sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pela fé Enoque ...


Pela fé Enoque ...
Felippe Amorim

Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. (Hebreus 11: 5)


INTRODUÇÃO

            Quando criança, todos nós tentamos agradar nossos pais. As vezes  as motivações não são muito ortodoxas, tentamos agradar para ganhar um presente em uma data especial, tentamos agradar para podermos ir brincar no final do dia na rua. Por vezes nos esforçamos muito para agradar nossos pais somente para ganhar uma elogio na frente dos nossos irmãos.
            Essa preocupação de agradar é natural do ser humano em relação a todos quantos ele ama. É verdade que algumas vezes por mais que tentemos agradar, ganhamos palavras de reprovação a despeito do nosso esforço. Mesmo assim não desistimos de tentar agradá-los. A maior recompensa é sabermos que deixamos felizes àqueles que são objeto do nosso amor.
            Somos  filhos de Deus e como tal deveríamos nos preocupar em agradar nosso Pai. É certo que em relação a Deus, nada do que eu faça ou deixe de fazer fará com que Deus me ame mais ou menos, Ele já me ama com todo amor que Ele possui, uma amor infinito.
            Não agradamos a Deus para que ele nos ame mais, agradamos a Deus por  amá-Lo mais. Há uma grande diferença nisso.
            Foi exatamente isso que aconteceu na vida de Enoque. O texto de Hebeus 11: 5 relata que antes de ser trasladado ele agradou a Deus. Que privilégio ! Que honra ! Como deveríamos pensar a respeito desta declaração! Seria ideal que cada cristão recebesse essa mesma declaração de Deus:  João agradou a Deus (troque o nome João pelo seu).
            Nesta altura da reflexão precisamos nos perguntar: O que fez enoque para alcançar testemunho de que agradou a Deus? A seguir analisaremos relatos inspirados sobre a vida de Enoque para respondermos a esta importante pergunta.
Enoque andou com Deus
            O livro de Gênesis no capítulo 5: 22-24 resgistra as seguintes palavras a respeito de Enoque:
Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos;  Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.

            A primeira atitude de Enoque registrada pelas Escrituras Sagradas é que ele “andou com Deus”. Podemos, portanto, listar esta ação como a primeira de Enoque para alcançar testemunho de que agradou a Deus.
            Pode ser que passe por sua cabeça neste momento o seguinte pensamento: Era muito fácil para Enoque andar com Deus, pois o seu mundo era menos corrupto e depravado que o nosso. Não tinha as tentações que tem o nosso mundo, portanto, para ele era mais fácil ser cristão do que para nós.
            Esse pensamento não condiz com o que era a realidade do mundo do profeta trasladado. Quando Jesus quis comparar o mundo em que nós vivemos, ou seja, o mundo que antecederia a volta de Jesus, com alguma época, Ele comparou com o mundo ante-diluviano - Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem (Lc 17:26) . Sendo assim, a situação moral das pessoas do tempo de Enoque não facilitava, pelo contrário, dificultava a vivência dos preceitos divinos.
            A imoralidade sexual estava muito alastrada pois, “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”(Gen.6:1). A corrupção era muito comum entre os moradores contemporâneos de Enoque e o ateísmo, ou pelo menos o desprezo a Deus, era recorrente entre eles.
            Nós não vivemos em dias piores que o de Enoque. Não há desculpa para nenhum cristão viver uma vida frouxa moralmente, pois em dias de corrupção e imoralidade “andou Enoque com Deus”.
            É necessário perguntarmos como era esse andar de Enoque com Deus. Seria um andar literal ou uma metáfora? O livro Caminho a Cristo nos ajuda a compreender este assunto:

Orai em vosso aposento particular; e enquanto seguis vossos afazeres diários, elevai muitas vezes o coração a Deus. Era assim que Enoque andava com Deus. Essas orações silenciosas sobem para o trono da graça qual precioso incenso. Satanás não pode vencer aquele cujo coração deste modo se firma em Deus. (White, C. C. 2007 p. 89 – grifo suprido)

            O andar do profeta com Deus se dava através da oração ininterrupta. Esse é um exemplo no qual nós devemos meditar sempre. Quanto tempo nós temos gastado (ou investido) em oração? É importante que tenhamos momentos reservados para nossa oração pessoal nos quais abriremos nosso coração e contaremos ao nosso criador sobre nossas angústias, alegrias e problemas. Mas estes não devem ser os únicos momentos nos quais oramos a Deus. Orai sem cessar(1 tess. 5:17), esta é a recomendação da Bíblia. Orar enquanto trabalha, enquanto se recreia, enquanto se exercita, ou seja, precisamos estar em constante contato com nosso Pai. Dessa forma “Satanás não pode nos vencer”.
            Com o que temos gastado nosso tempo? Infelizmente, muitos cristão tem desperdiçado seu tempo gastando-o mais com televisão, filmes e outras diversões que nos afastam da comunhão com Deus do que com a Bíblia e a oração. Quão bom seria se assim como retiramos o dízimo do nosso dinheiro, também retirássemos o dízimo do nosso tempo para Deus. Cerca de 2 horas diárias de comunhão íntima com o Criador fariam grande diferença em nossa vida cotidiana, nos fariam muito mais fortes contra o inimigo.
            Esse era o andar de Enoque com Deus e deve ser o nosso também. Dessa forma daremos o primeiro passo para alcançarmos o testemunho de que agradamos  a Deus.


Pregação do Evangelho

            Em Judas versículos 14 e 15 encontramos outra declaração a respeito de Enoque que nos ajudará a montar o “quebra-cabeça” de uma vida que agrada a Deus:

Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram.

            Um segundo aspecto da vida do profeta que podemos destacar é a sua prática da pregação do evangelho. Enoque foi um anunciador da segunda vinda de Cristo, para ele foi revelado todo o plano da redenção e sua vida foi pautada pela esperança na segunda vinda de Cristo.

Por meio de santos anjos Deus revelou a Enoque Seu propósito de destruir o mundo por um dilúvio, e também lhe revelou amplamente o plano da redenção. Pelo Espírito de Profecia levou-o através das gerações que viveriam após o dilúvio, e mostrou-lhe os grandes acontecimentos ligados à segunda vinda de Cristo e ao fim do mundo. (White. Patriarcas e Profetas, p. 85)

            Que privilégio deste homem! Receber dos anjos a revelação do glorioso futuro que aguardava todos aqueles que se mantivessem fiéis ao Deus da misericórdia. Ao conhecer todos estes fatos, ele não guardou para si o conhecimento. Anunciou ao mundo.
Se queremos tal qual Enoque agradar a Deus, precisamos levar uma vida de testemunho da segunda vinda de Jesus e de todas as outras verdades do evangelho.
            Porém, alguém pode pregar aquilo que não conhece? O que acontece com um pessoa que se propõe a falar daquilo que lhe é extranho? Acaba falando o que não devia. Portanto, para podermos seguir o exemplo de Enoque temos que fazer um parte indispensável: o estudo da Palavra de Deus. O próprio Jesus falou a respeito disso quando disse, “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;”(Jo. 5: 39)
            Não existe cristianismo se não conhecermos a Cristo, e não tem método mais eficaz para isso que o estudo da Bíblia. Quanto tempo temos dedicado ao exame da palavra? Não me refiro ao Salmo lido de forma mecânica todos os dias. A Bíblia possui outros livros. As profecias devem ser estudadas. Doutrinas fundamentais como a doutrina do Santuário estão à disposição do crente, mas para conhecê-las é preciso se aprofundar no estudo bíblico. Precisamos deixar a leitura superficial e cavar fundo as escrituras.

Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. (Hebreus 5:12)

            Há cristãos que estão na igreja a muito tempo e deveriam conhecer muito da Bíblia, mas pouco sabem a respeito das razões de sua fé. Se quisermos agradar nosso salvador tal qual Enoque, precisamos conhecer Sua palavra e pregá-la a todo o mundo em nossa geração.


Perseverança

            Já havaliamos dois aspectos importantes da vida do profeta Enoque e começamos a descobrir porque o livro de Hebreus afirma que ele agradou a Deus.
            Existe, contudo, mais um ponto que devemos analisar. Para isso meditaremos na seguinte citação:

Durante trezentos anos Enoque estivera procurando pureza de alma, para que pudesse estar em harmonia com o Céu. Durante três séculos andara com Deus. Dia após dia, almejara uma união mais íntima; cada vez mais estreita se tornara a comunhão até que Deus o tomou para Si. Estivera no limiar do mundo eterno, havendo apenas um passo entre ele e o país da bem-aventurança; e, agora, abriram-se os portais; o andar com Deus durante tanto tempo praticado em terra continuou, e ele passou pelas portas da santa cidade - o primeiro dentre os homens a entrar ali. (White. Patriarcas e Profetas, p. 52)

            Essa passagem nos revela uma característica espetacular do profeta analisado. Uma vida de perseverança. Enoque viveu uma vida piedosa e pregou sobre a vinda de Jesus por mais de trezentos anos.
            Muitos dos Cristãos Adventistas tem desanimado do cristianismo por estarem pregando a dez, quinze, trinta, cinquenta anos a respeito da volta de Jesus e Ele ainda não voltou. O movimento Adventista prega esta mensagem a pouco mais de 150 anos e alguns querem desanimar por isso. Mas Enoque pregou durante mais de trezentos anos a mesma mensagem sem desanimar.
            Esta é a terceira característica que precisamos aplicar em nossa vida se queremos agradar a nosso Deus. Perseverança na fé. Não podemos desanimar, pois foi o próprio Deus que nos prometeu: “Certamente cedo venho” (Ap. 22:20). Não podemos desanimar nunca. A perseverança será recompensada ricamente pelo Senhor dos Exércitos.
            Andar com Deus, conhecer e pregar o evangelho e perseverar na fé, eis a fórmula para recebermos de Deus a mesma declaração que Enoque recebeu em Hebreus 11:5.

O final de Enoque

Seria incompleto se terminássemos esta reflexão sem tocarmos na recompensa que o profeta recebeu. Pois aquilo que aconteceu com ele, sonhamos que aconteça conosco.

Mas, como Enoque, o povo de Deus procurará pureza de coração, e conformidade com Sua vontade, até que reflitam a semelhança de Cristo. Como Enoque, advertirão o mundo da segunda vinda do Senhor, e dos juízos que cairão sobre os transgressores; e pela sua santa conversação e exemplo condenarão os pecados dos ímpios. Assim como Enoque foi trasladado para o Céu antes da destruição do mundo pela água, assim os justos vivos serão trasladados da Terra antes da destruição desta pelo fogo. (White. Patriarcas e Profetas, p. 89)

            Existe um paralelo entre a nossa vida e a de Enoque. Assim como ele andou com Deus em oração, nós também precisamos ter um contato íntimo com nosso Pai do céu. Assim como o profeta conhecia e pregava a respeito do Evangelho, nós também precisamos conhecer e pregar a Palavra de Deus. Assim como Enoque perseverou na fé, nós também precisamos perseverar na fé.
            Porém o mais bonito paralelo entre Enoque e nós é que como ele foi trasladado para o céu antes da destruição da terra po água, um dia se formos fiéis até a morte também seremos trasladados desta terra para nos encontrarmos com o primeiro trasladado da história, Enoque. O maior encontro, porém, será com o Deus de Enoque, com o nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos do qual estaremos naquele lindo lugar. Ele estará de braços abertos esperando para nos dar o abraço da vitória e da eternidade.




BIBLIOGRAFIA

WHITE. Ellen G. Caminho a Cristo. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 2007.
WHITE. Ellen G. Patriarcas e Profetas. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 2007.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

As Ciladas de Satanás

Ao se aproximar o povo de Deus dos perigos dos últimos dias, faz Satanás ardorosa consulta com seus anjos quanto ao plano de maior êxito no sentido de lhes transtornar a fé. Vê que as igrejas populares já estão sendo embaladas para dormir, pelo seu poder enganador. Por meio de agradáveis enganos e mentirosas maravilhas, pode ele continuar a conservá-los sob o seu domínio. Dirige portanto seus anjos para que lancem suas ciladas especialmente para os que aguardam o segundo advento de Cristo e se estão esforçando por observar todos os mandamentos de Deus.

Diz o grande enganador: "Devemos vigiar aqueles que estão chamando a atenção do povo para o sábado de Jeová; eles levarão muitos a ver as exigências da lei de Deus; e a mesma luz que revela o verdadeiro sábado, revela também a missão de Cristo no santuário celestial, e revela que a última obra para a salvação do homem está agora indo avante. Conservai nas trevas a mente do povo até que esta obra termine, e teremos conseguido o mundo e a igreja também.
"O sábado é a grande questão que deve decidir o destino de almas. Devemos exaltar o sábado criado por nós. Temos feito com que ele seja aceito tanto pelos mundanos como pelos membros da igreja. Deve agora a igreja ser levada a unir-se com o mundo em sua defesa. Devemos trabalhar por meio de sinais e maravilhas para lhes cegar os olhos quanto à verdade, e levá-los a pôr de lado a razão e o temor de Deus e a seguir os costumes e tradições.
"Influenciarei os pastores populares a desviar dos mandamentos de Deus a atenção dos ouvintes. Aquilo que as Escrituras declaram ser uma perfeita lei de liberdade, será representado como um jugo de servidão. O povo aceita as explanações das Escrituras de seus pastores, e não estuda por si mesmo. Portanto, atuando por meio de seus pastores, posso dominar o povo de acordo com a minha vontade.
"Mas nossa principal preocupação é silenciar esta seita de observadores do sábado. Devemos despertar contra eles a indignação popular. Alistaremos ao nosso lado grandes homens e homens sábios segundo o mundo, e induziremos aos que estão em autoridade a executar os nossos propósitos. Então o sábado que eu estabeleci será forçado pelas leis mais severas e obrigatórias. Os que as desrespeitarem, serão tocados das cidades e vilas e levados a passar fome e privação. Uma vez que tenhamos o poder, mostraremos o que podemos fazer com os que não se desviam de sua fidelidade a Deus. Levamos a igreja romana a infligir prisão, tortura e a morte àqueles que recusavam seguir aos seus decretos; e agora que estamos pondo as igrejas protestantes e o mundo em harmonia com esse braço direito de nossa força, finalmente termos uma lei para exterminar a todos os que não se submeterem à nossa autoridade. Quando se fizer da morte a penalidade da violação do nosso sábado, então muitos dos que agora estão nas fileiras dos observadores dos mandamentos, passarão para o nosso lado.
"Mas antes de adotarmos estas medidas extremas, devemos exercer toda a nossa sabedoria e sutileza para enganar os que honram o verdadeiro sábado e engodá-los. Podemos separar muitos de Cristo, pela mundanidade, luxúria e orgulho. Podem julgar-se salvos porque crêem na verdade, mas a condescendência com o apetite, as paixões mais baixas que confundirão o juízo e destruirão o discernimento, causar-lhes-ão a queda.
"Ide, fazei com que os donos de terras e de dinheiro se embriaguem com os cuidados desta vida. Apresentai o mundo diante deles em sua mais atraente luz, que acumulem o seu tesouro aqui, e fixem sua atenção sobre as coisas terrenas. Devemos fazer o máximo para evitar que os que trabalham na causa de Deus obtenham meios para usar contra nós. Conservai o dinheiro em nossas próprias fileiras. Quanto mais dinheiro obtiverem, tanto mais prejudicarão nosso reino tirando de nós os nossos súditos. Fazei com que se preocupem mais com o dinheiro do que com a edificação do reino de Cristo e a disseminação das verdades que odiamos, e não precisamos temer-lhes a influência, pois sabemos que toda a pessoa egoísta e cobiçosa cairá em nosso poder, e finalmente se separará do povo de Deus.
"Por meio daqueles que têm uma forma de piedade, mas não lhe conhecem o poder, podemos ganhar muitos que de outra maneira nos causariam grande mal. Os mais amantes dos prazeres do que amantes de Deus, serão os nossos mais eficientes auxiliares. Os que pertencem a essa classe, forem mais aptos e inteligentes, servirão de chamariz para atrair outros para as nossas ciladas. Muitos não lhes temerão a influência, porque professam a mesma fé. Levá-los-emos então a concluir que as reivindicações de Cristo são menos estritas do que uma vez creram, e que pela conformação com o mundo exercerão maior influência sobre os mundanos. Assim se separarão de Cristo; então não terão forças para resistir ao nosso poder, e dentro de pouco tempo estarão prontos para ridicularizar o seu antigo zelo e devoção.
"Enquanto não for dado o grande golpe decisivo, devem nossos esforços contra os observadores dos mandamentos ser incansáveis. Devemos estar presentes em todos os seus ajuntamentos. Especialmente em suas grandes reuniões, nossa causa muito sofrerá, e devemos exercer grande vigilância, e empregar todas as nossas artes sedutoras para evitar que as almas ouçam a verdade e por ela sejam impressionadas. "Terei no terreno, como meus agentes, homens que mantenham falsas doutrinas misturadas com justamente suficiente verdade para enganar almas. Também terei presentes pessoas incrédulas, que expressarão dúvidas quanto às mensagens de advertência do Senhor à Sua igreja. Lesse o povo e cresse essas admoestações, e pouca esperança poderíamos ter de vencê-los. Mas se pudermos desviar-lhes a atenção dessas advertências, permanecerão ignorando nosso poder e sagacidade, e finalmente os ganharemos para as nossas fileiras. Deus não permitirá que Suas palavras sejam menosprezadas impunemente. Se pudermos conservar as almas enganadas durante algum tempo, retirar-se-á a misericórdia de Deus, e Ele as abandonará ao nosso completo domínio.
"Temos de causar lutas e divisões. Temos de destruir a ansiedade deles por sua própria alma e levá-los à crítica, aos juízos temerários, acusando e condenando-se uns aos outros, a idolatrar o egoísmo e a inimizade. Por causa destes pecados, Deus baniu-nos de Sua presença; e todos quantos seguirem o nosso exemplo terão sorte idêntica."
Testemunho para Ministros Cap. 66

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Está Consumado !


Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. João: 19:30

Felippe Amorim



                A semana santa é um excelente período para lembrarmos da morte de Jesus. Mas, o problema de grande parte das pessoas é que só refletem a respeito deste evento tão importante neste período do ano e na maior parte do ano fica alheio a este evento que faz direrença entre vida e morte.
            A cruz é o centro da história da humanidade, o evento mais importante de todos os tempo, pois foi ele que garantiu a nós o direito de voltar a viver e de sermos felizes.
            Um dia, a muito tempo atrás, o pecado entrou nesta  terra  e a partir deste momento a paz foi perturbada e a morte passou a fazer parte da existência humana. A justiça de Deus pedia a morte do pecador, todos os pecadores estavam condenados a deixar de existir pra sempre. A morte era uma consequencia inevitável. Mas, na natureza de Deus coexistem a justiça e o amor. Essa mistura quase incompreensível para nós foi o segredo da linda solução dada ao pecado.
            Alguém teria que morrer, a justiça de Deus pedia um pagamento pelo pecado, não havia outra solução. Mas o amor do pai celestial resolveu a questão. A frase de Jesus na cruz, “está consumado”, é uma linda declaração de misericórdia. Outra possibilidade de tradução para esta frase é: “está pago”. Jesus naquele momento declarava ao universo a derrota do pecado e a vitória do amor. Finalmente o problema do pecado havia sido resolvido. O próprio Deus deu a sua vida pelo pecador. A justiça de Deus foi satisfeita e o amor pela humanidade declarado. Na cruz “a justiça e a paz se beijaram”(Salmo 85:10). A vida foi restituída aos seres humanos.
            O pagamento pelo pecado foi feito, todos nós temos a oportunidade de salvação. Mas a salvação é como um cheque, se eu não pegá-lo e descontá-lo, ele não serve para nada. É preciso aceitar a salvação que Jesus nos dá. É preciso abrir o coração a Jesus e permitir que ele seja o Senhor da nossa vida. Faça isso agora e desfrute da paz que só os salvos sentem.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A nossa leve e momentânea tribulação


A nossa leve e momentânea tribulação


Felippe Amorim
Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração. Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. (Salmo 73:1-2 NVI)

Introdução

            A vida cristã é composta por diversos desafios, alguns grandes outros pequenos, alguns fáceis de serem compreendidos, outros nem tanto. Um dos grandes desafios para o cristão é ver que ao seu redor existem pessoas que não temem a Deus, que transgridem Sua lei, que não preocupam-se em manter uma vida de comunhão com o criador, mas, apesar de tudo isso, são aparentemente felizes, prósperos, desfrutam de uma tranquilidade que muitas vezes é rara de se ver na vida daqueles que procuram estar sempre perto de Jesus.
            Para o fiel cristão esta ausência de compreensão pode ser refletida em um considerável abalo de sua estabilidade espiritual e, se o ser humano não estiver firme em Deus, pode até ser levado à queda espiritual. É preciso que tenhamos uma verdadeira noção do que está por trás de cada uma dessas situações. Como entender, então, a prosperidade dos ímpios e a aparente infelicidades dos justos? Podemos esclarecer este assunto estudando a mensagem do Salmo 73.

Os sentimentos do salmista

            A primeira afirmação que é feita neste salmo diz respeito à bondade de Deus. Apesar de todo o conflito pelo qual o salmista passou, ele começa o seu texto contudentemente afirmando que Deus é bom. Partindo desse pressuposto, administrar as aflições da vida fica muito mais simples. Não é demais lembrar que o versículo um diz para quem Deus certamente é bom: “para os puros de coração”.
            Apesar de toda esta certeza que habitava no coração do autor, ele vivia um conflito em sua mente e coração. Asafe, o autor do salmo, teve inveja dos ímpios. Ele apresenta uma série de motivos para que este mal sentimento tenha brotado em seu coração.
            O primeiro motivo apresentado pelo salmista é a prosperidade dos ímpíos (v.3). Ao observar a vida, aparentemente, próspera daqueles que nada queriam com Deus um sentimento de inveja surgiu no coração de Asafe. Além disso estes ímpios eram orgulhosos por causa de suas riquezas.
            A atitude do poeta bíblico é muito compreensiva, quem já não se perguntou a causa de um vizinho incrédulo ser tão prospero em seu trabalho, enquanto o piedoso crente tem tantas lutas para alimentar os seus. Parece que para o ímpios a vida é muito mais fácil.
            Outro motivo apresentado para a inveja que o salmista sentia era a tranquilidade com a qual os perversos levavam a vida (v.4). A versão Bíblica NVI traduziu assim:  “Eles não passam por sofrimentos”. Neste versículo ainda tem uma outra razão para a inveja de Asafe: Eles “tem o corpo saudável e Forte”(NVI).
            Certa vez ouvi o relato de um amigo que me dizia como ficou chateado quando uma determinada pessoa fez uma crítica que o feriu muito, desconsiderando os aspectos genéticos a pessoa disse: “seu pai foi vegetariano a vida toda e morreu de câncer”. As vezes nos deparamos com situações como esta. Pessoas que optam por seguir as claras orientações de Deus quanto a alimentação saudável são acometidas por doenças horríveis, enquanto pessoas que maltratam seu corpo com maus hábitos alimentares tem uma saúde aparentemente de ferro. Como entender? Asafe ficou muito perturbado.
            O texto do salmo 73 ainda afirma que os ímpios não tem aflições e este era outro motivo pelo qual a inveja nasceu no coração do salmista.
            Quando observamos o texto de Asafe, facilmente notamos a inquietação do escritor com esta questão da prosperidade do ímpios. Sua inquietação é mais acentuada quando ele observa as atitudes que caracterizam a vida deles. Os ímpios são orgulhosos (v.6) e fazem questão de exibir seu orgulho como um “colar”(NTLH), são violentos (v.6), vivem maquinando planos perversos (v.7), oprimem seu próximo (v.8), blasfemam contra Deus (v.9), desafiam a Deus (v.11) e se não fosse o bastante “andam sempre despreocupados aumentando suas riquezas (v.12 NVI). Toda esta situação deixa não somente o salmista, mas qualquer cristão, no mínimo confuso, e no caso de salmista ele diz que “quase perdeu a confiança em Deus”(v.3 NTLH).

           
Os Efeitos na Vida do Salmista


            Observar o contraste entre a vida dos ímpios e a sua própria vida, gerou um profundo sentimento de melancolia em Asafe, a ponto dele afirmar: “Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas do pecado, pois Tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro...” (v. 13-14 NTLH). É claro o sentimento de frustração nestes versos. Frustração causada por pensar que se manter puro ao lado de Deus foi em vão e que nenhuma recompensa terá.
            No próprio texto lemos a expressão do desânimo de Asafe: “Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim” (v.16 NVI). Todo raciocínio do poeta não foi suficiente para compreender toda aquela cena diante dele. Humanamente seria impossível explicar as causas desta aparente injustiça de Deus.


O Conforto do Salmista

           
            Asafe desiste de tentar entender a vida sob a ótica humana, abandonou seu intento de achar a solução mediante o raciocínio, e entrou no santuário(v.17). Ele finalmente compreendeu que as verdadeiras dificuldades da vida só desaparecem na comunhão com Deus.
            Algumas perguntas devem ser respondidas em relação ao santuário. A primeira é: quem o salmista encontrou no santuário? Em Hebreus 12:2 está escrito:
fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus.
                                     
Sim, o salmista encontrou Jesus. Somente compreendemos a vida plenamente quando encontramos o nosso Senhor e Salvador. Foi no momento do encontro com Jesus que as dúvidas e angústias de Asafe se desfizeram.
            Quão privilegiados somos de poder entrar no santuário de Deus para encontrar a solução dos nossos problemas, mas precisamos ter plena consciência de que não são os nosso méritos que nos autorizam a entrar neste lugar tão sagrado. A bíblia nos explica como podemos ter este privilégio:
Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus,  pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne (Heb. 10: 19-20)

            É o próprio Jesus que abre o caminho para que o encontremos no santuário. Na condição que nos encontramos, se nos aproximássemos do santuário de Deus seríamos fuminados, mas Jesus nos cobre com o seu manto de Justiça e dessa forma podemos encontrá-lo no lugar santíssimo do santuário.
            Após este encontro com Jesus, que é o motivo do retorno da tranquilidade do salmista, ele finalmente entende as coisas pela visão certa, a visão de Deus. A aparente prosperidade e felicidade dos ímpios é passageira e instável. Asafe percebe isto logo após encontrar-se com Jesus:
Certamente os pões em terreno escorregadio e os fazes cair na ruína. Como são destruídos de repente, completamente tomados de pavor! (Sal. 73:18-19 - NVI)
            O comentário bíblico adventista fala assim:
Quando o salmista compreende o fim dos ímpios neste mundo e sua queda em meio da prosperidade, restabelece-se sua fé.  Por perder o sentido de proporções, o salmista não pôde ver a retribuição que com freqüência sobrevém aos ímpios, até que entrou no santuário e se entregou plenamente em mãos de Deus. Tinha esquecido que Sodoma e Gomorra foram destruídas por fogo do céu, que a terra do Faraó tinha sido devastada pelas pragas e seus exércitos tinham perecido afogados no mar. (CBA- Versão Eletrônica, 428)

            A verdadeira compreensão da vontade de Deus e de seus desígnios vieram ao autor bíblico somente quando ele se encontrava bem perto de Jesus, não havia mais incredulidade ou angústia, mas uma alegria plena vinda do trono de Deus.
            Muito mais que compreender o destino dos ímpios, o salmista compreendeu o destino dos justos. Esse é o grande motivo de sua felicidade e ele expressa isso numa linda poesia no final do salmo:

Quando te lavantas , Senhor, tu não te lembras dos maus, pois eles são como um sonho que agente esquece quando acorda de manhã. O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado. Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento. No entanto estou sempre contigo e tu me seguras pela mão. Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras. No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra? Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso. Os que se afastam de ti certamente morrerão, e tu destruirás os que são infiéis a ti. Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do Senhor Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito. (Sal 73:20-28 NTLH)
           
            Asafe entendeu que embora os justos sofram nesta terra, eles terão um final glorioso e eterno ao lado de Jesus.
            Que mensagem para os cristão do século XXI! Nesta vida há muito sofrimento para os que decidem estar sempre do lado de Jesus. Por outro lado, frequentemente vemos pessoas que não estão interessadas nas coisas celestiais e que até conscientemente fazem o que é errado perante Deus, mas apesar de tudo isso prosperam, tem saúde, famílias aparentemente felizes, casamentos sem grandes problemas, vida financeira estável.
            Não há ninguém perfeito nesta terra, mas certamente existe um grupo que está buscando comunhão íntima com Deus e, assim como Asafe, ficam angustiados quando percebem que em sua vida não faltam tribulações, enquanto os ímpios ou mesmo aqueles que levam a religião displicentemente, parecem estar cada vez mais tranquilos em sua vida. Precisamos ter em mente a mensagem do salmo 73. Nosso final não é nessa terra, existe um final glorioso preparado para nós.
             O apóstolo Paulo deixou registrado uma mensagem para o grupo dos justos:

Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;  não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas. (II Cor. 4: 16 a 18)

            É possível que cristãos fiéis passem por aflições neste mundo, mas em momento algum podemos perder o foco do soberano prêmio que nos está preparado.
            A primeira visão da irmã White é um lindo relato do caminho do povo de Deus até o céu, ela conta:

Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: "Olha novamente, e olha um pouco mais para cima." Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado em lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada. Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Essa luz brilhava em toda extensão do caminho, e proporcionava claridade para seus pés, para que assim não tropeçassem. Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, estavam seguros. Mas logo alguns ficaram cansados, e disseram que a cidade estava muito longe e esperavam nela ter entrado antes. (Primeiro Escritos, 14)

            Depois de percorrer o longo caminho estreito sendo atacados pelos ímpios que odiavam este povo, ela continua descrevendo o que viu:
Logo nossos olhares foram dirigidos ao oriente, pois aparecera uma nuvenzinha aproximadamente do tamanho da metade da mão de homem, a qual todos nós soubemos ser o sinal do Filho do homem. Todos nós em silêncio solene olhávamos a nuvem que se aproximava e se tornava mais e mais clara e esplendente, até converter-se numa grande nuvem branca. A parte inferior tinha aparência de fogo; o arco-íris estava sobre a nuvem, enquanto em redor dela se achavam dez milhares de anjos, entoando um cântico agradabilíssimo; e sobre ela estava sentado o Filho do homem. (Idem, 16)

            A visão continua e os salvos chegam no céu e são recebidos pelo próprio Jesus e seus anjos. No céu viram a árvore da vida e muitas outras maravilhas. Foi quando aconteceu um evento emocionante:

         Todos nós fomos debaixo da árvore, e sentamo-nos para contemplar o encanto daquele lugar, quando os irmãos Fitch e Stockman, que tinham pregado o evangelho do reino, e a quem Deus depusera na sepultura para os salvar, se achegaram a nós e nos perguntaram o que acontecera enquanto eles haviam dormido. Tentamos lembrar nossas maiores provações, mas pareciam tão pequenas em comparação com o peso eterno de glória mui excelente que nos rodeava, que nada pudemos dizer-lhes, e todos exclamamos - "Aleluia! é muito fácil alcançar o Céu!" - e tocamos nossas gloriosas harpas e fizemos com que as arcadas do Céu reboassem. (Idem , 17 – Grifo suprido)

              Este é o final dos justos. Um dia estaremos em um lugar tão maravilhoso perante o qual as tribulações deste mundo serão insignificantes. Era sobre isto que o apóstolo Paulo falava quando disse: “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rom. 8:18)”.
            É preciso apenas resistir um pouco mais e logo estaremos no céu e finalmente as tribulações terão ficado para trás e tudo que existirá será felicidade ao lado daquele que foi, que é, e que será para todo o sempre, o nosso querido salvador: Jesus.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O VERDADEIRO SORRISO DA ALMA


O VERDADEIRO SORRISO DA ALMA

Vinícius Mendes de Oliveira

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12: 1 e 2

O ser humano foi criado com o propósito de louvar a Deus. Tudo o que somos, tudo o que temos, todos os talentos com os quais nascemos ou mesmo aqueles que desenvolvemos só têm razão de ser se forem utilizados para a adoração ao Senhor.

O pecado, todavia, cumpre o propósito de desviar-nos de nossa finalidade primeira (adorar a Deus) já que nasceu no coração de Satanás, aquele que queria ser adorado no lugar de Jesus.

Valdeci Lima escreveu uma bela poesia a qual intitulou de O sorriso da Alma. Segundo ele, essa melodia foi escrita após perceber que a verdadeira gratidão a Deus é incapaz de ser comunicada plenamente pela limitada linguagem humana. Valdeci cita o exemplo de um bebê recém-nascido: a criança ainda não fala, no entanto recebe toda proteção, cuidado, carinho e alimentação de sua mãe. O bebê nessa fase sente-se grato a sua mãe por todos esses préstimos, mas não tem linguagem verbal para pronunciar um sonoro e sincero obrigado. O que ele faz então: do fundo do coração permite que seus lábios ligeiramente se abram, deixando desabrochar um belíssimo sorriso de agradecimento.

Valdeci diz que assim se expressa a verdadeira gratidão. Quando a linguagem é incapaz de exprimir o louvor, precisamos aprender a sorrir com a alma. Isso é louvar.

Refletindo sobre tudo o Deus fez por nós, em Cristo, percebemos nitidamente que por mais bela e rebuscada que possa ser a linguagem de alguém esta nunca será capaz de expressar a gratidão por tudo o que Deus tem feito por nós.

É por isso que existe o louvor: o sorriso da alma.

Mas o que é louvar? Seria cantar apenas? A verdade é que a música é um dos matizes artísticos do louvor. Entretanto existem formas diversas de louvar. Podemos louvar cantando, orando, pregando, trabalhando, comendo; enfim, de várias formas. Louvar é expressar a Deus nossa mais genuína gratidão. Louvar, segundo Paulo, é apresentar os nossos “corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. O que seria isso? A resposta é simples: é permitir que a nossa mente seja plenamente dirigida por Deus de tal forma que nosso corpo possa realizar as obras que agradam a Deus.

O texto de Romanos 12: 1 e 2 diz que isso só é possível se não nos conformarmos com este século. Esta expressão do apóstolo remete ao significado de não termos a mesma forma das pessoas que vivem no tempo em que vivemos. Paulo nos convida a sermos diferentes.

O tempo em que vivemos chama-se Pós-modernidade. Esta é uma época em que tudo é relativo, os valores se inverteram e que não existem mais verdades absolutas. O resultado disso é o que temos visto no mundo: uma forte e crescente rejeição a Deus e Sua Palavra, sensualismo, materialismo, hedonismo, individualismo e muitos outros ismos.

As pessoas, portanto, que vivem de acordo com os padrões estabelecidos pela pós-modernidade não podem (porque não conseguem) adorar a Deus. Foram programadas para outro propósito, não para esse. A verdade é que isso é tudo o que Satanás queria. Obviamente, não existem limitadores para a obra do Espírito Santo. Logo, mesmo um relativista pós-moderno pode ser plenamente transformado por Deus. Mas o que quero destacar é o trabalho cultural do inimigo que, por meio sutis estratégias, quase que automatizou o homem contra Deus e Sua Palavra.

O que Deus espera então de um jovem adventista que nasceu neste tempo? O senhor espera que você não se conforme com este mundo (perceba o significado etimológico da palavra conforme: não tenha a forma de), seja diferente. Não imite os ícones pós-modernos. Não pense como eles, não fale como eles, não se vista como eles, não coma como eles, não vá aos lugares que eles vão; enfim, seja diferente. Deus sonha como uma juventude que não queira imitar jogadores de futebol, atores e atrizes ou modelos. O sonho de Deus é ver sua juventude imitando a Cristo. Como o Senhor anseia em ver jovens portando-se como os heróis bíblicos que estavam dispostos a dar a sua vida para ser diferentes do mundo e mais semelhantes a Jesus!

Sabe, tenho descoberto que o verdadeiro louvor pretende fazer Deus feliz (Is. 53:11). Jesus sente-se feliz quando vê Seus filhos tendo uma postura de gratidão por tudo aquilo que Ele fez. Não que isso habilite alguém para a salvação, porque esta é única e exclusivamente pela graça de Deus. Mas a atitude de louvar a Deus com a vida expressa uma genuína gratidão pela salvação em Cristo. Louvar a Deus é mais do que falar ou cantar; louvar a Deus é permitir a Ele ser o Senhor de nossa vida porque Ele nos salvou. É fazer o Senhor sentir que valeu a pena Seus sacrifício na vida de mais uma pessoa. Descobri que o verdadeiro louvor deve ser oferecido a Deus; é para Ele, não para nós. Por isso, devemos nos preocupar em apresentar a Ele aquilo que Ele gosta. Sabe, Deus gosta de boa música, de arte, de nossas habilidades e talentos, mas acima de tudo o que Ele mais aprecia é uma vida que renuncia este mundo e se rende totalmente a Ele. Sorrir com a alma, portanto, é pôr um sorriso nos lábios de Jesus.

Vinícius Mendes de Oliveira é professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio do IAENE, aluno do 5º período do SALT-IAENE e mestrando em Sociologia e Cultura na UFRB

A Primeira Visão de Ellen White

Sendo que Deus me tem mostrado as jornadas do povo do advento para a Santa Cidade e a rica recompensa a ser dada aos que aguardarem o seu Senhor quando voltar de Suas bodas, pode ser de meu dever dar-vos um breve esboço do que Deus me tem revelado. Os queridos santos têm de passar através de muitas provas. Mas a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação - enquanto não olhamos para as coisas visíveis, pois as coisas visíveis são temporais, mas as invisíveis são eternas. Tenho procurado apresentar um bom relatório e algumas uvas da Canaã Celestial, pelo qual muitos me apedrejariam, da mesma forma como a congregação desejou apedrejar Calebe e Josué por seu relatório. (Núm. 14:10.) Mas eu vos declaro, meus irmãos e irmãs no Senhor, que esta é uma terra muito boa, e devemos subir para possuí-la.

Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: "Olha novamente, e olha um pouco mais para cima." Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado em lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada. Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Essa luz brilhava em toda extensão do caminho, e proporcionava claridade para seus pés, para que assim não tropeçassem. Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, estavam seguros. Mas logo alguns ficaram cansados, e disseram que a cidade estava muito longe e esperavam nela ter entrado antes. Então Jesus os animava, levantando Seu

glorioso braço direito, e de Seu braço saía uma luz que incidia sobre o povo do advento, e eles clamavam: "Aleluia!" Outros temerariamente negavam a existência da luz atrás deles e diziam que não fora Deus quem os guiara tão longe. A luz atrás deles desaparecia, deixando-lhes os pés em densas trevas, de modo que tropeçavam e, perdendo de vista o sinal e a Jesus, caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio. Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nos anunciou o dia e a hora da vinda de Jesus. Os santos vivos, em número de 144.000, reconheceram e entenderam a voz, ao passo que os ímpios julgaram fosse um trovão ou terremoto. Ao declarar Deus a hora, verteu sobre nós o Espírito Santo, e nosso rosto brilhou com o esplendor da glória de Deus, como aconteceu com Moisés, na descida do monte Sinai.

Os 144.000 estavam todos selados e perfeitamente unidos. Em sua testa estava escrito: "Deus, Nova Jerusalém", e tinham uma estrela gloriosa que continha o novo nome de Jesus. Por causa de nosso estado feliz e santo, os ímpios enraiveceram-se e arremeteram violentamente para lançar mão de nós, a fim de lançar-nos à prisão, quando estendemos a mão em nome do Senhor e eles caíram indefesos ao chão. Foi então que a sinagoga de Satanás conheceu que Deus nos havia amado, que lavávamos os pés uns aos outros e saudávamos os irmãos com ósculo santo; e adoraram a nossos pés.

Logo nossos olhares foram dirigidos ao oriente, pois aparecera uma nuvenzinha aproximadamente do tamanho da metade da mão de homem, a qual todos nós soubemos ser o sinal do Filho do homem. Todos nós em silêncio solene olhávamos a nuvem que se aproximava e se tornava mais e mais clara e esplendente, até converter-se numa grande nuvem branca. A parte inferior tinha aparência de fogo; o arco-íris estava sobre a nuvem, enquanto em redor dela se achavam dez milhares de anjos,

entoando um cântico agradabilíssimo; e sobre ela estava sentado o Filho do homem. Os cabelos, brancos e anelados, caíam-Lhe sobre os ombros; e sobre a cabeça tinha muitas coroas. Os pés tinham a aparência de fogo; em Sua destra trazia uma foice aguda e na mão esquerda, uma trombeta de prata. Seus olhos eram como chamas de fogo, que profundamente penetravam Seus filhos. Todos os rostos empalideceram; e o daqueles a quem Deus havia rejeitado se tornaram negros. Todos nós exclamamos então: "Quem poderá estar em pé? Estão as minhas vestes sem mancha?" Então os anjos cessaram de cantar, e houve algum tempo de terrível silêncio, quando Jesus falou: "Aqueles que têm mãos limpas e coração puro serão capazes de estar em pé; Minha graça vos basta." Com isto nos iluminou o rosto e encheu de alegria o coração. E os anjos tocaram mais fortemente e tornaram a cantar, enquanto a nuvem mais se aproximava da Terra.

Então a trombeta de prata de Jesus soou, ao descer Ele sobre a nuvem, envolto em labaredas de fogo. Olhou para as sepulturas dos santos que dormiam, ergueu então os olhos e mãos ao céu, e exclamou: "Despertai! despertai! despertai, vós que dormis no pó, e levantai-vos!" Houve um forte terremoto. As sepulturas se abriram, e os mortos saíram revestidos de imortalidade. Os 144.000 clamaram "Aleluia!", quando reconheceram os amigos que deles tinham sido separados pela morte, e no mesmo instante fomos transformados e arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor nos ares.

Todos nós entramos na nuvem, e estivemos sete dias ascendendo para o mar de vidro, aonde Jesus trouxe as coroas, e com Sua própria destra as colocou sobre nossa cabeça. Deu-nos harpas de ouro e palmas de vitória. Ali, sobre o mar de vidro, os 144.000 ficaram em quadrado perfeito. Alguns deles tinham coroas muito brilhantes; outros, não tanto. Algumas coroas pareciam repletas de estrelas, ao passo que outras tinham poucas. Todos estavam perfeitamente satisfeitos com sua coroa. E todos

estavam vestidos com um glorioso manto branco, dos ombros aos pés. Havia anjos de todos os lados em redor de nós quando caminhávamos sobre o mar de vidro em direção à porta da cidade. Jesus levantou o potente e glorioso braço, segurou o portal de pérolas, fê-lo girar sobre seus luzentes gonzos, e nos disse: "Lavastes vossas vestes em Meu sangue, permanecestes firmes pela Minha verdade; entrai." Todos entramos e sentíamos ter perfeito direito à cidade.

Ali vimos a árvore da vida e o trono de Deus. Do trono provinha um rio puro de água, e de cada lado do rio estava a árvore da vida. De um lado do rio havia um tronco da árvore, e do outro lado outro, ambos de ouro puro e transparente. A princípio pensei que via duas árvores. Olhei outra vez e vi que elas se uniam em cima numa só árvore. Assim estava a árvore da vida em ambos os lados do rio da vida. Seus ramos curvavam-se até o lugar em que nos achávamos, e seu fruto era esplêndido; tinha o aspecto de ouro, de mistura com prata.

Todos nós fomos debaixo da árvore, e sentamo-nos para contemplar o encanto daquele lugar, quando os irmãos Fitch e Stockman, que tinham pregado o evangelho do reino, e a quem Deus depusera na sepultura para os salvar, se achegaram a nós e nos perguntaram o que acontecera enquanto eles haviam dormido. Tentamos lembrar nossas maiores provações, mas pareciam tão pequenas em comparação com o peso eterno de glória mui excelente que nos rodeava, que nada pudemos dizer-lhes, e todos exclamamos - "Aleluia! é muito fácil alcançar o Céu!" - e tocamos nossas gloriosas harpas e fizemos com que as arcadas do Céu reboassem.

Com Jesus à nossa frente, descemos todos da cidade para a Terra, sobre uma grande e íngreme montanha que, incapaz de suportar a Jesus sobre si, partiu-se em duas, formando uma grande planície. Olhamos então para cima e vimos a grande

cidade, com doze fundamentos, e doze portas, três de cada lado, e um anjo em cada porta. Todos exclamamos: "A cidade, a grande cidade, vem, vem de Deus descendo do Céu"; e ela veio e se pôs no lugar em que nos achávamos. Pusemos então a observar as coisas gloriosas fora da cidade. Vi ali casas belíssimas, que tinham a aparência de prata, apoiadas por quatro colunas marchetadas de pérolas preciosas, muito agradáveis à vista. Destinavam-se à habitação dos santos. Em cada uma havia uma prateleira de ouro. Vi muitos dos santos entrarem nas casas, tirarem sua coroa resplandecente, e pô-la na prateleira, saindo então para o campo ao lado das casas, para lidar com a terra; não como temos de fazer com a terra aqui, não, absolutamente. Uma gloriosa luz lhes resplandecia em redor da cabeça, e estavam continuamente louvando a Deus.

Vi outro campo repleto de todas as espécies de flores; e quando as apanhei, exclamei: "Elas nunca murcharão." Em seguida vi um campo de relva alta, cujo belíssimo aspecto causava admiração; era uma vegetação viva, e tinha reflexos de prata e ouro quando magnificamente se agitava para glória do Rei Jesus. Entramos, então, num campo cheio de todas as espécies de animais: o leão, o cordeiro, o leopardo, o lobo, todos juntos em perfeita união. Passamos pelo meio deles, e pacificamente nos acompanharam. Dali entramos num bosque, não como os escuros bosques que aqui temos, não, absolutamente, mas claro e por toda parte glorioso; os ramos das árvores agitavam-se de um para outro lado, e todos exclamamos: "Moraremos com segurança na solidão, e dormiremos nos bosques." Atravessamos os bosques, pois estávamos a caminho do Monte Sião.

No trajeto encontramos uma multidão que também contemplava as belezas do lugar. Notei a cor vermelha na borda de suas vestes, o brilho das coroas e a alvura puríssima dos vestidos.

Quando os saudamos, perguntei a Jesus quem eram eles. Disse que eram mártires que por Ele haviam sido mortos. Com eles estava uma inumerável multidão de crianças que tinham também uma orla vermelha em suas vestes. O Monte Sião estava exatamente diante de nós, e sobre o monte um belo templo, em cujo redor havia sete outras montanhas, sobre as quais cresciam rosas e lírios. E vi as crianças subirem, ou, se o preferiam, fazer uso de suas pequenas asas e voar ao cimo das montanhas e apanhar flores que nunca murcharão. Para embelezar o lugar, havia em redor do templo todas as espécies de árvores; o buxo, o pinheiro, o cipreste, a oliveira, a murta, a romãzeira e a figueira, curvada ao peso de seus figos maduros, embelezavam aquele local. E quando estávamos para entrar no santo templo, Jesus levantou Sua bela voz e disse: "Somente os 144.000 entram neste lugar", e nós exclamamos: "Aleluia"!

Esse templo era apoiado por sete colunas, todas de ouro transparente, engastadas de pérolas belíssimas. As maravilhosas coisas que ali vi, não as posso descrever. Oh! se me fosse dado falar a língua de Canaã, poderia então contar um pouco das glórias do mundo melhor. Vi lá mesas de pedra, em que estavam gravados com letras de ouro os nomes dos 144.000. Depois de contemplar a beleza do templo, saímos, e Jesus nos deixou e foi à cidade. Logo Lhe ouvimos de novo a delicada voz, dizendo: "Vinde, povo Meu; viestes da grande tribulação, e fizestes Minha vontade; sofrestes por Mim; vinde à ceia, pois Eu Me cingirei e vos servirei." Nós exclamamos: "Aleluia! Glória"! e entramos na cidade. E vi uma mesa de pura prata; tinha muitos quilômetros de comprimento, contudo nossos olhares podiam alcançá-la toda. Vi o fruto da árvore da vida, o maná, amêndoas, figos, romãs, uvas e muitas outras espécies de frutas. Pedi a Jesus que me deixasse comer do fruto. Disse Ele: "Agora não. Os que comem do fruto deste lugar, não mais voltam à Terra. Mas, dentro em pouco, se fores fiel, não somente comerás do fruto da árvore da vida mas beberás também da água da fonte." E disse: "Deves novamente voltar à Terra, e relatar a outros o que te revelei." Então um anjo me trouxe mansamente a este mundo escuro. Algumas vezes penso que não mais posso permanecer aqui; todas as coisas da Terra parecem demasiado áridas. Sinto-me muito solitária aqui, pois vi uma Terra melhor. Oh! tivesse eu asas como a pomba, e voaria e estaria em descanso!

Primeiros Escritos. Cap. 2