis 19:9 apresenta um lindo detalhe que às vezes nos passa despercebido. Deus diz a Elias, quando o profeta estava no interior da caverna: “Que fazes aqui, Elias? Deus se dirigiu à entrada da caverna e convidou o profeta a sair de lá. Observe o advérbio de lugar que Deus usou: “aqui”. Esse termo indica que o Senhor entrou na da caverna onde Elias estava com o objetivo de tirá-lo dali. Se não estivesse lá, Ele poderia ter dito: “Que fazes aí, Elias?”, mas não. Deus resolveu ir à caverna onde Seu servo estava para tirá-lo de lá, curando-o de sua depressão laodiceana. Graça maravilhosa!

Essa atitude de Deus diante de Elias na caverna é muito semelhante à postura de Jesus diante dos laodiceanos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo.” (Apocalipse 3:20) O fato de Jesus está à porta, batendo, indica que os laodiceanos, orgulhosos de sua condição espiritual, estão deixando fora de suas vidas a Jesus, O qual representa os necessitados materiais e espirituais que vivem à margem do evangelho (Mateus: 25:40).

O método que o Senhor utilizou para curar a depressão “laodiceana”de Elias, foi:

“Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, em chegando lá unge, a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá ungirás profeta em seu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará.. ” (I Reis 19: 15-17)
É dessa forma que Deus também pretende curar nosso espírito laodiceano. Ele está à porta de nossa caverna, batendo e nos convidando à ceia espiritual que alimentará o mundo com a última mensagem de advertência a qual o Senhor deseja que anunciemos. Ele insta-nos com o verbo “vai”, o mesmo que aparece na célebre comissão evangélica “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.” (Mateus 28:19 e 20). O verbo ir, foi usado por Deus para Elias no modo imperativo na segunda pessoa do singular (vai), indicando uma ordem pessoal para ele, enquanto que na grande comissão evangélica de Mateus 28:19 e 20 o verbo também está no imperativo, mas na segunda pessoa do plural, indicando que esta ordem é para todos aqueles que são discípulos de Jesus. Só indo e cumprindo nossa missão, somos imunizados contra a mornidão espiritual profetizada a respeito da igreja de Laodicéia. Como o “Elias” para o tempo final podemos ouvir da boca de Deus um sonoro “VAI” individual ou mesmo um “IDE” corporativo.
Conclusão

O fato é que Elias foi e cumpriu aquilo que Deus esperava dele. Ungiu Hazael rei sobre a Síria, Jeú, rei sobre Israel e Eliseu como profeta em Israel. Todas essas atitudes eram politica e espiritualmente necessárias naquele momento para que a reforma iniciada por Elias tivesse continuidade.

O Senhor ainda esclarece ao profeta algo que ele não sabia, com o propósito de confortá-lo e animá-lo: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou. ” (I Reis 19:18). Essa explicação de Deus a Elias pode ser relacionada a expressão “povo meu” que aparece em Apocalipse 18:4 “Retirai-vos dela, povo meu”. No mundo há milhares de pessoas sinceras que nunca ouviram as advertências derradeiras de Deus a este mundo e que, quando ouvirem, se unirão ao povo de Deus, antes que a porta da graça se feche. São os sete mil que não dobraram conscientemente seus joelhos a Baal e vivem fiéis de acordo com a luz que possuem. Elas só precisam ouvir. Deus deseja profundamente nos usar para isso.

Elias reabilitou-se de sua condição espiritual e continuou servindo ao Senhor. Após o Seu servo cumprir sua missão, Deus o tomou para Si, fazendo-o “um tipo dos santos que estarão vivendo na Terra por ocasião do segundo advento de Cristo, e que serão ‘transformados num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta (1 Co 15: 51, 52) sem provar a morte.” (Profetas e Reis, p. 114).

Elias, dessa forma, passou a fazer parte do seleto grupo de seres humanos que vivem no Céu, como representantes de todos aqueles que um dia estarão lá. Elias portanto tipifica aqueles salvos que estarão vivos e vivenciarão os eventos finais, apresentando, resolutamente a última mensagem de advertência a esta Terra.

Essa recompensa- seja para aqueles que permanecerem vivos, seja para aqueles que serão tirados antes - incluirá todos aqueles que viverem “no espírito e poder de Elias” (Lc 1:17)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mensagem à Laodicéia


Uma Advertência ao povo remanescente
Felippe Amorim



Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, Estou a ponto de vomitar-te da minha boca. (Ap. 3: 14 – 16)






Nos primeiros capítulos do livro do apocalipse, Deus, através do profeta João, deixou registradas mensagens às sete igrejas que se localizavam na Ásia. Estas mensagens têm aplicações literais para aquelas igrejas, mas também são mensagens de cunho profético. Deste ponto de vista, cada uma das igrejas de apocalipse dois e três correspondem a um período da história do cristianismo. As mensagens dadas a cada um destes períodos eram adequadas às necessidades que apareciam na igreja verdadeira correspondente àquele trecho da história.

A sequência das igrejas e seu respectivo período são os seguintes: Éfeso (31 – 100 d.C.) momento da igreja no qual predominava a pureza apostólica. A segunda é a de Esmirna (100 – 313 d.C.). Neste intervalo a igreja foi marcada pelos mártires, homens que deram a vida pelo evangelho. Pérgamo (313 – 538 d.C.) é a terceira. Este período corresponde à popularidade do cristianismo. Na sequência vem Tiatira (538 – 1517 d.C). A adversidade foi a marca da igreja neste trecho de sua história. A quinta igreja é a de Sardes (1517 – 1798 d.C.), período da reforma, no qual muitas verdades bíblicas foram restauradas. A penúltima é a de Filadélfia (1798 – 1844 d. C.). Os avivamentos marcaram este período profético. Finalmente chega a mensagem à igreja de Laodicéia (1844 – volta de Jesus). De acodo com as profecias, neste momento da história do cristianismo ocorreria o Julgamento sobre a terra.

A mensagem dada à igreja de Laodicéia é especialmente interessante para nós, pois corresponde aos dias nos quais vivemos e, portanto, diz respeito a cada cristão que habita neste planeta.

Lendo os três primeiros capítulos de apocalipse, podemos observar que há um elogio para cada uma das igrejas, exceto para Laodicéia. Para esta, apenas advertências e um convite. Estudemos com cuidado esta importante mensagem.



O mensageiro



Inicialmente precisamos identificar quem está enviando a mensagem. A importância de um recado está ligada intimamente com a identidade de quem o enviou.

A Bíblia identifica o remetente como “O Amém”, a “Testemunha Fiel e Verdadeira” e “O Princípio de Criação de Deus”. As Escrituras Sagradas nos ajudam a identificar o mensageiro. Todos os títulos apontam para o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o “amém” porque em Jesus se cumprem todas as promessas de Deus (II Cor. 1:20). Apocalipse 1:5 identifica a Jesus como a “Testemunha Fiel e Verdadeira”. Jesus também é aquele através do qual tudo se fez, Ele e “O Princípio de Criação de Deus”. Princípio, não no sentido de ter sido o primeiro a ser criado, Jesus é coeterno com Deus Pai e Espírito Santo (Mq. 5:2). Ele é o princípio no sentido da ser o “motor” da criação, ou seja, Jesus é o próprio criador.(Gen. 1:1).

Constatamos, portanto, a relevância da mensagem, pelo seu mensageiro. Todos os cristãos deveriam estar muito atentos às mensagens que Jesus nos enviou através de seus profetas canônicos e não canônicos. Estas mensagens são essenciais para nossa felicidade presente e eterna.



A Mensagem



A primeira parte da mensagem diz respeito à onisciência de Jesus. Ele diz: “Conheço as tuas obras”. Nada do que nós fazemos está escondido de Jesus. Este deveria ser um pensamento contante em nossa caminhada cristã. Pois “se acalentássemos uma impressão habitual de que Deus vê e ouve tudo que fazemos e dizemos, e conserva um registro fiel de nossas palavras e ações, e de que devemos deparar tudo isto, teríamos receio de pecar. (Patriarcas e Profetas, pág. 217).

É importante ressaltar que a constante presença de Jesus não se faz como um vigia disposto a castigar-nos por qualquer ato errado cometido. Jesus está constantemente ao nosso lado como um Deus de amor disposto a nos ajudar na caminhada da santificação. Porém a consciência da presença constante de Deus nos ajudaria a evitar muitos pecados que cometemos em nosso cotidiano.

Por causa da abrangente visão de Jesus ele tem autoridade para fazer uma afirmação sobre Laodicéia: “És morno”.

Esta figura da água morna é uma rica ilustração da situação dos cristãos nos momentos que antecederiam o Juízo Final. Há pelo menos duas formas de uma água quente se tornar uma água morna. Uma delas é misturando água quente com água fria. Infelizmente, muitos cristãos tem vivido esta realidade. Vivem uma vida misturada. Estão na igreja, mas não largam o mundo. São membros de igreja que no sábado de manhã estão no culto, mas a noite frequentam lugares que desonram a Deus. Cristãos que estão com a Bíblia na mão quando vão à igreja, mas nem tocam nela quando estão em casa. Pessoas que cantam os hinos de Deus na igreja, mas têm seus aparelhos de som recheados de músicas que não são cristãs. A mistura entre as coisas de Deus e às do mundo produz um cristão morno.

Outra forma de transformar uma água quente em água morna e deixá-la parada,sem fonte de calor, sem uso. Os cristão geralmente começam sua vida religiosa “quentes” espiritualmente. Mas se ficarem parados, sem atividades espirituais, inevitavelmente se tornarão cristãos mornos. Apenas frequentar a igreja, assistir aos cultos, mas não estar ativo no serviço de Deus, tranformará o crente em algúem morno. Somente uma vida de atividades espirituais pode manter a fervura espiritual.

Para estes cristãos mornos, Jesus fez um chamado à decisão: “Quem dera fosses frio ou quente”(Ap. 3:16). Não há espaço no céu para pessoas indecisas. Para Deus é melhor que alguém tome a decisão de se desligar totalmente dele do que estar na condição de mornidão espiritual. “Ou somos coobreiros de Cristo, ou coobreiros do inimigo. Ou ajuntamos com Cristo, ou espalhamos. Ou somos cristãos decididos, de todo o coração, ou nada somos (Testemunhos Seletos. V1. p,26). A situação de indecisão já nos faz pertencer completamente ao inimigo de Deus. Os indecisos de maneira especial necessitam de Deus, mas eles sofrem de arrogância espiritual, dizem: “Rico sou, e abastado, e de nada tenho falta”. Não possuem a real dimensão de sua miserável situação. Essas pessoas têm um sério problema. O Espírito Santo só pode trabalhar naqueles que sentem necessidade dele. Se faz necessário arrependimento urgente.

A situação é tão preocupante que Jesus diz que está a ponto de vomitá-los de sua boca. Quão maravilhosa é a graça de Deus. Ele avisa antes de “vomitar”. Ainda há solução para o problema.



A Solução



Após expor o grave problema de Laodicéia, o nosso problema, Jesus nos dá um conselho: aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas(Ap. 3:18). Mas, como alguém que é miserável, pobre, cego e nu pode comprar alguma coisa? Nós compramos, mas o pagamento já foi feito por Jesus na cruz do calvário.

O primeiro elemento que devemos comprar é o “Ouro Refinado”. As riquezas espirituais são essenciais para a cura da doença de Laodicéia. Esse ouro é a "fé que opera pelo amor" (Gál. 5:6). Precisamos pedir a Deus que aumente nossa fé, para que possamos ter nossa condição de mornidão restaurada à quentura de uma vida de operosa fé em Jesus. Esta fé nos dará condições de adiquirir o segundo elemento receitado por Jesus: “vestimentas brancas”, ou seja, a justiça de Cristo (Mt 22:11-14). É a justiça do único Justo que pode nos justificar. Quando o Senhor nos dá as suas vestimentas brancas, lavadas no sangue do Cordeiro de Deus, estamos aptos a ingressar na vida eterna. Recebemos de volta a chama espiritual que nos esquenta. Finalmente, Jesus nos receita o colírio para ver. O colírio representa a obra do Espírito Santo, que nos ajuda a discernir o certo e o errado e nos mostra o caminho a seguir (João 16:8-11).

Depois de adiquirir na conta de Cristo estes três elementos, há uma ordem: “sê pois zeloso, e arrepende-te”. O Arrependimento é um ato constante na vida do crente, pois o pecado somente será completamente retirado de nós no dia da glorificação. O Imperativo de Jesus diz respeito ao zelo no trabalho, zelo na missão. Trabalhar para Deus “esquenta” o cristão.

“A igreja que trabalha, é igreja que progride. Os membros encontram estímulo e tônico em ajudar a outros. Li a história de um homem que, viajando num dia de inverno através de grandes montes de neve, ficou entorpecido pelo frio, o qual ia quase imperceptivelmente congelando-lhe as forças vitais. Estava enregelado, quase a morrer, e prestes a abandonar a luta pela vida, quando ouviu os gemidos de um companheiro de viagem, também a perecer de frio. Despertou-se-lhe a compaixão, e decidiu salvá-lo. Friccionando os membros enregelados do infeliz homem, conseguiu, depois de consideráveis esforços, pô-lo de pé. Como o coitado não se pudesse suster, conduziu-o compassivamente nos braços através dos mesmos montões que supusera nunca poder transpor sozinho.

Havendo conduzido o companheiro de viagem a lugar seguro, penetrou-lhe de súbito no espírito a verdade de que, salvando seu semelhante, salvara-se a si mesmo. Seus fervorosos esforços para ajudar a outro, estimularam-lhe o sangue prestes a congelar nas veias, comunicando saudável calor aos membros (Obreiros Evangélicos. p, 198-199)”.O cristão que quer permanecer quente, precisa trabalhar para Deus. Esta é a única forma de nos mantermos vivos espiritualmente.



O Convite



Esta maravilhosa obra de restauração do ser humano é operada por Jesus. Nós não temos condições de fazer isso por nós mesmos, é por isso que Jesus termina a mensagem à Laodicéia com um maravilhoso convite: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo (Ap. 3:20).

Jesus está permanentemente à porta do nosso coração batendo, pedindo para entrar. A porta do coração só abre por dentro. É o ser humano que deve abrir a porta para Jesus. É uma decisão individual. Mas uma vez aberta, Jesus entrará e fará toda a obra de restauração que culminará no lar celestial onde teremos eternamente a chama do amor de Jesus nos aquecendo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Amor Nasceu


O Amor Nasceu
(Publicado no Site www.advir.com.br  em nov/2010)
Felippe Amorim

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. (Isaías 9:6)


            Existem alguns textos na Bíblia que imperceptivelmente são usados com mais frequência em determinadas épocas do ano. Embora o nascimento de Jesus seja um evento importante em qualquer época do ano, quando nos aproximamos do Natal os olhos dos pregadores se voltam de forma especial para estes trechos das Sagradas Escrituras.
            Ao analisarmos o relato dos evangelistas sobre o nascimento do Messias algumas perguntas surgem e suas respostas são muito relevantes para nós. Quais as lições que podemos tirar das circunstâncias que envolveram o nascimento de Jesus? Quais os propósitos de Deus para este evento? Que efeitos ele deve ter em nossa vida?

O Anúncio

            Lucas, em seu evangelho, descreve o momento em que a virgem Maria foi avisada de sua missão.  A visita do anjo (Lc. 1:28-35) e seu diálogo com a escolhida nos revelam algumas características de Maria que a fizeram apta a receber esta grande responsabilidade. O anjo afirma: “O Senhor é contigo”(V.28). Nenhuma pessoa que esteja distante do Senhor pode receber grandes responsabilidades vindas do céu. Não foi coincidência esta saudação do anjo para com Maria. Ter o Senhor conosco é requisito essencial se queremos fazer a obra de Deus.
            Outro requisito que se encontrava na vida de Maria está no verso 30: “achaste graça diante de Deus”. Nenhuma boa característica dos seres humanos pode torná-los bons diante de Deus, pois quando nos colocamos diante do Altíssimo nossa situação miserável de pecadores logo aparece diante da santidade de Deus. Mas quando nos apropriamos da Graça de Deus, então podemos estar habilitados para exercer uma grande obra para Ele.
            O Espírito Santo foi o agente executor do plano divino em Maria(V. 35). A terceira pessoa da trindade tem atuado na vida de todos aqueles que se colocam nas mãos do Criador. Maria não havia conhecido homem algum. Para uma mulher virgem dar à luz um filho era necessário um milagre e naquele ocasião estavam unidos todos os elementos necessários para que se realizasse um. Comunhão com Deus e a ação do Espírito Santo, eis a fórmula para que aconteçam milagres.
           
Quem Esperava ?

            O evangelho de Mateus relata uma inesperada visita recebida por Jesus após seu nascimento. Os magos vindos do oriente (Mt. 2:1-3), foram os primeiros a se mobilizarem para homenagear o Rei dos reis que havia nascido. Estes homens eram considerados pagãos pelos judeus, mas foram exatamente os pagãos que estavam atentos para a chegada do Messias, enquanto a maioria dos judeus, povo a quem Deus confiou seus oráculos, estava completamente desapercebida dos eventos que ocorriam.
            Ellen G. White comentando este evento escreveu: “Ansiosos, dirigem os passos para diante, esperando confiantemente que o nascimento do Messias fosse o jubiloso assunto de todas as bocas. São, porém, vãs suas pesquisas. Entretanto na santa cidade, dirigem-se ao templo. Para seu espanto, não encontram ninguém que parecesse saber do recém-nascido Rei. Suas perguntas não despertavam expressões de alegria, mas antes de surpresa e temor, não isentos de desprezo”. (O Desejado de Todas as Nações, 61)
            No lugar onde mais deviam estar falando de Jesus, as pessoas estavam preocupadas com seus afazeres diários. Os magos esparevam que Jesus e seu nascimento fossem o principal assunto da cidade, mas, para sua surpresa, não era. Hoje os cristãos deveriam ter como principal assunto de suas conversas, os temas espirituais, mas, infelizmente, para uma parte dos cristãos o resultado do jogo de futebol, as questões da política nacional e até os fatos ocorridos nas novelas têm sido mais comentados do que Jesus e Suas palavras.


O propósito do nascimento.

            Todas as ações de Deus tem um propósito definido. O Nascimento de Jesus não foi diferente. As escrituras deixam claro qual foi. Em Lucas 2:10-11 lemos: “Nasceu o Salvador” e alguns versículos depois Simeão afirma: “Os meus olhos viram o salvador (V. 29-30).
            Aquele menino que nasceu em uma mangedoura em Belém, era o Salvador da humanidade. Jesus Nasceu para salvar. É Seu grande amor que nos garante a vida eterna (Jo. 3:16). O Rei do universo se fez criança, mesmo sabendo tudo o que sofreria: o desprezo, o descrédito, a rejeição e finalmente a cruz. Jesus escolheu nascer e viver entre nós com o objetivo maior de nos salvar e devolver-nos ao Éden, de onde nunca deveríamos ter saído.

Os efeitos do Nascimento

            Um ato de amor como o de Jesus, não pode deixar de causar uma reação em nós. Existem efeitos. Em  Lucas 2:34 Simeão profere palavras proféticas em relação à criança que estava em seus braços. Ele diz que Jesus seria “posto para ruína e levantamento” e seria “Alvo de contradição”.
            Em algum momento de sua história, cada ser humano se defrontará com Jesus e seus ensinos e de acordo com a decisão que tomar Jesus será posto para ele como “ruína ou levantamento”. A vontade do Salvador é “levantar” a todos, mas quem não o aceitar estará escolhendo inevitavelmente a ruína para sua vida.
            Finalmente Jesus seria alvo de contradição. Ao longo da história da humanidade Jesus tem sido amado e odiado, venerado e perseguido. Ele mesmo disse que quem com Ele não ajuntasse, espalharia (Mt. 12:30). Esta profecia tem se cumprido ao longo da história. A pergunta mais importante, porém, é :quais os efeitos do nascimento de Jesus em sua vida? Diante da contradição a qual Jesus é alvo, de que lado você está?
            Não adiantará Jesus ter nascido em Belém e revolucionado o mundo, se Ele não nascer em sua vida e revolucioná-la, dando a você felicidade e , principalmente, salvação. Abra seu coração a Jesus e permita que Ele nasça todos os dias.