sexta-feira, 10 de maio de 2013


A igreja e as metáforas de Cristo
(publicado na Revista Adventista de Maio/2013)

Durante a maior parte da minha infância e adolescência fui membro do clube de desbravadores. Por causa disso participei de muitos acampamentos e caminhadas ao ar livre. Muitas vezes subimos serras e nos envolvemos com outras aventuras.
Lembro-me que em um desses acampamentos passei por momentos, digamos, interessantes. A pessoa responsável por cozinhar em um dos dias, trocou, acidentalmente, o sal por açúcar na farofa e serviu para todos. Imagine o gosto horrível que aquilo tinha.
Naquele mesmo acampamento fui designado para ficar como um dos vigias noturnos. Estava tão escuro que quase dava para apalpar a escuridão. Foi uma noite horrível.
Duas situações ruins: comida sem Sal e escuridão. São coisas que ninguém gosta. O sal e a luz são essenciais. Quando Cristo quis ilustrar um ensinamento a respeito de sua igreja, a comparou a esses dois elementos essenciais.
Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mateus 5:13-16).

SAL DA TERRA

Para entendermos bem o que Jesus queria ensinar ao afirmar que a sua igreja seria o sal da Terra, precisamos pensar um pouco sobre as características do Sal.
A primeira coisa que gostaria de destacar no sal é que ele se mistura, mas não se contamina. O sal não adquire o sabor do alimento, o contrário é que acontece. Você provavelmente nunca ouviu alguém comer um feijão bem gostoso e dizer: que sal saboroso! Geralmente elogiamos a comida e não o sal. Quando o sal se mistura ele muda o sabor da comida e, colocado, na medida certa, deixa tudo mais gostoso.
Assim deve ser com a igreja. Ao se misturar com o mundo, ela deve influenciar e não o contrário. Não vai ser deixando o mundo entrar na igreja que vamos influenciar a sociedade. O sal muda as coisas, sem ser mudado. A igreja deve fazer a diferença de uma maneira tão sábia que as pessoas percebam que o bairro melhorou, que a cidade melhorou, que a vida das pessoas melhoraram.
Outra característica do sal é a capacidade de conservar os alimentos. Nas épocas mais remotas quando a refrigeração ainda não era uma realidade, os alimentos eram conservados com sal. Elementos com muita facilidade de apodrecimento, como a carne, eram conservados por semanas por causa do sal.
Este mundo está em um processo avançado de apodrecimento por causa do pecado. As pessoas que estão vivendo nele apodrecerão também se não acontecer algo. A igreja é o instrumento de Deus para conservar as pessoas “saudáveis” espiritualmente no meio de um mundo podre.
A Bíblia apresenta algumas utilidades do sal. Por exemplo: “e todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal” (Levítico 2:13). Lemos ainda: “todas as ofertas alçadas das coisas santas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, tenho dado a ti, e a teus filhos e a tuas filhas contigo, por estatuto perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é, para ti e para a tua descendência contigo” (Números 18:19).
O sal era utilizado nos tempos bíblicos como parte da aliança feita entre Deus e seu povo. Assim também a igreja deve apresentar às pessoas a aliança que Deus quer fazer com elas. Na igreja podemos encontrar Jesus, o único e suficiente salvador da humanidade e firmar um compromisso com ele.
Há um episódio na Bíblia que lança luz sobre mais um função do sal. Está em II Reis 2: 19-22: “E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que é boa a situação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril. E ele disse: Trazei-me um prato novo, e ponde nele sal. E lho trouxeram. Então saiu ele ao manancial das águas, e deitou sal nele; e disse: Assim diz o SENHOR: Sararei a estas águas; e não haverá mais nelas morte nem esterilidade. Ficaram, pois, sãs aquelas águas, até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha falado”.
Nesse episódio o sal foi usado como elemento de purificação. Eliseu purificou as águas com o sal. Assim como as águas nos tempos de Eliseu, o mundo pode ser purificado pelo trabalho dos cristãos. “O sal misturando-se com a fonte poluída purificou suas águas, e levou vida e bênção onde antes havia sequidão e morte. Quando Deus compara Seus filhos ao sal, Ele deseja ensinar-lhes que Seu propósito em fazê-los súditos de Sua graça é que possam tornar-se instrumentos na salvação de outros. O objetivo de Deus em escolher um povo perante todo o mundo, não foi apenas para que pudesse adotá-lo como Seus filhos e filhas, mas para que através deles o mundo pudesse receber a graça que resulta em salvação” (Patriarcas e Profetas, 232).
Jesus deixou uma advertência junto com a sua metáfora do sal. Se o sal não exercer sua função, não serve para mais nada. Assim também, se a igreja não exercer sua função principal, a de evangelizar, não tem razão de existir. “Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros” (Marcos 9:50).


A LUZ DO MUNDO

            A segunda metáfora que Jesus usou para a igreja foi a luz. Desta metáfora podemos também retirar importantes lições para a igreja.
            Quando pensamos na igreja como luz, precisamos primeiro relembrar de onde vem esta luz. “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Nossa luz é o reflexo da luz de Cristo. É por isso que é tão importante estarmos conectados a Ele. Quem não tem esta conexão não tem luz alguma.
            Assim como Jesus falou em relação ao sal, ele também falou que a luz precisa exercer a sua função. O texto afirma que não se consegue esconder uma luz, assim como não se esconde uma cidade edificada sobre uma montanha, ou seja, a igreja que não se faz notar, deve estar sem luz alguma vinda de Cristo.
            Cada igreja deveria fazer uma análise muito séria sobre si mesma. Por que a falta de brilho indica a falta de Cristo naquela congregação e a falta de Cristo é a causa de uma igreja morta.
            Deus deixou escritas as características de quem tem a luz divina. Observe o padrão: Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;” (Filipenses 2:14-15). Sem murmurações, Sem contendas, Irrepreensível, sincero, Inculpáveis no meio dos culpados e resplandecendo. Essas são as características de quem tem a luz de Jesus.
            Finalmente, o Senhor nos apresentou o motivo de brilhar por ele. “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mateus 5:16). A glória de Deus é o grande objetivo desta luz. Na igreja ninguém deve brilhar para sua própria honra. Toda a honra deve ser de Deus.

PRECIOSAS LIÇÕES

            Essas metáforas de Cristo devem nos fazer refletir e guardar em nosso coração preciosas lições. Aprendemos que a igreja deve dar sabor ao mundo sem receber sabor do mundo. Influenciar sem ser influenciada.
            Se a igreja não for atuante na Salvação de pessoas onde ela está estabelecida, então ela não serve para mais nada. A ajuda social, a participação educacional e qualquer outra coisa são secundárias, o mais importante é salvar.
A igreja precisa resplandecer, ou seja, ser notada. Seria muito útil pra a igreja responder com sinceridade às seguintes perguntas: Se saíssemos desse bairro, faríamos alguma falta para ele? As pessoas perceberiam a saída da igreja? Contudo, a igreja precisa resplandecer a luz certa, vinda de Jesus.
            Sempre que Jesus se refere à sua igreja ele ensina que ela deve ser um instrumento de salvação para as pessoas. “A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo” (Atos dos Apóstolos, 9).
Moro bem distante dos meus pais. Há algum tempo recebi a notícia que meu pai havia sofrido um infarto. Imediatamente liguei para ele e consegui ouvir sua voz. Ele estava internado em um hospital fazendo exames e se preparando para uma cirurgia cardíaca. O quadro era preocupante.
Deliguei o telefone e fui me ajoelhar em meu banheiro. Pedi a Deus para conserva a vida do meu pai até que ele seja salvo. Ele ainda não havia entregado o coração a Jesus. Não desejo a morte dele, mas, desejo menos ainda que ele morra sem ter a esperança da vida eterna.
Eu e você precisamos ansiar pela salvação dos outros, tanto quanto eu anseio pela salvação do meu pai. Precisamos nos esforçar para fazer a diferença no mundo, mostrando que Jesus pode fazer a diferença na vida de todas as pessoas que quiserem. Jesus quer te fazer sal e luz, permita. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013


Quatro homens, quatro semelhanças e uma certeza.

Pr. Felippe Amorim

Os números são bastante representativos nas religiões mundiais. Alguns religiosos inclusive trabalham especificamente com numerologia, imaginando que os números podem prever o futuro e indicar caminhos melhores. Os números são importantes, mas não tanto assim.
Alguns números são importantes na Bíblia. Por exemplo, o número seis é essencial para entendermos algumas profecias de Daniel e Apocalipse. Esse é um número que aponta para as obras dos homens, um exemplo disso é o misterioso número 666.
O número sete é um número central nas escrituras sagradas. É o número bíblico da perfeição. É o número do dia de guarda pedido por Deus, é o número de dias que passaremos viajando em direção ao céu após a volta de Jesus. É um número especial.
O número doze também tem sua importância na Bíblia. É o número das tribos de Israel, das portas da cidade santa e tem uma íntima relação com o número simbólico dos salvos no apocalipse (144.000).
Neste texto quero trabalhar outro número, o quatro. Ele não tem nenhuma significação especial em si mesmo. Mas vou utilizá-lo para destacar quatro personagens bíblicos que nos ensinarão a nos portarmos corretamente diante dos problemas.

Quatro personagens

Os personagens a respeito dos quais quero refletir são Jó, Hananias, Misael e Azarias, estes últimos, mais conhecidos como Sadraque, Mesaque e Abednego.
O primeiro deles é o grande patriarca do passado. A história de Jó provavelmente foi a primeira história bíblica escrita por Moisés. Jó ficou famoso por sua paciência diante do problema. Antes, porém, de apresentar um problema, o primeiro livro escrito da Bíblia mostra um homem fiel e uma família feliz. Esta é a primeira mensagem de Deus para a humanidade.
            Os outros três personagens sobre os quais queremos colocar nosso olhar nesse texto são Hananias, Mizael e Azarias. Os três amigos de Daniel ficaram famosos por suas histórias de fidelidade a Deus e de competência no trabalho.
            Os quatro personagens tem muitas coisas em comum e delas podemos tirar muitas lições para nossa vida. A seguir quero apresentar quatro semelhanças entre eles.

Quatro Semelhanças

A primeira semelhança é que nas descrições que a Bíblia faz deles nenhum pecado é apresentado. Não têm pecados registrados na Bíblia para estes quatro homens. Isso não indica que eles não são pecadores, pois, “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm. 3:23).
A ausência de registros de pecados na vida deles indica que eles tinham uma vida santa. Uma vida bem próxima de Deus foi a marca da existência deles. Isso nos mostra que, se eles conseguiram, nós também podemos, pois eles eram tão humanos quanto nós.
A segunda semelhança entre eles é que todos tinham uma vida consagrada a Deus. A primeira descrição que temos de Jó está no primeiro verso do livro que leva seu nome: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal” (Jó 1:1). Nessa linda poesia hebraica o autor coloca em paralelo quatro características de Jó. Integro está em paralelo com temente a Deus e reto em paralelo com desviar-se do mal. O reto para Deus é aquele que se desvia. Que lindo!
Os três amigos de Daniel também são descritos como consagrados a Deus. No caso do sonho do rei Nabucodonosor, quando todos os sábios foram condenados à morte encontramos a seguinte passagem: “Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros; Para que pedissem misericórdia ao Deus do céu, sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o restante dos sábios de babilônia” (Daniel 2:17-18). Quando os problemas apareceram eles recorreram à oração. Atitude típica de quem tem uma vida consagrada a Deus.
A terceira característica em comum entre nossos quatro personagens é que todos passaram por problemas muito difíceis. Jó perdeu todos os seus bens em um só dia, assim como seus dez filhos em uma só tragédia (perder um filho já causa uma dor indescritível, imagine dez) e além de tudo isso, perdeu também a sua saúde. Tente imaginar-se sofrendo tudo isso sem ter a mínima ideia do motivo, seria de revoltar qualquer pessoa, mas Jó reagiu de forma diferente. “Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 1:20-21). Só alguém muito próximo de Deus poderia dizer isso em uma hora tão difícil.
Sadraque, Mesaque e Abednego também passaram por problemas sérios ao longo da vida. Uma vez foram condenados à morte por causa da fidelidade a Deus. Eles até poderiam ter evitado aquela dificuldade, mas estavam dispostos a sofrer por causa da fé. Eles falaram: “Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Daniel 3:16-18).
Esses quatro personagens nos ajudam a aprender algumas preciosas lições sobre o sofrimento. Uma delas é que o sofrimento nem sempre é culpa nossa. Na vida dos quatro, o sofrimento era fruto do pecado que habita este planeta e na nossa vida isso pode se repetir. Às vezes sofremos não porque estamos sendo castigados ou porque fizemos algo ruim, mas simplesmente como consequência de vivermos em um mundo de pecado.
O grande autor cristão C.S Lewis encarou o problema do sofrimento logo que se converteu. Em decorrência de suas reflexões, escreveu um livro cujo título é “o problema do sofrimento”. Ele escreveu assim sobre o assunto: “o que é positivo para o sofredor em qualquer experiência penosa é a sua submissão à vontade de Deus e, para os espectadores, a compaixão despertada e os atos de bondade a que esta os leva”. O sofrimento deve nos levar para mais perto de Deus.
Essa é a quarta semelhança entre nossos personagens. A maior intimidade com Deus veio dentro do problema. O patriarca Jó depois de enfrentar dias de muita angústia falou para Deus: “antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5). Mesmo com toda a intimidade que ele já tinha no primeiro capítulo, ainda era possível mais consagração, porém, ele só a conseguiu dentro do problema.
Os três amigos de Daniel também passaram por algo semelhante. Eles eram jovens muito consagrados, mas na hora da pior prova deles lemos o seguinte: “Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa; falou, dizendo aos seus conselheiros: Não lançamos nós, dentro do fogo, três homens atados? Responderam e disseram ao rei: É verdade, ó rei. Respondeu, dizendo: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem sofrer nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante ao Filho de Deus” (Daniel 3:24-25). O lugar onde estiveram mais próximos de Deus foi dentro da fornalha. Ainda era possível mais proximidade com Deus.
Sofrer nunca será bom, mas podemos aproveitar os problemas para aumentar nossa intimidade com o Criador. A Bíblia nos apresenta textos que nos consolam, por exemplo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18). Há algo melhor guardado para aqueles que perseverarem na fé.

Quatro atitudes diante dos problemas

            Os seres humanos podem ter quatro atitudes diante dos problemas. A primeira delas é reclamar. Há algum tempo em uma viagem para o nordeste para pregar em um acampamento jovem sentei ao lado de um homem no avião. Puxei assunto: “O senhor está viajando a trabalho”? , perguntei. Esta foi a única frase que consegui falar naquela conversa. Na próxima hora escutei uma enxurrada de reclamação da vida. Já estava me sentindo mal de tanta amargura e reclamação que aquele homem despejou. Muitos podem escolher reagir aos problemas reclamando.
Outra atitude que podemos tomar diante de situações difíceis é fugir. Alguns fogem para o álcool, outros para outras drogas, alguns para o sexo ilícito. Tentando esquecer-se dos problemas acabam gerando outros.
Podemos ainda nos revoltar contra Deus. Alguns se tornam ateus por não saberem reagir às dificuldades da vida. O autor já citado C.S. Lewis enfrentou este problema antes de sua conversão. Esta não é uma boa reação aos problemas. Deus não tem culpa das nossas dificuldades e se nos afastarmos dEle, perderemos a única chance de termos paz no meio da tempestade.
A quarta atitude que podemos ter diante dos problemas é a única que agrada a Deus. Podemos aproveitar para ter mais intimidade com Ele. Jó, Sadraque, Mesaque e Abednego caminharam por esta via. Dentro das dificuldades eles tiveram a maior intimidade de suas vidas com o Pai do céu. É assim que conseguiremos viver em paz ao longo da nossa existência.

Uma certeza

            Independente dos problemas pelos quais passemos, Deus quer estar mais junto de nós nos confortando e nos guiando no meio do problema e em direção à solução.
            A dificuldade é uma oportunidade de aprofundarmos nossa intimidade com o Pai celestial. “Mediante provas e perseguições, a glória - o caráter - de Deus se revela em Seus escolhidos. Os crentes em Cristo, odiados e perseguidos pelo mundo, são educados e disciplinados na escola de Cristo. Na Terra andam em caminhos estreitos; são purificados na fornalha da aflição. (Isa. 48:10.) Seguem a Cristo através de penosos conflitos; suportam a abnegação e passam por amargos desapontamentos; mas deste modo aprendem o que significam a culpa e os ais do pecado, e olham para ele com repulsa. Tendo sido participantes das aflições de Cristo, podem contemplar a glória além da obscuridade, dizendo: "Tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Rom. 8:18” (Atos dos Apóstolos, 577).
Deus te convida hoje a confiar e se entregar totalmente a Ele e desfrutar de paz mesmo que a vida esteja sendo uma tormenta. Quem sabe, no meio da prova você tenha o encontro mais íntimo da sua vida com Deus.

terça-feira, 9 de abril de 2013


Leitura Obrigatória
Felippe Amorim

De vez em quando os pastores mudam de lugar. Isso é algo comum no ministério. Minha última mudança foi do nordeste para o sul do Brasil. Vendi os móveis e viajei 3700 km de carro em direção ao meu novo lar. As únicas coisas que tinha como mudança eram dezesseis caixas de livros que foram por transportadora. Senti muito a falta deles até que chegaram para mim quase três meses depois.
Tive um professor no seminário que é um apaixonado por livros e por leitura. A sua esposa me contou que ele tinha livros até no banheiro. Ele é um leitor voraz.
A leitura deve fazer parte da rotina de todo cristão, mas principalmente dos pastores. Para este grupo, ler não é uma opção é uma obrigação. Os homens que devem falar à congregação a cada semana precisam se encher de conhecimento para poder compartilhar.
Há um texto bíblico bastante interessante e que nos ensina muito sobre a importância da leitura. O encontramos em II Timóteo 4:13: “Quando vieres, traze a capa que deixei em trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos”,

Paulo: corpo preso, mente solta.

Paulo escreve a Timóteo de dentro da prisão em Roma. O apóstolo já estava idoso, cansado e, naquele momento, condenado à morte. Muitas pessoas nessa situação se acomodariam por ter cumprido sua parte neste planeta. Mas este não foi o caso de Paulo.
Ele sentia falta de duas coisas. A primeira era a capa. Ela o ajudaria a manter o frio longe do corpo. Esse era um objeto necessário na fria e úmida prisão do apóstolo. Essa capa era um pano rústico com uma abertura no meio para a cabeça. Quando vestido cobria o corpo como um poncho.
            A outra coisa da qual Paulo sentiu falta foram os seus livros.  Eles o ajudariam a manter a ferrugem longe da mente. O corpo de Paulo estava preso, mas a mente viajava pela leitura.   
“Algumas vezes a história tem a estranha circunstância de repetir-se. Mil e quinhentos anos mais tarde, William Tyndale estava na prisão do Vilvorde, detido, esperando a morte, porque tinha tido a coragem de dar às pessoas a Bíblia em seu próprio idioma. Era um inverno frio e úmido, e escreve a um amigo: “pela graça de Cristo, me mande uma capa mais abrigada, algo para abrigar minhas extremidades, uma camisa de lã, e acima de tudo, minha Bíblia Hebraica” (Barcley. Comentário do Novo testamento, 106). A leitura sempre está presente na vida dos grandes homens da história.

Leitura: pré-requisito ministerial

O exemplo de Paulo nos mostra o quanto a leitura é importante em todos os momentos da vida de um ministro do evangelho. Infelizmente, há pessoas que confiam que Deus sussurrará em seus ouvidos tudo o que falarão no púlpito e, por isso, não se dedicam ao estudo diligente. Mas não é assim que Deus trabalha normalmente.
O grande pregador Charles Spurgeon fez uma esclarecedora observação sobre a atitude de Paulo: “Até mesmo um apóstolo precisa ler. Ele é inspirado e, ainda assim, quer livros. Ele viu o Senhor e, ainda assim, quer livros. [...] Ele foi arrebatado ao terceiro céu, e ouviu coisas ilícitas ao homem proferir, porém, ele quer livros. Ele escreveu uma das principais partes do Novo testamento e, ainda assim, quer livros”.
Paulo poderia se preocupar em aproveitar os últimos momentos da vida de outra forma. Mas até em meio dessas circunstâncias tão adversas, o erudito Pablo continuava investigando as verdades de Deus e praticando a leitura.
No texto percebemos o cuidado que Paulo teve em guardar seus livros antes da viagem e a perceptível falta que eles faziam. Os livros sobre os quais Paulo se referia podem ser manuscritos do Antigo Testamento ou outros livros de assuntos diversos. O mais importante de observar é a valorização que o apóstolo dava ao ato de ler.

Dedicação necessária

Os pastores (e todos os profissionais) deveriam fazer um plano de leitura diário para que se aprofundem no conhecimento da sua área e tenham uma visão da cultura geral.
Vamos fazer alguns cálculos. Se eu me disciplinar para ter uma hora de leitura diária cinco dias por semana, então, terei vinte horas de leitura por mês.  Em média consigo ler 20 páginas por hora, o que dariam 400 páginas por mês. Se eu conseguir manter esta constância lerei 4800 páginas por ano e em dez anos terei lido 48000 páginas. O que equivale a 192 livros de 250 páginas. Bem selecionados, esses livros terão me dado um ótimo conhecimento.
            Deus espera que seus pastores se dediquem ao crescimento intelectual. Ele nos deixou alguns recados importantes através de sua mensageira.
“Os pastores devem dedicar tempo à leitura, ao estudo, a meditar e orar. Devem enriquecer o espírito com conhecimentos úteis, aprendendo de cor porções das Escrituras, traçando o cumprimento das profecias, e aprendendo as lições que Cristo deu a Seus discípulos. Levai um livro convosco para ler enquanto viajais de ônibus, ou esperais na estação da estrada de ferro. Empregai todo momento vago em fazer alguma coisa. Assim fechar-se-á, a milhares de tentações, uma porta eficaz”. (Obreiros Evangélicos, 279). Ela acrescenta: “Todos devem sentir que sobre si repousa a obrigação de atingir as alturas da grandeza intelectual” (Obreiros Evangélicos, 279).
Muitas vezes poderíamos ganhar tempo de leitura em pequenos momentos de espera ou no deslocamento do dia a dia, como diz Ellen White: “do justo emprego do tempo depende nosso êxito no conhecimento e cultura mental. A cultura do intelecto não precisa ser tolhida por pobreza, origem humilde ou circunstâncias desfavoráveis, contanto que se aproveitem os momentos. Alguns momentos aqui e outros ali, que poderiam ser dissipados em conversas inúteis; as horas matutinas tantas vezes desperdiçadas no leito; o tempo gasto em viagens de bonde ou trem; ou em espera na estação; os minutos de espera pelas refeições, de espera pelos que são impontuais - se se tivesse um livro à mão, e estes retalhos de tempo fossem empregados estudando, lendo ou meditando, que não poderia ser conseguido! O propósito resoluto, a aplicação persistente e cautelosa economia de tempo, habilitarão os homens para adquirirem conhecimento e disciplina mental que os qualificarão para quase qualquer posição de influência e utilidade” (Parábolas de Jesus, 344).
            Uma vez escutei uma frase de um professor do SALT que me marcou. Ele disse o seguinte: “o pastor é um homem de olhos cansados”. Ele se referia à rotina de leitura que um pastor deve ter.
Não há dúvidas de que a leitura da Bíblia deve ser a prioridade na vida do ministro, porém, a leitura de bons livros também ajudará o pastor a ter mais conteúdo para guiar suas ovelhas no caminho certo e de maneira mais segura. Deus nos convida a uma maior dedicação à leitura.

quarta-feira, 20 de março de 2013



Jesus e a Páscoa

Felippe Amorim


            Vivemos em uma época na qual tudo se torna mercadoria. Hoje as pessoas vendem de tudo, conhecimento, autoimagem, marcas, ideias etc.
            A intenção deste mundo capitalista é transformar tudo em um produto que possa ser comercializado. Isso aconteceu inclusive com as festas de cunho religioso. Uma delas que, para a maioria das pessoas, praticamente perdeu seu sentido original é a páscoa.
            Quando esta festa vai se aproximando, ouvimos mais a respeito de ovos de chocolate, coelhinhos e presentes do que do verdadeiro sentido da páscoa, o sacrifício de Jesus.
            A páscoa é uma festa que precede à era cristã. Ela era a principal festa judaica dos tempos do Antigo testamento. Era celebrado no 14º dia de nisã, primeiro mês do ano religioso hebraico (meio de março e início de abril do nosso calendário).
            Nesta data todos os judeus deveriam ir à Jerusalém para as celebrações. Milhares de pessoas ocupavam as ruas de Jerusalém. Jesus também frequentava esta festividade porque era um judeu e também porque a páscoa era uma sombra do que Ele próprio representaria para o mundo.
            A Bíblia registra claramente três momentos nos quais Jesus esteve presente nas celebrações da páscoa. Cada uma dessas ocasiões tem uma mensagem importante para cada cristão do século XXI.

O surgimento da páscoa

            A celebração da páscoa foi instituída no final do período de cativeiro dos judeus no Egito. Durante quatrocentos anos os judeus estiveram no Egito. Destes, os últimos trezentos foram de opressão, pois, “levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecia a José” (Êxodo 1:8). Deus estava no processo de libertação do povo, mas a Bíblia diz que o coração do faraó estava endurecido (Exodo 7:14). Foram enviadas, então, dez pragas como forma de avisos do poder e desejo de Deus, mas cada vez mais o coração de Faraó se endurecia.
            O Senhor então planejou enviar a décima praga. Mas, antes de enviá-la, tomou providências para proteger Seu povo.
            A última praga seria a morte de todos os primogênitos. Moisés foi avisado e transmitiu o recado: “Disse mais Moisés: Assim o SENHOR tem dito: Å meia noite eu sairei pelo meio do Egito; E todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que haveria de assentar-se sobre o seu trono, até ao primogênito da serva que está detrás da mó, e todo o primogênito dos animais” (Êxodo 11:4-5).
            A praga era destinada apenas para aqueles que não se submetessem às condições de salvação de Deus. Em Sua misericórdia, o Senhor providenciou o livramento para os seus fiéis.
            Por ser soberano, Deus estabeleceu o início do calendário do Seu povo: “Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano” (Ex.12:2). Além disso, também explicou como os Israelitas deveriam proceder para não serem atingidos pela décima praga.
            “Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras” (Êxodo 12:3-5).
            Para que a simbologia fosse perfeita, todas as recomendações deveriam ser obedecidas à risca. Porém apenas a morte do cordeiro não era suficiente. Havia mais uma instrução: “e tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem” (Êxodo 12:7). Somente a casa que estivesse com o sangue do cordeiro na porta estaria salva da praga.
            Dessa forma se estabeleceu a páscoa: “Assim, pois, o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR” (Êxodo 12:11). Ela seria um símbolo de libertação por isso deveriam comê-la como se estivessem prontos para viajar.
            Nunca mais o povo deveria esquecer que naquela noite Deus os livrou do cativeiro e da morte por causa do sangue do cordeiro.


A primeira páscoa de Cristo.

A primeira vez que a Bíblia registra Jesus Cristo participando das celebrações da páscoa em Jerusalém, nosso Senhor tinha doze anos ”Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa. Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa; e, terminados aqueles dias, ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais” (Lucas 2: 41-43).
Provavelmente aquela foi a primeira páscoa de Jesus em Jerusalém. Era costume dos judeus levar as crianças do sexo masculino para Jerusalém pela primeira vez aos doze anos, um ano antes do menino se tornar ritualmente adulto.
O relato diz que quando as festividades terminaram, Jose e Maria retornaram para Nazaré, mas Jesus ficou para trás.
Provavelmente aconteceu um grande mal entendido que acabou gerando toda a situação descrita. Muita gente ia para Jerusalém na semana da páscoa, as estradas e hospedarias ficavam superlotadas. Certamente havia saído uma caravana de Nazaré em direção a Jerusalém e Jesus ia nela com sua família. Possivelmente, cem ou mais pessoas estavam juntas naquela caravana.
Segundo o costume da época, homens e mulheres viajavam em grupos separados. No final da festa, quando a caravana começou a trilhar o caminho de volta, Maria e José pensaram que Jesus estava ou com um ou com o outro. Por isso passaram um dia inteiro sem dar falta do menino.
Quando sentiram falta de Jesus, começaram a procurar em todos os lugares, “procuravam-no entre os parentes e conhecidos” (Lucas 2:44). Estavam procurando Jesus nos lugares errados.
Muitas pessoas procuram a Jesus com real desejo de encontra-lo. Mas não O encontram porque O procuram em lugares errados. Foi assim com José e Maria. ”Grande honra lhes conferira Deus em confiar-lhes Seu Filho. Santos anjos tinham dirigido a José, a fim de proteger a vida de Jesus. Mas, por um dia inteiro haviam perdido de vista Aquele a quem não deviam ter esquecido nem por um momento” (Desejado de todas as Nações, 81).
O texto bíblico no indica que eles voltaram para Jerusalém e procuraram em todos os lugares e, aparentemente, foram por último ao Templo. Três dias depois encontraram Jesus no Templo conversando sobre a palavra de Deus.
Quem quer encontrar Jesus o procura no lugar certo, na igreja. Mas não em qualquer uma, tem que ser naquela que, como Jesus, estuda e obedece a palavra de Deus. Se José e Maria tivessem usado estes critérios teriam encontrado rapidamente a Jesus.
Por causa de um descuido, os pais de Cristo tiveram que sofrer muito para reencontra-lo. O mesmo pode acontecer conosco, “por conversas ociosas, por maledicência ou negligência da oração, podemos perder num dia a presença do Salvador, e talvez leve muitos dias de dolorosa busca o tornar a achá-Lo, e reconquistar a paz que perdemos” (Desejado de Todas as Nações, 83).
Naquela páscoa as cerimônias foram tão envolventes que José e Maria se esqueceram de ficar perto daquele que era a razão de existir de toda aquela celebração. Não podemos deixar as formalidades tomarem o lugar de Cristo em nossos cultos e em nossa vida.

A páscoa da purificação do Templo

            A segunda páscoa registrada de Cristo foi turbulenta. O apóstolo João descreveu assim: “estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambistas assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda (João 2:13-16).
            Jesus ao entrar no Templo, mais especificamente no pátio externo, onde todos poderiam estar, achou vendedores de animais e cambistas. A presença destes personagens é compreensível quando alguns aspectos são analisados. Os animais que deveriam ser oferecidos no sacrifício pascal deveriam ser sem defeitos. “Nenhuma coisa em que haja defeito oferecereis, porque não seria aceita em vosso favor” (Levítico 22:20).
            Muitas pessoas viajavam dias até chegarem a Jerusalém e seria muito arriscado levar um animal de casa que poderia não ser aceito como sacrifício, por isso, muitos preferiam comprar um animal “pré-aprovado” ao chegar ao templo. O problema não estava exatamente na venda, mas na exploração que a liderança do templo fazia ao cobrar o preço dos animais. Os líderes do templo vendiam-nos superfaturados.
            A presença dos cambistas também era uma necessidade circunstancial. Somente a moeda local era aceita com oferta no templo, mas muito judeus que moravam em outras localidades não as possuíam, por isso precisavam fazer o câmbio. Deveriam trocar as moedas estrangeiras por moedas nacionais de meio ciclo, as únicas aceitas como oferta. Mais uma vez o coração do problema era a cobrança de altas taxas de câmbio. As atividades (venda e câmbio) eram legítimas, porém os homens abusavam delas e por isso profanavam o templo. Não é demais lembrar que elas aconteciam fora da parte sagrada do templo, no pátio exterior.
            Ao contemplar aquela cena corrupta a Bíblia diz que Jesus confeccionou um chicote, provavelmente feito com cordas pequenas usadas para prender os animais, e começou seu trabalho de purificação.
            Jesus não atacou às pessoas, mas os pecados delas. O texto bíblico não indica que o chicote foi feito para ser usado nos humanos. O chicote foi usado para assustar os animais, como era costume na época, e os donos saíram atrás deles. As mesas dos cambistas foram viradas para desmontar o esquema de exploração, mas o Senhor não atacou as pessoas. Todas as ações de Cristo foram diretamente contra o pecado e não contra os pecadores.
Nesta festa da páscoa Jesus nos mostrou que devemos respeitar a Deus, ao Seu culto e às coisas que Ele considera santas. Não podemos dessacralizar algo que Deus sacralizou. Aprendemos também que Ele está disposto a qualquer coisa para nos ajudar a abandonar o pecado. Se for necessário virar a mesa de nossa vida, Ele o fará.

A páscoa da paixão

A mais importante páscoa de Cristo foi a da paixão.  “Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado” (Mateus 26:2). Por vários anos os Judeus celebraram a páscoa, mas aquela seria única. O próprio Jesus ministrou a ceia aos seus discípulos de uma forma especial. “E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai. E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mateus 26:27-30). Naquele dia Jesus Instituiu a Santa Ceia como lembrança do seu plano de salvação.
O maior sacrifício pascal estava para acontecer. Finalmente o tipo encontraria o antítipo. O cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo (Jo. 1:29) seria sacrificado por toda a humanidade.
A sexta-feira chegou, aquela era uma páscoa especial. Às três da tarde aconteceu algo impressionante: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; (Mateus 27:50-51)
Depois da morte de Cristo não mais seria necessário sacrificar inocentes cordeirinhos. O véu do santuário se rasgou indicando que os sacrifícios cessaram. As leis cerimoniais foram cravadas na cruz (Colossenses 2:14). Estava pago o preço pelo nosso resgate. O acesso a Deus estava livre através do sangue de Cristo.
Este sacrifício pascal do cordeiro maior é o motivo pelo qual somos livres e poderemos acessar a eternidade. Hoje ao comemorarmos a páscoa lembramos que um dia fomos cativos do pecado, mas hoje somos livres por causa de Cristo.
Jesus nos deixou uma promessa a respeito da ceia pascal: “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai” (Mateus 26:29). O Senhor prometeu mais uma ceia para relembrar a páscoa. Essa ceia será servida pelos anjos e nós estaremos sentados à mesa com Cristo. Será o grande banquete dos salvos (Mateus 8:11). Nele comemoraremos o sacrifício de Cristo, única razão de estarmos lá. Naquele dia Jesus não será mais o cordeiro pascal, mas o Rei Glorioso e nós reinaremos com Ele para sempre.
Renove o significado da páscoa todos os dias em seu coração e prepare-se para participar da grande ceia que será servida para os salvos no céu.

segunda-feira, 11 de março de 2013


Importante x Essencial
Os pastores e membros precisam colocar suas escolhas na ordem certa


O que você faria se recebesse um cheque em Branco? Para responder a essa pergunta com mais firmeza é preciso primeiro fazer outra pergunta: de quem é o cheque? Se o cheque for de alguém com um saldo bancário pequeno, então, não adianta se empolgar muito com a oferta.
            E se o cheque for de alguém muito rico? Se no lugar da assinatura estivesse o nome de Bill Gates ou outro bilionário qualquer? Nesse caso o cheque seria muito valioso e você poderia colocar valores muito altos.
Pense um pouco agora: e se o cheque fosse assinado por Deus? Qual seria o conteúdo do seu pedido? Com quais palavras você preencheria a oferta de “peça o que quiser” de Deus?

O Cheque em Branco de Deus.

Salomão teve a oportunidade de receber um cheque em branco de Deus. Está registrado em II Crônicas 1:7: “Naquela noite Deus apareceu a Salomão e perguntou: O que você quer que eu lhe dê?” (NTLH).
Naquele momento Salomão foi colocado entre o importante e o essencial. Na vida há coisas importantes. O dinheiro, por exemplo, é algo importante. Sucesso no trabalho, adquirir conhecimento, estudar muito, são coisas importantes, saúde é muito importante. No entanto, na vida há coisas essenciais. O amor e a harmonia na família são essenciais. Uma consciência tranquila é essencial. O mais essencial de todos, porém, é ter intimidade com Deus, disso deriva todas as outras coisas. Diante da proposta de Deus, Salomão poderia ter pedido coisas importantes ou coisas essenciais.
O que Salomão poderia ter pedido? Pense comigo. Ele era rei e, portanto, enfrentava oposição de algumas pessoas. Ele poderia ter pedido a destruição de todos os seus inimigos, isso era importante. Ele poderia ter pedido mais riquezas e poder ou beleza física, essas coisas são importantes para um rei.
Mas antes de avançar no pedido de Salomão eu parei um pouco para refletir em mim. O que eu, um pastor, pediria? Em qual área eu me concentraria, no importante ou no essencial?
O que você pediria? Vingança? Muito dinheiro? Fama? Posições e cargos? Infelizmente esta oferta de Deus mexeria com o egoísmo e o desejo de exaltação de muitos. Quem sabe se eu recebesse uma oferta dessas de Deus, colocasse para fora meus desejos de aparecer e esquecesse de pedir o que era essencial.
O coração de Salomão era tão humano quanto o coração dos pastores do século XXI e ele poderia ter dado vazão aos seus desejos egoístas, mas “em seu coração não havia aspiração egoísta de conhecimento para que se pudesse exaltar sobre outros. Ele desejava desempenhar fielmente os deveres que lhe foram impostos, e escolheu o dom que seria o meio de levar seu reino a glorificar a Deus. Salomão nunca foi tão rico ou tão sábio ou tão verdadeiramente grande como quando confessou: "Não passo de uma criança, não sei como conduzir-me". I Reis 3:7” [1].
            Salomão tinha muito clara diante de seus olhos a responsabilidade que seria liderar o povo de Deus e por isso ele fez o pedido certo. Precisamos aprender com ele.


O melhor pedido

O pedido do filho de Davi foi: “dá-me sabedoria e conhecimento para que eu possa governá-lo. Se não for assim, como poderei governar este teu grande povo?” (II Cron. 1:10 - NTLH).
Podemos descobrir algumas coisas que estavam no coração do rei através do seu pedido. Se ele pediu sabedoria é porque ele tinha consciência que não a possuía, ele sabia que sua posição não lhe garantia a verdadeira sabedoria. Que lição para nós, pastores modernos! “Os que ocupam hoje posições de responsabilidade devem procurar aprender a lição ensinada pela oração de Salomão. Quanto mais alta a posição que um homem ocupa, quanto maior a responsabilidade que tem de levar, mais ampla será a influência que exerce e maior sua necessidade de dependência de Deus” [2].
Não importa quem somos ou o que conhecemos. Não importa se somos aspirantes ou se já estamos perto da jubilação, se trabalhamos num distrito no interior do Brasil ou se ocupamos cargos de preeminência na organização. Para todos só há uma fonte de sabedoria: Deus. Precisamos ter em mente que “a posição não dá santidade de caráter. É por honrar a Deus e obedecer a Seus mandamentos que o homem se torna verdadeiramente grande” [3].
O maior exemplo de que posição eclesiástica não nos dá garantia de consagração e de vida santa é o que aconteceu com Lúcifer. Ele não era pastor em uma igreja no planeta Terra, ele era auxiliar direto de Deus no santuário celestial, trabalhava ao lado do trono do Eterno e, mesmo assim, caiu. Receber da igreja a função pastoral não nos garante que já somos consagrados. Precisamos, como Salomão, buscar todos os dias o essencial.

A resposta de Deus

            O Senhor ficou feliz por Salomão fazer a escolha certa. “Deus disse a Salomão: Visto que você pediu sabedoria e conhecimento para governar o meu povo, de quem eu fiz você rei, em vez de pedir riquezas, bens, ou honras, ou a morte dos seus inimigos, ou vida longa, eu lhe darei sabedoria e conhecimento. E lhe darei também mais riquezas, bens e honras do que qualquer outro rei teve antes de você ou terá depois (II Cron. 1:11,12 – NTLH).
            Quando priorizamos o essencial, ou seja, Deus, Ele acrescenta as coisas importantes. Salomão começou pelo essencial. Contudo, nosso coração é tão ruim que temos que ter cuidado para não incorrer no perigo de fazer a oração de Salomão estando mais interessado no que Deus acrescentará do que na sabedoria propriamente dita. Se quisermos grandes coisas na vida, temos que começar pelo essencial, com sinceridade. O filho de Davi sabia disso e afirmava “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv. 9:10).

Onde Salomão estava?

Salomão estava diante de uma grande responsabilidade, liderar uma grande nação. Sua responsabilidade não era apenas política, mas, principalmente espiritual. Era o povo de Deus quem ele guiava. Os líderes da igreja hoje têm uma responsabilidade semelhante e por isso precisam estar onde Salomão estava.
“Então Salomão saiu do lugar de adoração que ficava em Gibeão, onde estava a Tenda Sagrada, e voltou para Jerusalém, onde governou o povo de Israel” (2Cr 1:13 – NTLH). O rei estava no Templo buscando a presença de Deus. E não estava só: “E falou Salomão a todo o Israel, aos chefes de mil e de cem, e aos juízes, e a todos os príncipes em todo o Israel, chefes das casas paternas. E foi Salomão, e toda a congregação com ele, ao alto que estava em Gibeão porque ali estava a tenda da revelação de Deus, que Moisés, servo do Senhor, tinha feito no deserto” (II Cron. 1: 2-3).
            Agora é possível entender completamente como o coração pecador de Salomão pôde optar pelo essencial quando precisou escolher. Ele estava em íntima comunhão com Deus em Seu templo. Apenas corações realmente consagrados a Deus podem escolher bem, caso contrário, sempre optaremos por nossa vaidade e egoísmo. “Salomão sabia que os que levam pesados fardos precisam buscar a Fonte de sabedoria para orientação, se desejam desempenhar suas responsabilidades de maneira aceitável” [4].  É na presença de Deus que encontramos a sabedoria. “O Deus que servimos não faz acepção de pessoas. Aquele que deu a Salomão o espírito de sábio discernimento está desejoso de repartir as mesmas bênçãos a Seus filhos hoje. "Se algum de vós tem falta de sabedoria", declara Sua Palavra, "peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dada." Tia. 1:5” [5].


O Essencial primeiro

            O exemplo de Salomão me fez pensar em meu ministério e nos motivos do meu coração. Parei um pouco para pensar no por que eu tenho buscado mais conhecimento, no por que quero tanto continuar a estudar, no por que quero preparar bons sermões. Não há nada de errado em buscar essas coisas, elas são importantes, mas se as busco em detrimento do que é essencial, somente para alimentar minha vaidade, então estou indo por um caminho muito perigoso.
            Deus deixou para nós um termômetro para medirmos nossa consagração. Esse é um critério de medição individual, eu só posso avaliar a minha situação, não tenho com avaliar a situação de outros. Preste atenção no texto a seguir, ele me fez parar e pensar: “Por todo o tempo em que permanecer consagrado, o homem a quem Deus dotou com discernimento e habilidade não manifestará anseios por alta posição, nem procurará dirigir ou governar. Necessariamente os homens precisam assumir responsabilidades; mas em vez de disputar a supremacia, aquele que é verdadeiro líder orará por um coração entendido, a fim de poder discernir entre o bem e o mal” [6].  A igreja precisa de pessoas em todas as posições, mas, precisamos deixar que Deus guie as escolhas. Nossa parte é se consagrar para exercer aquilo que Deus escolheu.
Precisamos aprender a buscar o essencial. “Quando o que leva um fardo opressivo deseja sabedoria mais que riquezas, poder, ou fama, não ficará desapontado. Tal pessoa aprenderá do grande Mestre não somente o que fazer, mas como fazê-lo de maneira a alcançar a divina aprovação”[7].
Tenho orado muito para que Deus me ajude a ter um coração como o de Salomão naquele momento da escolha entre o importante e o essencial.  Quero escolher sempre o essencial, a verdadeira sabedoria, lembrando que a sabedoria é uma pessoa: “Porém Deus uniu vocês com Cristo Jesus e fez com que Cristo seja a nossa sabedoria” (I Coríntios 1:30). Pare um pouco agora e converse com Deus a respeito dos seus motivos, avalie com Ele se você tem escolhido o essencial primeiro, peça a Ele que te ajude a ser consagrado e a deixar a sua vida pastoral nas mãos dEle.  








[1] Ellen G. White. Profetas e Reis. Pg. 30
[2] ______ Patriarcas e Profetas. Pg. 31
[3] ______ Patriarcas e Profetas. Pg. 31
[4] ______ Patriarcas e Profetas. Pg. 28
[5] ______ Patriarcas e Profetas. Pg. 31
[6] ______ Patriarcas e Profetas. Pg. 31
[7] ______ Patriarcas e Profetas, 31