sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vinícius Mendes de Oliveira
Mestrando em Ciências Sociais na UFRB
Professor de Língua Portuguesa no IAENE
Aluno do 7º período do SALT – IAENE
vimeo@hotmail.com


NO ESPÍRITO DE ELIAS
(Matéria de Capa da Revista Adventista de Maio/2011)

As características da vida e ministério de Elias representam a forma como Deus guiará Seu povo para o cumprimento da missão.


“Eis que enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.” Malaquias 4: 5-6


Introdução

O texto acima propõe um interessante parâmetro para o povo de Deus em nossos dias. Malaquias termina seu livro profetizando a respeito da vinda de Elias, antes do aparecimento do Messias. No que diz respeito ao primeiro aparecimento de Jesus, essa profecia se cumpriu em João Batista.

No entanto, a expressão “grande terrível Dia do Senhor” deve ser aplicada também ao segundo aparecimento de Jesus nas nuvens do Céu. Por isso, é importante perceber que a vida de Elias, com todas as nuances que o relato bíblico revela, apresenta-se como um importante paralelo para aqueles que têm de anunciar ao mundo as três mensagens angélicas. Na verdade, tal qual o Elias histórico, o Elias escatológico deveria levar as pessoas à conversão a fim de livrá-las dos juízos reservados para os ímpios.

O problema é que quando se examina a vida de Elias têm-se a impressão que ele é um tipo quase que não humano de profeta. Ser como ele parece algo impossível. Tiago aumenta essa nossa perplexidade diante de Elias:

“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.” (Tiago: 5:17)
Assim, a Bíblia deixa claro que o padrão que Deus nos deu (Elias) era “sujeito aos mesmos sentimentos” que nós, ou seja, possuía uma natureza pecaminosa, sujeito a cometer atos pecaminosos, mas que, pela fé, foi um vitorioso na vida espiritual e se tornou um poderoso anunciador da justiça em seu tempo, cumprindo a missão que Deus lhe deu. Isso nos permite inferir que Elias representa o caráter do povo remanescente nos últimos dias, de forma que nós deveríamos analisar sua vida fim de extrair de suas vitórias e fracassos lições para o cumprimento da missão da igreja.

Um exame da vida de Elias permite perceber pelo menos três características que marcaram seu ministério: a inconformidade com a pecaminosidade de sua época, sua relevância profética e a depreesão laodiceana que experientou.

A Inconformidade de Elias

Os últimos versículos de I Reis 16 pintam um lamentável quadro do Israel governado por Acabe. O verso 31 diz que Acabe andou nos pecados de Jeroboão, ou seja, adorava a Jeová, utilizando imagens de esculturas para representá-lO, quebrando e levando o povo a quebrar o segundo mandamento, que proíbe o uso de imagens de escultura na adoração (Êxodo 20: 4 e 5). Além disso, os versos 31, 32 e 33 mencionam o casamento de Acabe com Jezabel, a qual introduziu o culto a Baal em Israel, com toda a licenciosidade que isso implicava. “Ao Elias ver Israel aprofundar-se mais e mais na idolatria, sua alma ficou angustiada e despertou-lhe a indignação.” (Profetas e Reis, p. 57)

Esse sentimento que houve no profeta deve ser manisfestado na vida individual e corporativa da igreja remanescente em nossos dias. O apóstolo Paulo é enfático em Romanos 12:2 onde diz “não vos conformeis com este século.” Essa inconformidade deve produzir uma manifesta diferença entre o povo de Deus e o mundo, deixando claro que o fiel reamanescente não sucumbe aos apelos da cultura contemporânea que pressiona as pessoas a assumirem uma forma de vida contrária ao ensino da Palavra de Deus.

A inconformidade de Elias com a apostasia de sua geração o levou a uma busca insistente por vindicação da verdade de Deus.

Tiago 5:17 menciona que Elias orou “com insistência”, para que Deus interrompesse as chuvas. É importante mencionar, neste momento, o fato de que Baal era considerado um deus provedor de chuvas, já que, na mente de seus adoradores, ele era responsável pelos fenômenos naturais. O profeta, insistentemente, orou para que a mentirosa impressão de que Baal estava “abençoando” Israel com a chuva, fosse desfeita. Só havia um meio de conseguir isso: O Senhor Deus “fechar” o céu. Era com esse propósito que Elias orava.

Na verdade a insistente oração do profeta estava baseada em uma exortação divina através de Moisés, quando orientava o povo a respeito de como deveriam se comportar como nação:

“Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prosteis perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos dá.”(Deut. 11:16-17)
Nessa passagem, Moisés adverte o povo para o fato de que a idolatria resultaria em uma terrível estiagem. O fato é que nos dias do rei Acabe, embora toda a sua impiedade, havia prosperidade, devido, entre outros fatores, à regularidade das chuvas. Elias insistentemente orou, então, para que Deus interrompesse as chuvas, fazendo o povo lembrar-se da Palavra de Deus, voltando-se a Ele.

Essa passagem da vida de Elias reserva uma importante lição para o povo remanescente: fé na palavra de Deus e oração com base nas promessas apresentadas na revelação são essenciais para o sucesso no cumprimento da missão. Assim, movido por um senso de grande insatisfação com a apostasia predominante, Elias, um profundo conhecedor da vontade de Deus revelada no Pentateuco, pôs-se a orar para que o Senhor interviesse no curso da história, impedindo que a onda de impiedade prosseguisse.

Tal qual Elias fez, devemos fazer hoje. Devemos ter a Bíblia e o Espírito de Profecia como base para nossas ações, em qualquer aspecto de nossas vidas. Não podemos nos acomodar, muito menos nos adequar, aos ditames pecaminosos do mundo. As pessoas precisam perceber com clareza que nos opomos veementemente aos caminhos errados do secularismo e, por nós, serem advertidas contra isso, através do testemunho de nossa vida prática e pregação.

A Relevância Profética de Elias

Nesse momento é importante ter em mente que Elias sabia exatamente o que deveria pregar para o Israel de seus dias e não se desviou de seu foco. Na verdade, Elias era um tipo de pregador que não amenizava o que tinha de dizer. Não pretendia ser visto como politicamente correto, relativizando a verdade que tinha de anunciar em nome de uma política de boa vizinhança. Ele era enérgico e inflexível ao anunciar a verdade. Fazia a sua parte e deixava as consequências com Deus.

Elias diz ao rei acabe: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra (I Reis 17:1).

Nas entrelinhas dessa mensagem de Elias estava o tema da adoração. Na verdade, o anúncio desse juízo a Israel era baseado, na advertência de Moisés em Deuteronômio, que orientava o povo a não abandonar a adoração ao Deus verdadeiro, seguindo deuses falsos.

É interessante observar o paralelo que há entre essa mensagem de Elias a Israel e o tom imprecatório e até ameaçador que aparece no conteúdo da terceira mensagem angélica, a qual temos o dever de anunciar ao mundo hoje.

“Se alguém adora a besta e sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também este beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9-10)
Guardadas as devidas diferenças, as duas mensagens corajosamente apresentam a consequência terrível do pecado da adoração falsa.

Da mesma forma como o Israel do tempo de Elias estava em crise por não saber a quem adorar, coxeando “entre dois pensamentos” (I Reis 18:21) o mundo de hoje está divido entre Deus e os ídolos modernos.

O presente século é tão verdadeiramente um século de idolatria como aquele em que Elias viveu. Pode não haver nenhum altar externamente visível; pode não haver nenhuma imagem sobre que os olhos repousem, contudo, milhares estão seguindo após os deuses deste mundo – riquezas, fama, prazeres e as agradáveis fábulas que permitem ao homem seguir as inclinações do coração não regenerado. (Profetas e Reis, p.177)
Está explícita na Bíblia e no Espírito de Profecia qual é a verdade presente para os nossos dias. O adventismo precisa ser distintivamente específico no que diz respeito a sua identidade doutrinária e deve enfatizar as verdades que lhe são peculiares. Somos um povo que nasceu de um movimento profético que anunciou ao mundo a volta de Jesus. Não devemos abandonar as verdades que compartilhamos com os evangélicos, mas devemos enfatizar, em um “alto clamor”, as verdades que Deus confiou ao povo remanescente, especificamente a terceira mensagem angélica.

Embora houvesse muitas coisas boas e agradáveis que podiam ser pregadas nos dias de Elias, ele sabia de que o povo precisava exatamente ouvir em sua época: o juízo de Deus viria, cumprindo uma profecia de Moisés (Deut. 11:16-17). Essa não era uma mensagem agradável de ser pregada, mas para permanecer fiel a sua legítima vocação profética, Elias não podia desviar seu foco dela. É importante lembrar que no tempo de Elias já havia pregadores (falsos profetas) que falavam o que as pessoas gostavam de ouvir (I Reis 22:11-12).

Comentando a coragem profética de Elias, Ellen G. White aconselha o povo remanescente, falando especialmente aos pregadores:

Há necessidade hoje da voz de severa repreensão, pois graves pecados têm separado de Deus o povo. A infidelidade está depressa tornando-se moda. “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lc 19:14), é a linguagem de milhares. Os sermões macios tão frequentemente pregados não deixam a impressão duradoura; a trombeta não dá o sonido certo. Os homens não são atingidos no coração pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus. (Profetas e Reis, p. 140)
As pessoas devem ser levadas a entender claramente a terrível situação em que se encontram. Nossas verdades distintivas devem receber destaque em nossa pregação. A apresentação dos temas proféticos, em especial os que envolvem a identidade do movimento remanescente, devem ser proclamados em grande voz e sem rodeios.

Quando fizermos isso, no poder e na virtude de Elias, chamando o povo a uma tomada definitiva de posição como fez nosso profeta no monte Carmelo (I Reis 18:21), Deus derramará sobre nós a chuva serôdia, ratificando nossos esforços missionários, como fez com Elias ao fazer descer fogo do céu (I Reis 18:38), e o mundo será iluminado com a veradade (Ap. 18:1). Dessa forma, como ocorreu no Carmelo, os sinceros que hoje estão perdidos no vale da decisão, serão levados a exclamar “O Senhor é Deus!”, depois de verem o poder de Deus, através da coragem do profeta Elias ( I Reis 18: 39).

O episódio do Carmelo foi memorável. O Senhor respondeu com fogo e consumiu a oferta de Elias. Houve uma conversão em massa, mas algo estranho aconteceria no coração do profeta.

O “Laodeceanismo” de Elias

A ira de Jezabel se ascendeu contra Elias. O homem cujo nome significa “Jeová é Deus” temeu a mulher cujo nome fazia uma direta referência a Baal como Deus (I Reis 19: 2 e 3). Ele empreendeu uma fuga que o levou a um dos mais eminentes lugares da história de Israel: Horebe, o monte de Deus.

Por mais que aquele lugar fosse importante para a história de Israel, não era ali que Deus queria Elias. O profeta tinha uma missão e estava fugindo dela. Sem dúvida esse foi um momento de terrível incredulidade, que levou o profeta para dentro de uma caverna.

Na verdade a caverna em que Elias se escondeu representava todo o seu orgulho espiritual. No interiror dela, “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (I Reis 19: 10)

O medo de continuar pregando sua severa mensagem levou o profeta à fuga. É interessante observar que Elias fugiu para um lugar sagrado na história de Israel. Horebe era um outro nome para o o monte Sinai, local onde Deus havia dado a Lei ao Seu povo. Embora o Sinai fosse um monte sagrado, não era lá que o Senhor queria que Elias estivesse. Deus queria Elias anunciando a Lei que séculos atrás naquele mesmo monte fora dada ao povo de Israel, a qual eles estavam quebrando. Mas num surto de medo e orgulho espiritual, o profeta esconde-se na caverna, deixando de cumprir sua missão.

É importante a comparação com a atitude de Moisés nesse momento, porque quando Deus sugeriu que o povo que idololatrava no pé do monte fosse destruído a postura dele foi uma linda intercessão em favor daquele povo (Êxodo 32: 11-13). A Bíblia resgistra assim a atitude de Moisés diante da idolatria do povo no pé do monte Sinai: “E, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos” (Êxodo 32:15). Moisés desceu do monte Sinai com a Lei para que o povo se voltasse para Deus. Elias subiu para o monte, deixando o povo sem ouvir sua voz profética.

Uma terrível tentação para o adventismo contemporâneo é querer desculpar a sua omissão missionária, fugindo para o “Horebe” de um triunfalismo sem lugar. Deitarmo-nos no “berço esplêndido” de uma igreja doentiamente voltada apenas para si mesma e esquecermos que as pessoas lá fora precisam de nós é a mais séria tentação com a qual temos que lidar como povo.

O inimigo tem trabalhado duro para que não preguemos nossas mensagens distintivas ao mundo e fiquemos voltados para nós mesmos, com programações que servem apenas para nos “engordar” espiritualmente em “banquetes” laodiceanos nos quais Jesus é deixado à porta batendo, convidando-nos a levar nossa mensagem às pessoas que estão morrendo de fome espiritual no mundo (Ap. 3:20). Enquanto o mundo perece sem esperança, nós nos “fartamos” da mensagem que é a única esperança para essa geração. O pecado laodiceano é claramente apresentado por Deus nas seguintes palavras:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre cego e nu.” (Apocalipse 3:15-17)

A acusação de Deus a Laodicéia dá conta de seu orgulho espiritual, o qual produz uma mornidão letárgica e falta de zelo missionário, que enoja ao Senhor. Diz a senhora White:

“A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade. Nem são frios nem quentes; ocupam uma posição neutra e, ao mesmo tempo, lisonjeiam-se de não necessitar de coisa alguma. A Testemunha Verdadeira aborrece essa mornidão. Causa-Lhe desgosto a indiferença dessa classe de pessoas. (...). Não se empenham inteiramente e de coração na obra de Deus, identificando-se com seus interesses; mas se mantêm afastados, e estão prontos a deixar seus postos quando os interesses mundanos, pessoais o exijam.” (Testemunhos Seletos, Vol. 1, p. 476 e 477)

Está evidente nas linhas acima qual é o motivo da insatisfação de Deus com Seu povo em nossos dias: falta de empenho missionário, indiferença com a necessidade espiritual das pessoas e lisonja a respeito de sua condição. Esse é o espírito laodiceano em essência. É por isso que a serva do Senhor diz que “A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade.” O conselho em Apocalipse é claro, portanto: “... que de mim compres (...) colírio para ungires os olhos , a fim de vejas” (Apocalipse 3: 18).

Na escuridão da caverna, Elias também precisava enxergar a condição em que estava. Escondido, sozinho e considerando-se orgulhosamente o único fiel em Israel, Elias não conseguia ver que, embora Israel realmente estivesse apostado, sua omissão o colocava também em uma pecaminosa situação.

No entanto, I Reis 19:9 apresenta um lindo detalhe que às vezes nos passa despercebido. Deus diz a Elias, quando o profeta estava no interior da caverna: “Que fazes aqui, Elias? Deus se dirigiu à entrada da caverna e convidou o profeta a sair de lá. Observe o advérbio de lugar que Deus usou: “aqui”. Esse termo indica que o Senhor entrou na da caverna onde Elias estava com o objetivo de tirá-lo dali. Se não estivesse lá, Ele poderia ter dito: “Que fazes aí, Elias?”, mas não. Deus resolveu ir à caverna onde Seu servo estava para tirá-lo de lá, curando-o de sua depressão laodiceana. Graça maravilhosa!

Essa atitude de Deus diante de Elias na caverna é muito semelhante à postura de Jesus diante dos laodiceanos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo.” (Apocalipse 3:20) O fato de Jesus está à porta, batendo, indica que os laodiceanos, orgulhosos de sua condição espiritual, estão deixando fora de suas vidas a Jesus, O qual representa os necessitados materiais e espirituais que vivem à margem do evangelho (Mateus: 25:40).

O método que o Senhor utilizou para curar a depressão “laodiceana”de Elias, foi:

“Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, em chegando lá unge, a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá ungirás profeta em seu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará.. ” (I Reis 19: 15-17)
É dessa forma que Deus também pretende curar nosso espírito laodiceano. Ele está à porta de nossa caverna, batendo e nos convidando à ceia espiritual que alimentará o mundo com a última mensagem de advertência a qual o Senhor deseja que anunciemos. Ele insta-nos com o verbo “vai”, o mesmo que aparece na célebre comissão evangélica “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.” (Mateus 28:19 e 20). O verbo ir, foi usado por Deus para Elias no modo imperativo na segunda pessoa do singular (vai), indicando uma ordem pessoal para ele, enquanto que na grande comissão evangélica de Mateus 28:19 e 20 o verbo também está no imperativo, mas na segunda pessoa do plural, indicando que esta ordem é para todos aqueles que são discípulos de Jesus. Só indo e cumprindo nossa missão, somos imunizados contra a mornidão espiritual profetizada a respeito da igreja de Laodicéia. Como o “Elias” para o tempo final podemos ouvir da boca de Deus um sonoro “VAI” individual ou mesmo um “IDE” corporativo.

Conclusão

O fato é que Elias foi e cumpriu aquilo que Deus esperava dele. Ungiu Hazael rei sobre a Síria, Jeú, rei sobre Israel e Eliseu como profeta em Israel. Todas essas atitudes eram politica e espiritualmente necessárias naquele momento para que a reforma iniciada por Elias tivesse continuidade.

O Senhor ainda esclarece ao profeta algo que ele não sabia, com o propósito de confortá-lo e animá-lo: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou. ” (I Reis 19:18). Essa explicação de Deus a Elias pode ser relacionada a expressão “povo meu” que aparece em Apocalipse 18:4 “Retirai-vos dela, povo meu”. No mundo há milhares de pessoas sinceras que nunca ouviram as advertências derradeiras de Deus a este mundo e que, quando ouvirem, se unirão ao povo de Deus, antes que a porta da graça se feche. São os sete mil que não dobraram conscientemente seus joelhos a Baal e vivem fiéis de acordo com a luz que possuem. Elas só precisam ouvir. Deus deseja profundamente nos usar para isso.

Elias reabilitou-se de sua condição espiritual e continuou servindo ao Senhor. Após o Seu servo cumprir sua missão, Deus o tomou para Si, fazendo-o “um tipo dos santos que estarão vivendo na Terra por ocasião do segundo advento de Cristo, e que serão ‘transformados num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta (1 Co 15: 51, 52) sem provar a morte.” (Profetas e Reis, p. 114).

Elias, dessa forma, passou a fazer parte do seleto grupo de seres humanos que vivem no Céu, como representantes de todos aqueles que um dia estarão lá. Elias portanto tipifica aqueles salvos que estarão vivos e vivenciarão os eventos finais, apresentando, resolutamente a última mensagem de advertência a esta Terra.

Essa recompensa- seja para aqueles que permanecerem vivos, seja para aqueles que serão tirados antes - incluirá todos aqueles que viverem “no espírito e poder de Elias” (Lc 1:17)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Iminência: uma noção essencial


A consciência de que Jesus está às portas é o grande segredo para estarmos sempre preparados.

Felippe Amorim


Introdução



Não precisa ser um grande observador para perceber que algo muito estranho está acontecendo no planeta Terra. São tragédias constantes em todas as áreas imagináveis: sociais, econômicas, naturais etc.

Um dos fatos que chamou atenção do planeta foi o terremoto ocorrido no Japão em Março de 2011. Para termos uma ideia do tamanho deste evento sísmico, podemos compará-lo com outra grande catástrofe, o terremoto no Haiti em 2010. Este terremoto foi cerca de 900 vezes menor que o abalo japonês, mas matou 10 vezes mais. No Haiti morreram cerca de 200.000 pessoas e no Japão cerca de 20.000 pessoas.

Dentre as diversas diferenças entre esses dois países, uma foi determinante: todos os dias os japoneses esperavam pelo grande terremoto.

Há vários anos os sismólogos anunciavam o risco de um grande terremoto no Japão e todos os dias os japoneses acordavam pensando que aquele poderia ser o dia. A noção da iminência do terremoto fez com que eles estivessem diariamente preparados e isso determinou o pequeno número de mortos em relação ao Haiti.

Quando li esses dados em uma revista de circulação nacional lembrei-me do texto de Mateus 24:45-51, a parábola do servo bom e do servo mau. Esta é a segunda de seis ilustrações dadas para mostrar a importância de velar e estar preparado para a volta de Jesus. A ênfase na preparação para a volta de Cristo é mais destacada nestas parábolas do que a preocupação excessiva com a data do evento.


Identificação dos servos



Certamente a mensagem desta parábola tem muita relevância para o mundo atual e por isso será muito útil identificar quem são os personagens da história bíblica e quem seriam seus correspondentes hoje.

A primeira informação que o texto dá sobre os servos é que eles são aqueles a “quem o senhor confiou os servos”(v. 45). Outra informação importante é que estes homens são “aqueles que devem dar sustento (alimento) aos conservos”(v.45). Estas duas frases do texto inspirado nos indicam que os servos representam àqueles que têm a responsabilidade de cuidar e alimentar a igreja. Esta parábola se aplica especialmente aos dirigentes espirituais da igreja. Mas, sem dúvida, é possível aplicá-la também a cada cristão, pois todos somos sacerdotes de Deus e devemos cuidar uns dos outros (1 Pe. 2:9).



Características dos Servos



O texto bíblico trata de dois servos, um bom e um mau. Podemos perceber algumas semelhanças entre estes personagens. Ambos conhecem o senhor, sabem que o senhor virá e também os dois receberam uma responsabilidade do senhor.

A aplicação é muito óbvia: todos nós cristãos estamos incluídos nesta descrição dos servos. Nós conhecemos a respeito de Jesus, sabemos que Ele voltará à Terra e todos recebemos uma responsabilidade na missão de Deus. Cada cristão está incluído nesta parábola. Resta-nos saber qual servo somos.

Continuando a descrição dos servos, a Bíblia apresenta diferenças entre eles. O servo bom alimenta os conservos (v. 45) e trabalha até o momento da volta do seu senhor(v.46). Duas características muito importantes para a igreja do século XXI. Infelizmente alguns pregadores não estão alimentando a igreja, pois insistem em sermões que fogem da Bíblia. A única coisa que poderá realmente alimentar espiritualmente é a palavra de Deus, é ela que deve estar em evidência nos púlpitos. A segunda característica do servo bom deve ser uma inspiração para nós. Trabalhar sem desanimar até ver nosso Senhor nas nuvens.

As características do servo mau são bem destacadas no texto. Se apurarmos nossa visão perceberemos que o maior destaque desta parábola é dado ao servo mau, como se Jesus estivesse nos alertando para não o imitarmos.

O servo mau “diz consigo mesmo: meu Senhor demora-se”. Interessante! Ele não fala abertamente que não crê na volta do senhor para logo. Porém, basta observar as suas ações que perceberemos a sua falta de senso de iminência. Falta convicção para este servo. O texto ainda diz que ele espanca os companheiros e bebe e come com ébrios.

O mau servo hoje é aquele cristão, líder ou leigo, que apesar de saber de todas as promessas bíblicas e dos sinais da volta de Jesus, come, bebe, se veste, fala, canta, trabalha como se Jesus fosse voltar daqui a muito tempo. Mesmo frequentando a igreja e ouvindo os alertas da Bíblia, não vive como alguém que aguarda Jesus para logo.

Não sendo isso suficiente, ele ainda trata mal aqueles que vivem em busca constante pela santificação e dá um tremendo mal testemunho frequentando lugares e consumindo coisas que não são adequadas para um cristão. Infelizmente, segundo a parábola que Jesus contou, tem gente assim dentro da igreja.
A recompensa dos servos

A parábola não se encerra antes de expor a recompensa que cada um desses servos terá por causa de suas escolhas.

Para o servo mau, Jesus diz que ele terá a “sorte com os hipócritas”(v. 51). Isso é muito coerente já que este servo viveu uma vida de hipocrisia. Nos cultos estava na igreja bem vestido, talvez cantando, pregando. Mas fora da igreja vivia como alguém que não conhecia Jesus. Tinha uma vida dupla, era uma coisa na igreja e outra no mundo.

Para as pessoas deste grupo, o Senhor virá de surpresa. Apenas para este grupo, Jesus vem como um ladrão e então haverá “choro e ranger de dentes”.

O panorama para o servo bom é outro completamente diferente. Jesus prometeu que este servo, que não perdia a noção da iminência do retorno do seu senhor, desfrutaria de “todos os seus bens”.

Todos os cristãos que viverem de forma coerente com os textos inspirados deixados por Deus para nós receberão a vida eterna, as mansões celestiais e todos os outros bens que Deus tem preparado como recompensa. O servo bom é aquele que está preparado em todos os momentos para a volta de Jesus.


Conclusão
Nos primórdios do movimento adventista viveu Guilherme Miller. Seus contemporâneos entenderam errado a profecia bíblica, e acabaram acreditando que a data do retorno de Jesus à terra seria o dia 22 de outubro de 1844. No dia marcado muitas pessoas estavam aguardando o Senhor aparecer no céu. O dia passou e, decepcionados, todos voltaram para casa. Depois Miller e muitos outros compreenderiam a profecia corretamente. Mas nos dias seguintes ao grande desapontamento alguém querendo zombar de Guilherme Miller perguntou para quando ele aguardaria Jesus retornar dessa vez. Miller deu uma reposta que deve motivar cada cristão. Ele respondeu: “Eu esperarei para hoje, hoje e hoje até que ele venha”.

É assim que Jesus quer que o esperemos. Somente uma constante noção de iminência poderá nos fazer preparar-se agora e amanhã e depois até que ele venha. Que Deus coloque em nosso coração todos os dias o desejo ardente de vê-lo face a face.

felippeamorim@hotmail.com
Twitter - @p_felippeamorim





quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conexão Impossível

Felippe Amorim

O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável. (Pv 28:9)



Introdução



Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados.

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem. Querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-lo.


Que mensagem dura! É isso mesmo?



Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? Esta é uma mensagem muito dura, Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original?

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2 Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida sec. XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso.

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.



De quem o verso fala?



O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer.

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de provérbio 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor.

É importante também destacarmos a quem o verso não está se referindo. O texto

não se refere a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13).



O que tudo isso significa?



A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina.

A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras.

Quando estudamos os textos sagrados precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis, qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus.

O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno: “Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras (Am. 5:21-23). O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível.

Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça (Is. 59:1,2). Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia.

Ellen White confirma estes conceitos em diversos momentos: “Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”. (Mensagens Escolhidas V.3. p.199)

Comentando a primeira mensagem angélica ela escreveu: “Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: "Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem." Ecl. 12:13. Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. "Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável." I João 5:3; Prov. 28:9.( O Grande Conflito, págs. 435 e 436).

Completando este pensamento, ainda lemos: “Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que "o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável". Prov. 28:9 (Patriarcas e Profetas, 584).

Conclusão



A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus.

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência para àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar para aqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário.

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus.

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. (1 Jo. 1:9). A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus. Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Na contramão do mundo

Felippe Amorim




Introdução



Fiquei curioso para saber quais as lutas que os jovens cristãos têm enfrentado nesses tempos em que vivemos, então resolvi fazer uma pesquisa rápida sem muito rigor científico entre alguns alunos de uma escola de Ensino Médio. Passei um questionário simples com duas perguntas. A primeira foi: Em quais áreas você tem maior dificuldade de ser fiel a Deus? A segunda pergunta foi: Para você, qual é o maior desafio de um jovem cristão hoje?

As respostas foram muito interessantes. Para a primeira pergunta 64% dos pesquisados responderam que era ouvir somente músicas cristãs, 58% disseram que têm muita dificuldade em ler a Bíblia e orar diariamente. 21% indicaram problemas com a Internet, 26% responderam que têm dificuldade em sempre falar a verdade. Algumas áreas como sexualidade e frequência aos cultos também foram indicadas, dentre outras.

Para a segunda pergunta, tivemos respostas muito significativas também. Permanecer puro, se desligar das coisas mundanas e seguir os dez mandamentos foram algumas das respostas que obtivemos.

Sem dúvida, ser cristão no mundo contemporâneo é um grande desafio e ser um jovem cristão neste contexto é mais desafiador ainda.

Sempre ouvimos que o cristão precisa andar na contramão do mundo. Vamos pensar um pouco sobre o que significa estar na contramão. Estar na contramão não é confortável, é mais fácil ir para onde todos estão indo. A contramão é um lugar perigoso com grandes possibilidades de se machucar. Não é popular estar na contramão, certamente críticas serão ouvidas. Pode haver colisões frontais. Quando andamos na contramão certamente nos encontraremos com aqueles que vêm no sentido contrário. Finalmente é necessária muita coragem para estar nesta posição. Será que Deus realmente quer que andemos na contramão do mundo e soframos tantos constrangimentos?

A contramão: um imperativo bíblico



Em Romanos 12:2 lemos: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Não se conformar é não ter a mesma forma, em outras palavras é não estar na mesma direção. Deus requer de cada cristão que ande na contramão deste mundo.

A Bíblia nos apresenta vários exemplos de pessoas que escolheram estar na contramão deste mundo. Gostaria de destacar um deles.

O profeta Daniel foi levado de sua terra natal para a Babilônia quando ainda era jovem, provavelmente aos 18 anos de idade. Aquele lugar era o maior centro cultural e político de sua época. Em Daniel 1:5 lemos: “E o rei lhes determinou a porção diária das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem alimentados por três anos; para que no fim destes pudessem estar diante do rei.” Há uma palavra que precisamos destacar deste verso, “determinou”. A “mão” do mundo para Daniel naquele momento era comer daquilo que o rei havia posto à mesa. A Bíblia registra qual foi a atitude do jovem profeta: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”(Dn 1:8). Daniel resolveu andar na contramão do mundo.

Se analisarmos este verso perceberemos que não foi uma decisão fácil. Dentre todos os escravos, Daniel estava numa posição privilegiada, pois foi escolhido para estudar na “Universidade da Babilônia”, a melhor do mundo. Ao decidir não estar na “mão do mundo” ele estava arriscando perder a vaga na universidade, perder status social elevado e um bom emprego. A despeito de tudo isso, o profeta dá dois passos importantes que devem ser dados por todo cristão jovem ou adulto. Ele “decide” não se contaminar, mas apenas decidir não é o suficiente, logo após ele vai para a ação, pedir ao chefe dos eunucos. Decisão e ação devem marcar a vida dos cristãos que andam na contramão do mundo.

Deus nunca desampara seus filhos. A atitude de Daniel de andar na contramão do mundo foi recompensada pelo Senhor. Em Daniel 1:15 lemos que por escolher uma dieta diferente dos demais, em dez dias pode perceber-se que ele e seus amigos eram mais robustos que os outros. Depois de três anos de estudos eles foram achados dez vezes mais inteligentes que qualquer outro estudante daquele local (Dn 1:20).



Andar na contramão – A Prática



Aquele episódio pelo qual Daniel e seus três amigos passaram estava diretamente ligado a um importante aspecto do cristianismo, a alimentação. Mas dele podemos retirar um principio útil para qualquer aspecto da vida cristã. Todo cristão precisa andar no caminho de Deus e este é a contramão do mundo.

Na prática funciona assim:

A Mão do mundo diz: sexo livre. A contramão diz: sexo apenas no casamento.

A Mão do mundo diz: pornografia. A contramão diz: pureza da mente.

A Mão do mundo diz: perca tempo com futilidades. A contramão diz: Dedique tempo à Bíblia e oração.

A Mão do mundo diz: desrespeite os pais. A contramão diz: honra teu pai e tua mãe.

A Mão do mundo diz: cole na prova. A contramão diz: tire nota baixa, mas não cole.

A mão do mundo sempre leva à perdição, somente a contramão do mundo pode nos levar ao céu.



Qual o segredo?



É possível que nesse momento alguns estejam pensando: Sei que preciso estar na contramão do mundo, mas não tenho forças, como conseguirei?

Ellen White escreveu sobre Daniel: “O profeta Daniel tinha um caráter notável. Ele foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Santificação, 18). O Salmo 119: 9-11 diz: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra. De todo o meu coração tenho te buscado; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”.

Não existe fórmula mágica para a fidelidade. Apenas a união com Jesus pode nos dar forças para resistirmos às ondas deste mundo. Somente Cristo pode nos indicar o caminho. “Quando te desviares para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: este é o caminho, andai por ele” (Is. 30:21). Necessitamos com urgência ter mais intimidade com Deus para ouvirmos sua voz e só então podermos andar na contramão do mundo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Prega a Palavra
(Uma versão deste texto foi publicada na Revista do Ancião de Abril-junho de 2011)


Felippe Amorim




Vivemos nos últimos dias da história da humanidade. Não há dúvida de que estamos muito próximo da volta de Jesus a este planeta. As profecias bíblicas a respeito deste período estão se cumprindo fielmente: catástrofes naturais, violência, fome, doenças, dentre tantas outras evidências do final dos tempos.

Os cristãos deveriam estar cada vez mais alerta diante de tudo que tem acontecido. Deus se preocupou em deixar em Sua Palavra conselhos que nos ajudariam a viver melhor neste período. Paulo, em sua carta a Timóteo, informa-nos como seriam os últimos dias da história deste planeta.

Em II Timóteo 3:1 a 5 o apóstolo descreve como estará o mundo pouco antes do retorno de Cristo. Ele informa profeticamente que seriam “tempos díficeis” nos quais os homens seriam “egoistas, avarentos, desobedientes aos pais, cruéis... mais amigos dos prazeres do que de Deus”. Apenas palavras inspiradas poderiam ser tão exatas em sua descrição, pois é um retrato fiel do mundo em que vivemos.

Após nos dar uma visão mais abrangente, Paulo concentra seu olhar na igreja e destaca dois grupos que existiriam nos últimos dias.

O primeiro grupo está descrito em II Timóteo 4:3,4. Este grupo estaria dentro da Igreja, mas sem compromisso algum com a Palavra de Deus. Uma das características desta porção da igreja é que “não suportariam a sã doutrina”. A pregação doutrinária confronta o pecado sem rodeios e isto ofende aos que amam o pecado. Para fugir destes sermões, este grupo procuraria mestres que apresentariam mensagens que “coçariam os seus ouvidos”. Esta expressão do apóstolo nos leva a pensar em pessoas que querem ouvir mensagens “agradáveis”, bonitas ,engraçadas, mas, muitas vezes, vazias.

Infelizmente, muitas igrejas na atualidade têm assumido este padrão homilético, tornando-se, assim, “amigáveis”. John MacArthur em seu livro “Com Vergonha do Evangelho”(Editora Fiel, 2009) diz que “ Nada, praticamente, é dispensado como impróprio para o culto [das igrejas “amigáveis”] ... Aliás, uma das poucas coisas que é considerada como inadequada é a pregação clara e poderosa”(p. 46). Este autor registra alguns depoimentos interessantes de líderes destas igrejas. “ Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas”. “Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los”. “O Pastor está pregando mensagens bastante atuais... mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” (p. 48-49). Percebe-se facilmente que não há compromisso algum com a Palavra de Deus nestas igrejas. O apóstolo Paulo não recomenda estas mensagens e as cita em tom de reprovação.

O segundo grupo está descrito em I Timóteo 4:1,2. Enquanto o primeiro permanece dentro da igreja, este está sofrendo o processo de apostasia. Os motivos são esclarecidos. “Obedecem ensinos de demônios”, ou seja, seguem ensinamentos religiosos que são contrários à Bíblia. Outro motivo apresentado no texto é hipocrisia, pessoas que levam uma vida dupla, são uma coisa na igreja e outra no mundo. Os apóstatas do final dos tempos também têm a “mente cauterizada”, são membros de igreja para os quais nada mais é pecado. O Espírito Santo não consegue mais falar com estas pessoas.

Jon Paulien em seu livro “Deus no Mundo Real”(CPB, 2009) apresenta alguns passos que são dados no processo de apostasia: 1- Deixar a oração particular, orar apenas em público. Na igreja, por exemplo. 2- Deixar de Estudar a Bíblia e o Espírito de profecia. 3- A queda das normas do estilo de vida. 4- Frequência irregular aos cultos. 5- Dúvidas acerca da Bíblia e da Vida futura, ou seja, a pessoa começa a se ater aos “textos difíceis” e aos poucos vai desacreditando da Palavra de Deus. 6- Desconfiança na instituições religiosas, o que redunda em rebelar-se contra a igreja. Em um processo lento e às vezes imperceptível para quem está sofrendo, a pessoa sai da igreja.

O quadro descrito acima é lamentável, mas, graças a Deus, Paulo não nos deixou sem solução. Em I Timóteo 4:1,2 nos é apresentada a saída. A frase chave deste texto é: “Prega a Palavra”. Enquanto não colocarmos em nossos púlpitos e em nossa vida a mensagem da Bíblia como ela é, não conseguiremos escapar do triste fim que está reservado para o mundo.

Precisamos estudar mais a Bíblia, os pregadores precisam pregar mais a Bíblia e menos fábulas e histórias que comovem, mas não alimentam. Apenas a Palavra de Deus pode nos livrar da falta de fé e da apostasia. Paulo nos orienta como deve ser esta pregação. Com longanimidade (paciência) e doutrina. Não devemos usar o púlpito como chicote contra a igreja, a doutrina deve ser pregada com amor, paciência, mas sem omitir nenhuma parte dela.

“Recebidas, as verdades bíblicas elevarão a mente e a alma. Se a Palavra de Deus fosse apreciada como deveria ser, tanto os jovens como os idosos possuiriam uma retidão interior, uma firmeza de princípios que os habilitariam a resistir à tentação”(Ciência do Bom Viver, 459). Que a Bíblia seja nossa companheira diária na jornada rumo às mansões celestiais!

terça-feira, 22 de março de 2011

O chamado para a missão

Alguns acontecimentos são comuns na vida cristã antes da prontidão para o trabalho.





Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. (Isa. 6:8)

Introdução



“Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário.” (Desejado de Todas as Nações, 195). É vontade de Deus que todos aqueles que se convertem sejam imediatamente inseridos no trabalho pela salvação de outros. Todo cristão é chamado para ser um missionário, sem exceção.

Apesar desta verdade bíblica nem todos aqueles que ingressam na igreja de Deus se comportam assim. Alguns aceitam o convite, enquanto outros nunca se dispõem a evangelizar. É verdade que nem todos têm o dom de dar estudos bíblicos ou pregar sermões com eloquência, mas podemos ser missionários usando os dons que Deus nos deu.

O profeta Isaías recebeu a oportunidade, que a nós também é dada, de pregar o evangelho e sua resposta foi: “eis-me aqui, envie-me a mim”. Essa resposta, segundo o próprio profeta, veio “depois disto”. Portanto, algumas coisas aconteceram antes dele aceitar a missão. O que leva algumas pessoas a dar a resposta de Isaías e outros a rejeitarem o chamado? O que acontece na vida de um cristão antes de ele aceitar o convite para a missão? A experiência do profeta Isaías nos ajuda a responder estas questões.

Contemplar a Deus



Em Isaías 6: 1-3 lemos o seguinte: “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo. Ao seu redor havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, e com duas cobria os pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória”.

A primeira coisa que aconteceu na vida de Isaías antes que ele aceitasse o chamado foi comtemplar a Deus. Na descrição, o Senhor estava sobre um alto e sublime trono. Provavelmente, o profeta teve uma visão do lugar santíssimo do Santuário Celestial. Deus sabia que antes que o Seu mensageiro saísse para o trabalho, deveria contemplar a Sua majestade para ter a real dimensão da sacralidade e responsabilidade de sua missão. Qualquer que saia para o trabalho de Deus sem passar tempo contemplando-O terá grandes possibilidades de fracassar em seu trabalho.

O profeta estava lidando com as duas dimensões de Deus. Sua Imanência e Sua transcendência. Estes dois atributos reais de Deus precisam ser compreendidos da maneira correta. Não podemos perder o ponto de equilíbrio entre eles.

Se apenas considerarmos a imanência de Deus, ou seja, sua proximidade com o ser humano, corremos o risco de cometer o erro de muito cristãos no mundo evangélico. Para este grupo, Deus é o “amigão”, “Deus é dez”. A falta de compreensão a respeito da imanência divina chega a tal ponto que a vontade de Deus se confunde com a vontade do ser humano. Quando se chega nesta situação, o cristão pensa que Deus gosta do que ele gosta. Sendo assim, posso comer qualquer coisa, beber qualquer coisa, ouvir qualquer coisa, cantar qualquer coisa, pois se Deus está “em mim”, deve gostar de tudo o que eu gosto.

Do outro lado estão aqueles que desvirtuam a compreensão da transcendência de Deus. Para estes, Deus está tão distante que não se importa com aquilo que se passa comigo, tudo o que Ele quer é me pegar no erro para me castigar. Esse outro extremo também deve ser evitado.

Biblicamente, Deus está próximo de nós o suficiente para ouvir nosso choro, sentir nossas dores e atender nossa oração, porém Ele também é o Soberano do universo e, portanto, merece todo o nosso respeito, obediência e veneração.

Foi exatamente uma cena de adoração e respeito que Isaías viu ao contemplar o trono de Deus. Os serafins se comportavam perante Deus com extrema reverência. A Bíblia os descreve contendo seis asas, com duas cobriam o rosto, com duas os pés e com duas voavam. Além de O reverenciarem como seu corpo, suas palavras também eram de louvor, clamavam: “Santo, Santo, Santo”. Apesar de serem seres perfeitos e espetaculares, os anjos estavam admirados com Deus, não consigo mesmo. O culto de adoração a Deus deve ter o foco nEle e não em nós. O que acontece no culto deve ter a intensão primária de agradar a Deus e não ao adorador.

Todos aqueles que aceitam o chamado para a missão precisam primeiro passar pela experiência de contemplar a Deus. Sempre que agimos assim somos impelidos a louvá-Lo, assim como os anjos o fizeram.

No entanto, não temos acesso físico ao trono de Deus, então como contemplamos a Deus? A Bíblia nos apresenta pelo menos três formas através das quais podemos comtemplar ao Senhor.

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1). Através da criação podemos contemplar a Deus. Certamente Deus não está nas árvores, plantas ou animais. Mas quando olhamos para a natureza, nos lembramos de que há um criador que nos ama e nos salva.

Uma segunda forma de contemplarmos a Deus é através do Estudo da Bíblia. Em João 5:39 lemos: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”. Ao entrarmos em contato com a palavra de Deus podemos contemplá-Lo e perceber sua santidade.

Na igreja, ao nos reunirmos com nossos irmãos, também podemos, pela fé, contemplar ao nosso Deus, “pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” ( Mt 18:20). O salmista disse: “Assim no santuário te contemplo, para ver o teu poder e a tua glória” (Sl 63:2). O momento em que os cristãos estão reunidos como comunidade fraternal é um excelente momento para contemplar a Deus.


Reconhecer a sua condição



Ao contemplar a Deus a reação de Isaías foi a que qualquer ser humano terá quando verdadeiramente se defrontar com o Senhor: “Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!”(Is. 6:5)

Quando o profeta se viu perante Deus, foi inevitável a comparação. A santidade do Pai revelou a pecaminosidade do homem. Quanto mais próximos de Deus estamos, mais reconhecemos a nossa condição de pecadores. “Não permitamos que Deus seja desonrado pela declaração de lábios humanos: "Estou sem pecado, sou santo." Lábios santificados nunca pronunciarão palavras de tanta presunção. ”(Atos dos Apóstolos, 562)

Se tivermos que nos comparar com alguém, devemos nos comparar com Deus e não com outros seres humanos. Quando nos comparamos com Deus percebemos a nossa real condição. Mas quando nos comparamos com outros seres humanos corremos o risco de nos considerarmos bons, consagrados, santificados e nos sentirmos melhores que outros. A comparação “Deus x Homem” é a única verdadeiramente útil para o cristão.

Quando o profeta fez esta comparação a sua reação foi a única possível “Estou perdido!”. Ele sabia que se dependesse de suas obras ele estaria condenado eternamente à morte. Os lábios de Isaías eram impuros e ele percebeu isso quando viu o contraste entre seus lábios e os lábios dos serafins. Dos lábios dos anjos apenas saíam louvores a Deus, mas, certamente, como muitos de nós, os lábios de Isaías já haviam falado vaidade, ou seja, engrandecimento próprio.

“A humilhação de Isaías era genuína. Quando o contraste entre a humanidade e o caráter divino se lhe tornou patente, ele se sentiu inteiramente ineficiente e indigno” (Obreiros Evangélicos, 22).

Porém, todas as vezes que o ser humano se sente indigno dessa forma, abre espaço para que Deus atue em sua vida. Foi isso o que aconteceu com o profeta, o verso seis relata: “Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz”. Arrependimento e confissão são acompanhados da atuação de Deus para justificar e santificar.



Justificação e santificação



“E com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado.”(v. 7)

Todo esse processo pelo qual Isaías passou resultou em um trabalho que Deus executou no profeta e também pode fazer em nós. Este trabalho é feito em duas fases. A primeira é o perdão dos pecados. Deus está atento à confissão dos nossos pecados e está pronto a nos perdoar. Isso é justificação.

A segunda fase está intimamente ligada à primeira. Logo que o pecado é perdoado Deus retira a iniquidade de nós. Isso é Santificação. As duas fases são executadas por Deus.

Ser pecador não é o maior problema do homem. O grande problema é ser pecador e não reconhecer sua condição, se arrepender e confessar. Quando seguimos este processo Deus nos garante a remissão de nossa condição.
Conclusão



Após passar por estes três estágios então Isaías conseguiu ouvir o convite de Deus para a missão. Temos o privilégio de “ir por Deus”. A missão é dEle, nós temos o privilégio de sermos seus representantes. Mas apenas estaremos aptos para isso quando comtemplarmos a Deus diariamente, reconhecermos nossa condição pecaminosa e nos entregarmos a Ele para que seja feito o necessário trabalho de justificação e santificação.

“A brasa viva é um símbolo de purificação, e representa também a potência dos esforços dos verdadeiros servos de Deus. Àqueles que fazem uma tão completa consagração que o Senhor possa tocar-lhes os lábios, é dito: Vai para a seara. Eu cooperarei contigo”. (Obreiros Evangélico, 23). Temos uma necessidade urgente de consagração. Há uma missão para cada um de nós: cumprir a missão de Deus, pregando o evangelho em todo o mundo. Deus hoje pergunta novamente: Quem irá por nós? Espero que nossa resposta seja: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.







sexta-feira, 11 de março de 2011

O que significa temer a Deus ?
(Publicado na Revista Adventista em Março/2011)

Felippe Amorim


O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. (Salmo 34:7)



Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; (1 Pedro 5:8)




Os dois textos acima são complementares. O primeiro é uma linda promessa e o segundo uma séria advertência para cada um de nós.

Saber que temos proteção divina em um mundo tão perigoso é, no mínimo, um alívio. Quando combinamos os dois textos, então, temos uma alegria maior ainda. O alerta feito na carta de Pedro nos diz que existe um inimigo sempre pronto a nos devorar assim como um leão faminto tenta devorar sua presa.

Duas expressões são importantes nestes textos: “Redor” e “derredor”. O anjo está ao redor e o diabo está ao derredor. Podemos perceber uma clara progressão nestas expressões. Temos um amigo protetor bem próximo de nós, mas logo após ele está o inimigo querendo nos destruir.

Enquanto o anjo estiver ao nosso redor estaremos seguros, mas no momento que o anjo sair do seu lugar, o inimigo terá acesso direto à nossa vida e estaremos correndo sérios perigos de consequências eternas.

O salmo 34:7 nos mostra como desfrutarmos permanentemente da companhia do anjo do Senhor. Ele está ao redor dos que o temem. Devemos, portanto, nos preocupar em compreender profundamente o que significa temer a Deus. Inicialmente já devemos saber que o temor nesse texto não é a mesma coisa que ter medo. No sentido bíblico, temer é algo muito mais amplo.

Temer a Deus envolve pelo menos três aspectos da vida cristã: Adoração, Amor a Deus e Serviço. Se compreendermos estes aspectos poderemos temer realmente a Deus e desfrutarmos de sua constante companhia e proteção.

Adoração

 
Adorar a Deus é mais que uma ação pontual é um estilo de vida. Portanto, devo adorar a Deus desde a hora que acordo até a hora que vou dormir, e inclusive meu sono deve ser revestido de adoração a Deus.

Gostaria, contudo, de destacar três aspectos de uma vida de adoração. O primeiro deles nos é apresentado no Salmo 66:4 onde lemos: “Toda a terra te adorará e te cantará louvores; eles cantarão o teu nome”. Adorar envolve cantar louvores a Deus. A música, sem dúvida, é uma maravilhosa forma de adorar o criador. Quando nos reunimos em congregação e entoamos músicas ao nosso Deus, quando ouvimos um lindo hino executado por uma orquestra, solista, grupo, enfim, podemos adorá-lo com todo nosso coração.

Devemos estar atentos para que a nossa música esteja de acordo com a vontade de Deus expressa em Sua palavra. O critério para que escolhamos as músicas de adoração na igreja não deve ser o que EU gosto, mas o que DEUS gosta, pois, “A música, quando não abusiva, é uma grande bênção; mas quando usada erroneamente, é uma terrível maldição”(O Lar Adventista, 408). Analisemos com cuidado os textos inspirados para que possamos utilizar a música sempre sob a vontade de Deus.

Um segundo aspecto da adoração que gostaria de destacar está explícito em Gênesis 22:5: “E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós”. Adorar envolve entrega total. O contexto do versículo anterior é o momento no qual Abraão estava subindo o monte para sacrificar seu filho Isaac. Como pode haver adoração em uma situação como aquela? A adoração consistia no ato de se submeter à vontade de Deus irrestritamente. Há algo que precisamos pensar a respeito daquela ocasião. Abraão não compreendia tudo a respeito da ordem que Deus havia dado, mas adorar a Deus é obedecê-lo mesmo quando não entendemos tudo a respeito do que Ele nos pede.

Quero ainda destacar um terceiro aspecto da adoração. Deuteronômio 26:10 nos diz: “E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás”. Adorar envolve fidelidade nos dízimos. Não há dúvida de que o texto de deuteronômio faz uma ligação íntima entre a fidelidade nos dízimos e a adoração a Deus. Existem declarações bíblicas claras a respeito da devolução dos dízimos e do ato de ofertar. Infelizmente, alguns cristãos têm resistido a este ensinamento divino. Criam suas próprias teorias sem embasamento bíblico e desviam o destino do dízimo e as vezes nem o devolvem. Ambas as ações são contrárias às romendações bíblicas, tornam o cristão um ladrão e o privam de bênçãos, de acordo com o que diz Malaquias 3:8 a 11.

Uma vida de adoração, portanto, é um dos aspectos do temor ao Senhor.
Amar a Deus


Temer a Deus envolve um segundo aspecto da vida cristã. Envolve amar a Deus. Falar de amor nos dias em que vivemos pode nos fazer ter uma concepção errada. O amor, infelizmente, se tornou um sentimento banalizado. Em qualquer relacionamento curto e superficial tem se usado a palavra amor. Mas o amor a Deus envolve compromisso e é mais que um sentimento. Amar a Deus nos leva a ação.

Um primeiro aspecto do ato de amar a Deus que gostaria de destacar é o que está contido em Deuteronômio 11:13: “[...]amar ao Senhor teu Deus, e o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Precisamos amar a Deus sem restrições, com tudo que temos e somos. As vezes isso não é fácil porque envolve abrir mão das coisas que gostamos em prol das coisas que Deus gosta.

Outra faceta do amor do homem para com Deus está em Deuteronômio 11:22: “[...]e andardes em todos os seus caminhos,[...]”. Andar nos caminhos de Deus requer submissão, porque nem sempre os caminhos de Deus são os nossos caminhos e quando não há a coincidência precisamos ser humildes o sufuciente para aceitarmos a vontade de Deus.

Em Deuteronômio 11:1 lemos: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus preceitos e os seus mandamentos, por todos os dias”. Amor e obediência aos mandamentos são coisas inseparáveis do ponto de vista bíblico. Encontramos esta mesma idéia em várias passagens bíblicas (ex. Dt. 31:12,13). A mais clássica, sem dúvida, foram as palavras pronunciadas pelo próprio Senhor Jesus em João 14:15: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Lemos ainda em 1João 5:2 : “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”. Portanto o amor a Deus envolve estrita obediência a todos os Seus mandamentos, lembrando que “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”(Tiago 2:10).

Temer a Deus, portanto, implica em amá-lo irrestritamente e amá-lo significa obedecê-lo, muitas vezes sem entender todos os aspectos do que Ele nos pede.

Serviço a Deus

Ainda há um terceiro aspecto do temor a Deus que precisamos conhecer. Lemos em Deuteronômio 10:12: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”. E o verso 20 complementa: “Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome jurarás”.

O Serviço é uma característica da vida de um cristão que teme a Deus. Infelizmente é comum vermos membros de igreja que a única atividade religiosa que exercem é sair de casa, ir até a igreja e “assistir” ao culto. Não são ativos na causa de Deus. É certo que nem todos estarão nos púlpitos pregando. Deus deu diversos dons à sua igreja e cada membro deve trabalhar de acordo com os dons recebidos. Ninguém ficou sem receber pelo menos um dom.

Porém, todos os dons devem ser usados para a pregação do evangelho. Cristão que de alguma forma não serve a Deus na pregação do evangelho, não pode afirmar que teme a Deus, pois o temor envolve serviço ativo na causa de Deus.

Conclusão


Quando eu era criança, estudava em uma escola que tinha um espaço muito grande. Tão grande que para percorrer toda sua extensão de forma rápida era necessário um carro.

Meus colegas tinham mania de pegar caronas nas Kombis que diariamente passavam na frente do prédio de aulas.

Minha mãe sempre me advertia a não pegar estas “caronas”, pois eram perigosas e eu, por respeitar (temer) minha mãe, realmente evitei por algum tempo. Até que um dia resolvi pegar a carona. O resultado, já anunciado previamente por minha mãe, foi que eu caí, quebrei dois dentes e quando cheguei em casa ainda tive que conter as lágrimas e contar o que tinha feito para minha mãe.

Naquele dia, embora dissesse que respeitava minha mãe, agi como quem não respeita, pois respeito é muito mais que falar, é comprometer-se e obedecer.

Às vezes agimos semelhantemente com Deus, dizemos que o tememos, mas na prática as evidências são de que não O tememos.

Precisamos da proteção de Deus para que estejamos a salvo das investidas de Satanás. Esta proteção está prometida para todos os que O temem, ou seja, para todos que o adoram, amam, obedecem e O servem.

Deus convida a cada um de nós hoje para que abramos nosso coração e deixemos que Ele nos ensine o que é o verdadeiro temor a Deus.