quinta-feira, 31 de março de 2011

Prega a Palavra
(Uma versão deste texto foi publicada na Revista do Ancião de Abril-junho de 2011)


Felippe Amorim




Vivemos nos últimos dias da história da humanidade. Não há dúvida de que estamos muito próximo da volta de Jesus a este planeta. As profecias bíblicas a respeito deste período estão se cumprindo fielmente: catástrofes naturais, violência, fome, doenças, dentre tantas outras evidências do final dos tempos.

Os cristãos deveriam estar cada vez mais alerta diante de tudo que tem acontecido. Deus se preocupou em deixar em Sua Palavra conselhos que nos ajudariam a viver melhor neste período. Paulo, em sua carta a Timóteo, informa-nos como seriam os últimos dias da história deste planeta.

Em II Timóteo 3:1 a 5 o apóstolo descreve como estará o mundo pouco antes do retorno de Cristo. Ele informa profeticamente que seriam “tempos díficeis” nos quais os homens seriam “egoistas, avarentos, desobedientes aos pais, cruéis... mais amigos dos prazeres do que de Deus”. Apenas palavras inspiradas poderiam ser tão exatas em sua descrição, pois é um retrato fiel do mundo em que vivemos.

Após nos dar uma visão mais abrangente, Paulo concentra seu olhar na igreja e destaca dois grupos que existiriam nos últimos dias.

O primeiro grupo está descrito em II Timóteo 4:3,4. Este grupo estaria dentro da Igreja, mas sem compromisso algum com a Palavra de Deus. Uma das características desta porção da igreja é que “não suportariam a sã doutrina”. A pregação doutrinária confronta o pecado sem rodeios e isto ofende aos que amam o pecado. Para fugir destes sermões, este grupo procuraria mestres que apresentariam mensagens que “coçariam os seus ouvidos”. Esta expressão do apóstolo nos leva a pensar em pessoas que querem ouvir mensagens “agradáveis”, bonitas ,engraçadas, mas, muitas vezes, vazias.

Infelizmente, muitas igrejas na atualidade têm assumido este padrão homilético, tornando-se, assim, “amigáveis”. John MacArthur em seu livro “Com Vergonha do Evangelho”(Editora Fiel, 2009) diz que “ Nada, praticamente, é dispensado como impróprio para o culto [das igrejas “amigáveis”] ... Aliás, uma das poucas coisas que é considerada como inadequada é a pregação clara e poderosa”(p. 46). Este autor registra alguns depoimentos interessantes de líderes destas igrejas. “ Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas”. “Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los”. “O Pastor está pregando mensagens bastante atuais... mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” (p. 48-49). Percebe-se facilmente que não há compromisso algum com a Palavra de Deus nestas igrejas. O apóstolo Paulo não recomenda estas mensagens e as cita em tom de reprovação.

O segundo grupo está descrito em I Timóteo 4:1,2. Enquanto o primeiro permanece dentro da igreja, este está sofrendo o processo de apostasia. Os motivos são esclarecidos. “Obedecem ensinos de demônios”, ou seja, seguem ensinamentos religiosos que são contrários à Bíblia. Outro motivo apresentado no texto é hipocrisia, pessoas que levam uma vida dupla, são uma coisa na igreja e outra no mundo. Os apóstatas do final dos tempos também têm a “mente cauterizada”, são membros de igreja para os quais nada mais é pecado. O Espírito Santo não consegue mais falar com estas pessoas.

Jon Paulien em seu livro “Deus no Mundo Real”(CPB, 2009) apresenta alguns passos que são dados no processo de apostasia: 1- Deixar a oração particular, orar apenas em público. Na igreja, por exemplo. 2- Deixar de Estudar a Bíblia e o Espírito de profecia. 3- A queda das normas do estilo de vida. 4- Frequência irregular aos cultos. 5- Dúvidas acerca da Bíblia e da Vida futura, ou seja, a pessoa começa a se ater aos “textos difíceis” e aos poucos vai desacreditando da Palavra de Deus. 6- Desconfiança na instituições religiosas, o que redunda em rebelar-se contra a igreja. Em um processo lento e às vezes imperceptível para quem está sofrendo, a pessoa sai da igreja.

O quadro descrito acima é lamentável, mas, graças a Deus, Paulo não nos deixou sem solução. Em I Timóteo 4:1,2 nos é apresentada a saída. A frase chave deste texto é: “Prega a Palavra”. Enquanto não colocarmos em nossos púlpitos e em nossa vida a mensagem da Bíblia como ela é, não conseguiremos escapar do triste fim que está reservado para o mundo.

Precisamos estudar mais a Bíblia, os pregadores precisam pregar mais a Bíblia e menos fábulas e histórias que comovem, mas não alimentam. Apenas a Palavra de Deus pode nos livrar da falta de fé e da apostasia. Paulo nos orienta como deve ser esta pregação. Com longanimidade (paciência) e doutrina. Não devemos usar o púlpito como chicote contra a igreja, a doutrina deve ser pregada com amor, paciência, mas sem omitir nenhuma parte dela.

“Recebidas, as verdades bíblicas elevarão a mente e a alma. Se a Palavra de Deus fosse apreciada como deveria ser, tanto os jovens como os idosos possuiriam uma retidão interior, uma firmeza de princípios que os habilitariam a resistir à tentação”(Ciência do Bom Viver, 459). Que a Bíblia seja nossa companheira diária na jornada rumo às mansões celestiais!

terça-feira, 22 de março de 2011

O chamado para a missão

Alguns acontecimentos são comuns na vida cristã antes da prontidão para o trabalho.





Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. (Isa. 6:8)

Introdução



“Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário.” (Desejado de Todas as Nações, 195). É vontade de Deus que todos aqueles que se convertem sejam imediatamente inseridos no trabalho pela salvação de outros. Todo cristão é chamado para ser um missionário, sem exceção.

Apesar desta verdade bíblica nem todos aqueles que ingressam na igreja de Deus se comportam assim. Alguns aceitam o convite, enquanto outros nunca se dispõem a evangelizar. É verdade que nem todos têm o dom de dar estudos bíblicos ou pregar sermões com eloquência, mas podemos ser missionários usando os dons que Deus nos deu.

O profeta Isaías recebeu a oportunidade, que a nós também é dada, de pregar o evangelho e sua resposta foi: “eis-me aqui, envie-me a mim”. Essa resposta, segundo o próprio profeta, veio “depois disto”. Portanto, algumas coisas aconteceram antes dele aceitar a missão. O que leva algumas pessoas a dar a resposta de Isaías e outros a rejeitarem o chamado? O que acontece na vida de um cristão antes de ele aceitar o convite para a missão? A experiência do profeta Isaías nos ajuda a responder estas questões.

Contemplar a Deus



Em Isaías 6: 1-3 lemos o seguinte: “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo. Ao seu redor havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, e com duas cobria os pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória”.

A primeira coisa que aconteceu na vida de Isaías antes que ele aceitasse o chamado foi comtemplar a Deus. Na descrição, o Senhor estava sobre um alto e sublime trono. Provavelmente, o profeta teve uma visão do lugar santíssimo do Santuário Celestial. Deus sabia que antes que o Seu mensageiro saísse para o trabalho, deveria contemplar a Sua majestade para ter a real dimensão da sacralidade e responsabilidade de sua missão. Qualquer que saia para o trabalho de Deus sem passar tempo contemplando-O terá grandes possibilidades de fracassar em seu trabalho.

O profeta estava lidando com as duas dimensões de Deus. Sua Imanência e Sua transcendência. Estes dois atributos reais de Deus precisam ser compreendidos da maneira correta. Não podemos perder o ponto de equilíbrio entre eles.

Se apenas considerarmos a imanência de Deus, ou seja, sua proximidade com o ser humano, corremos o risco de cometer o erro de muito cristãos no mundo evangélico. Para este grupo, Deus é o “amigão”, “Deus é dez”. A falta de compreensão a respeito da imanência divina chega a tal ponto que a vontade de Deus se confunde com a vontade do ser humano. Quando se chega nesta situação, o cristão pensa que Deus gosta do que ele gosta. Sendo assim, posso comer qualquer coisa, beber qualquer coisa, ouvir qualquer coisa, cantar qualquer coisa, pois se Deus está “em mim”, deve gostar de tudo o que eu gosto.

Do outro lado estão aqueles que desvirtuam a compreensão da transcendência de Deus. Para estes, Deus está tão distante que não se importa com aquilo que se passa comigo, tudo o que Ele quer é me pegar no erro para me castigar. Esse outro extremo também deve ser evitado.

Biblicamente, Deus está próximo de nós o suficiente para ouvir nosso choro, sentir nossas dores e atender nossa oração, porém Ele também é o Soberano do universo e, portanto, merece todo o nosso respeito, obediência e veneração.

Foi exatamente uma cena de adoração e respeito que Isaías viu ao contemplar o trono de Deus. Os serafins se comportavam perante Deus com extrema reverência. A Bíblia os descreve contendo seis asas, com duas cobriam o rosto, com duas os pés e com duas voavam. Além de O reverenciarem como seu corpo, suas palavras também eram de louvor, clamavam: “Santo, Santo, Santo”. Apesar de serem seres perfeitos e espetaculares, os anjos estavam admirados com Deus, não consigo mesmo. O culto de adoração a Deus deve ter o foco nEle e não em nós. O que acontece no culto deve ter a intensão primária de agradar a Deus e não ao adorador.

Todos aqueles que aceitam o chamado para a missão precisam primeiro passar pela experiência de contemplar a Deus. Sempre que agimos assim somos impelidos a louvá-Lo, assim como os anjos o fizeram.

No entanto, não temos acesso físico ao trono de Deus, então como contemplamos a Deus? A Bíblia nos apresenta pelo menos três formas através das quais podemos comtemplar ao Senhor.

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1). Através da criação podemos contemplar a Deus. Certamente Deus não está nas árvores, plantas ou animais. Mas quando olhamos para a natureza, nos lembramos de que há um criador que nos ama e nos salva.

Uma segunda forma de contemplarmos a Deus é através do Estudo da Bíblia. Em João 5:39 lemos: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”. Ao entrarmos em contato com a palavra de Deus podemos contemplá-Lo e perceber sua santidade.

Na igreja, ao nos reunirmos com nossos irmãos, também podemos, pela fé, contemplar ao nosso Deus, “pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” ( Mt 18:20). O salmista disse: “Assim no santuário te contemplo, para ver o teu poder e a tua glória” (Sl 63:2). O momento em que os cristãos estão reunidos como comunidade fraternal é um excelente momento para contemplar a Deus.


Reconhecer a sua condição



Ao contemplar a Deus a reação de Isaías foi a que qualquer ser humano terá quando verdadeiramente se defrontar com o Senhor: “Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!”(Is. 6:5)

Quando o profeta se viu perante Deus, foi inevitável a comparação. A santidade do Pai revelou a pecaminosidade do homem. Quanto mais próximos de Deus estamos, mais reconhecemos a nossa condição de pecadores. “Não permitamos que Deus seja desonrado pela declaração de lábios humanos: "Estou sem pecado, sou santo." Lábios santificados nunca pronunciarão palavras de tanta presunção. ”(Atos dos Apóstolos, 562)

Se tivermos que nos comparar com alguém, devemos nos comparar com Deus e não com outros seres humanos. Quando nos comparamos com Deus percebemos a nossa real condição. Mas quando nos comparamos com outros seres humanos corremos o risco de nos considerarmos bons, consagrados, santificados e nos sentirmos melhores que outros. A comparação “Deus x Homem” é a única verdadeiramente útil para o cristão.

Quando o profeta fez esta comparação a sua reação foi a única possível “Estou perdido!”. Ele sabia que se dependesse de suas obras ele estaria condenado eternamente à morte. Os lábios de Isaías eram impuros e ele percebeu isso quando viu o contraste entre seus lábios e os lábios dos serafins. Dos lábios dos anjos apenas saíam louvores a Deus, mas, certamente, como muitos de nós, os lábios de Isaías já haviam falado vaidade, ou seja, engrandecimento próprio.

“A humilhação de Isaías era genuína. Quando o contraste entre a humanidade e o caráter divino se lhe tornou patente, ele se sentiu inteiramente ineficiente e indigno” (Obreiros Evangélicos, 22).

Porém, todas as vezes que o ser humano se sente indigno dessa forma, abre espaço para que Deus atue em sua vida. Foi isso o que aconteceu com o profeta, o verso seis relata: “Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz”. Arrependimento e confissão são acompanhados da atuação de Deus para justificar e santificar.



Justificação e santificação



“E com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado.”(v. 7)

Todo esse processo pelo qual Isaías passou resultou em um trabalho que Deus executou no profeta e também pode fazer em nós. Este trabalho é feito em duas fases. A primeira é o perdão dos pecados. Deus está atento à confissão dos nossos pecados e está pronto a nos perdoar. Isso é justificação.

A segunda fase está intimamente ligada à primeira. Logo que o pecado é perdoado Deus retira a iniquidade de nós. Isso é Santificação. As duas fases são executadas por Deus.

Ser pecador não é o maior problema do homem. O grande problema é ser pecador e não reconhecer sua condição, se arrepender e confessar. Quando seguimos este processo Deus nos garante a remissão de nossa condição.
Conclusão



Após passar por estes três estágios então Isaías conseguiu ouvir o convite de Deus para a missão. Temos o privilégio de “ir por Deus”. A missão é dEle, nós temos o privilégio de sermos seus representantes. Mas apenas estaremos aptos para isso quando comtemplarmos a Deus diariamente, reconhecermos nossa condição pecaminosa e nos entregarmos a Ele para que seja feito o necessário trabalho de justificação e santificação.

“A brasa viva é um símbolo de purificação, e representa também a potência dos esforços dos verdadeiros servos de Deus. Àqueles que fazem uma tão completa consagração que o Senhor possa tocar-lhes os lábios, é dito: Vai para a seara. Eu cooperarei contigo”. (Obreiros Evangélico, 23). Temos uma necessidade urgente de consagração. Há uma missão para cada um de nós: cumprir a missão de Deus, pregando o evangelho em todo o mundo. Deus hoje pergunta novamente: Quem irá por nós? Espero que nossa resposta seja: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.







sexta-feira, 11 de março de 2011

O que significa temer a Deus ?
(Publicado na Revista Adventista em Março/2011)

Felippe Amorim


O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. (Salmo 34:7)



Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; (1 Pedro 5:8)




Os dois textos acima são complementares. O primeiro é uma linda promessa e o segundo uma séria advertência para cada um de nós.

Saber que temos proteção divina em um mundo tão perigoso é, no mínimo, um alívio. Quando combinamos os dois textos, então, temos uma alegria maior ainda. O alerta feito na carta de Pedro nos diz que existe um inimigo sempre pronto a nos devorar assim como um leão faminto tenta devorar sua presa.

Duas expressões são importantes nestes textos: “Redor” e “derredor”. O anjo está ao redor e o diabo está ao derredor. Podemos perceber uma clara progressão nestas expressões. Temos um amigo protetor bem próximo de nós, mas logo após ele está o inimigo querendo nos destruir.

Enquanto o anjo estiver ao nosso redor estaremos seguros, mas no momento que o anjo sair do seu lugar, o inimigo terá acesso direto à nossa vida e estaremos correndo sérios perigos de consequências eternas.

O salmo 34:7 nos mostra como desfrutarmos permanentemente da companhia do anjo do Senhor. Ele está ao redor dos que o temem. Devemos, portanto, nos preocupar em compreender profundamente o que significa temer a Deus. Inicialmente já devemos saber que o temor nesse texto não é a mesma coisa que ter medo. No sentido bíblico, temer é algo muito mais amplo.

Temer a Deus envolve pelo menos três aspectos da vida cristã: Adoração, Amor a Deus e Serviço. Se compreendermos estes aspectos poderemos temer realmente a Deus e desfrutarmos de sua constante companhia e proteção.

Adoração

 
Adorar a Deus é mais que uma ação pontual é um estilo de vida. Portanto, devo adorar a Deus desde a hora que acordo até a hora que vou dormir, e inclusive meu sono deve ser revestido de adoração a Deus.

Gostaria, contudo, de destacar três aspectos de uma vida de adoração. O primeiro deles nos é apresentado no Salmo 66:4 onde lemos: “Toda a terra te adorará e te cantará louvores; eles cantarão o teu nome”. Adorar envolve cantar louvores a Deus. A música, sem dúvida, é uma maravilhosa forma de adorar o criador. Quando nos reunimos em congregação e entoamos músicas ao nosso Deus, quando ouvimos um lindo hino executado por uma orquestra, solista, grupo, enfim, podemos adorá-lo com todo nosso coração.

Devemos estar atentos para que a nossa música esteja de acordo com a vontade de Deus expressa em Sua palavra. O critério para que escolhamos as músicas de adoração na igreja não deve ser o que EU gosto, mas o que DEUS gosta, pois, “A música, quando não abusiva, é uma grande bênção; mas quando usada erroneamente, é uma terrível maldição”(O Lar Adventista, 408). Analisemos com cuidado os textos inspirados para que possamos utilizar a música sempre sob a vontade de Deus.

Um segundo aspecto da adoração que gostaria de destacar está explícito em Gênesis 22:5: “E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós”. Adorar envolve entrega total. O contexto do versículo anterior é o momento no qual Abraão estava subindo o monte para sacrificar seu filho Isaac. Como pode haver adoração em uma situação como aquela? A adoração consistia no ato de se submeter à vontade de Deus irrestritamente. Há algo que precisamos pensar a respeito daquela ocasião. Abraão não compreendia tudo a respeito da ordem que Deus havia dado, mas adorar a Deus é obedecê-lo mesmo quando não entendemos tudo a respeito do que Ele nos pede.

Quero ainda destacar um terceiro aspecto da adoração. Deuteronômio 26:10 nos diz: “E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás”. Adorar envolve fidelidade nos dízimos. Não há dúvida de que o texto de deuteronômio faz uma ligação íntima entre a fidelidade nos dízimos e a adoração a Deus. Existem declarações bíblicas claras a respeito da devolução dos dízimos e do ato de ofertar. Infelizmente, alguns cristãos têm resistido a este ensinamento divino. Criam suas próprias teorias sem embasamento bíblico e desviam o destino do dízimo e as vezes nem o devolvem. Ambas as ações são contrárias às romendações bíblicas, tornam o cristão um ladrão e o privam de bênçãos, de acordo com o que diz Malaquias 3:8 a 11.

Uma vida de adoração, portanto, é um dos aspectos do temor ao Senhor.
Amar a Deus


Temer a Deus envolve um segundo aspecto da vida cristã. Envolve amar a Deus. Falar de amor nos dias em que vivemos pode nos fazer ter uma concepção errada. O amor, infelizmente, se tornou um sentimento banalizado. Em qualquer relacionamento curto e superficial tem se usado a palavra amor. Mas o amor a Deus envolve compromisso e é mais que um sentimento. Amar a Deus nos leva a ação.

Um primeiro aspecto do ato de amar a Deus que gostaria de destacar é o que está contido em Deuteronômio 11:13: “[...]amar ao Senhor teu Deus, e o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Precisamos amar a Deus sem restrições, com tudo que temos e somos. As vezes isso não é fácil porque envolve abrir mão das coisas que gostamos em prol das coisas que Deus gosta.

Outra faceta do amor do homem para com Deus está em Deuteronômio 11:22: “[...]e andardes em todos os seus caminhos,[...]”. Andar nos caminhos de Deus requer submissão, porque nem sempre os caminhos de Deus são os nossos caminhos e quando não há a coincidência precisamos ser humildes o sufuciente para aceitarmos a vontade de Deus.

Em Deuteronômio 11:1 lemos: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus preceitos e os seus mandamentos, por todos os dias”. Amor e obediência aos mandamentos são coisas inseparáveis do ponto de vista bíblico. Encontramos esta mesma idéia em várias passagens bíblicas (ex. Dt. 31:12,13). A mais clássica, sem dúvida, foram as palavras pronunciadas pelo próprio Senhor Jesus em João 14:15: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Lemos ainda em 1João 5:2 : “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”. Portanto o amor a Deus envolve estrita obediência a todos os Seus mandamentos, lembrando que “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”(Tiago 2:10).

Temer a Deus, portanto, implica em amá-lo irrestritamente e amá-lo significa obedecê-lo, muitas vezes sem entender todos os aspectos do que Ele nos pede.

Serviço a Deus

Ainda há um terceiro aspecto do temor a Deus que precisamos conhecer. Lemos em Deuteronômio 10:12: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”. E o verso 20 complementa: “Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome jurarás”.

O Serviço é uma característica da vida de um cristão que teme a Deus. Infelizmente é comum vermos membros de igreja que a única atividade religiosa que exercem é sair de casa, ir até a igreja e “assistir” ao culto. Não são ativos na causa de Deus. É certo que nem todos estarão nos púlpitos pregando. Deus deu diversos dons à sua igreja e cada membro deve trabalhar de acordo com os dons recebidos. Ninguém ficou sem receber pelo menos um dom.

Porém, todos os dons devem ser usados para a pregação do evangelho. Cristão que de alguma forma não serve a Deus na pregação do evangelho, não pode afirmar que teme a Deus, pois o temor envolve serviço ativo na causa de Deus.

Conclusão


Quando eu era criança, estudava em uma escola que tinha um espaço muito grande. Tão grande que para percorrer toda sua extensão de forma rápida era necessário um carro.

Meus colegas tinham mania de pegar caronas nas Kombis que diariamente passavam na frente do prédio de aulas.

Minha mãe sempre me advertia a não pegar estas “caronas”, pois eram perigosas e eu, por respeitar (temer) minha mãe, realmente evitei por algum tempo. Até que um dia resolvi pegar a carona. O resultado, já anunciado previamente por minha mãe, foi que eu caí, quebrei dois dentes e quando cheguei em casa ainda tive que conter as lágrimas e contar o que tinha feito para minha mãe.

Naquele dia, embora dissesse que respeitava minha mãe, agi como quem não respeita, pois respeito é muito mais que falar, é comprometer-se e obedecer.

Às vezes agimos semelhantemente com Deus, dizemos que o tememos, mas na prática as evidências são de que não O tememos.

Precisamos da proteção de Deus para que estejamos a salvo das investidas de Satanás. Esta proteção está prometida para todos os que O temem, ou seja, para todos que o adoram, amam, obedecem e O servem.

Deus convida a cada um de nós hoje para que abramos nosso coração e deixemos que Ele nos ensine o que é o verdadeiro temor a Deus.



terça-feira, 8 de março de 2011

Menos Luxo, Mais Educação.



As decisões dos pais nos primeiros anos de vida dos filhos determinará o destino eterno deles.

Felippe Amorim




Sem dúvida a escola tem um papel fundamental na formação de uma pessoa. Os pais cristãos devem ser muito criteriosos quando forem escolher a escola dos filhos. Deus estabeleceu a Escola Adventista para que os filhos dos adventistas pudessem ter uma educação integral. Este é o plano de Deus para os filhos do povo remanescente.

Mas, infelizmente, Satanás sempre procura desvirtuar aquilo que Deus estabelece como benefício. Atualmente, os pais têm delegado à escola uma função que é deles primordialmente. A primeira educação de uma criança deve ser dada em casa pelos pais.

É lamentável que a vontade de ganhar dinheiro, de ostentar carros e casas bonitas e luxuosas esteja transformando pais em meros reprodutores e fornecedores de alimentos e roupas. São palavras fortes, mas, infelizmente, é isso o que tem acontecido. Os pais têm se preocupado tanto em garantir que seus filhos tenham as melhores coisas que o dinheiro pode oferecer que se esquecem de dar aquilo que o dinheiro não pode oferecer: formação moral, ou seja, a verdadeira educação.

As grandes verdades da providência de Deus e da vida futura gravavam-se na mente juvenil (Patriarcas e profetas, 592). Nesta fase da vida da criança os pais deveriam dedicar-se mais aos filhos, pois a negligência deste trabalho pode ter sérias consequências para o futuro deles.

Na Bíblia, encontramos muitos exemplos de pais que dedicaram tempo para a educação de seus filhos e viram como isso resultou em grandes homens que contribuíram muito para o crescimento social e espiritual de suas comunidades.

Joquebede e Ana não mediram esforços para dar aos seus filhos o melhor que elas poderiam oferecer: uma boa e sólida educação. A mãe de Moisés arriscou a própria vida ao proteger a vida de seu pequeno. E quando recebeu de Deus a oportunidade de educar Moisés não perdeu tempo. Doze anos de educação deram um rumo bem definido para os próximos 108 anos de seu filho e finalmente o colocaram no caminho para o céu.

Ana, por sua vez, não poupou esforços para criar seu filho no caminho de Deus. Quando o pequeno Samuel foi entregue a Eli para morar no templo ainda era muito novo, mas a educação que recebeu de sua mãe no lar foi determinante para um duradouro e profícuo ministério de muitos anos.

“A responsabilidade repousa especialmente sobre a mãe. Ela, de cujo sangue a criança se nutre e se forma fisicamente, comunica-lhe também influências mentais e espirituais que tendem a formar-lhe a mente e o caráter. Foi Joquebede, a hebreia que, fervorosa na fé, não temeu o "mandamento do rei" (Heb. 11:23), a mãe de Moisés, libertador de Israel. Foi Ana, a mulher de oração e espírito abnegado, inspirada pelo Céu, que deu à luz Samuel, a criança divinamente instruída, juiz incorruptível, fundador das escolas sagradas de Israel”. (A Ciência do Bom Viver, pág. 372.)

Os pais de Davi nos deram outro exemplo de como os pais, quando dedicados a Deus e à educação dos filhos, podem formar grandes líderes.

Davi logo após atingir a juventude saiu de sua casa para exercer as funções para as quais o Senhor o chamara. A vitória sobre Golias, o respeito a um rei que tentou mata-lo várias vezes, a habilidade com os instrumentos musicais, tudo isso nos indica que os pais de Davi se dedicaram à educação de seu filho mais do que ao luxo que poderiam oferecê-lo. Aliás, na criação de Davi, temos uma lição que os pais do século XXI precisam aprender. Os líderes da igreja precisam ser respeitados, mas as crianças apenas o farão se aprenderem isso com seus pais. Infelizmente, muitos pais têm destruído o amor de seus filhos pela igreja aos falarem mal dos pastores e anciãos na frente dos filhos durante o almoço ou em outros momentos.

Daniel é outro excelente exemplo de como uma família que prioriza a educação dos filhos pode ajudar em suas decisões da juventude e da vida adulta. Em Daniel 1:8 lemos: “e decidiu Daniel, firmemente, não se contaminar com as iguarias do rei...” Provavelmente, neste episódio, Daniel tinha aproximadamente 18 anos. Um jovem que mesmo diante da possibilidade de perder a oportunidadede estudar na melhor universidade do mundo (Universidade da Babilônia), de ter fama e influência política e social, não cedeu em questão de princípios.

“Daniel e seus companheiros tinham sido educados por seus pais nos hábitos da estrita temperança. Tinham sido ensinados que Deus lhes pediria contas de suas faculdades, e que jamais deveriam diminuí-las ou enfraquecê-las. Esta educação fora para Daniel e seus companheiros o meio de sua preservação entre as desmoralizantes influências da corte de Babilônia. Fortes eram as tentações que os rodeavam nessa corte corrupta e luxuosa, mas eles permaneceram incontaminados. Nenhuma força, nenhuma influência poderia afastá-los dos princípios que tinham aprendido no limiar da vida mediante estudo da Palavra e obras de Deus”. (Profetas e Reis, 482)

Não poderíamos deixar o nosso Senhor Jesus Cristo de fora desta lista. Apesar de ser Deus em sua essência, Jesus aprendeu muitas lições de sua mãe, que certamente foi escolhida porque seria a melhor mãe que Jesus poderia ter. “Com profunda solicitude observava a mãe de Jesus o desenvolvimento das faculdades da Criança, e contemplava o cunho de perfeição em Seu caráter. Era com deleite que procurava animar aquele espírito inteligente, de fácil apreensão. Por meio do Espírito Santo recebia sabedoria para cooperar com os instrumentos celestiais, no desenvolvimento dessa Criança que só tinha a Deus por Pai” (Desejado de Todas as Nações, 69).

Ainda podemos listar Timóteo que se tornou um grande pastor da igreja primitiva. Sobre ele, Paulo declara: “trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice e estou certo de que também habita em ti”(2 Tm 1:5) e “que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus”.(2 Tm 3:15). Timóteo recebeu de sua mãe e sua avó uma educação tal que Deus o escolheu para ser um pastor de Seu rebanho.

A Bíblia também nos apresenta um exemplo negativo. Ló, quando decidiu descer para Sodoma, deu início à destruição de sua família. O fim de sua vida foi dentro de uma caverna com duas filhas ímpias que geraram, dele mesmo, duas gerações extremamente corruptas, moabitas e amonitas (Gn19:30). Ló deu tudo o que o dinheiro poderia oferecer para seus filhos, mas deixou de fora o essencial, a verdadeira educação, aquela que ensina Deus e Sua moral para as crianças.

Ellen White comenta: “Semelhantes a Ló, muitos vêem seus filhos na perdição, e apenas conseguem salvar sua própria alma. Perde-se o trabalho de sua vida; esta é um triste malogro. Se tivessem exercido verdadeira sabedoria, seus filhos poderiam ter tido menos prosperidade mundana, mas ter-se-iam assegurado um título à herança imortal. (Patriarcas e Profetas, 169)

No final dos tempos, no dia da volta de Jesus, estas duas listas se completarão. A primeira é a lista dos filhos que receberam uma educação de qualidade, que tiveram pais que se preocuparam mais em seus filhos possuírem princípios divinos do que luxo. A outra lista será daqueles que tiveram pais que se preocuparam mais em dar aos filhos os últimos lançamentos em jogos eletrônicos, roupas, celulares e computadores, mas esqueceram de dar a única coisa que garantiria a vida eterna para seus filhos: Jesus.

No que diz respeito à criação de seus filhos, quais tem sido as suas prioridades? Você tem passado tanto tempo no trabalho que não tem condições de estudar a Bíblia com seu filho? Ou para você tem sido mais importante ter um filho que crescerá firme no caminho de Deus, mesmo que isso signifique que você não poderá ter o carro dos seus sonhos?

A resposta a estas perguntas determinará o destino terrestre do seu filho e também o seu destino eterno.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

JESUS EM SEUS RELACIONAMENTOS:

Aprendendo com o mestre

Felippe Amorim



Certa vez escutava a coordenadora de uma faculdade comentar a respeito do perfil dos profissionais que ela procurava para contratar. Segundo ela, se suas duas únicas opções fossem um profissional altamente capacitado, mas com dificuldades de relacionamento e um profissional não tão capacitado quanto o primeiro, mas com uma boa capacidade de relacionar-se bem, escolheria, com certeza, o segundo profissional.

Pessoas que sabem se relacionar bem são bem-vindas em qualquer ambiente. O cristão deveria ser um modelo de bom relacionamento, pois temos o maior exemplo na pessoa de Jesus. Sem dúvida nosso salvador foi o mestre dos relacionamentos e ao analisar Sua vida podemos aprender preciosos princípios que nos ajudarão a construirmos boas relações interpessoais. A seguir estudaremos cinco características de Jesus como um ser relacional.

Compaixão

A Bíblia relata o episódio no qual Jesus curou um leproso. Ser leproso nos tempos de Cristo era ser considerado alguém à margem da sociedade. Mesmo assim, está relatado: “Jesus, pois, compadecido dele, estendendo a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero; sê limpo.”(Mc 1:41). Qualquer Judeu se recusava a se aproximar de uma pessoa que estivesse com problemas de pele. Porém o texto nos diz que a compaixão de Jesus foi tamanha que ele tocou o leproso e então o curou.

Para os Judeus, tocar em alguém leproso o fazia tornar-se imundo. A lógica era que o imundo contaminava o limpo. Mas com Jesus era diferente: o limpo purificou o imundo. Era exatamente por causa de Sua condição de superioridade em relação ao homem que Jesus poderia ter a verdadeira compaixão.

“Quando se olhava para Jesus, via-se um rosto em que a divina compaixão se misturava com um poder consciente. Ele parecia circundado de uma atmosfera de vida espiritual. Suas maneiras eram suaves e despretensiosas, mas Ele impressionava as pessoas com um senso de poder que, embora oculto, não podia ser inteiramente dissimulado”. (Ciência do Bom Viver, 51)

Em nossos relacionamentos diários precisamos também ter compaixão do nosso semelhante. Assim como Jesus se aproximou dos mais excluídos de seu tempo, nós também devemos dar atenção àqueles que são marginalizados seja por motivos socioeconômicos ou por outros motivos de natureza diversa.
Paciência

A paciência é uma das mais marcantes características de Jesus. Se não fosse esta virtude divina, todos nós estaríamos condenados para sempre. Em Marcos 2:16-17 temos um relato no qual podemos perceber claramente a paciência de Jesus. “Vendo os escribas dos fariseus que comia com os publicanos e pecadores, perguntavam aos discípulos: Por que é que ele como com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores”.

Os fariseus o atacavam constantemente. Mas Jesus sempre os tratou com muita paciência e até na hora de dar uma resposta, se preocupava em explicar o propósito de suas ações, como no caso acima. Na sua explicação paciente estavam contidas preciosas lições para todos os ouvintes.

"Mas fiel é o Senhor, que vos confortará, e guardará do maligno. E confiamos de vós no Senhor que não só fazeis, como fareis o que vos mandamos. Ora o Senhor encaminhe os vossos corações na caridade de Deus, e na paciência de Cristo." II Tess. 3:5.

Da mesma maneira como o nosso Senhor teve uma santa paciência com aqueles com os quais se relacionava, nós também como imitadores de Cristo devemos exercer paciência em nossos relacionamentos.

Nas relações interpessoais precisamos de paciência quando nos atacam injustamente, quando lidamos com pessoas que não têm o conhecimento que possuímos, quando nos deparamos com pessoas que pensam diferente de nós e em diversas outras situações da vida. Agir com paciência, conquistará os outros para nós e para Cristo.


Simplicidade e Sinceridade

Nosso salvador era sempre simples e sincero e esta atitude dele facilitava bastante os seus relacionamentos. Um exemplo dessa característica encontramos no episódio da mulher samaritana. Jesus aproximou-se dela e sem que ela esperasse foi simples e sincero: “Respondeu a mulher: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. (Jo. 4:17-18)

Precisamos salientar que ao ser sincero, Cristo não tinha a intenção de ferir as pessoas. Naquele momento tudo o que Jesus queria era levar a mulher a reconhecer seus pecados e converter-se dos seus maus caminhos.

Jesus era simples para que mesmo os samaritanos se sentissem a vontade perto dele. O “príncipe dos mestres, buscava acesso ao povo por meio de suas mais familiares relações. Apresentava a verdade de maneira que daí em diante ela estaria sempre entretecida no espírito de Seus ouvintes com suas mais sagradas recordações e afetos. Ensinava-os de maneira que os fazia sentir quão perfeita era Sua identificação com os interesses e a felicidade deles. Suas instruções eram tão diretas, tão adequadas Suas ilustrações, Suas palavras tão cheias de simpatia e animação, que os ouvintes ficavam encantados. A simplicidade e sinceridade com que Se dirigia aos necessitados santificavam cada palavra. (Ciência do Bom Viver, 24)

Ao sermos sinceros com aqueles que se relacionam conosco devemos cuidar para que a sinceridade não seja confundida com crueldade nas palavras. Devemos seguir o exemplo de Cristo, Sua sinceridade não era cruel, era amorosa e sensível.

Perdão

Encontramos nos evangelhos diversos exemplos de Jesus como alguém que perdoava. Um dos mais conhecidos é o relatado em João 8. A mulher apanhada em flagrante adultério deveria, de acordo com a lei mosaica, ser apedrejada.

Porém o Senhor que é rico em perdoar, ofereceu mais uma vez àquela mulher o perdão e junto com ele o poder de não repetir o pecado: “Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.”(Jo. 8:11)

A história da redenção é a história do perdão de Deus estendido à humanidade. Seguindo este exemplo, devemos aplicar perdão às nossas relações interpessoais.

O perdão aos que nos ofendem é não somente uma obrigação, como uma necessidade. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas. (Mt. 6:14,15)” O perdão de Deus está vinculado ao nosso perdão para com o próximo.

“Confessai vossos pecados a Deus, que é o único que os pode perdoar, e vossas faltas uns aos outros. Se ofendestes a vosso amigo ou vizinho, deveis reconhecer vossa culpa, e é seu dever perdoar-vos plenamente. Deveis buscar então o perdão de Deus, porque o irmão a quem feristes é propriedade de Deus e, ofendendo-o, pecastes contra seu Criador e Redentor”. (Caminho a Cristo, 37)

Amor

Todas as características acima citadas estão subordinadas ao maravilhoso amor de Cristo pela humanidade. Um dos versículos mais conhecidos da Bíblia nos diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo3:16)

Neste verso, encontramos pelo menos três aspectos do amor de Deus pela humanidade. É um amor que aceita, um amor que se doa e um amor que se entrega. Poderíamos escrever muitas e muitas páginas sobre o amor de Jesus e ainda estaríamos apenas tangenciando-o.

“Nosso próximo é toda a família humana. Devemos fazer o bem a todos os homens, e especialmente aos que são irmãos na fé. Devemos dar ao mundo uma demonstração do que significa praticar a lei de Deus. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, e ao nosso próximo como a nós mesmos”. (Review and Herald, 1º de janeiro de 1895.)

Que possamos aplicar aos nossos semelhantes o mesmo amor que recebemos de nosso grande Salvador e Senhor Jesus Cristo.


Conclusão

O apóstolo Paulo entendia exatamente como devia ser a vida de um cristão. Ele disse: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo”.(1 Co 11:1). Precisamos aplicar o princípio de imitar a Cristo em todos os aspectos de nossa vida, inclusive nos relacionamentos.

Se imitarmos ao Senhor no que diz respeito aos nossos relacionamentos, certamente seremos muito felizes no contato com os semelhantes.

Os cinco princípios que apresentamos acima são apenas uma pequena amostra do quanto Jesus valorizava os relacionamentos interpessoais e de que Ele realmente é o Mestre dos relacionamentos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Sábado: Santo ao Senhor


O Reavivamento e a Reforma da igreja passam pela reforma da observância do Sábado
Felippe Amorim



Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse. (Isa. 58:13,14)

Introdução



Desde a última reunião da Conferência Geral, “Reavivamento e Reforma” tem sido a ênfase da igreja. Neste e nos próximos anos todos unidos devemos trabalhar e orar em busca desse objetivo. Essas duas palavras são simples, mas têm uma extrema importância para a época em que vivemos. A Bíblia nos apresenta alguns exemplos de movimentos de Reavivamento e Reforma nos quais podemos nos inspirar para que possamos viver esta experiência em nossos dias.

O livro do profeta Isaías no capítulo 58:5-12 descreve uma reforma que aconteceu na época do profeta. Dentre os pontos da reforma proposta por Isaías está a verdadeira observância do sábado.

A restauração da observância autêntica do sábado faz parte da reforma que a igreja espera sofrer nesses tempos. É importante compreendermos que esta sequência “reavivamento e reforma” deve ser respeitada. Primeiro deve vir um verdadeiro reavivamento. Um reaquecimento da comunhão com Deus é o ponto de partida. Qualquer tentativa de colocar a reforma na frente do reavivamento gerará legalismo, algo muito prejudicial para a igreja.

Compreendendo que a verdadeira guarda do sábado é derivada de uma vida de comunhão com Deus, podemos estudar a mensagem que o profeta Isaías nos passa sobre o santo dia do Senhor.

É interessante como o profeta organizou esta parte de seu livro. Duas palavras nos ajudam a entender. Existe um “SE” e um “ENTÃO”, ou seja, há condições colocadas por Deus em relação ao sábado e consequências que decorrem da obediência a estas condições.


Só se profana algo que é sagrado



“Se desviares o pé de profanar o sábado”. Esta frase nos transmite uma importante mensagem. Só se profana algo que é sagrado. Em outras palavras, o tempo do sábado é um tempo sagrado.

É importante identificarmos quando começaram a existir estas horas sagradas. Em Gênesis 2:1-3 lemos: “Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera. Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus”.

A origem do sábado como dia sagrado remonta à criação, aliás, o sábado é o memorial da criação. Esse fato nos ajuda a contra argumentarmos àqueles que dizem que o sábado foi estabelecidos especificamente para os Judeus. A questão é que no último dia da criação ainda não existia nenhuma nação, apenas Adão e Eva. O sábado foi estabelecido para toda a humanidade.

Além disso, o verso de Gênesis nos diz quem nomeou de santo o sétimo dia. “Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou”. Seria no mínimo presunção querer dessacralizar algo que o próprio Deus tornou sagrado.

Ao Deus criar o sábado para a humanidade, Ele estabeleceu propósitos para este dia. O primeiro, encontramos em Ezequiel 20: 12, 20: “Demais lhes dei também os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles; a fim de que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica[...] E santificai os meus sábados; e eles servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus”. Um dos propósitos do sábado é servir de sinal entre o povo de Deus e aqueles que não se submetem ao Senhor. É como se fosse um “crachá de identificação”. Podemos identificar aqueles que pertencem a Deus pela sua submissão à vontade de Deus quanto ao dia que Ele nos pediu que santificássemos.

“Quem quer que obedeça ao quarto mandamento, verificará que está traçada uma linha divisória entre ele e o mundo. O sábado é uma prova, não uma exigência humana, mas a prova de Deus. É aquilo que distinguirá os que servem a Deus dos que não O servem; e em torno deste ponto sobrevirá o derradeiro e grande conflito da luta entre a verdade e o erro”. (Testemunhos Seletos. V. 2, 180)

A citação acima deve ser cuidadosamente observada. Primeiro ela corrobora o texto de Ezequiel 20:12. Além disso, nos esclarece que o grande motivo da perseguição que o povo de Deus sofrerá no final dos tempos, não será pela água ou pela comida, mas pela guarda do verdadeiro sábado.

Outro propósito do sábado é que ele funciona como prova de lealdade a Deus. “Alguns argumentarão que o Senhor não é tão exigente em Seus preceitos; que não é seu dever guardar o sábado estritamente com tão grande prejuízo, ou se colocarem em conflito com as leis da Terra. É, porém , justamente aí o ponto em que sobrevirá a prova, a ver se honraremos a lei de Deus acima das exigências dos homens. Isto é o que fará distinção entre os que honram a Deus e os que O desonram. É nisto que devemos provar nossa lealdade. A história do trato de Deus com Seu povo em todos os séculos, mostra que Ele exige exata obediência”( Testemunhos Seletos. V. 2, 183).


Como se profana o Sábado?



Quando falamos sobre a observância do sábado, sempre surgem perguntas de cunho prático. O que posso fazer no sábado? O que não posso fazer no sábado? Preparar uma lista de regras sobre como proceder durante o sábado é extremamente arriscado. Corremos sério risco de cair no pecado do legalismo como aconteceu com os fariseus no tempo de Cristo que tinham centenas de regras sobre o sábado.

Contudo, a Bíblia nos apresenta princípios que devem nortear nossas ações sabáticas. O texto que estamos analisando primariamente nos mostra como profanamos o Dia do Senhor: “cuidando dos próprios interesses, seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade” (Isa. 58:13). A essência do pecado é o egoísmo. No que se refere aos “atos sabáticos inadequados”, nos é útil analisá-los a partir do principio bíblico. Quando agimos a partir dos nossos desejos egoístas, certamente estaremos pecando, seja no sábado ou em qualquer outro dia da semana. Mas se queremos um critério para as nossas ações no sábado, devemos nos perguntar: Isto que estou fazendo é para satisfazer os meus desejos egoístas? A partir da resposta, avaliaremos se aquela ação é adequada ou não para as horas sabáticas.

O texto ainda nos apresenta outro princípio para nosso comportamento no Dia do Senhor: “não falando palavras vãs”. No sábado não devemos tratar dos nossos negócios, ou mesmo planejar o trabalho da semana. Certamente o texto de Isaías não está tratando apenas de palavrões, piadas do duplo sentido ou qualquer outra coisa desta espécie, pois estas devem estar longe do vocabulário de um cristão em qualquer dia da semana. Palavras vãs são aquelas que estão fora do contexto espiritual que deve permear o sábado.

O sábado proporciona ao homem a oportunidade de dominar o egoísmo e cultivar o hábito de fazer o que agrada a Deus, pois este deve ser o propósito do cristão: “e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista”. (1 João 3:22).

O texto do quarto mandamento é outra passagem importante para compreendermos qual a vontade de Deus para o Seu santo dia. Em Êxodo 20: 8-11, lemos: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou”.

Neste texto encontramos todos os elementos para que compreendamos a origem, o propósito e as ações do sábado. Neste momento, porém, nosso foco está no que não fazer, então destacaremos este aspecto. As horas do sábado não são próprias para o trabalho, para este Deus reservou seis dias como Ele deixou explícito no mandamento. Nem nós devemos trabalhar, nem aqueles que são nossos funcionários. Aqueles que trabalham em nossa empresa ou mesmo em nossa casa, devem ser dispensados do trabalho no sábado, mesmo que eles não o observem, pois o mandamento é claro: “nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas”.

Como se santifica o sábado?



A santificação do sábado começa com o dia da preparação. Na Bíblia encontramos um texto que nos apresenta o princípio a respeito da preparação para o sábado. Em Êxodo 16:21-25 encontramos o relato do maná com o qual Deus sustentou o povo durante a peregrinação pelo deserto: “Colhiam-no, pois, pela manhã, cada um conforme o que podia comer; porque, vindo o calor do sol, se derretia. Mas ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; pelo que todos os principais da congregação vieram, e contaram-no a Moisés. E ele lhes disse: Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, sábado santo ao Senhor; o que quiserdes assar ao forno, assai-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde-o de lado para vós, guardando-o para amanhã. Guardaram-no, pois, até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal, nem houve nele bicho algum. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do Senhor; hoje não o achareis no campo”.

Através do exemplo do maná, Deus nos deixou a lição de que devemos nos preparar para o sábado de tal forma que nossos afazeres corriqueiros não nos atrapalhem na adoração do dia santificado pelo Senhor.

“O dia anterior ao sábado deve ser feito dia de preparação, para que tudo esteja pronto para suas horas sagradas. "O que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água." "Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor." Êxo. 16:23[...]Muitos adiam negligentemente até ao começo do sábado pequeninas coisas que deviam ter sido feitas no dia de preparação. Isto não se deve fazer. Todo trabalho negligenciado até ao começo do sábado deve ficar por fazer até que ele haja passado” (Testemunhos Seletos. V.2, 184,185).

Voltemos ao texto de Isaías. Há nele outra frase que nos indica como santificar o sábado. “Se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor” (Isa 58:13). A mera formalidade da observância do sábado é de pouco proveito. Sentir prazer nas horas sabáticas faz parte da adoração. Para Deus só é válida uma obediência que seja feliz, por amor.



Ainda de acordo com Isaías 58:13,por contraste aprendemos que santificamos o sábado quando cuidamos dos interesses de Deus, seguimos os caminhos de Deus, fazendo a vontade de Deus, falando as palavras de Deus.

Uma chave para que possamos identificar o que podemos fazer no sábado também está no nosso texto primário. O texto diz: “digno de honra e o honrares”. Uma pergunta pode nos servir de chave para identificarmos o que é correto ou não para fazermos no dia do Senhor: “É para honra de Deus?” Toda vez que a resposta for positiva, a ação é adequada para as horas sabáticas.



Promessas para os Fiéis



A Bíblia está repleta de promessas para Seus filhos. Não é diferente em relação aos guardadores do sábado. Isaías 58:14 começa com a palavra “então”. Todas as promessas feitas neste texto são consequências para os que cumpriram o “se” do verso 13.

A primeira promessa é: “te deleitarás no Senhor”. As pessoas descobrirão a felicidade de servir ao Senhor quando se submeterem à vontade de Deus em relação ao sábado. Ninguém pode falar que ama a Deus e se deleita Nele, se se recusa a cumprir aquilo que Ele quer.

Outra promessa é que os fiéis iriam cavalgar sobre os altos da terra. Há uma relação entre esta promessa e as palavras de Jesus: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat. 6:33). Deus cuidará da carreira profissional, do sucesso profissional daqueles que forem fiéis ao quarto mandamento. A preocupação de muitas pessoas é que não conseguirão crescer em suas profissões se guardarem o sábado. Por isso Deus preocupou-se em deixar esta promessa para que confiemos Nele.

As promessas ainda não acabaram. Deus diz: “te sustentarei com a Herança de Jacó”. Interessante, há muitos personagens ricos na Bíblia. Por que Jacó foi escolhido para compor esta promessa? Qual é a herança de Jacó?

Na história de Jacó podemos perceber que ele tinha uma atração especial pela primogenitura. Na cultura de sua época, o primogênito recebia mais que herança financeira, recebia a bênção, a herança espiritual. Na vida de Jacó podemos constatar que ele escolheu a herança espiritual e Deus acrescentou a herança material. Assim acontecerá com os guardadores do sábado. Todos os que escolherem a parte espiritual, terão o cuidado de Deus em sua vida financeira. “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão (Sal. 37:25). Deus cuidará de todos os seus fiéis. Como posso ter certeza disso? A última parte do versículo nos diz: “A BOCA DO SENHOR O DISSE”. As promessas de Deus nunca falharam e o cuidado Dele para com os seus fiéis tem se cumprido na vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. Suas promessas são infalíveis.

Muitas pessoas têm experimentado as bênçãos de guardar o sábado e desfrutado do cuidado de Deus. Cada um de nós é convidado todos os dias a estar sob a proteção e o cuidado de Deus. Submeta-se a Ele e desfrute. 

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Graça e a Lei:
Entendendo a relação entre elas
Felippe Amorim



Introdução

            O mundo cristão de vez em quando se depara com questões que balançam a fé de alguns. São temas importantes que nem sempre são tratados da melhor forma possível, e por isso muitas pessoas sinceras acabam se enveredando por caminhos que arriscam o destino eterno delas.
            Um desses temas é a relação entre a Graça e a Lei. Sobre esse assunto, muitas perguntas surgem, tais como: A graça é suficiente para me salvar ou preciso fazer algo? Se sou salvo pela graça, por que devo guardar a lei? Se Jesus é amor, Ele me condenará porque não cumpro a lei? Ainda devo cumprir a lei mesmo estando sob a graça?
            Graças a Deus que deixou na Bíblia argumentos suficientes para que possamos responder todas essas perguntas. Abaixo traremos uma pequena amostra (existem muitas outras) de passagens bíblicas que nos ajudam a compreender este tema.

A salvação: somente pela graça

            Certamente um dos assuntos mais lindos e gostosos de se estudar na Bíblia é a Graça de Cristo. Ao longo de todo o Livro Sagrado encontramos evidências desse inexplicável e incompreensível amor que nos salva apesar de nós mesmos.
            A mensagem é confortante e precisamos tê-la profundamente arraigada em nosso coração. A Bíblia apresenta o que devo fazer para ser salvo. No diálogo entre Paulo, Silas e o carcereiro lemos: “e, tirando-os para fora, disse: Senhores, que me é necessário fazer para me salvar?  Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.(Atos 16:30,31). A condição humana pede um amor nas dimensões do amor de Deus pois, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”(Rom 3:23). Todos estamos na condição de pecadores e, portanto, na condição de perdidos. Nossa justiça não serve para nos garantir a salvação e por isso somos “justificados gratuitamente pela Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”(Rom 3:24). Percebeu a palavra “gratuitamente”? Que graça! Paulo ainda completa: “concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei”(Rom 3:28).
            A Bíblia é clara quando diz que a nossa salvação vem apenas de Jesus. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;  não vem das obras, para que ninguém se glorie(Ef. 2:8,9). Ninguém poderá chegar no céu e dizer que se encontra lá por causa de seus próprios méritos. Todos reconhecerão que estarão salvos por causa do incrível amor de Deus tão bem descrito em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
            Conta-se a história de um menino que morava nos EUA. Um dia ao passear com seu pai por um parque da cidade viu um grande monumento que ficava no meio do parque. O menino puxou a calça de seu pai e disse: “pai quero comprar o monumento para mim”. O pai comovido pela inocência da criança pediu que ela falasse com o policial que estava perto do objeto.
            O garoto se aproximou do policial e falou de sua intensão de comprar aquele grande objeto. O policial, com um sorriso no rosto, perguntou quanto o menino tinha no bolso. Depois de conferir o quanto tinha, disse ao policial que tinha cinquenta centavos e perguntou se com aquele valor ele compraria o monumento.
            O policial perguntou se o garoto era americano e a resposta foi positiva, então pediu que o garoto guardasse seu dinheiro e disse: este monumento não está à venda, todo o seu dinheiro não o compraria, mas por você ser americano ele já é seu.
            É assim com a salvação. Não está à venda, todo o seu dinheiro não a compraria, mas já pertence a todos aqueles que aceitam o sacrífício de Cristo.  

A graça nos isenta da lei?
           
            Há uma grande controvérsia a respeito da lei de Deus. Muitos acreditam que a morte de Jesus na cruz por nós, nos isenta de cumprir a lei. Mas não é isso que a Bíblia diz sobre a lei de Deus.
            Não resta dúvida de que somos salvos apenas pela graça, como vimos no tópico anterior, mas a graça de cristo não anulou a lei de Deus.
            A primeira coisa que precisamos é entender a função de lei. Em Romanos 7:7 lemos: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás”. A função da lei nunca foi salvar. Como lemos anteriormente a lei serve para indicar o pecado. A ilustração do espelho é muito útil. Quando nos olhamos em um espelho e detectamos uma sujeira em nosso rosto não apelamos para que o espelho nos limpe. Vamos até a água para nos lavar. A lei é como o espelho, ao olharmos para ela vemos onde estamos errados, mas somente Jesus, a água da vida, pode nos limpar do nosso pecado.
            Apenas este versículo já seria o bastante para que concluíssemos qua a lei não foi abolida. Mas pode ser que ainda reste um pensamento de que a graça de Deus nos livra das obrigações da lei. Por isso leremos Romanos 6:1,2,14 e 15: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?[...] Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum”. É útil neste momento definirmos pecado: “todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é transgressão da lei”(1 Jo. 3:4).
            Diante destas passagens podemos concluir que a lei de Deus não foi anulada  pela morte de Jesus e ainda temos a obrigação de observá-la, pois esta é a vontade de Deus.
            Infelizmente alguns cristãos estão confundindo o pecado acidental, que é aquele que está presente na vida do cristão convertido, com o pecado por rebelião. A graça de Cristo é suficiente para perdoar o pecado acidental. Mas Deus reprova e condena o pecador consciente, ou seja, aquele que pratica o pecado por escolha.
            Deus fala sobre filhos rebeldes em Isaias 30: 1,8 “ Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que executam planos que não procedem de mim e fazem aliança sem a minha aprovação, para acrescentarem pecado sobre pecado! [...] porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor”. O novo testamento confirma a aversão de Deus ao pecado consciente. O autor de Hebreus diz no capítulo 10:12: “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados”. Não há respaldo bíblico para transgredirmos a lei de Deus baseados na graça de Cristo.
            O fato é que uma grande parte dos cristãos não têm problema com 9 dos 10 mandamentos. Dificilmente veremos alguém defendendo o furto, o adultério ou a desonra a pai e mãe. O mandamento que incomoda é o quarto, o sábado. Por isso não podemos encerrar esta sessão sem citarmos Tiago 2:10: “Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”. Portanto, mesmo após a morte de Cristo, ainda é vontade de Deus que guardemos todos os seus mandamentos.

Amo o Deus que me salvou de Graça

            Imagine que você recebeu um presente muito grande e caro de alguém que não tinha obrigação nenhuma de presenteá-lo. Certamente o seu sentimento em relação à pessoa que o presenteou seria de muita gratidão.
            O presente que recebemos de Jesus, a salvação, é maior do que qualquer que poderíamos receber. Nosso sentimento em relação a Ele é de amor. Dificilmente você ouvirá de um cristão que ele não ama Jesus.
            Nosso amor cresce mais ainda quando meditamos no desprendido amor de Deus. “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”(Rom. 5:8). Não tem como não amar alguém que me ama tanto.
            A Bíblia nos diz quais os sinais existentes na vida de alguém que ama Jesus. Em João 14:15 Jesus nos diz: Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.
            Outro título que os cristãos gostam de autodenominar-se é de “amigos de Jesus”. Todos queremos ser amigos do Grande Mestre. Jesus estabeleceu as “regras” desta amizade: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”(Jo. 15:14).
            Amar a Deus é mais que palavras. Amar a Deus envolve ação. “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.  Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos”( 1 Jo. 5:2,3).
            Imagine que um marido infiel foi descoberto por sua esposa, que depois de muito sofrimento resolveu perdoar seu marido e aceitá-lo de volta. Esse marido perdoado depois de pouco tempo voltou a trair sua esposa confiando que seria perdoado novamente. Esse marido não entendeu o perdão de sua esposa. Ela não o perdoou para que ele continuasse no erro.
            Quando Jesus nos perdoa, seu perdão deve nos levar a abandonar o pecado e buscar a fidelidade à sua vontade. A graça de Cristo é suficiente para nos perdoar, mas além disso a graça nos dá poder para deixarmos as trevas e andarmos na luz.