segunda-feira, 24 de maio de 2010

Como pregar o evangelho em todo o mundo


Como pregar o evangelho em todo o mundo
Felippe Amorim

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E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.
Mateus 24:14.
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O retorno de Jesus à Terra é uma certeza que todo estudante sério da Bíblia possui. Este evento foi afirmado pelo próprio Jesus quando disse:Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se Eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também” (Jo. 14:1-3). Esta é a grande esperança dos adventistas do sétimo dia. Por isso, todos devemos viver uma vida digna de quem aguarda este grande evento.
Jesus deixou registrado em Sua Palavra uma série de sinais que precederiam Seu glorioso retorno à Terra. Um estudo atento do capítulo 24 de Mateus nos mostra sinais naturais, políticos, sociais e religiosos que facilmente identificamos em nossos dias.
O último grande sinal da volta de Jesus também está registrado no capítulo 24 de Mateus. É a pregação do Evangelho em todo o mundo. Este é o grande evento que precede o maior                                                                                                                                                                                          espetáculo já presenciado pelo Universo.
Quando observamos o mundo que vivemos, podemos nos perguntar como o evangelho será pregado em todo o mundo. Hoje, mesmo com tantas facilidades tecnológicas, ainda enfrentamos grandes barreiras para a pregação do Evangelho. Países como a China e a Índia que detêm cerca de 1/3 da  população mundial possuem presença cristã muito pequena, e se falarmos da presença adventista, o número é ainda menor.
Mesmo aqui no Brasil, a situação é desafiadora. Em São Paulo, por exemplo, a população é de aproximadamente 18,8 milhões de habitantes e temos quase 70 mil adventistas.
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No restante do mundo, o desafio não é diferente, vejamos: Em Tóquio e adjacências vivem 35,6 milhões de pessoas e apenas 2.860 são adventistas. Em Nova York, são 19 milhões e 37.897 adventistas. Na Cidade do México, são 23,5 milhões de habitantes para 53.093 adventistas. Em Mumbai, na Índia, são 18,9 milhões e cerca de 10 mil adventistas. Se formos à China, um dos desafios do mundo atual, vamos encontrar Xangai com 14,9 milhões de habitantes para 6.274 membros, e em Beijing, 11,1 milhões de habitantes para 3.300 adventistas. A mesma realidade pode ser vista em Buenos Aires, com 12,7 milhões de habitantes para 22.978 adventistas. No Cairo, Egito, com 11,8 milhões de habitantes, vivem 289 adventistas. Em Manila, nas Filipinas, são 11,1 milhões de habitantes e 30.775 adventistas. Moscou na Rússia, tem 10,4 milhões de habitantes e 3.500 são adventistas (Revista Adventista. Nº 1218. Novembro de 2009. Ano 104. p. 4).


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            Quando nos deparamos com este quadro, corremos o risco de ficarmos desanimados, pensando que será impossível pregarmos o evangelho em todo o mundo para que a volta de Jesus seja uma realidade o mais rápido possível.
            Quando temos questões tão importantes como esta para responder, precisamos ir a mais confiável fonte de informações: A Bíblia. Nela encontramos relatos que nos dão o caminho para a solução deste nosso aparente impasse.
            Começaremos analisando o projeto evangelístico que Deus designou que Noé realizasse. O mundo antediluviano havia chegado ao limite da paciência de Deus. O supremo Criador resolveu então destruir o mundo, mas graças a Sua infinita misericórdia, quis salvar o maior número de pessoas. Por isso, deu uma mensagem a Noé e que ele fizesse uma série evangelística concomitante à construção da arca.
            Por cento e vinte anos, Noé pregou todos os dias a mesma mensagem, a mensagem presente para aquela época: o mundo seria destruído e as pessoas deveriam entrar na arca para se salvarem. Por certo, a maior série evangelística da história. No fim de 120 anos apenas 8 pessoas foram salvas. Será que era intenção de Deus condenar a maior parte das pessoas? Certamente não. Mas Deus não poderia salvar aqueles que não aceitaram a mensagem. Como diz Ellen White:
O Redentor do mundo tinha muitos ouvintes, mas poucos seguidores. Noé pregou ao povo cento e vinte anos antes do Dilúvio, e contudo bem poucos souberam dar valor a esse precioso tempo de graça. Exceto Noé e sua família, ninguém mais foi contado entre os crentes, nem entrou na arca. De todos os habitantes da Terra, somente oito almas aceitaram a mensagem; mas aquela mensagem condenou o mundo. A luz foi dada para que cressem, a rejeição da luz valeu-lhes a ruína. Nossa mensagem para o mundo será um cheiro de vida para todos quantos a aceitarem, e de condenação para todos os que a rejeitarem (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 190) .
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            A história de Noé nos dá a nossa primeira conclusão acerca da pregação de evangelho a todo o mundo. Devemos tentar alcançar o maior número de pessoas possível, mas para Deus a qualidade é mais importante que a quantidade. O ideal seria unir quantidade com qualidade, mas segundo a história bíblica, se tivermos que optar por uma das duas devemos sempre ficar com a qualidade dos conversos.
            Analisemos outra história registrada nas Sagradas Escrituras. Elias foi um fiel servo de Deus. Em certa ocasião do seu ministério, ele se deparou com um casal diabólico: Acabe e Jezabel. Este casal real havia feito o povo de Israel se distanciar de Deus e adorar deuses falsos da Fenícia.
            A missão de Elias era repreender o povo em nome de Deus. O profeta do Deus verdadeiro deveria levar a mensagem de juízo ao rei e, sob risco de perder a própria vida, entrou no palácio real e anunciou três anos e meio de seca na região. A palavra profética foi cumprida e quanto mais o tempo passava, mais a vida de Elias corria risco, pois Acabe e Jezabel queriam a todo custo a cabeça do profeta.
            Passado o tempo determinado por Deus, Elias marcou um encontro entre ele e os inimigos de Deus no Monte Carmelo. O profeta de Deus faz uma pergunta aos que estavam ali, pergunta esta que ecoa até nossos dias.




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E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém, não lhe respondeu nada (1 Reis 18:21).
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Esta é uma questão que precisa ser pensada seriamente por todos os cristãos. A pergunta de Elias não oferece a opção do meio-termo, era preciso uma posição firme por um dos lados – ou Deus ou Baal. Não podemos ficar servindo a dois senhores, ou melhor, a duas “teologias”, uma bíblica e outra contextual. A chamada ética circunstancial não pode ser aplicada na pregação do evangelho. A posição dos cristãos adventistas devem ser firme de tal forma que a identidade desta igreja seja mantida de acordo com a vontade de Deus expressa em Seus textos inspirados.

Após os improdutivos momentos de invocação dos profetas de Baal recheados de muito barulho, Elias orou a Deus, sem barulho, sem gritaria, sem agitação. Ele apenas orou a Deus e o Criador honrou a fidelidade do Seu servo. A Bíblia registra assim aquele momento:
Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram: O senhor é Deus! O Senhor é Deus! (1 Reis 18:38, 39).
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            Ellen White descreve aquele momento:
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Com impressionante distinção o grito ressoa sobre o monte e ecoa pela planície. Afinal Israel está desperto, esclarecido, penitente. O povo vê por fim quão grandemente havia desonrado a Deus. O caráter do culto de Baal, em contraste com a sensata adoração requerida pelo verdadeiro Deus, está plenamente revelado. O povo reconhece a justiça e misericórdia de Deus em haver retido o orvalho e a chuva até que tivessem sido levados a confessar o Seu nome. Agora estão prontos a admitir que o Deus de Elias está acima de qualquer ídolo (Patriarcas e Profetas, p. 153).
                 
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A vida fiel de Elias fez com que o evangelho fosse rapidamente espalhado por toda a região. Embora houvesse outros fiéis escondidos nas cavernas, naquela ocasião o testemunho de um homem fiel fez com que a mensagem presente para aquela época fosse pregada para “todo o povo”, segundo a Bíblia.
A Bíblia está repleta de episódios  que nos ajudam a responder nossa pergunta inicial: Como pregar o evangelho em todo o mundo?
Analisaremos a história registrada no capítulo 3 do livro de Daniel. Os três amigos do profeta, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego receberam a ordem da adorar a imagem que o rei Nabucodonosor havia construído.


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A ideia de estabelecer um império e uma dinastia que perdurassem para sempre, apelou fortemente ao poderoso monarca cujas armas as nações da Terra tinham sido incapazes de resistir. Com o entusiasmo nascido da ilimitada ambição e orgulho personalístico, ele tomou conselho com seus sábios quanto à maneira de levar avante o projeto. Esquecendo as assinaladas providências relacionadas com o sonho da grande imagem; esquecendo também que o Deus de Israel, por intermédio de Seu servo Daniel, tinha-lhe esclarecido o significado da imagem, e que em conexão com esta interpretação os grandes homens do reino tinham sido salvos de morte ignominiosa; esquecendo tudo, exceto o seu desejo de estabelecer o seu próprio poder e supremacia, o rei e seus conselheiros de Estado decidiram que todos os meios possíveis seriam utilizados para exaltar Babilônia como suprema, e digna de submissão universal (Profetas e Reis, p. 505).

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            Existia uma mensagem que deveria ser espalhada por todo o mundo: Somente o Deus de Israel era verdadeiro. Esta era a mensagem presente naquela ocasião. O desafio era muito grande, pois aparentemente tudo conspirava contra a mensagem de Deus.
            O rei Nabucodonosor tentou obrigar os jovens fiéis hebreus a adorar a imagem de ouro, usando como instrumento de coerção a fornalha ardente. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram fiéis sem pensar nas consequências:
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Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, e disseram ao rei: Ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha de fogo ardente; e Ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste (Daniel 3:16-18).

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            O rei, portanto, os jogou na fornalha e naquele momento Jesus apareceu no meio da fornalha e os livrou da morte.
            Os versículos 28 e 29 do capítulo 3 de Daniel falam algo sobre o qual nós deveríamos refletir bastante:
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Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, o qual enviou o seu anjo e livrou os Seus servos, que confiaram nEle e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus. Por mim, pois, é feito um decreto, que todo o povo, nação e língua que proferir blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro deus que possa livrar desta maneira (Daniel 3:28, 29).

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            É impressionante este relato. Todo o império babilônico, que abarcava quase todo o mundo conhecido da época, recebeu a mensagem do evangelho em um só dia.
O testemunho de três jovens fiéis foi o suficiente para que a mensagem fosse pregada rapidamente em todo o mundo. Sem mídia eletrônica, sem grandes meios de comunicação, em um dia a mensagem foi pregada de forma espetacular.
            Ainda no livro de Daniel temos outro relato que pode responder nossa pergunta inicial. Em seu livto, capítulo 6, encontramos a famosa passagem de Daniel na cova dos leões.
            A fidelidade de Daniel e o prestígio que ganhou junto ao rei Dario da Pérsia, fez surgir inveja nos seus colegas de trabalho que incentivaram o rei a fazer uma lei que obrigava a todos orarem somente a ele mesmo. Daniel que seguia o princípio bíblico de agradar a Deus e não aos homens, continuou fazendo suas orações com a janela aberta em direção a Jerusalém.
            A pena para o desobediente seria a morte na cova dos leões. Mesmo relutante, o rei Dario cumpriu sua palavra e jogou Daniel na cova dos leões. O anjo do Senhor protegeu o profeta, fechando a boca dos leões.
            Novamente a vida fiel de um servo de Deus faz um grande trabalho missionário, como vemos na Bíblia:
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Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada. Com isto faço um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque Ele é o Deus vivo, e permanece para sempre; e o Seu reino nunca será destruído; o Seu domínio durará até o fim.  Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; foi Ele quem livrou Daniel do poder dos leões (Daniel 6:25-27).

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            A mensagem presente para a época foi pregada em todo o reino da Medo-Pérsia em um só dia. Este é um grande exemplo de como podemos pregar a verdade de Deus em todo mundo. A vida de um fiel, Daniel, fez com que se espalhasse a mensagem de Deus em todo o mundo conhecido.
            No Novo Testamento podemos encontrar um outro exemplo de pregação do evangelho em todo mundo.
            Em Colossenses 1:23, Paulo diz:
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Se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro.
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            Um pequeno grupo de fiéis seguidores de Jesus foi o suficiente para pregar o evangelho em todo o mundo conhecido como lemos no texto acima. A vida deles foi uma pregação não verbal que convenceu multidões a seguir a Jesus.
            Os exemplos bíblicos que relatamos nas linhas acima nos mostram que a fidelidade de um cristão pode revolucionar o mundo.
            Quando hoje pronunciamos o nome de Osama Bin Laden, qualquer pessoa sabe a quem nos referimos. Mas antes de 11 de setembro de 2001 poucas pessoas no mundo saberiam quem era esse homem. Após o ataque às torres gêmeas em Nova York, em poucos minutos o mundo todo já sabia quem ele era. Não somente o interesse por Bin Laden cresceu, mas pela religião que ele professa. As grandes universidade do mundo criaram cursos sobre o islamismo, jornais fizeram reportagens de capa, revistas dedicavam muitas páginas ao assunto e o mundo inteiro passou a conhecer a filosofia e a cultura islâmica.
            Imagine agora que o decreto dominical saiu e o mundo inteiro está se adaptando a esta lei que supostamente trará a paz mundial. De repente surge um grupo de pessoas que são fiéis à Bíblia e, portanto, guardam o sábado, o verdadeiro dia do Senhor.
            Um fiel adventista do sétimo dia é preso e mesmo sob ameaça de perder a própria vida, não abre mão da verdade bíblica. Os jornais farão entrevistas para conhecer quem é este fiel adventista e farão reportagens sobre a Igreja Adventista e escreverão artigos sobre as doutrinas adventistas. As universidades farão debates sobre o sábado e em pouquíssimo tempo o evangelho será conhecido em todo o mundo.
            Um fiel é tudo de que precisamos. Apenas um fiel e o evangelho pode ser pregado em todo o mundo.
            Cada adventista do sétimo dia precisa buscar a Jesus de tal forma que quando chegar o momento certo, Deus trabalhe através da sua fidelidade e termine a pregação do evangelho em todo o mundo. Após a pregação em todo o mundo, Jesus voltará e nos levará para junto dEle e passaremos a eternidade sem a presença do pecado e com a presença de Deus.
   
 Artigo baseado em um sermão do Pr. Joaquim Azevedo.

BIBLIOGRAFIA

Revista Adventista. Nº 1218. novembro de 2009. Ano 104.
WHITE, Ellen G. Testemunhos Seletos, v. 3. 6ª edição. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira.
______ (2007) Patriarcas e Profetas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Oração


"Se tiverdes voz e tempo para orar, Deus terá tempo e voz para responder".

Ellen White (Review and Herald, 1º de abril de 1890.)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pela fé Enoque ...


Pela fé Enoque ...
Felippe Amorim

Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. (Hebreus 11: 5)


INTRODUÇÃO

            Quando criança, todos nós tentamos agradar nossos pais. As vezes  as motivações não são muito ortodoxas, tentamos agradar para ganhar um presente em uma data especial, tentamos agradar para podermos ir brincar no final do dia na rua. Por vezes nos esforçamos muito para agradar nossos pais somente para ganhar uma elogio na frente dos nossos irmãos.
            Essa preocupação de agradar é natural do ser humano em relação a todos quantos ele ama. É verdade que algumas vezes por mais que tentemos agradar, ganhamos palavras de reprovação a despeito do nosso esforço. Mesmo assim não desistimos de tentar agradá-los. A maior recompensa é sabermos que deixamos felizes àqueles que são objeto do nosso amor.
            Somos  filhos de Deus e como tal deveríamos nos preocupar em agradar nosso Pai. É certo que em relação a Deus, nada do que eu faça ou deixe de fazer fará com que Deus me ame mais ou menos, Ele já me ama com todo amor que Ele possui, uma amor infinito.
            Não agradamos a Deus para que ele nos ame mais, agradamos a Deus por  amá-Lo mais. Há uma grande diferença nisso.
            Foi exatamente isso que aconteceu na vida de Enoque. O texto de Hebeus 11: 5 relata que antes de ser trasladado ele agradou a Deus. Que privilégio ! Que honra ! Como deveríamos pensar a respeito desta declaração! Seria ideal que cada cristão recebesse essa mesma declaração de Deus:  João agradou a Deus (troque o nome João pelo seu).
            Nesta altura da reflexão precisamos nos perguntar: O que fez enoque para alcançar testemunho de que agradou a Deus? A seguir analisaremos relatos inspirados sobre a vida de Enoque para respondermos a esta importante pergunta.
Enoque andou com Deus
            O livro de Gênesis no capítulo 5: 22-24 resgistra as seguintes palavras a respeito de Enoque:
Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos;  Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.

            A primeira atitude de Enoque registrada pelas Escrituras Sagradas é que ele “andou com Deus”. Podemos, portanto, listar esta ação como a primeira de Enoque para alcançar testemunho de que agradou a Deus.
            Pode ser que passe por sua cabeça neste momento o seguinte pensamento: Era muito fácil para Enoque andar com Deus, pois o seu mundo era menos corrupto e depravado que o nosso. Não tinha as tentações que tem o nosso mundo, portanto, para ele era mais fácil ser cristão do que para nós.
            Esse pensamento não condiz com o que era a realidade do mundo do profeta trasladado. Quando Jesus quis comparar o mundo em que nós vivemos, ou seja, o mundo que antecederia a volta de Jesus, com alguma época, Ele comparou com o mundo ante-diluviano - Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem (Lc 17:26) . Sendo assim, a situação moral das pessoas do tempo de Enoque não facilitava, pelo contrário, dificultava a vivência dos preceitos divinos.
            A imoralidade sexual estava muito alastrada pois, “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”(Gen.6:1). A corrupção era muito comum entre os moradores contemporâneos de Enoque e o ateísmo, ou pelo menos o desprezo a Deus, era recorrente entre eles.
            Nós não vivemos em dias piores que o de Enoque. Não há desculpa para nenhum cristão viver uma vida frouxa moralmente, pois em dias de corrupção e imoralidade “andou Enoque com Deus”.
            É necessário perguntarmos como era esse andar de Enoque com Deus. Seria um andar literal ou uma metáfora? O livro Caminho a Cristo nos ajuda a compreender este assunto:

Orai em vosso aposento particular; e enquanto seguis vossos afazeres diários, elevai muitas vezes o coração a Deus. Era assim que Enoque andava com Deus. Essas orações silenciosas sobem para o trono da graça qual precioso incenso. Satanás não pode vencer aquele cujo coração deste modo se firma em Deus. (White, C. C. 2007 p. 89 – grifo suprido)

            O andar do profeta com Deus se dava através da oração ininterrupta. Esse é um exemplo no qual nós devemos meditar sempre. Quanto tempo nós temos gastado (ou investido) em oração? É importante que tenhamos momentos reservados para nossa oração pessoal nos quais abriremos nosso coração e contaremos ao nosso criador sobre nossas angústias, alegrias e problemas. Mas estes não devem ser os únicos momentos nos quais oramos a Deus. Orai sem cessar(1 tess. 5:17), esta é a recomendação da Bíblia. Orar enquanto trabalha, enquanto se recreia, enquanto se exercita, ou seja, precisamos estar em constante contato com nosso Pai. Dessa forma “Satanás não pode nos vencer”.
            Com o que temos gastado nosso tempo? Infelizmente, muitos cristão tem desperdiçado seu tempo gastando-o mais com televisão, filmes e outras diversões que nos afastam da comunhão com Deus do que com a Bíblia e a oração. Quão bom seria se assim como retiramos o dízimo do nosso dinheiro, também retirássemos o dízimo do nosso tempo para Deus. Cerca de 2 horas diárias de comunhão íntima com o Criador fariam grande diferença em nossa vida cotidiana, nos fariam muito mais fortes contra o inimigo.
            Esse era o andar de Enoque com Deus e deve ser o nosso também. Dessa forma daremos o primeiro passo para alcançarmos o testemunho de que agradamos  a Deus.


Pregação do Evangelho

            Em Judas versículos 14 e 15 encontramos outra declaração a respeito de Enoque que nos ajudará a montar o “quebra-cabeça” de uma vida que agrada a Deus:

Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram.

            Um segundo aspecto da vida do profeta que podemos destacar é a sua prática da pregação do evangelho. Enoque foi um anunciador da segunda vinda de Cristo, para ele foi revelado todo o plano da redenção e sua vida foi pautada pela esperança na segunda vinda de Cristo.

Por meio de santos anjos Deus revelou a Enoque Seu propósito de destruir o mundo por um dilúvio, e também lhe revelou amplamente o plano da redenção. Pelo Espírito de Profecia levou-o através das gerações que viveriam após o dilúvio, e mostrou-lhe os grandes acontecimentos ligados à segunda vinda de Cristo e ao fim do mundo. (White. Patriarcas e Profetas, p. 85)

            Que privilégio deste homem! Receber dos anjos a revelação do glorioso futuro que aguardava todos aqueles que se mantivessem fiéis ao Deus da misericórdia. Ao conhecer todos estes fatos, ele não guardou para si o conhecimento. Anunciou ao mundo.
Se queremos tal qual Enoque agradar a Deus, precisamos levar uma vida de testemunho da segunda vinda de Jesus e de todas as outras verdades do evangelho.
            Porém, alguém pode pregar aquilo que não conhece? O que acontece com um pessoa que se propõe a falar daquilo que lhe é extranho? Acaba falando o que não devia. Portanto, para podermos seguir o exemplo de Enoque temos que fazer um parte indispensável: o estudo da Palavra de Deus. O próprio Jesus falou a respeito disso quando disse, “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;”(Jo. 5: 39)
            Não existe cristianismo se não conhecermos a Cristo, e não tem método mais eficaz para isso que o estudo da Bíblia. Quanto tempo temos dedicado ao exame da palavra? Não me refiro ao Salmo lido de forma mecânica todos os dias. A Bíblia possui outros livros. As profecias devem ser estudadas. Doutrinas fundamentais como a doutrina do Santuário estão à disposição do crente, mas para conhecê-las é preciso se aprofundar no estudo bíblico. Precisamos deixar a leitura superficial e cavar fundo as escrituras.

Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. (Hebreus 5:12)

            Há cristãos que estão na igreja a muito tempo e deveriam conhecer muito da Bíblia, mas pouco sabem a respeito das razões de sua fé. Se quisermos agradar nosso salvador tal qual Enoque, precisamos conhecer Sua palavra e pregá-la a todo o mundo em nossa geração.


Perseverança

            Já havaliamos dois aspectos importantes da vida do profeta Enoque e começamos a descobrir porque o livro de Hebreus afirma que ele agradou a Deus.
            Existe, contudo, mais um ponto que devemos analisar. Para isso meditaremos na seguinte citação:

Durante trezentos anos Enoque estivera procurando pureza de alma, para que pudesse estar em harmonia com o Céu. Durante três séculos andara com Deus. Dia após dia, almejara uma união mais íntima; cada vez mais estreita se tornara a comunhão até que Deus o tomou para Si. Estivera no limiar do mundo eterno, havendo apenas um passo entre ele e o país da bem-aventurança; e, agora, abriram-se os portais; o andar com Deus durante tanto tempo praticado em terra continuou, e ele passou pelas portas da santa cidade - o primeiro dentre os homens a entrar ali. (White. Patriarcas e Profetas, p. 52)

            Essa passagem nos revela uma característica espetacular do profeta analisado. Uma vida de perseverança. Enoque viveu uma vida piedosa e pregou sobre a vinda de Jesus por mais de trezentos anos.
            Muitos dos Cristãos Adventistas tem desanimado do cristianismo por estarem pregando a dez, quinze, trinta, cinquenta anos a respeito da volta de Jesus e Ele ainda não voltou. O movimento Adventista prega esta mensagem a pouco mais de 150 anos e alguns querem desanimar por isso. Mas Enoque pregou durante mais de trezentos anos a mesma mensagem sem desanimar.
            Esta é a terceira característica que precisamos aplicar em nossa vida se queremos agradar a nosso Deus. Perseverança na fé. Não podemos desanimar, pois foi o próprio Deus que nos prometeu: “Certamente cedo venho” (Ap. 22:20). Não podemos desanimar nunca. A perseverança será recompensada ricamente pelo Senhor dos Exércitos.
            Andar com Deus, conhecer e pregar o evangelho e perseverar na fé, eis a fórmula para recebermos de Deus a mesma declaração que Enoque recebeu em Hebreus 11:5.

O final de Enoque

Seria incompleto se terminássemos esta reflexão sem tocarmos na recompensa que o profeta recebeu. Pois aquilo que aconteceu com ele, sonhamos que aconteça conosco.

Mas, como Enoque, o povo de Deus procurará pureza de coração, e conformidade com Sua vontade, até que reflitam a semelhança de Cristo. Como Enoque, advertirão o mundo da segunda vinda do Senhor, e dos juízos que cairão sobre os transgressores; e pela sua santa conversação e exemplo condenarão os pecados dos ímpios. Assim como Enoque foi trasladado para o Céu antes da destruição do mundo pela água, assim os justos vivos serão trasladados da Terra antes da destruição desta pelo fogo. (White. Patriarcas e Profetas, p. 89)

            Existe um paralelo entre a nossa vida e a de Enoque. Assim como ele andou com Deus em oração, nós também precisamos ter um contato íntimo com nosso Pai do céu. Assim como o profeta conhecia e pregava a respeito do Evangelho, nós também precisamos conhecer e pregar a Palavra de Deus. Assim como Enoque perseverou na fé, nós também precisamos perseverar na fé.
            Porém o mais bonito paralelo entre Enoque e nós é que como ele foi trasladado para o céu antes da destruição da terra po água, um dia se formos fiéis até a morte também seremos trasladados desta terra para nos encontrarmos com o primeiro trasladado da história, Enoque. O maior encontro, porém, será com o Deus de Enoque, com o nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos do qual estaremos naquele lindo lugar. Ele estará de braços abertos esperando para nos dar o abraço da vitória e da eternidade.




BIBLIOGRAFIA

WHITE. Ellen G. Caminho a Cristo. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 2007.
WHITE. Ellen G. Patriarcas e Profetas. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 2007.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

As Ciladas de Satanás

Ao se aproximar o povo de Deus dos perigos dos últimos dias, faz Satanás ardorosa consulta com seus anjos quanto ao plano de maior êxito no sentido de lhes transtornar a fé. Vê que as igrejas populares já estão sendo embaladas para dormir, pelo seu poder enganador. Por meio de agradáveis enganos e mentirosas maravilhas, pode ele continuar a conservá-los sob o seu domínio. Dirige portanto seus anjos para que lancem suas ciladas especialmente para os que aguardam o segundo advento de Cristo e se estão esforçando por observar todos os mandamentos de Deus.

Diz o grande enganador: "Devemos vigiar aqueles que estão chamando a atenção do povo para o sábado de Jeová; eles levarão muitos a ver as exigências da lei de Deus; e a mesma luz que revela o verdadeiro sábado, revela também a missão de Cristo no santuário celestial, e revela que a última obra para a salvação do homem está agora indo avante. Conservai nas trevas a mente do povo até que esta obra termine, e teremos conseguido o mundo e a igreja também.
"O sábado é a grande questão que deve decidir o destino de almas. Devemos exaltar o sábado criado por nós. Temos feito com que ele seja aceito tanto pelos mundanos como pelos membros da igreja. Deve agora a igreja ser levada a unir-se com o mundo em sua defesa. Devemos trabalhar por meio de sinais e maravilhas para lhes cegar os olhos quanto à verdade, e levá-los a pôr de lado a razão e o temor de Deus e a seguir os costumes e tradições.
"Influenciarei os pastores populares a desviar dos mandamentos de Deus a atenção dos ouvintes. Aquilo que as Escrituras declaram ser uma perfeita lei de liberdade, será representado como um jugo de servidão. O povo aceita as explanações das Escrituras de seus pastores, e não estuda por si mesmo. Portanto, atuando por meio de seus pastores, posso dominar o povo de acordo com a minha vontade.
"Mas nossa principal preocupação é silenciar esta seita de observadores do sábado. Devemos despertar contra eles a indignação popular. Alistaremos ao nosso lado grandes homens e homens sábios segundo o mundo, e induziremos aos que estão em autoridade a executar os nossos propósitos. Então o sábado que eu estabeleci será forçado pelas leis mais severas e obrigatórias. Os que as desrespeitarem, serão tocados das cidades e vilas e levados a passar fome e privação. Uma vez que tenhamos o poder, mostraremos o que podemos fazer com os que não se desviam de sua fidelidade a Deus. Levamos a igreja romana a infligir prisão, tortura e a morte àqueles que recusavam seguir aos seus decretos; e agora que estamos pondo as igrejas protestantes e o mundo em harmonia com esse braço direito de nossa força, finalmente termos uma lei para exterminar a todos os que não se submeterem à nossa autoridade. Quando se fizer da morte a penalidade da violação do nosso sábado, então muitos dos que agora estão nas fileiras dos observadores dos mandamentos, passarão para o nosso lado.
"Mas antes de adotarmos estas medidas extremas, devemos exercer toda a nossa sabedoria e sutileza para enganar os que honram o verdadeiro sábado e engodá-los. Podemos separar muitos de Cristo, pela mundanidade, luxúria e orgulho. Podem julgar-se salvos porque crêem na verdade, mas a condescendência com o apetite, as paixões mais baixas que confundirão o juízo e destruirão o discernimento, causar-lhes-ão a queda.
"Ide, fazei com que os donos de terras e de dinheiro se embriaguem com os cuidados desta vida. Apresentai o mundo diante deles em sua mais atraente luz, que acumulem o seu tesouro aqui, e fixem sua atenção sobre as coisas terrenas. Devemos fazer o máximo para evitar que os que trabalham na causa de Deus obtenham meios para usar contra nós. Conservai o dinheiro em nossas próprias fileiras. Quanto mais dinheiro obtiverem, tanto mais prejudicarão nosso reino tirando de nós os nossos súditos. Fazei com que se preocupem mais com o dinheiro do que com a edificação do reino de Cristo e a disseminação das verdades que odiamos, e não precisamos temer-lhes a influência, pois sabemos que toda a pessoa egoísta e cobiçosa cairá em nosso poder, e finalmente se separará do povo de Deus.
"Por meio daqueles que têm uma forma de piedade, mas não lhe conhecem o poder, podemos ganhar muitos que de outra maneira nos causariam grande mal. Os mais amantes dos prazeres do que amantes de Deus, serão os nossos mais eficientes auxiliares. Os que pertencem a essa classe, forem mais aptos e inteligentes, servirão de chamariz para atrair outros para as nossas ciladas. Muitos não lhes temerão a influência, porque professam a mesma fé. Levá-los-emos então a concluir que as reivindicações de Cristo são menos estritas do que uma vez creram, e que pela conformação com o mundo exercerão maior influência sobre os mundanos. Assim se separarão de Cristo; então não terão forças para resistir ao nosso poder, e dentro de pouco tempo estarão prontos para ridicularizar o seu antigo zelo e devoção.
"Enquanto não for dado o grande golpe decisivo, devem nossos esforços contra os observadores dos mandamentos ser incansáveis. Devemos estar presentes em todos os seus ajuntamentos. Especialmente em suas grandes reuniões, nossa causa muito sofrerá, e devemos exercer grande vigilância, e empregar todas as nossas artes sedutoras para evitar que as almas ouçam a verdade e por ela sejam impressionadas. "Terei no terreno, como meus agentes, homens que mantenham falsas doutrinas misturadas com justamente suficiente verdade para enganar almas. Também terei presentes pessoas incrédulas, que expressarão dúvidas quanto às mensagens de advertência do Senhor à Sua igreja. Lesse o povo e cresse essas admoestações, e pouca esperança poderíamos ter de vencê-los. Mas se pudermos desviar-lhes a atenção dessas advertências, permanecerão ignorando nosso poder e sagacidade, e finalmente os ganharemos para as nossas fileiras. Deus não permitirá que Suas palavras sejam menosprezadas impunemente. Se pudermos conservar as almas enganadas durante algum tempo, retirar-se-á a misericórdia de Deus, e Ele as abandonará ao nosso completo domínio.
"Temos de causar lutas e divisões. Temos de destruir a ansiedade deles por sua própria alma e levá-los à crítica, aos juízos temerários, acusando e condenando-se uns aos outros, a idolatrar o egoísmo e a inimizade. Por causa destes pecados, Deus baniu-nos de Sua presença; e todos quantos seguirem o nosso exemplo terão sorte idêntica."
Testemunho para Ministros Cap. 66

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Está Consumado !


Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. João: 19:30

Felippe Amorim



                A semana santa é um excelente período para lembrarmos da morte de Jesus. Mas, o problema de grande parte das pessoas é que só refletem a respeito deste evento tão importante neste período do ano e na maior parte do ano fica alheio a este evento que faz direrença entre vida e morte.
            A cruz é o centro da história da humanidade, o evento mais importante de todos os tempo, pois foi ele que garantiu a nós o direito de voltar a viver e de sermos felizes.
            Um dia, a muito tempo atrás, o pecado entrou nesta  terra  e a partir deste momento a paz foi perturbada e a morte passou a fazer parte da existência humana. A justiça de Deus pedia a morte do pecador, todos os pecadores estavam condenados a deixar de existir pra sempre. A morte era uma consequencia inevitável. Mas, na natureza de Deus coexistem a justiça e o amor. Essa mistura quase incompreensível para nós foi o segredo da linda solução dada ao pecado.
            Alguém teria que morrer, a justiça de Deus pedia um pagamento pelo pecado, não havia outra solução. Mas o amor do pai celestial resolveu a questão. A frase de Jesus na cruz, “está consumado”, é uma linda declaração de misericórdia. Outra possibilidade de tradução para esta frase é: “está pago”. Jesus naquele momento declarava ao universo a derrota do pecado e a vitória do amor. Finalmente o problema do pecado havia sido resolvido. O próprio Deus deu a sua vida pelo pecador. A justiça de Deus foi satisfeita e o amor pela humanidade declarado. Na cruz “a justiça e a paz se beijaram”(Salmo 85:10). A vida foi restituída aos seres humanos.
            O pagamento pelo pecado foi feito, todos nós temos a oportunidade de salvação. Mas a salvação é como um cheque, se eu não pegá-lo e descontá-lo, ele não serve para nada. É preciso aceitar a salvação que Jesus nos dá. É preciso abrir o coração a Jesus e permitir que ele seja o Senhor da nossa vida. Faça isso agora e desfrute da paz que só os salvos sentem.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A nossa leve e momentânea tribulação


A nossa leve e momentânea tribulação


Felippe Amorim
Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração. Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. (Salmo 73:1-2 NVI)

Introdução

            A vida cristã é composta por diversos desafios, alguns grandes outros pequenos, alguns fáceis de serem compreendidos, outros nem tanto. Um dos grandes desafios para o cristão é ver que ao seu redor existem pessoas que não temem a Deus, que transgridem Sua lei, que não preocupam-se em manter uma vida de comunhão com o criador, mas, apesar de tudo isso, são aparentemente felizes, prósperos, desfrutam de uma tranquilidade que muitas vezes é rara de se ver na vida daqueles que procuram estar sempre perto de Jesus.
            Para o fiel cristão esta ausência de compreensão pode ser refletida em um considerável abalo de sua estabilidade espiritual e, se o ser humano não estiver firme em Deus, pode até ser levado à queda espiritual. É preciso que tenhamos uma verdadeira noção do que está por trás de cada uma dessas situações. Como entender, então, a prosperidade dos ímpios e a aparente infelicidades dos justos? Podemos esclarecer este assunto estudando a mensagem do Salmo 73.

Os sentimentos do salmista

            A primeira afirmação que é feita neste salmo diz respeito à bondade de Deus. Apesar de todo o conflito pelo qual o salmista passou, ele começa o seu texto contudentemente afirmando que Deus é bom. Partindo desse pressuposto, administrar as aflições da vida fica muito mais simples. Não é demais lembrar que o versículo um diz para quem Deus certamente é bom: “para os puros de coração”.
            Apesar de toda esta certeza que habitava no coração do autor, ele vivia um conflito em sua mente e coração. Asafe, o autor do salmo, teve inveja dos ímpios. Ele apresenta uma série de motivos para que este mal sentimento tenha brotado em seu coração.
            O primeiro motivo apresentado pelo salmista é a prosperidade dos ímpíos (v.3). Ao observar a vida, aparentemente, próspera daqueles que nada queriam com Deus um sentimento de inveja surgiu no coração de Asafe. Além disso estes ímpios eram orgulhosos por causa de suas riquezas.
            A atitude do poeta bíblico é muito compreensiva, quem já não se perguntou a causa de um vizinho incrédulo ser tão prospero em seu trabalho, enquanto o piedoso crente tem tantas lutas para alimentar os seus. Parece que para o ímpios a vida é muito mais fácil.
            Outro motivo apresentado para a inveja que o salmista sentia era a tranquilidade com a qual os perversos levavam a vida (v.4). A versão Bíblica NVI traduziu assim:  “Eles não passam por sofrimentos”. Neste versículo ainda tem uma outra razão para a inveja de Asafe: Eles “tem o corpo saudável e Forte”(NVI).
            Certa vez ouvi o relato de um amigo que me dizia como ficou chateado quando uma determinada pessoa fez uma crítica que o feriu muito, desconsiderando os aspectos genéticos a pessoa disse: “seu pai foi vegetariano a vida toda e morreu de câncer”. As vezes nos deparamos com situações como esta. Pessoas que optam por seguir as claras orientações de Deus quanto a alimentação saudável são acometidas por doenças horríveis, enquanto pessoas que maltratam seu corpo com maus hábitos alimentares tem uma saúde aparentemente de ferro. Como entender? Asafe ficou muito perturbado.
            O texto do salmo 73 ainda afirma que os ímpios não tem aflições e este era outro motivo pelo qual a inveja nasceu no coração do salmista.
            Quando observamos o texto de Asafe, facilmente notamos a inquietação do escritor com esta questão da prosperidade do ímpios. Sua inquietação é mais acentuada quando ele observa as atitudes que caracterizam a vida deles. Os ímpios são orgulhosos (v.6) e fazem questão de exibir seu orgulho como um “colar”(NTLH), são violentos (v.6), vivem maquinando planos perversos (v.7), oprimem seu próximo (v.8), blasfemam contra Deus (v.9), desafiam a Deus (v.11) e se não fosse o bastante “andam sempre despreocupados aumentando suas riquezas (v.12 NVI). Toda esta situação deixa não somente o salmista, mas qualquer cristão, no mínimo confuso, e no caso de salmista ele diz que “quase perdeu a confiança em Deus”(v.3 NTLH).

           
Os Efeitos na Vida do Salmista


            Observar o contraste entre a vida dos ímpios e a sua própria vida, gerou um profundo sentimento de melancolia em Asafe, a ponto dele afirmar: “Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas do pecado, pois Tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro...” (v. 13-14 NTLH). É claro o sentimento de frustração nestes versos. Frustração causada por pensar que se manter puro ao lado de Deus foi em vão e que nenhuma recompensa terá.
            No próprio texto lemos a expressão do desânimo de Asafe: “Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim” (v.16 NVI). Todo raciocínio do poeta não foi suficiente para compreender toda aquela cena diante dele. Humanamente seria impossível explicar as causas desta aparente injustiça de Deus.


O Conforto do Salmista

           
            Asafe desiste de tentar entender a vida sob a ótica humana, abandonou seu intento de achar a solução mediante o raciocínio, e entrou no santuário(v.17). Ele finalmente compreendeu que as verdadeiras dificuldades da vida só desaparecem na comunhão com Deus.
            Algumas perguntas devem ser respondidas em relação ao santuário. A primeira é: quem o salmista encontrou no santuário? Em Hebreus 12:2 está escrito:
fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus.
                                     
Sim, o salmista encontrou Jesus. Somente compreendemos a vida plenamente quando encontramos o nosso Senhor e Salvador. Foi no momento do encontro com Jesus que as dúvidas e angústias de Asafe se desfizeram.
            Quão privilegiados somos de poder entrar no santuário de Deus para encontrar a solução dos nossos problemas, mas precisamos ter plena consciência de que não são os nosso méritos que nos autorizam a entrar neste lugar tão sagrado. A bíblia nos explica como podemos ter este privilégio:
Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus,  pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne (Heb. 10: 19-20)

            É o próprio Jesus que abre o caminho para que o encontremos no santuário. Na condição que nos encontramos, se nos aproximássemos do santuário de Deus seríamos fuminados, mas Jesus nos cobre com o seu manto de Justiça e dessa forma podemos encontrá-lo no lugar santíssimo do santuário.
            Após este encontro com Jesus, que é o motivo do retorno da tranquilidade do salmista, ele finalmente entende as coisas pela visão certa, a visão de Deus. A aparente prosperidade e felicidade dos ímpios é passageira e instável. Asafe percebe isto logo após encontrar-se com Jesus:
Certamente os pões em terreno escorregadio e os fazes cair na ruína. Como são destruídos de repente, completamente tomados de pavor! (Sal. 73:18-19 - NVI)
            O comentário bíblico adventista fala assim:
Quando o salmista compreende o fim dos ímpios neste mundo e sua queda em meio da prosperidade, restabelece-se sua fé.  Por perder o sentido de proporções, o salmista não pôde ver a retribuição que com freqüência sobrevém aos ímpios, até que entrou no santuário e se entregou plenamente em mãos de Deus. Tinha esquecido que Sodoma e Gomorra foram destruídas por fogo do céu, que a terra do Faraó tinha sido devastada pelas pragas e seus exércitos tinham perecido afogados no mar. (CBA- Versão Eletrônica, 428)

            A verdadeira compreensão da vontade de Deus e de seus desígnios vieram ao autor bíblico somente quando ele se encontrava bem perto de Jesus, não havia mais incredulidade ou angústia, mas uma alegria plena vinda do trono de Deus.
            Muito mais que compreender o destino dos ímpios, o salmista compreendeu o destino dos justos. Esse é o grande motivo de sua felicidade e ele expressa isso numa linda poesia no final do salmo:

Quando te lavantas , Senhor, tu não te lembras dos maus, pois eles são como um sonho que agente esquece quando acorda de manhã. O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado. Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento. No entanto estou sempre contigo e tu me seguras pela mão. Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras. No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra? Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso. Os que se afastam de ti certamente morrerão, e tu destruirás os que são infiéis a ti. Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do Senhor Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito. (Sal 73:20-28 NTLH)
           
            Asafe entendeu que embora os justos sofram nesta terra, eles terão um final glorioso e eterno ao lado de Jesus.
            Que mensagem para os cristão do século XXI! Nesta vida há muito sofrimento para os que decidem estar sempre do lado de Jesus. Por outro lado, frequentemente vemos pessoas que não estão interessadas nas coisas celestiais e que até conscientemente fazem o que é errado perante Deus, mas apesar de tudo isso prosperam, tem saúde, famílias aparentemente felizes, casamentos sem grandes problemas, vida financeira estável.
            Não há ninguém perfeito nesta terra, mas certamente existe um grupo que está buscando comunhão íntima com Deus e, assim como Asafe, ficam angustiados quando percebem que em sua vida não faltam tribulações, enquanto os ímpios ou mesmo aqueles que levam a religião displicentemente, parecem estar cada vez mais tranquilos em sua vida. Precisamos ter em mente a mensagem do salmo 73. Nosso final não é nessa terra, existe um final glorioso preparado para nós.
             O apóstolo Paulo deixou registrado uma mensagem para o grupo dos justos:

Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;  não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas. (II Cor. 4: 16 a 18)

            É possível que cristãos fiéis passem por aflições neste mundo, mas em momento algum podemos perder o foco do soberano prêmio que nos está preparado.
            A primeira visão da irmã White é um lindo relato do caminho do povo de Deus até o céu, ela conta:

Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: "Olha novamente, e olha um pouco mais para cima." Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado em lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada. Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Essa luz brilhava em toda extensão do caminho, e proporcionava claridade para seus pés, para que assim não tropeçassem. Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, estavam seguros. Mas logo alguns ficaram cansados, e disseram que a cidade estava muito longe e esperavam nela ter entrado antes. (Primeiro Escritos, 14)

            Depois de percorrer o longo caminho estreito sendo atacados pelos ímpios que odiavam este povo, ela continua descrevendo o que viu:
Logo nossos olhares foram dirigidos ao oriente, pois aparecera uma nuvenzinha aproximadamente do tamanho da metade da mão de homem, a qual todos nós soubemos ser o sinal do Filho do homem. Todos nós em silêncio solene olhávamos a nuvem que se aproximava e se tornava mais e mais clara e esplendente, até converter-se numa grande nuvem branca. A parte inferior tinha aparência de fogo; o arco-íris estava sobre a nuvem, enquanto em redor dela se achavam dez milhares de anjos, entoando um cântico agradabilíssimo; e sobre ela estava sentado o Filho do homem. (Idem, 16)

            A visão continua e os salvos chegam no céu e são recebidos pelo próprio Jesus e seus anjos. No céu viram a árvore da vida e muitas outras maravilhas. Foi quando aconteceu um evento emocionante:

         Todos nós fomos debaixo da árvore, e sentamo-nos para contemplar o encanto daquele lugar, quando os irmãos Fitch e Stockman, que tinham pregado o evangelho do reino, e a quem Deus depusera na sepultura para os salvar, se achegaram a nós e nos perguntaram o que acontecera enquanto eles haviam dormido. Tentamos lembrar nossas maiores provações, mas pareciam tão pequenas em comparação com o peso eterno de glória mui excelente que nos rodeava, que nada pudemos dizer-lhes, e todos exclamamos - "Aleluia! é muito fácil alcançar o Céu!" - e tocamos nossas gloriosas harpas e fizemos com que as arcadas do Céu reboassem. (Idem , 17 – Grifo suprido)

              Este é o final dos justos. Um dia estaremos em um lugar tão maravilhoso perante o qual as tribulações deste mundo serão insignificantes. Era sobre isto que o apóstolo Paulo falava quando disse: “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rom. 8:18)”.
            É preciso apenas resistir um pouco mais e logo estaremos no céu e finalmente as tribulações terão ficado para trás e tudo que existirá será felicidade ao lado daquele que foi, que é, e que será para todo o sempre, o nosso querido salvador: Jesus.