sábado, 15 de outubro de 2011

O Cálculo
Uma realista e direta mensagem de Jesus para a igreja


Felippe Amorim

Professor de história no IAENE e aluno do 6º período do SALT-IAENE

Vinícius Mendes

Professor de Português no IAENE, mestrando em Ciências Sociais pela UFRB e Formando em Teologia no SALT-IAENE



Introdução:

            A obra mais famosa do arquiteto catalão AntoniGaudí é a igreja da Sagrada Família, em Barcelona, um castelo que tem a peculiar característica de parecer ser feito de areia, com torres prestes a desmoronar a qualquer momento. Iniciada em 19 de março de 1882, esta fantástica obra teve que ser interrompida pela morte do seu arquiteto: Gaudí morreu atropelado por um bonde em 1926 antes de poder finalizá-la.
Seu corpo foi enterrado na cripta da igreja, que possui também um museu em que estão maquetes que mostram como o arquiteto/artista imaginava o local. E a obra permanece inacabada até hoje, eternamente em construção, e muitos afirmam que ela nunca será terminada. Esta, sem duvida, é uma das atrações daquele lugar.
Alguns críticos dizem que uma possível versão final do edifício de Gaudi vai parecer muito pouco com o projeto original. Gaudí se recusou a desenhar todo o projeto durante a construção e preferiu fazer alterações com a obra em andamento. Os desenhos originais, durante a Guerra Civil espanhola, foram muito estragados pelos anarquistas. Gaudí passou 40 anos supervisionando o trabalho no edifício, e quando morreu, em 1926, a igreja estava longe de terminar.
Quando vamos realizar uma obra, grande ou pequena, para que tenhamos sucesso, precisamos calcular o que necessitaremos para a sua conclusão em tempo hábil. Quando não damos este passo corremos o risco de repetir o que aconteceu com a basílica da sagrada família em Barcelona: uma grande obra que não pode ser concluída.

A vida cristã pode ser comparada a uma obra que está sendo construída. Sendo assim necessitamos fazer os cálculos para avaliarmos o que precisaremos para avançar. Jesus falou sobre o cálculo para a vida cristã em Lucas 14:25-33. Em seguida vamos analisar este trecho das escrituras.


O realismo de Jesus
           
            O texto começa assim: “Ora, iam com ele(Jesus) grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes: (v. 25)”.  Muitos pregadores se impressionam quando multidões param para ouvi-lo. Às vezes nós mesmos medimos o sucesso de uma igreja pela quantidade de pessoas que estão frequentando as reuniões, mas com Jesus é diferente.
            Neste episódio uma multidão o seguia, mas Cristo parou e virou-se para ela. Certamente não virou para alimentar a vaidade de ser seguido por muitos, tampouco queria conferir se alguém tinha sido acrescentado à multidão. O que ele queria era alertar àquelas pessoas que o caminho que estavam tomando exigiria delas renúncias e por isso elas deviam avaliar se valeria a pena.
            Muitos naquela multidão seguiam a Jesus por motivos errados: popularidade, benefícios físicos, emocionais e sociais. Hoje não é diferente. Ser um cristão em nossa sociedade é motivo de elogios, os cristãos tem uma vida social bastante satisfatória proporcionada pela convivência com os irmãos na igreja. Há vantagens em ser um cristão, mas não é por isso que devemos seguir a Jesus. No momento em que se virou para a multidão Jesus queria alertá-la a respeito do preço de sua decisão.

            O preço da caminhada

Ao olhar para aquelas pessoas Jesus com o coração cheio de amor fala algo que precisamos compreender bem: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo (v. 26,27)”.
            Primeiro precisamos entender o sentido da palavra aborrecer, para que não pensemos que Jesus estava desprezando uma instituição que ele mesmo criou: a família. Quando o Senhor proferiu esta palavra ela tinha o sentido de “Amar menos”. Na verdade a frase de Cristo reforçou o valor da família. Em outras palavras Ele disse: a família é algo muito importante, porém, mesmo ela não pode ser mais importante do que Deus.
            Jesus usou o exemplo máximo para que nós entendêssemos os menores. Se a família, sendo tão importante, não pode estar acima de Cristo, imagine, por exemplo,um emprego que não lhe proporcione oportunidade de guardar o sábado, ou quem sabe um namoro fora dos princípios bíblicos. Podemos aplicar esse conceito também às amizades, aos divertimentos entre outras coisas. Nada pode ser mais importante que Jesus.
O Salvador, portanto, estava falando sobre prioridades. Ele estava querendo nos dizer que as nossas tradições familiares, a opinião do nosso cônjuge, de nossos pais ouqualquer outra questão familiar não pode ser mais importante para nós do que a vontade de Deus.
Jesus vai mais fundo no texto falando em aborrecer à própria vida. Neste momento ele se refere à caminhada cristã. O evangelho de Lucas é uma narrativa da viagem de Cristo em direção à Jerusalém. Neste contexto Cristo estava dizendo àquelas pessoas da multidão: “vocês estão me seguindo, mas devem saber que o final da minha caminhada é a cruz, ou seja, a morte. Querem continuar?”
Sem dúvida isso é uma metáfora da vida cristã, que é uma caminhada para a morte espiritual. O apóstolo Paulo compreendia bem isso quando disse: “Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim(Gl 2:19,20).
A Bíblia nunca nos escondeu os desafios da vida cristã e é vontade de Deus que calculemos todas as implicações de escolhermos este caminho para nós. Por isso que Jesus foi tão enfático: se não tomar a cruz NÃO PODE ser discípulo.

O Cálculo

            Jesus é o maior professor que já existiu e para ensinar aquela lição Ele deu dois exemplos: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar? Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele,dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar.Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? No caso contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda embaixadores, e pede condições de paz”(v. 28-32).
            Estes exemplos podem ser resumidos em uma frase: “Querer não é poder”. Neles nos foi mostrado que para seguir Jesus é preciso mais do que vontade. Os dois homens tinham vontade de realizar seu empreendimento, mas não calcularam os custos da obra, ou seja, não sabiam que não tinham condições logísticas de executar aquilo que desejavam.
            Outro requisito básico para ser um discípulo é ter ciência de que há um preço. Todo este discurso de Cristo nos alerta a respeito do preço de segui-lO. Muitas pessoas querem ser cristãs, mas não estão dispostas a pagar o preço, que pode ser traduzido em renúncias profundas. Em outras palavras, não dá para ser cristão e aproveitar o mundo ao mesmo tempo. Por isso Jesus deu o exemplo do cálculo. Quem seguir sem calcular as renúncias que necessita fazer não chegará ao final da caminhada e acabará envergonhado.
Para entendermos melhor, vamos ilustrar: Imagine que um namorado convide sua namorada para visitar um ponto turístico na cidade vizinha e deseja tomar um sorvete naquela cidade. O dinheiro que ele tem, no entanto, dá apenas para pagar a passagem de ida e volta de ônibus, não sobrando o suficiente para o sorvete. Eles então vão, lá decidem tomar o sorvete e na hora de voltar descobrem o que um simples cálculo prévio esclareceria: ele não tem dinheiro suficiente para pagar as passagens de volta. Que vergonha para o namorado!
Este exemplo nos ajuda a entender o conceito que Jesus gostaria de passar. Não dá para servir a Deus e continuar com as coisas do mundo. Há um preço para a vida cristã, o qual se configura em renunciar aquilo que não tem coerência com a caminhada para o céu.
Há outra coisa que podemos perceber neste trecho das escrituras:Jesus não mendiga nosso discipulado. Quando Ele se virou para a multidão queria deixar claro que aqueles que não estivessem dispostos a renunciar os prazeres transitórios do pecado não teriam a mínima condição de continuar a caminhada cristã.
É muito comum no mundo evangélico atual ouvirmos pregadores apresentando um Cristo que se oferece para as pessoas por qualquer preço. Oferecendo uma graça barata. Esse não é o Cristo bíblico.
É útil salientarmos que embora tenhamos que pagar um preço para seguir Jesus, não é esse o preço que paga a nossa salvação. Trata-se, na verdade, de uma implicação natural da aceitação da salvação divina.O discípulo verdadeiro entende o tamanho do presente que recebeu de Cristo e, em gratidão,está disposto a pagar o preço de seguir a Jesus.
No último verso do trecho que estamos analisando,Jesus arremata o que estava dizendo com uma afirmação bastante realista: “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo”(Lc. 14:33). Você percebeu a expressão “Não pode” de Cristo? Ele está dizendo que mesmo que queira seguir Jesus, o cristão que se apega a este mundo não pode segui-lo. Em outras palavras: “você não tem condições de me seguir enquanto continuar amando o que ama, valorizando o que valoriza.”
Sinceramente, quando ouvi Jesus dizer isso para mim, através da leitura devocional dessa passagem de Lucas, me senti impotente, sem a mínima condição de prosseguir na caminhada cristã. Fiz o cálculo e percebi que não tenho a mínima chance de continuar por mim mesmo. Era como se Jesus estivesse dizendo para mim: “soldado, pede pra sair”. Então, tomei uma decisão: caí de joelhos e clamei a Deus para que Ele me desse o poder para continuar a caminhada, dizendo para Ele: “afinal de contas, foi o Senhor que me chamou para essa jornada. Não pode simplesmente agora dizer que estou fora. Lutei com Ele como Jacó e supliquei que não fosse abandonado sem o poder necessário para prosseguir. Tal como Pedro, reconheci: “Para onde irei, pois só tu tens as palavras da vida eterna”(Jo. 6:68). Entendi, então, qual era o objetivo de Jesus ao me dizer palavras tão diretas e realistas: Ele mais uma vez queria que eu entendesse minha total dependência dEle e buscasse nEle o poder para continuar. Graça maravilhosa!
Nos últimos dias da igreja de Cristo neste planeta haverá três classes de pessoas: Os que farão o cálculo da vida cristã e decidirão sair, os que não farão o cálculo e “ficarão” por algum tempo até saírem envergonhados e os que farão o cálculo, perceberão que não podem por si mesmos e pedirão o poder de Deus para prosseguir. Hoje é o dia de pedirmos o poder de Deus para carregarmos nossa cruz e sermos verdadeiros discípulos de Cristo.

domingo, 11 de setembro de 2011

A Grande comissão:

privilégios e responsabilidades

Felippe Amorim

O que você diria se descobrisse agora que só tem mais dez minutos de vida? Quais seriam as suas últimas recomendações, saudações, pedidos? As últimas palavras de uma pessoa geralmente são as mais importantes de sua vida.

Embora todas as palavras de Cristo sejam importantes, as últimas certamente têm algo de mais especial. O que Jesus deixou como última lição para a humanidade antes de sua partida para o santuário celestial?

O evangelista Mateus registrou assim: E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.(28: 18-20)

Sem dúvida, esta é uma missão desafiadora e vem acompanhada de grandes responsabilidades. Mas foi para isso que Deus nos chamou: “A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo” (Atos dos apóstolos, 9)

Toda missão envolve pelo menos três elementos: O preparo, a estratégia e o Líder. Encontramos os três na grande comissão de Cristo.

O preparo



O texto começa dizendo que Jesus “aproximou-se” dos discípulos. Nada está na Bíblia por acaso. Existe uma mensagem nesta expressão. O primeiro passo no preparo para cumprir a missão de Cristo envolve aproximação com o Mestre.

Não há fórmula mágica para fazer isso, é através da oração e estudo das escrituras que podemos estar próximo de Cristo.

O Próprio Senhor nos deu o exemplo: “Cristo não fez um serviço limitado. Não mediu o trabalho por horas. Seu tempo, Seu coração, Sua alma e força foram dadas ao trabalho para o bem da humanidade. Passava os dias em trabalho fatigante; transcorria longas noites prostrado em oração, pedindo graça e paciência para poder fazer um trabalho mais amplo. Com fortes gemidos e lágrimas, dirigia Suas petições ao Céu, para que fosse fortalecida a Sua natureza humana, a fim de poder estar preparado a lutar contra o inimigo e fortalecido para cumprir a missão de melhorar a humanidade. Cristo disse aos Seus obreiros: "Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também." João 13:15” (Ciência do Bom Viver, 500)

Essa aproximação com Cristo tem um propósito. Somente através dela podemos dar o próximo passo. Jesus disse: “Toda autoridade foi-me dada no céu e na terra”(v.8). Jesus foi investido com a autoridade do céu devido à sua vitória no plano da redenção. Certamente Cristo não cita sua autoridade aqui para exaltar-se, ele quer nos dar um recado. Devemos tomar posse desta autoridade. A palavra “portanto” nos indica que o que virá a seguir decorre e depende da autoridade de Cristo.

O medo é superado pela autoridade de Cristo. As barreiras serão derrubadas pela autoridade de Cristo. É por Sua autoridade que enfrentaremos as forças do mal e sairemos vencedores. É bom frisarmos que autoridade é somente dEle e por isso nenhum evangelista tem motivo para orgulhar-se.

Possuindo um preparo como este apresentado por Jesus, podemos partir para a estratégia de trabalho. O grande estrategista, Jesus Cristo, apresenta-a a nós.

A estratégia

O Senhor começa com uma palavra simples e profunda: “Ide”. Esta expressão nos dá ideia de movimento. Ninguém que esteja parado espiritualmente poderá cumprir a missão. É necessário sair da zona de conforto, deixar o banco da igreja “esfriar” um pouco e partir para o campo de trabalho.

“Quando Abraão foi chamado para tornar-se semeador da semente da verdade, foi-lhe ordenado: "Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei." Gên. 12:1. "E saiu, sem saber para onde ia." Heb. 11:8. Assim também recebeu Paulo a ordem divina, enquanto orava no templo em Jerusalém: "Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe." Atos 22:21. Assim todos os que são chamados para unir-se a Cristo, precisam deixar tudo para segui-Lo. Velhas relações precisam ser cortadas, planos de vida abandonados, esperanças terreais renunciadas. Com trabalho e lágrimas, na solidão e por sacrifício, deve a semente ser lançada” (parábolas de Jesus, 37).

Há algum tempo escutei uma expressão interessante. “A igreja está obesa”. A pessoa estava se referindo ao fato de muito cristãos viverem apenas de “consumirem” sermões e não fazer nada em prol da obra de Deus. Para não fugir da metáfora, obesidade é causada, dentre outras coisa, por falta de atividade física, ou seja, a igreja está “obesa” porque se alimenta, mas fica parada. O pior é que obesidade pode fazer adoecer e até levar à morte. Precisamos de exercícios espirituais com urgência.

O segundo passo da estratégia é: “Fazei discípulos”. O discípulo é aquele que segue o mestre. Nosso primeiro objetivo em relação àqueles que não conhecem a Cristo é fazê-los seguidores dEle. Devemos motivá-los a isso. O apóstolo Paulo nos indica o caminho para influenciarmos pessoas. “Pois o amor de Cristo nos constrange” ( II Cor. 5:14). Fazer as pessoas entenderem o tamanho do amor de Jesus por elas e o presente da Salvação é o caminho. Quando elas entenderem a dádiva que receberam, elas o seguirão. A primeira lição é a da Justificação pela fé na Graça.

O discípulo não conhece tudo de seu mestre nos primeiros contatos, mas, entende que deve segui-lo irrestritamente e por isso aprenderá cada dia mais no decurso do caminho. Os ensinamentos básicos devem ser passados para o novo converso e o restante ele aprenderá com o tempo, pois, “a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”(Pv 4:18). Sendo assim, poderemos passar para o próximo passo.

“Batizando-os em nome do pai, do Filho e do Espírito Santo”. Segundo o que Cristo nos ensinou, não é necessário que a pessoa tenha todo o conhecimento da Bíblia para dar o passo do batismo. A doutrina da salvação deve ser explicada com riqueza de detalhes, pois do bom entendimento dela deriva uma vitoriosa vida cristã. Quando entendemos o que Deus fez por nós, ficamos tão gratos que queremos retribuir com obediência irrestrita. As evidências do preparo de uma pessoa para o batismo são: conhecimento básico da vontade do Mestre e disposição para segui-Lo onde for. Uma pessoa assim facilmente aceitará as outras doutrinas que ainda não domina.

Sem dúvida é importante que ela conheça as exigências da vida cristã antes do batismo, para que possa avaliar criteriosamente a decisão que tomará. Porém, o texto bíblico nos sugere que depois do batismo é que ela aprenderá a guardar as doutrinas e normas cristãs. Cristãos que têm anos como discípulos ainda não compreendem tudo. Os discípulos de Cristo após três anos de aulas intensivas com o criador da teologia, Jesus, ainda não compreendiam bem a cruz e a natureza do reino de Deus. Por que deveríamos nós exigir um conhecimento perfeito daqueles que são apenas embriões espirituais? A consolidação do conhecimento virá na sequência das palavras inspiradas.

O próximo passo é efetivado logo em seguida: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Após o batismo a pessoa precisa continuar sendo instruída na palavra de Deus. Até que ela aprenda “todas as coisas”. Isso envolve todas as doutrinas bíblicas, reforma de saúde, regras de vestuário, liturgia e, inclusive, o “Ide”.

Esta estratégia é infalível. Mas para podermos cumpri-la, precisamos da companhia do Grande Líder.

O Líder

Em um discurso é apropriado que o melhor sempre fique para o final. Jesus fez isso. Terminou suas instruções dizendo: “Estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Esta é uma promessa condicional. Somente quem está cumprindo o “Ide” pode reclamá-la. “É fazendo a obra de Cristo que a igreja tem a promessa de Sua presença. Ide, ensinai a todas as nações, disse Ele; "e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos" Mat. 28:20. Tomar o Seu jugo é uma das primeiras condições para receber-Lhe o poder. A própria vida da igreja depende de sua fidelidade em cumprir a comissão do Senhor. Certo, negligenciar essa obra é convidar a fraqueza e a decadência espirituais. Onde não há ativo trabalho em benefício de outros, o amor diminui e definha a fé”. (Desejado de Todas as Nações, 825)

Uma igreja ou um cristão parado não pode ter a certeza de que está na constante companhia do divino salvador. Mas aqueles, que usando os seus dons, trabalham na pregação do evangelho, podem ter a segurança de terem como líder em suas empreitadas evangelísticas o Senhor dos exércitos, o qual nunca perdeu uma batalha.

Você já se perguntou o que Deus sente por um cristão que não cumpre o “ide”? Imagine a seguinte situação: Um Pai mandou seu pequeno filho para um acampamento de verão. Por um descuido seu filho foi para uma parte mais funda de um rio e começou a se afogar. Enquanto seu filho se debate na água alguém liga para o pai e o avisa do que está acontecendo. Ele pega seu carro e parte para o local do acampamento. Quando o pai chega, recebe a notícia que seu filho morreu afogado e que a menos de um metro dele havia um adulto que, se estendesse a mão, poderia salvá-lo.

Quais os sentimentos do pai em relação ao adulto que não fez coisa alguma para salvar seu filho? Ira, ódio e muitos outros sentimentos naturais do ser humano.

Se um humano pecador se sentiria assim, como você acha que Deus se sente em ralação a um cristão que poderia ter feito algo para salvar um filho dEle e não o faz? Deus cobrará no dia do juízo final cada omissão em relação à missão que ele deixou para cada um de nós. “Os sofrimentos de cada homem são os sofrimentos de um filho de Deus, e os que não estendem a mão em socorro de seus semelhantes quase a perecer, provocam-Lhe a justa ira. Esta é a ira do Cordeiro. Aos que professam ser companheiros de Cristo, e todavia se têm mostrado indiferentes às necessidades dos semelhantes, declarará Ele no grande dia do Juízo: "Não sei de onde vós sois; apartai-vos de Mim, vós todos os que praticais a iniquidade." Luc. 13:27” (Desejado de Todas as Nações, 826)

Aqueles que estão se empenhando na missão de Deus, não devem se preocupar com o juízo. A perspectiva destes é outra.

Quando chegarmos ao céu o primeiro abraço que procuraremos dar certamente será em Jesus. Vamos querer agradecê-lo pelo sacrifício no calvário, único motivo de estarmos lá. Mas o segundo abraço que vamos dar certamente será naquele que nos ajudou a conhecermos a mensagem da cruz. Você consegue se imaginar recebendo muitos abraços de pessoas emocionadas lhe agradecendo por tê-las apresentado a Jesus? Por que não começar o trabalho agora mesmo e reservar muitos abraços para aquela primeira manhã na Nova Jerusalém? Deus quer nos dá este privilégio. Comece agora.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Transformação possível

Felippe Amorim





Algumas pessoas lutam contra seus defeitos de caráter, mas, frequentemente, perdem a batalha. Há coisas em sua personalidade que prejudicam a elas e às pessoas que estão ao seu redor.

Certamente elas reconhecem que precisam mudar suas atitudes e até tentam, mas em pouco tempo repetem-nas de forma que magoam a si mesmas e ao semelhante. O que acontece com essas pessoas? Por que é tão difícil mudar traços de personalidade defeituosos? Como podemos melhorar nossa personalidade de forma que não machuquemos mais quem está ao nosso redor?

Jesus contou uma parábola que nos ajuda a encontrarmos uma resposta para nossa pergunta. Está registrada em Mateus 13:33: “Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar tudo levedado”.

Quando Jesus pronunciou esta parábola estava cercado de pessoas de todas as classes. Ricos, pobres, fariseus, publicanos, ladrões, pessoas precisando de cura física etc. Havia, porém, uma coisa em comum entre todas elas. Cada uma tinha algo em sua personalidade que não estava de acordo com o que Deus planejara e precisavam mudar estes traços.

O Senhor sabendo disso, através da metáfora do fermento, mostrou-lhes como esse processo de mudança se daria. Naquele momento, o fermento não representava o pecado, como era costumeiro entre eles. O fermento representava a palavra de Deus. A massa era a vida de cada um deles.

A primeira coisa que precisamos observar é que o fermento é algo externo à massa e precisa ser colocado lá por outra pessoa, pois a massa não o pode fazer. Outra coisa importante é que o fermento fará a transformação na massa de dentro para fora.

Todas as pessoas que ouviam Jesus necessitavam entender que a palavra do Senhor era o fermento que poderia modificar a vida. Os defeitos de caráter que existiam naquela “massa” só seriam modificados se elas permitissem que Jesus introduzisse nelas os seus ensinamentos.

Cada um de nós precisa aprender esta lição. Nossos defeitos de caráter machucam a nós mesmos e àqueles que convivem conosco e por isso precisam ser abandonados.

“Frequentemente surge a questão: Por que, pois, há tantos pretensos crentes na Palavra de Deus, nos quais não se vê uma reforma na linguagem, no espírito e no caráter? Por que há tantos que não podem sofrer oposição a seus propósitos e planos, que manifestam temperamento não santificado, e cujas palavras são rudes, insultuosas e apaixonadas? Vê-se em sua vida o mesmo amor-próprio, a mesma condescendência egoísta, a mesma índole e linguagem precipitada, vistos na vida do mundano. Há o mesmo orgulho sensitivo, a mesma entrega ao pendor natural, a mesma perversidade de caráter, como se a verdade lhes fosse inteiramente desconhecida. A razão é que não são convertidos. Não esconderam no coração o fermento da verdade. Não teve ele oportunidade de realizar sua obra. Suas tendências naturais e cultivadas para o mal não foram subjugadas a seu poder transformador. A vida dessas pessoas revela a ausência da graça de Cristo, uma descrença em Seu poder de regenerar o caráter”. (Parábolas de Jesus, 100)

Três coisas são essenciais para a mudança: Primeiro é necessário QUERER que o fermento aja, depois precisamos ABRIR o coração para que o fermento seja colocado dentro dele e terceiro é necessário PERMITIR que o fermento nos transforme.

Todos aqueles que precisam modificar um mau traço de caráter tem que entrar em contato diário com a Palavra de Deus, pois, “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus."(Rom. 10:17). Cristo orou assim: "Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade." (João 17:17). “Estudada e obedecida, a Palavra de Deus atua no coração, subjugando todo atributo não santificado” (Parábolas de Jesus, 100).

Para sermos mais parecidos com Jesus só há um jeito: “Recebido no coração, o fermento da verdade regulará os desejos, purificará os pensamentos e dulcificará a índole. Vivifica as faculdades do espírito e as energias da alma. Aumenta a capacidade de sentir, de amar” (Parábolas de Jesus, 101)

Todos nós temos traços de caráter que necessitamos mudar. Há coisas em nós que prejudicam outras pessoas. Somente deixando Cristo agir em nós através de Sua palavra é que conseguiremos transformação. “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra [...] Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”. (Salmo 119: 9,11)

Deus quer fazer de nós uma massa linda e que abençoe quem está ao nosso redor. A parte mais difícil desse processo Ele faz. Para nós resta apenas uma tarefa. Entrar em contato diário com o fermento que nos transformará, ou seja, estudar mais a Bíblia com oração. O resultado será uma vida cada vez mais parecida com a vida de Cristo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


O sono que enfraqueceu um homem

Felippe Amorim




Não sei se com você acontece o mesmo que se passa comigo. Procuro acordar cedo todos os dias para ter alguns momentos de intimidade com Deus. Quando ouço o despertador logo levanto para desligá-lo, mas todos os dias me vem uma tentação de voltar para a cama e dormir um pouco mais. Quando cedo a esta tentação sempre acordo atrasado para sair para o trabalho.

Quando este “fenômeno” acontece minha comunhão naquele dia fica comprometida, porque o dia cheio de atividades dificulta ter um momento a sós com Deus. O Senhor espera que nós o busquemos pela manhã. A vida do salmista é um exemplo para nós: “Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento a minha oração, e vigio” (Sl 5:3). Nas horas tranquilas da manhã podemos nos alimentar com o sólido alimento vindo dos céus.

Pedro: Fraqueza frente ao pecado


A Bíblia nos apresenta uma história de derrota frente ao pecado que nos ajuda a tirarmos algumas lições importantes. Pedro não conseguiu ter forças quando foi tentado durante o julgamento de Cristo.

Jesus estava sendo humilhado em seus últimos momentos do ministério terrestre. Enquanto isso Pedro o observava de longe (Lc. 22:54). Pedro agiu como alguns cristãos modernos. Não têm coragem de abandonar a fé definitivamente, mas segue Jesus de longe. Na prática são pessoas que frequentam os cultos na igreja toda semana, mas no trabalho, na escola, na faculdade se comportam como se nunca conhecessem a Jesus. Aliás, essas pessoas não precisam falar que não conhecem a Jesus, suas ações “gritam” essa informação para o mundo.

As pessoas que estavam próximas a Pedro rapidamente o identificaram como um daqueles que andavam com Cristo. A convivência com o Senhor, imperceptivelmente, transformou aquele Pedro impetuoso em alguém que falava de forma parecida com Deus. É assim que acontece conosco, quando convivemos com Jesus, através da Bíblia e da oração, nos parecemos cada dia mais com Ele.

Naquele momento, ao ser confrontado pelas pessoas, Pedro fez tudo o que podia para negar que andou com Cristo. Cometeu um tremendo pecado. Negou veementemente três vezes a Jesus. “Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, havendo saído, chorou amargamente” (Lc 22: 61,62).

A causa da fraqueza


Sempre ouvimos que aqueles que vivem com Jesus são fortes contra a tentação. Mas quando olhamos para a experiência do apóstolo Pedro, inevitavelmente vem uma pergunta: como alguém que andava com Jesus, ouvia seus ensinamentos pôde cometer um pecado tão grande? O que houve de errado com Pedro?

Encontramos a resposta em Mateus 26:40: “Voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Assim nem uma hora pudestes vigiar comigo?”.

Pedro havia sido convidado por Jesus para ir ao Jardim do Getsêmani. Era um momento de muita angústia para o Senhor e de definição para o destino eterno do planeta. Naquele dia Jesus estava sofrendo a forte tentação de desistir do plano da salvação. Caso isso acontecesse todos nós estaríamos eternamente perdidos. A angústia era tamanha que Jesus suou sangue e, quase esgotado fisicamente, cambaleou em direção ao Seu lugar de oração. Levou alguns dos seus discípulos, dentre eles Pedro.

A união de Cristo com o Pai O deu forças para dar continuidade à nossa redenção: “Então [Jesus] toma a decisão definitiva: salvará o homem a qualquer custo. Ele deixou as cortes celestes onde tudo era pureza, felicidade e glória para salvar a única ovelha que se perdera, o único dentre os mundos criados que caíra em pecado e não abandonaria Seu propósito. Sua prece agora transpira apenas submissão: "Meu Pai, se não é possível passar de Mim este cálice sem que Eu o beba, faça-Se a Tua vontade." Mat. 26:42.” (Vida e Ensinos, 105)

A atitude dos discípulos naquele momento foi bem diferente da atitude de seu Mestre. Quero colocar o foco em Pedro. Jesus o havia advertido para orar, pois enfrentaria momentos difíceis. Mas ao invés de obedecer ao conselho de Cristo ele, vencido pelo cansaço, foi dormir. Enquanto deveria vigiar e orar Pedro estava dormindo, este foi o grande erro de Pedro. É verdade que eles estavam cansados, precisavam dormir. Mas dormir, naquele momento, não era a prioridade. Mesmo assim, Pedro deu prioridade ao sono e deixou a comunhão em segundo plano.

Aquela decisão teve uma consequência imediata: na hora da prova, faltou força. “Fora por dormir quando Jesus lhe recomendara vigiar e orar, que Pedro preparara o caminho para seu grande pecado. Todos os discípulos, dormindo na hora crítica, sofreram grande dano. Cristo sabia a cruel prova por que eles haviam de passar. Sabia como Satanás havia de agir para lhes paralisar os sentidos, a fim de se acharem desapercebidos para a prova. Fora por isso que lhes dera aviso. Houvessem aquelas horas no horto sido passadas em vigília e oração, e Pedro não teria ficado dependente de suas débeis forças. Não teria negado a seu Senhor” (Desejado de Todas as Nações, 714).

Uma hora a menos de sono não teria feito nenhuma diferença na vida física de Pedro. Mas uma hora a menos de oração, fez toda a diferença, para o mal, na vida espiritual dele.

Nossa decisão: força ou fraqueza?

A experiência de Pedro deve nos levar a profundas reflexões. A Bíblia diz “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar;” (I Pe. 5:8). Todos os dias o inimigo de Deus, sabendo que seu destino eterno já está definido, tenta nos arrastar para o seu lado. Ele sabe que não pode vencer Jesus, então tenta atingir o Senhor derrotando os Seus amados filhos.

Costumo dizer que Satanás não tem uma fábrica de tentações. Ele tem uma manufatura de tentações, ou seja, elas saem personalizadas. Ele ataca cada um em seu ponto fraco. Por isso, devemos estar alerta a cada momento, do contrário seremos derrotados pelo inimigo.

Não existe outra forma de obtermos forças contra as tentações. Somente a ligação com o céu nos fortalece. A vida devocional de Jesus é um exemplo para nós. Ellen White diz: “Vede o Filho de Deus curvado em adoração a Seu Pai! Conquanto seja o Filho de Deus, robustece Sua fé por meio da prece, e mediante a comunhão com o Céu traz a Si mesmo força para resistir ao mal e ministrar às necessidades dos homens”(Atos dos Apóstolos, 56).

Mesmo diante de um dia muito atarefado, Jesus Cristo não negligenciava a comunhão. “O dia todo labutava Ele, ensinando o ignorante, curando o enfermo, dando vista ao cego, alimentando a multidão; e na vigília da noite, ou cedo de manhã, saía para o santuário das montanhas, em busca de comunhão com Seu Pai. Passava por vezes a noite inteira a orar e meditar, voltando ao raiar do dia ao Seu trabalho entre o povo”. (Desejado de Todas as Nações, 260)

Se Jesus, o próprio Deus, precisava passar momentos em oração para aprofundar sua comunhão com o Pai, quanto mais nós pecadores. Somos convidados a passar tempo com Deus. Ellen White aconselha: Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito. Se queremos ser salvos afinal, teremos de aprender ao pé da cruz a lição de arrependimento e humilhação. (Desejado de Todas as Nações, 83)

Alguns cristãos cometem literalmente o mesmo erro de Pedro. Preferem passar uma hora a mais na cama a levantar-se e passar tempo em comunhão com Deus. Isso é um tremendo prejuízo espiritual. Cristo mais uma vez dá o exemplo. “O alvorecer encontrava-O muitas vezes em algum lugar retirado, meditando, examinando as Escrituras, ou em oração. Com cânticos saudava a luz da manhã. Com hinos de gratidão alegrava Suas horas de labor, e levava a alegria celeste ao cansado e ao abatido” (Ciência do Bom Viver, 52)

Algumas pessoas negligenciam a sua comunhão por causa de outras “horas de sono”. Passam horas na frente do aparelho de televisão, mas não dedicam tempo à leitura da Bíblia. Outros passam a noite inteira na internet, mas acham muito tempo passar trinta minutos em oração. Passam horas assistindo partidas desportivas, mas se o culto no sábado passa um pouco do tempo ficam impacientes e reclamando.

Não podemos perder a consciência de que estamos no meio do Grande Conflito. As forças do bem e do mal estão ininterruptamente brigando e o motivo dessa disputa é o domínio da mente humana. No conflito cósmico o vencedor da guerra já está definido, Deus já venceu. Mas em nossa vida a batalha ainda não está definida. Nem Deus nem Satanás têm autoridade de definir isso por nós. Nós decidimos. O tempo que passamos em comunhão com o Criador é que definirá de que lado estamos nesta batalha.
Quanto tempo você passou em oração hoje? Nesta última semana, quantas vezes você acordou um pouco mais cedo para passar uma hora em comunhão com Cristo? Se suas respostas a estas perguntas não são muito satisfatórias, então peça a Deus perdão e forças. Deus é o maior interessado em comungar conosco, mas os mais beneficiados somos nós, pois são nestes momentos que adquirimos forças para vencermos as batalhas do cotidiano. Reserve a primeira hora da próxima manhã para sua comunhão pessoal e nunca mais abandone este hábito.





terça-feira, 30 de agosto de 2011

Retrato de um Pastor
(texto publicado na Revista Ministério de Set-Out / 2011)


Felippe Amorim


Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero com eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. (I Pedro 5: 1-4)

Introdução

Na Bíblia podemos encontrar exemplos de diversas pessoas que dedicaram sua vida ao ministério pastoral. Timóteo, Paulo, Jesus – o Supremo Pastor, dentre outros. O apóstolo Pedro recebeu sua ordenação ao ministério do próprio Jesus quando conversava com Ele às margens do mar da Galileia: “pastoreai as minhas ovelhas” (João 21:16).

Ao escrever sua primeira carta, Pedro dirige conselhos espirituais para diversas classes da igreja. Os pastores, líderes da igreja, não foram esquecidos pelo apóstolo. No capítulo 5:1-4 ele se dirige especificamente aos pastores. Nesses breves e profundos versículos, Pedro deixou estabelecidos a identidade, o trabalho e a recompensa do pastor. Palavras às quais todos aqueles que almejam ou exercem o ministério devem estar muito atentos.


A identidade do pastor



No verso 1, Pedro apresenta-se aos líderes aos quais escreve. Em sua apresentação podemos claramente observar as credenciais com as quais um pastor deve se identificar. No início de sua apresentação o apóstolo usa a expressão “presbítero com eles”(v.1). Pedro se mostra igual a todos os outros líderes para os quais escreve.

Uma característica que deve fazer parte das credenciais de um pastor é a humildade. O pastor não deve achar-se superior aos outros pastores, muito menos aos membros da igreja. Com tristeza ouvi o lamento de um membro de uma igreja que recebeu uma severa repreensão de seu pastor por tê-lo chamado de “irmão”. Se os pastores não são também “irmãos”, o que são finalmente?

Pedro continua se apresentando. A expressão que ele usa agora é “testemunha dos sofrimentos de Cristo” (v.1). Ninguém melhor que ele poderia usar esta expressão. Pedro esteve bem perto de Jesus na maioria dos momentos de sofrimento do Salvador na terra. Mas esta frase deve levar-nos a refletir em nossa vida. O pastor deve ser uma testemunha de Jesus. Seus olhos devem estar em todos os momentos de sua vida fixos no Mestre. Testemunha no sentido de quem fala a respeito, mas, também no sentido de quem conhece.

Não temos o privilégio que Pedro teve de contemplar a Jesus pessoalmente. Mas podemos contemplá-lo pela fé através das páginas das Escrituras Sagradas. O estudo da Bíblia deve ser a ação mais frequente da vida pastoral. Ellen White comenta: “Fato lamentável é que o progresso da causa seja prejudicado pela falta de obreiros instruídos. Muitos carecem de requisitos morais e intelectuais. Eles não exercitam a mente, não cavam em busca dos tesouros ocultos. Visto que apenas tocam a superfície, adquirem unicamente o conhecimento que à superfície se encontra” (Obreiros Evangélicos, 93). O pastor é uma testemunha por conhecer profundamente seu Mestre.

As palavras introdutórias de Pedro continuam. Ele se auto-denomina “co-participante da glória que há de ser revelada”. Percebe-se em suas palavras uma firme esperança no glorioso futuro prometido por Jesus. Além de participar da glória, o apóstolo entende que é co-participante do sofrimento de cristo: “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas.”(I Pe. 2:21). Isso também fica claro em I Pedro 4:13 onde lemos: “mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis”. A vida pastoral não é feita apenas de momentos de felicidade. As aflições certamente farão parte da jornada de um líder, pois o líder maior, Jesus Cristo, passou por muitas aflições. O prêmio final deve ser a grande motivação do ministro.

O trabalho do pastor

Após apresentar as credenciais espirituais do ministro, Pedro começa a expor seus conselhos. O primeiro deles é: “Pastoreai o rebanho”(v.2). Este mesmo conselho já havia sido dado por Paulo (Atos 20: 28) e por Jesus(João 21:16). Quando nos voltamos para a figura do pastor cuidando de suas ovelhas no campo, entendemos o conselho. Pastorear significa alimentar e cuidar do rebanho.

O pastor alimenta sua igreja quando sobe ao púlpito com uma mensagem retirada da Bíblia. O sermão deve ser guiado pelo conselho paulino: “prega a palavra”(II Tim. 4:2). Histórias engraçadas ou comoventes podem entreter, mas só a palavra de Deus alimenta.

O cuidado do pastor é feito mais eficazmente de forma individual. É no contato do pastor com a ovelha que são detectadas as feridas e as debilidades da ovelha, e assim o pastor pode exercer seu cuidado de forma mais efetiva. A visita pastoral à casa do membro é um excelente momento para que isso aconteça. Todo o cuidado com os membros da igreja é pouco, pois somos sub-pastores cuidando das ovelhas do Supremo Pastor (João 10: 14 e 21: 15)

Pedro passa para um próximo tópico de seus conselhos sobre o trabalho pastoral. Ele fala que o trabalho deve ser “não por força, mas espontaneamente”(v.2). A alegria deve permear a vida ministerial. Fazer o trabalho que Cristo fazia deve ser motivo de prazer no trabalho. Aliás, se o trabalho não for espontâneo, com alegria, não será aceito, pois o único serviço que Deus aceita é aquele feito com alegria (2 Cor. 9:7).

A lista de recomendações continua. O final do verso dois nos diz que o pastor não deve trabalhar por ganância. O dinheiro não deve estar entre as motivações para o trabalho. Deus provê tudo aquilo que o pastor precisa, para que ele trabalhe motivado pela salvação de almas.

Parece que Pedro deixou para arrematar os conselhos com uma das mais importantes facetas do ministério pastoral. “Não por dominação, mas sendo modelos do rebanho”(v.3).

O trabalho do pastor não deve ser exercido a partir de um autoritarismo quase militar, o ministro não “manda” na igreja. Ele é servo de Deus, designado para cuidar da igreja. A autoridade do pastor é moral e espiritual, e por isso Pedro termina seus conselhos falando que o ministro deve ser um exemplo de cristão. São abundantes os texto sagrados que falam que o líder deve ser modelo (Tito 1:7, 1 Tes. 1: 7; 2 Tes. 3: 9; 1 Tim. 4: 12; Tito 2: 7).

A mesa do pastor deve ser exemplo para os membros, assim como a roupa, as palavras, as reações, as músicas, os relacionamentos. O pr. Paulo entendia muito bem isso quando disse: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo”(1 Cor. 11:1).

Ellen White escrevendo sobre as características de um ministro estabeleceu 7 Requisitos essenciais para a vida do pastor:

1 – Simpatia: Necessitamos mais da simpatia natural de Cristo; não somente simpatia pelos que se nos apresentam irrepreensíveis, mas pelas pobres almas sofredoras, em luta, que são muitas vezes achadas em falta, pecando e se arrependendo, sendo tentadas e vencidas de desânimo. (Obreiro Evangélicos, 140)

2 – Integridade: Necessitam-se neste tempo homens de coragem provada e firme integridade, homens que não temam erguer a voz na defesa do direito. (Obreiro Evangélicos, 141)

3 – União com Cristo: Uma ligação vital com o Sumo Pastor, há de fazer do subpastor um representante vivo de Cristo, uma verdadeira luz para o mundo. (Obreiro Evangélicos, 142)

4 – Humildade: Os que possuem mais profunda experiência nas coisas de Deus, são os que mais se afastam do orgulho e da presunção. (Obreiro Evangélicos, 142)

5 – Fervor: O meditar somente não satisfará a necessidade do mundo. Religião não deve ser em nossa vida uma influência subjetiva. Temos de ser cristãos bem alerta, enérgicos e ardorosos, cheios do desejo de comunicar aos outros a verdade. (Obreiro Evangélicos, 143)

6 – Coerência: Não importa quão zelosamente seja advogada a verdade, se a vida diária não testemunhar de seu poder santificador, as palavras faladas de nada aproveitarão. Uma conduta incoerente endurece o coração e estreita o espírito do obreiro, colocando também pedras de tropeço no caminho daqueles por quem ele trabalha. (Obreiro Evangélicos, 144)

7 – A vida diária: O pastor deve achar-se livre de toda desnecessária perplexidade temporal, a fim de se poder entregar inteiramente a sua santa vocação. Cumpre-lhe orar muito, e sujeitar-se sob a disciplina de Deus, para que sua vida revele os frutos do verdadeiro domínio de si mesmo. Sua linguagem precisa ser correta; nada de frases de gíria, nem de palavras vulgares devem-lhe sair dos lábios. Seu vestuário deve estar em harmonia com o caráter da obra que está fazendo. Esforcem-se os pastores e professores por atingir a norma estabelecida nas Escrituras. (Obreiro Evangélicos, 14)

Pesa sobre os ombros do ministro uma grande responsabilidade. Por isso a comunhão com Cristo deve ser muito almejada.

A recompensa do pastor


Diante de tanta responsabilidade, seria no mínimo estranho se Jesus não estabelecesse um pagamento para os ministros. Não me refiro simplesmente ao salário do qual é digno o trabalhador (I Tim. 5:18). Me refiro a um prêmio maior.

I Pedro 5:4 diz: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”. A frase é afirmativa. Logo que Jesus voltar, Ele garante: “recebereis”. Há uma recompensa guardada para todos aqueles que forem fiéis e certamente os pastores estão incluídos (Mat. 5: 12; 2 Cor. 4: 17; 2 Tim. 4: 8). Todos os pastores que foram fiéis em seu trabalho um dia receberão a coroa das mãos do Supremo Pastor. E para este grupo ainda há uma recompensa especial: ver aqueles que Jesus colocou sob sua responsabilidade também recebendo a coroa da vida das mãos do Bom Pastor, nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos os pastores devem trabalhar no presente com o seu coração no futuro. Naquele glorioso dia, todas as angústias, todos os desafios, a vida abnegada, muitas vezes, sangue, suor e lágrimas serão recompensados. Todos seremos ovelhas do Grande Pastor e nunca mais sofremos os efeitos do mal. Somente felicidade, para sempre.





segunda-feira, 15 de agosto de 2011


Missão Possível
(publicado no site Advir.com: click aqui )

Felippe Amorim

E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Mateus 24:14



Recentemente o Brasil foi impactado pelo exemplo de fidelidade de uma jovem Adventista do Sétimo dia chamada Wasthi. Ela recusou a vaga em um Programa de televisão que poderia render para ela um bom emprego, porque queria se manter fiel a Deus observando o quarto mandamento de Sua lei, ou seja, santificando o sábado.

A entrevista na qual ela explicou seus princípios religiosos foi amplamente divulgada pela internet e certamente milhões de pessoas escutaram que existe um criador, um dia de guarda verdadeiro e uma igreja que preza pela verdade bíblica. Certamente foi uma grande contribuição à pregação do evangelho. Esse fato suscita uma reflexão séria.

Jesus deixou registrado na Sua palavra uma série de sinais que precederiam o Seu glorioso retorno a esta terra. Um estudo atento do capítulo 24 de Mateus nos apresenta sinais naturais, políticos, sociais, religiosos que facilmente identificamos em nossos dias.

O último grande sinal da volta de Jesus também está registrado no capítulo 24 de Mateus, é a pregação do Evangelho em todo o mundo. Este é o grande evento que precede o maior espetáculo já presenciado pelo universo.

Quando observamos o mundo em que vivemos podemos nos perguntar como o evangelho será pregado em todo o mundo. Hoje, mesmo com tantas facilidades tecnológicas, ainda enfrentamos grandes barreiras para a pregação do Evangelho. Países como a China e a Índia que detêm cerca de 1/3 da população mundial tem uma presença cristã muito pequena e se falarmos da presença Adventista, o número é ainda menor.

Mesmo aqui no Brasil a situação é desafiadora. Em São Paulo, por exemplo, a população é de aproximadamente 18,8 milhões de habitantes e quase 70 mil adventistas.

“No restante do mundo o desafio não é diferente, vejamos: Em Tóquio e adjacências vivem 35,6 milhões de pessoas e apenas 2.860 são adventistas. Em Nova Iork, são 19 milhões e 37.897 adventistas. Na Cidade do México, são 23,5 milhões de habitantes para 53.093 adventistas. Em Mumbai, na Índia, são 18,9 milhões e cerca de 10 mil adventistas. Se formos à China, um dos desafios do mundo atual, vamos encontrar Xangai com 14,9 milhões de habitantes para 6.274 membros, e em Beijing, 11,1 milhões de habitantes para 3300 adventistas. A mesma realidade pode ser vista em Buenos Aires, com 12,7 milhões de habitantes para 22.978 adventistas. No Cairo, Egito, com 11,8 milhões de habitantes, vivem 289 adventistas. Em Manila, nas Filipinas, são 11,1 milhões de habitantes e 30.775 adventistas. Moscou na Rússia, tem 10,4 milhões de habitantes e 3.500 são adventistas”.

Quando nos deparamos com este quadro, corremos o risco de ficarmos desanimados, pensando que será impossível pregarmos o evangelho em todo o mundo para que a volta de Jesus seja uma realidade o mais rápido possível.

Quando temos questões tão importantes como esta para responder, precisamos ir a mais confiável fonte de informações: A Bíblia. Nela encontramos relatos que nos dão o caminho para a solução deste nosso aparente empasse.

Noé e o Dilúvio

Começaremos analisando o projeto evangelístico que Deus designou Noé para realizar. O mundo antediluviano havia chegado no limite da paciência de Deus. O supremo criador resolveu então destruir o mundo, mas, graças a sua infinita misericórdia, quis salvar o maior número de pessoas e por isso deu uma mensagem a Noé e este deveria fazer uma série evangelística concomitante à construção da arca.

Por cento e vinte anos Noé pregou todos os dias a mesma mensagem, a mensagem presente para aquela época: o mundo seria destruído e as pessoas deveriam entrar na arca para se salvarem. Por certo, a maior série evangelística da história. No final de 120 anos apenas 8 pessoas foram salvas. Será que era a intenção de Deus condenar a maior parte das pessoas? Certamente não, mas Deus não poderia salvar aqueles que não aceitaram a mensagem. Como diz Ellen White: “O Redentor do mundo tinha muitos ouvintes, mas poucos seguidores. Noé pregou ao povo cento e vinte anos antes do dilúvio e, contudo, bem poucos souberam dar valor a esse precioso tempo de graça. Exceto Noé e sua família, ninguém mais foi contado entre os crentes, nem entrou na arca. De todos os habitantes vivos da Terra, somente oito almas aceitaram a mensagem; mas aquela mensagem condenou o mundo. A luz foi dada para que cressem, a rejeição da luz valeu-lhes a ruína. Nossa mensagem para o mundo será um cheiro de vida para todos quantos a aceitarem, e de condenação para todos os que a rejeitarem”. (Testemunhos Seletos v.3, 190)

A história de Noé nos dá a nossa primeira conclusão acerca da pregação de evangelho a todo o mundo. Devemos tentar alcançar o maior número de pessoas possível, mas para Deus a qualidade é mais importante que a quantidade. Se pudermos unir quantidade com qualidade seria o ideal, mas, segundo a história bíblica, se tivermos que optar por uma das duas devemos sempre ficar com a qualidade dos conversos.

ELIAS e o Monte Carmelo

Analisemos outra história. Elias foi um fiel servo de Deus. Em uma ocasião do seu ministério ele se deparou com um casal diabólico, Acabe e Jezabel. Este casal real havia feito o povo de Israel se distanciar de Deus e adorarem deuses falsos da fenícia.

A missão de Elias era repreender o povo em nome de Deus. O profeta do Deus verdadeiro deveria levar a mensagem de juízo ao rei e, sob risco de perder sua própria vida, entrou no palácio real e anunciou três anos e meio de seca na região. A palavra profética foi cumprida e quanto mais o tempo passava, mais a vida de Elias corria risco, pois Acabe e Jezabel queriam a todo custo a cabeça de Elias.

Passado o tempo determinado por Deus, Elias marcou um encontro entre ele e os inimigos de Deus no monte Carmelo. O profeta de Deus fez uma pergunta aos que estavam ali, pergunta esta que ecoa até nossos dias: E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém, não lhe respondeu nada. (1 Reis 18:21)

Esta é uma questão que precisa ser pensada seriamente por todos os cristãos. A pergunta de Elias não oferece a opção do meio termo, era preciso uma posição firme por um dos lados – ou Deus ou baal. Podemos tirar outra lição. Durante toda a história do movimento profético Adventista do Sétimo dia, uma clara identidade nos diferenciou de outras denominações. Necessitamos preservá-la. Não podemos ficar servindo a dois senhores, ou melhor, a duas “teologias”, uma bíblica e outra contextual. A chamada ética circunstancial não pode ser aplicada na pregação do evangelho. A posição dos cristãos adventistas deve ser firme de tal forma que a identidade desta igreja seja mantida de acordo com a vontade de Deus expressa em Seus textos inspirados.

Após os improdutivos momentos de invocação dos profetas de baal recheados de muito barulho, Elias orou a Deus, sem barulho, sem gritaria, sem agitação, Elias apenas orou a Deus e o criador honrou a fidelidade do seu servo. A Bíblia registra assim aquele momento: Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram: O senhor é Deus! O Senhor é Deus! (1 Reis 18: 38,39)

Ellen White descreve aquele momento: “Com impressionante distinção o grito ressoa sobre o monte e ecoa pela planície. Afinal Israel está desperto, esclarecido, penitente. O povo vê por fim quão grandemente havia desonrado a Deus. O caráter do culto de Baal, em contraste com a sensata adoração requerida pelo verdadeiro Deus, está plenamente revelado. O povo reconhece a justiça e misericórdia de Deus em haver retido o orvalho e a chuva até que tivessem sido levados a confessar o Seu nome. Agora estão prontos a admitir que o Deus de Elias está acima de qualquer ídolo”. (Patriarcas e Profetas. 153)

A vida fiel de Elias fez com que o evangelho fosse rapidamente espalhado por toda a região. Embora houvesse outros fiéis escondidos nas cavernas, naquela ocasião o testemunho de um homem fiel fez com que a mensagem presente para aquela época fosse pregada para “todo o povo” segundo a bíblia.

Sadraque, Mesaque e Abdenego

Analisemos a história registrada no capítulo 3 do livro de Daniel. Os três amigos do profeta, Sadraque, Mesaque e Abedenego receberam a ordem da adorar a imagem que o rei Nabucodonosor havia construido.

“A idéia de estabelecer um império e uma dinastia que perdurassem para sempre, apelou fortemente ao poderoso monarca cujas armas as nações da terra tinham sido incapazes de resistir. Com o entusiasmo nascido da ilimitada ambição e orgulho personalístico, ele tomou conselho com seus sábios quanto à maneira de levar avante o projeto. Esquecendo as assinaladas providências relacionadas com o sonho da grande imagem; esquecendo também que o Deus de Israel, por intermédio de Seu servo Daniel, tinha-lhe esclarecido o significado da imagem, e que em conexão com esta interpretação os grandes homens do reino tinham sido salvos de morte ignominiosa; esquecendo tudo, exceto o seu desejo de estabelecer o seu próprio poder e supremacia, o rei e seus conselheiros de Estado decidiram que todos os meios possíveis seriam utilizados para exaltar Babilônia como suprema, e digna de submissão universal”. (Profetas e Reis. 505)

Existia uma mensagem que deveria ser espalhada por todo o mundo: Somente o Deus de Israel era verdadeiro. Esta era a mensagem presente naquela ocasião. O desafio era muito grande, pois aparentemente tudo conspirava contra a mensagem de Deus.

O rei Nabucodonosor tentou obrigar os jovens fiéis hebreus a adorarem a imagem de ouro, usando como instrumento de coerção, a fornalha ardente. Sadraque, Mesaque e Abedenego foram fiéis sem pensar nas consequências: Responderam Sadraque, Mesaque e Abednego, e disseram ao rei: Ó Nabucodonozor, não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha de fogo ardente; e ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. (Daniel 3:16-18)

O rei portanto os jogou na fornalha e naquele momento Jesus apareceu no meio da fornalha e os livrou da morte.

Os versículos 28 e 29 do capítulo 3 de Daniel falam algo sobre o qual nós deveríamos refletir bastante: “Falou Nabucodonozor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, o qual enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus. Por mim, pois, é feito um decreto, que todo o povo, nação e língua que proferir blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro deus que possa livrar desta maneira”. (Daniel 3: 28,29)

É impressionante este relato. Todo o império babilônico, que abarcava quase todo o mundo conhecido da época, recebeu a mensagem do evangelho em um só dia.

O testemunho de três jovens fiéis foi o suficiente para que a mensagem fosse pregada em todo o mundo rapidamente. Sem mídia eletrônica, sem grandes meios de comunicação em um dia a mensagem foi pregada de forma espetacular.

DANIEL

Ainda no livro de Daniel temos outro relato que pode responder nossa pergunta inicial. Em Daniel no capítulo 6 encontramos a famosa passagem da Daniel na cova dos leões.

A fidelidade de Daniel e o prestígio que ele ganhou junto ao rei Dario da Pérsia, fez surgir inveja nos seus colegas de trabalho que incentivaram o rei a fazer uma lei que obrigava a todos orarem somente a ele mesmo. Daniel que seguia o princípio bíblico de agradar a Deus e não aos homens, continuou fazendo suas orações com a janela aberta em direção a Jerusalém.

A pena para o desobediente seria a morte na cova dos leões. Mesmo relutante, o rei Dario cumpriu sua palavra e jogou Daniel na cova dos leões. O anjo do senhor protegeu o profeta fechando a boca dos leões.

Novamente a vida fiel de um servo de Deus faz um grande trabalho missionário, como vemos na bíblia: “Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada. Com isto faço um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo, e permanece para sempre; e o seu reino nunca será destruído; o seu domínio durará até o fim. Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; foi ele quem livrou Daniel do poder dos leões”. (Daniel 6:25-27)

A mensagem presente para a época foi pregada em todo o reino da Medo-Pérsia em um só dia. Este é um grande exemplo de como podemos pregar a verdade de Deus em todo mundo. A vida de um fiel, Daniel, fez com que se espalhasse a mensagem de Deus em todo o mundo conhecido.

PAULO

No novo testamento podemos encontrar outro exemplo de pregação do evangelho em todo mundo.

Em colossenses 1:23 Paulo diz: “se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro”.

Um pequeno grupo de fiéis seguidores de Jesus foi o suficiente para pregar o evangelho em todo o mundo conhecido como lemos no texto acima. A vida deles foi uma pregação não verbal que convenceu multidões a seguir a Jesus.

Os exemplos bíblicos que relatamos nas linhas acima nos mostram que a fidelidade de um cristão pode revolucionar o mundo.

Imagine que o decreto dominical saiu e o mundo inteiro está se adaptando a esta lei que supostamente trará a paz mundial. De repente surge um grupo de pessoas que são fiéis à bíblia e, portanto, guardam o sábado, o verdadeiro dia do Senhor.

Um fiel adventista do 7º dia é preso e mesmo sob ameaça de perder sua própria vida ele não abre mão da verdade bíblica. Os jornais farão entrevistas para conhecer quem é este fiel adventista e farão reportagens sobre a Igreja Adventista e escreverão artigos sobre as doutrinas adventistas. As universidade farão debates sobre o sábado e em pouquíssimo tempo o evangelho será conhecido em todo o mundo.

O Exemplo de Wasthi mostra que a parábola que contamos acima não é algo difícil de acontecer. Como falamos, milhares de pessoas hoje sabem da mensagem do sábado por causa do exemplo de uma jovem fiel. Certamente ela não é perfeita. Nenhum dos personagens bíblicos que citamos acima o era. Mas quando o ser humano decide colocar-se nas mãos de Deus, o Supremo Pai o faz fiel.

Um fiel é tudo o que Deus precisa, apenas um fiel e o evangelho pode ser pregado em todo o mundo.

Cada cristão Adventista do sétimo dia precisa buscar a Jesus de tal forma que quando chegar o momento certo Deus trabalhe através da sua fidelidade e termine a pregação do evangelho em todo o mundo. Após a pregação em todo o mundo Jesus voltará e nos levará para junto dele e passaremos a eternidade sem a presença do pecado e com a presença de Jesus.

Texto baseado no sermão do Pr. Joaquim Azevedo

Bibliografia

Revista Adventista. Nº 1218. novembro de 09. Ano 104.

WHITE, Ellen G. Testemunhos Seletos. Volume 3. 6ª Edição. Casa Publicadora

Brasileira. Tatuí-SP,

WHITE, Ellen G. Patriarcas e Profetas. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí-SP, 2007

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Na contramão do mundo
(Texto publicado na Revista Adventista de Agosto / 2011)
Felippe Amorim


Introdução


Fiquei curioso para saber quais as lutas que os jovens cristãos têm enfrentado nesses tempos em que vivemos, então resolvi fazer uma pesquisa rápida sem muito rigor científico entre alguns alunos de uma escola de Ensino Médio. Passei um questionário simples com duas perguntas. A primeira foi: Em quais áreas você tem maior dificuldade de ser fiel a Deus? A segunda pergunta foi: Para você, qual é o maior desafio de um jovem cristão hoje?

As respostas foram muito interessantes. Para a primeira pergunta 64% dos pesquisados responderam que era ouvir somente músicas cristãs, 58% disseram que têm muita dificuldade em ler a Bíblia e orar diariamente. 21% indicaram problemas com a Internet, 26% responderam que têm dificuldade em sempre falar a verdade. Algumas áreas como sexualidade e frequência aos cultos também foram indicadas, dentre outras.

Para a segunda pergunta, tivemos respostas muito significativas também. Permanecer puro, se desligar das coisas mundanas e seguir os dez mandamentos foram algumas das respostas que obtivemos.

Sem dúvida, ser cristão no mundo contemporâneo é um grande desafio e ser um jovem cristão neste contexto é mais desafiador ainda.

Sempre ouvimos que o cristão precisa andar na contramão do mundo. Vamos pensar um pouco sobre o que significa estar na contramão. Estar na contramão não é confortável, é mais fácil ir para onde todos estão indo. A contramão é um lugar perigoso com grandes possibilidades de se machucar. Não é popular estar na contramão, certamente críticas serão ouvidas. Pode haver colisões frontais. Quando andamos na contramão certamente nos encontraremos com aqueles que vêm no sentido contrário. Finalmente é necessária muita coragem para estar nesta posição. Será que Deus realmente quer que andemos na contramão do mundo e soframos tantos constrangimentos?

A contramão: um imperativo bíblico


Em Romanos 12:2 lemos: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Não se conformar é não ter a mesma forma, em outras palavras é não estar na mesma direção. Deus requer de cada cristão que ande na contramão deste mundo.

A Bíblia nos apresenta vários exemplos de pessoas que escolheram estar na contramão deste mundo. Gostaria de destacar um deles.

O profeta Daniel foi levado de sua terra natal para a Babilônia quando ainda era jovem, provavelmente aos 18 anos de idade. Aquele lugar era o maior centro cultural e político de sua época. Em Daniel 1:5 lemos: “E o rei lhes determinou a porção diária das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem alimentados por três anos; para que no fim destes pudessem estar diante do rei.” Há uma palavra que precisamos destacar deste verso, “determinou”. A “mão” do mundo para Daniel naquele momento era comer daquilo que o rei havia posto à mesa. A Bíblia registra qual foi a atitude do jovem profeta: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”(Dn 1:8). Daniel resolveu andar na contramão do mundo.

Se analisarmos este verso perceberemos que não foi uma decisão fácil. Dentre todos os escravos, Daniel estava numa posição privilegiada, pois foi escolhido para estudar na “Universidade da Babilônia”, a melhor do mundo. Ao decidir não estar na “mão do mundo” ele estava arriscando perder a vaga na universidade, perder status social elevado e um bom emprego. A despeito de tudo isso, o profeta dá dois passos importantes que devem ser dados por todo cristão jovem ou adulto. Ele “decide” não se contaminar, mas apenas decidir não é o suficiente, logo após ele vai para a ação, pedir ao chefe dos eunucos. Decisão e ação devem marcar a vida dos cristãos que andam na contramão do mundo.

Deus nunca desampara seus filhos. A atitude de Daniel de andar na contramão do mundo foi recompensada pelo Senhor. Em Daniel 1:15 lemos que por escolher uma dieta diferente dos demais, em dez dias pode perceber-se que ele e seus amigos eram mais robustos que os outros. Depois de três anos de estudos eles foram achados dez vezes mais inteligentes que qualquer outro estudante daquele local (Dn 1:20).

Andar na contramão – A Prática

Aquele episódio pelo qual Daniel e seus três amigos passaram estava diretamente ligado a um importante aspecto do cristianismo, a alimentação. Mas dele podemos retirar um principio útil para qualquer aspecto da vida cristã. Todo cristão precisa andar no caminho de Deus e este é a contramão do mundo.

Na prática funciona assim:

A Mão do mundo diz: sexo livre. A contramão diz: sexo apenas no casamento.

A Mão do mundo diz: pornografia. A contramão diz: pureza da mente.

A Mão do mundo diz: perca tempo com futilidades. A contramão diz: Dedique tempo à Bíblia e oração.

A Mão do mundo diz: desrespeite os pais. A contramão diz: honra teu pai e tua mãe.

A Mão do mundo diz: cole na prova. A contramão diz: tire nota baixa, mas não cole.

A mão do mundo sempre leva à perdição, somente a contramão do mundo pode nos levar ao céu.

Qual o segredo?

É possível que nesse momento alguns estejam pensando: Sei que preciso estar na contramão do mundo, mas não tenho forças, como conseguirei?

Ellen White escreveu sobre Daniel: “O profeta Daniel tinha um caráter notável. Ele foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Santificação, 18). O Salmo 119: 9-11 diz: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra. De todo o meu coração tenho te buscado; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”.

Não existe fórmula mágica para a fidelidade. Apenas a união com Jesus pode nos dar forças para resistirmos às ondas deste mundo. Somente Cristo pode nos indicar o caminho. “Quando te desviares para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: este é o caminho, andai por ele” (Is. 30:21). Necessitamos com urgência ter mais intimidade com Deus para ouvirmos sua voz e só então podermos andar na contramão do mundo.