segunda-feira, 30 de julho de 2012


Inimigos Invisíveis

O planeta Terra está recheado de seres vivos. Muito são animais grandes e pesados. Mas há uma parte significativa de seres vivos que nos são invisíveis. A maioria das doenças que contraímos é causada por seres microscópicos, que, apesar de muito pequenos, são muito perigosos.
É por isso que é tão importante lavar as mãos antes das refeições, lavar bem os alimentos, filtrar ou ferver a água. Porque podemos ingerir minúsculos seres que trarão grandes prejuízos para nosso corpo.
É muito difícil lutar contra o que não se vê. No âmbito físico isso é uma verdade e no espiritual é ainda mais sério. Os maiores inimigos espirituais dos filhos de Deus também são invisíveis. O apóstolo Paulo escreveu sobre isso: “pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes” (Ef. 6:12).
É verdade que enfrentaremos inimigos físicos na caminhada espiritual, mas eles apenas são uma figura do real inimigo invisível.
Quando enfrentamos problemas no matrimônio o inimigo não é o cônjuge, a luta não é um contra o outro, mas dos dois contra Satanás. As complicações na igreja não devem ser encaradas como a luta de um irmão contra o outro, mas dos irmãos contra o inimigo de Deus. Quando alguém é tentado a sua luta não é diretamente contra o objeto da tentação, mas sim contra o inimigo invisível. Enquanto os seres humanos lutam uns contra os outros, gastam a energia que deveria ser aplicada contra Satanás. Esta é a nossa principal luta e nela precisamos das armas de Deus para vencer.

Necessidade de todos

O apóstolo Paulo inicia o trecho bíblico de Efésios 6:10 com um conselho: “Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as ciladas do Diabo; Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes” (Ef. 6: 10-11, 13).
Se observarmos bem, este conselho traz consigo algumas implicações. A primeira é que não há força em nós mesmos para lutarmos as batalhas espirituais. Muitos que acreditam na autoajuda querem incutir na cabeça das pessoas que temos um poder interior, mas a verdade é que toda força espiritual que venhamos a ter é externa a nós. Outra implicação deste conselho paulino é que as ciladas do inimigo certamente virão. Todo cristão enfrentará alguma prova imposta pelo inimigo.
Como ilustração da solução para a nossa fraqueza diante da guerra espiritual, o apóstolo evoca a imagem do soldado romano indo para a guerra, porque nós não podemos esquecer que estamos envolvidos em um conflito cósmico e nossas atitudes denunciam de que lado estamos. Quando os romanos iam para a guerra eles vestiam uma armadura e Paulo sugere que nós também necessitamos de uma. Ele explica por que. Primeiro para ficarmos firmes contra as ciladas e depois para resistirmos no dia mal.
Esse recado não foi dado inicialmente para pessoas descomprometidas com o evangelho. O recado era para aqueles que estavam do lado de Deus na guerra, e para estes também chegam dias maus. Muitos pregam que quando alguém aceita a Cristo não deve passar mais por problemas de qualquer natureza, mas estes versos vão de encontro à teologia da prosperidade. Os problemas também chegam aos fiéis, a diferença é com quem estes enfrentam as tempestades da vida. Como diz o verso, eles permanecerão inabaláveis.

A armadura de Deus

Paulo aconselha que tomemos toda a armadura de Deus. E, logicamente, isso deve ser feito antes da batalha. O soldado veste a armadura antes de ir para a guerra. Se tentar vestir-se durante a guerra correrá um sério risco de morte. Assim também o cristão deve estar preparado cada dia da vida para enfrentar o inimigo, se esperar para se consagrar na hora da aflição, será vencido.
Outro detalhe é que o texto fala de TODA a armadura. A armadura completa é necessária, pois qualquer parte desprotegida será o local onde o inimigo atacará. O diabo sempre nos tenta em nossos pontos fracos, por isso eles precisam estar cobertos.
A primeira parte da armadura citada é o cinto da verdade. O cinturão tinha duas funções entre os romanos: proteção e sinal da patente. No âmbito espiritual este cinturão é a verdade, mas verdade no sentido mais profundo que a mera oposição à mentira. É a verdade de Deus fincada no coração. Como diz Paulo: “Como a verdade de Cristo está em mim, não me será tirada glória nas regiões da Acaia” (2 cor. 11:10). Somente quando temos a verdade de Deus em nossa vida estaremos seguros.
A próxima parte é a couraça de Justiça. Nos romanos esta parte era um colete que protegia a parte superior do corpo. Era proteção para o coração e os órgãos vitais. O elemento espiritual correspondente é a justiça de Cristo que cobre o filho de Deus e também a lealdade pessoal do cristão aos princípios bíblicos.
Devemos também calçar os pés com a preparação do evangelho da paz. Os soldados romanos usavam as botas, pois elas tornavam a caminhada mais firme. Espiritualmente é animador o pensamento de que o guerreiro pode estar firme e em paz em meio dos conflitos espirituais. O evangelho é basicamente boas novas de salvação. É a notícia de que podemos ter vida ao invés de morte. Em uma guerra é muito bom termos este alento. Podemos guerrear em paz porque a vida nos foi garantida por Jesus na cruz.
O escudo da Fé é o próximo elemento e o apóstolo diz que sempre devemos tê-lo. Os romanos usavam um escudo de madeira coberto com couro ou metal, grande o suficiente para cobrir o corpo todo e assim se protegiam dos dardos inflamados do inimigo. Este é um símbolo espiritual muito poderoso. A fé relaciona-se com todos os outros utensílios, por isso precisamos dela sempre. João escreveu: "Esta é a vitória que venceu ao mundo, nossa fé" (1 Jo 5: 4) e Paulo também enfatiza: "sem fé é impossível agradar a Deus" (Heb. 11: 6). A fé restaura a confiança e nos capacita para continuar na batalha além de ser proteção contra as chamas da tentação que vem sobre nós.
“A obra de vencer o mal deve ser feita mediante a fé. Os que entram no campo de batalha acharão que devem cingir toda a armadura de Deus. O escudo da fé será sua defesa, habilitando-os a ser mais que vencedores. Coisa alguma servirá, a não ser isto: fé no Senhor dos exércitos, e obediência às Suas ordens. Vastos exércitos, providos de quaisquer outros recursos, de nada servirão no último grande conflito. Sem fé, um exército de anjos não poderia ser auxílio. Somente a fé viva torná-los-á invencíveis, e os habilitará a estar em pé no dia mau, firmes e imóveis, conservando inalterável até ao fim o princípio de sua confiança” (Conselho aos pais, professores e estudantes, 183).
Há mais elementos na armadura espiritual. Paulo ainda fala do capacete da salvação. O capacete romano geralmente era de couro, podendo ser também de metal e tinha como objetivo proteger o centro da inteligência. A esperança da salvação também tem este efeito. Mantem a mente do cristão sã.
Finalmente o último utensilio da armadura: A espada do Espírito que é a palavra de Deus. Esta é a única parte da armadura que é ofensiva e defensiva ao mesmo tempo. A Bíblia defende-nos dos ataques do inimigo e com ela atacamos o campo inimigo com a pregação do evangelho.
“Nossa única segurança contra o cair no pecado é manter-nos constantemente sob a modeladora influência do Espírito Santo, empenhando-nos, ao mesmo tempo, ativamente, na causa da verdade e da justiça, cumprindo todo dever dado por Deus, mas não tomando nenhuma responsabilidade que Deus não nos pôs sobre os ombros. Os médicos e estudantes deste ramo, precisam conservar-se firmes sob a bandeira da terceira mensagem angélica, combatendo o bom combate da fé com perseverança e êxito. Não se devem apoiar na própria sabedoria, mas na que vem de Deus, revestindo-se da armadura celeste, do equipamento da Palavra de Deus, não esquecendo nunca possuírem um Guia que nunca foi nem jamais será vencido pelo mal” (Conselho aos pais, professores e estudantes, 488).

Além da armadura

O apóstolo Paulo não esqueceu de um elemento importantíssimo nas batalhas espirituais. Mas este elemento ele deixou fora da metáfora da armadura. Ele fala que devemos batalhar com “toda oração e súplica, orando em todo tempo” (v. 18). A ideia é que a oração deve ser algo real antes, durante e depois da armadura. “Orai sem cessar” (1 Ts. 5:17) é o conselho de Paulo.
A oração não é um acessório. Ela tem que estar permeando todos os momentos das batalhas espirituais. “A oração é a respiração da alma. É o segredo do poder espiritual. Nenhum outro meio de graça a pode substituir, e a saúde da alma ser conservada. A oração põe a alma em imediato contato com a Fonte da vida, e fortalece os nervos e músculos da vida religiosa. Negligenciai o exercício da oração, ou a ela vos dediqueis de quando em quando, com intermitências, segundo pareça conveniente, e perdereis vossa firmeza em Deus” (Mensagens aos Jovens, 250).

Resistência em qualquer situação

A armadura não é uma vacina contra o sofrimento. É uma forma de passar pelas provas sem morrer. O próprio Paulo sofria enquanto escrevia este trecho: “pelo qual sou embaixador em cadeias, para que nele eu tenha coragem para falar como devo falar” (v. 20). Ele estava preso ao redigir a carta aos Efésios.
As lutas serão uma constante na vida de quem se decide por Cristo, pois estão posicionados contra um inimigo irado e desleal. “Lutam em toda pessoa, com veemência, dois poderes em disputa pela vitória A incredulidade arregimenta suas forças, dirigida por Satanás, a fim de separar-nos da Fonte de nossa resistência. A fé ordena suas forças, comandadas por Cristo, o autor e consumador de nossa fé. Hora após hora, em face do universo celestial, vai o conflito em prosseguimento. Esta é uma luta mão a mão, e a grande questão é: Quem vencerá? Essa questão cada um tem de decidir por si mesmo. Todos têm de tomar parte nessa peleja, combatendo de um ou de outro lado. Não há libertação do conflito. ... Somos insistentemente advertidos a preparar-nos para essa luta. "Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo." Efés. 6:10 e 11. E repete-se a advertência: "Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes." Efés. 6:13”. (Filhos e Filhas de Deus – MM 1956, 328)
Não há em lugar algum da Bíblia a garantia de que não passaremos por aflições, mas a armadura garante que passaremos pelo sofrimento sem perder a fé e dependendo completamente de Deus. Mas podemos ter a certeza de que Jesus está interessado em nós, como diz Ellen White: “Cristo tem dado a mensagem, repleta das bênçãos de Seu poder. Ele veio remir a humanidade, e continuará a enviar mensagem após mensagem para salvar Seu rebanho dos enganos satânicos. Ele não cessará de enviar Suas mensagens até que o Universo redimido esteja em paz” (Carta 100, 1906).
            Devemos lembrar que “os que põem toda a armadura de Deus e devotam algum tempo cada dia à meditação, oração e estudo das Escrituras estarão em ligação com o Céu e terão uma influência salvadora, transformadora sobre os que os cercam” (Testimonies, vol. 5, pág. 112.), e que “toda pessoa verdadeiramente convertida vestirá a armadura de Deus, e enfrentará corajosamente o inimigo invisível” (Cuidado de Deus. MM 1995, 302). Portanto, se vista agora com toda a armadura de Deus.


terça-feira, 12 de junho de 2012



Enquanto Ele não vem

                                                                               Felippe Amorim


A breve volta de Jesus à Terra é uma certeza inequívoca para todos aqueles que estudam a palavra de Deus. Basta olharmos para o mundo em que vivemos e reconheceremos os sinais que precederiam o retorno de Cristo. Muitos cristãos creem nisso, embora nem todos vivam de acordo com esta esperança.
Esta é uma questão importante: como viver enquanto o dia do retorno de Cristo não chega? O que fazer enquanto aguardamos a Sua vinda?
Encontramos esta resposta no sermão profético de Jesus. Logo após apresentar os sinais de Sua segunda vinda, o Senhor profere a parábola dos talentos. O estudo deste texto (Mt. 25:14-30)  nos ajuda a compreender o que Jesus espera daqueles que estão aguardando o Seu retorno.
“Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem (Mt. 25:14-15). Nesta parábola encontramos as diretrizes de como passar o tempo de espera.

A Distribuição

Na passagem bíblica Deus é identificado como o Senhor, o dono dos talentos. Essa é uma informação importante, principalmente para aqueles que têm uma tendência de se orgulharem daquilo que sabem fazer bem.
Quando pensamos que o que temos não é nosso, foi-nos dado por Deus, fugimos do orgulho de pensarmos que somos “bons”. “Deus deseja que Seus obreiros olhem para Ele como o Doador de tudo que possuem, que se lembrem de que tudo o que têm e são vem daquele que é maravilhoso em conselho e grande em obra” (Conselho Sobre Mordomia, 114).
Precisamos lembrar que não é a nossa capacidade ou conhecimento que definirá a eficácia do talento, “pode-se possuir cultura, talento, eloquência ou qualquer dote natural ou adquirido; mas sem a presença do Espírito de Deus não se tocará nenhum coração, nem se ganhará pecador algum para Cristo. De outro lado, se estão ligados com Cristo, e se possuem os dons do Espírito, os mais pobres e ignorantes de Seus discípulos terão um poder que falará aos corações. Deus faz deles condutos para a difusão, no Universo, das mais elevadas influências” (Parábolas de Jesus, 328).
“A parábola dos talentos devidamente compreendida, excluirá a cobiça, que Deus chama de idolatria” (Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 365.).
Além de escaparmos do orgulho, a consciência de que os talentos que temos são dons de Deus, nos ajudará a ter um coração grato e dedicado a Ele, como resposta aos presentes recebidos.
O texto nos diz que cada servo recebeu de acordo com a sua capacidade. Deus conhece cada um dos seus filhos e não os sobrecarrega. Receber mais ou menos talentos não deveria ser nossa preocupação. “Ninguém precisa lamentar que não recebeu maiores dons; porque Aquele que repartiu a cada um, é igualmente honrado pelo desenvolvimento de toda dádiva, seja ela grande ou pequena” (Parábolas de Jesus, 328).
O importante é que todos receberam, apesar de não igualmente. A questão mais importante não é a quantidade dos talentos, mas o que faço com aqueles que recebi.
Não cabe a nós discutir a quantidade, essa é uma decisão de Deus. Como diz o apóstolo Paulo: “Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer." (I Cor. 12:8-11)
Outra questão importante é que mesmo aquele que recebeu apenas um, ganhou muito. Um talento corresponde a 6000 denários, que por sua vez corresponde a 6000 dias de trabalho nos tempos de Cristo, ou seja, 16 anos de trabalho aproximadamente. Apenas um talento já tem muito valor. Quem receber apenas um, já recebeu um grande dom de Deus.

O trabalho dos servos

A história nos apresenta três servos. Os dois primeiros receberam, respectivamente, cinco e dois talentos e a Bíblia os apresenta fazendo a aplicação imediata deles. Provavelmente eles tinham a noção de que é através do uso que se multiplicam os talentos. Como diz Ellen White: “Talento usado, talento multiplicado” (Parábolas de Jesus, 353). Os talentos se multiplicam quando estão a serviço dos outros.
O terceiro servo recebeu apenas um talento. A Bíblia o apresenta com medo enterrando-o. Talvez haja um pouco de desgosto também. Quem sabe ele pensou: “apenas um?”.
Podemos perceber que este último conscientemente não trabalhou, seu talento não foi multiplicado por sua negligência. Para o Senhor não importava a quantidade de talentos que o servo recebeu, o que importava é que ele fizesse uso. Deus não aceita nossa desculpas para se escusar do trabalho. Às vezes pensamos como o último servo: “Tenho poucos talentos, não farei falta na obra”, mas para Deus não funciona assim. “Somente pela fidelidade nas coisas pequenas é que a alma pode ser qualificada para agir com fidelidade sob responsabilidades maiores” (Parábolas de Jesus, 356).

A recompensa

Quando o senhor da parábola voltou de sua viagem, convocou seus servos para a prestação de contas. Os servos que ganharam cinco e dois talentos voltaram com seus bens dobrados. Devolveram tudo ao senhor e ganharam como recompensa o “gozo do Senhor”.
O terceiro servo, no entanto, escondeu seu talento na terra, não o colocou ao serviço dos outros e foi duramente repreendido pelo senhor. Ele não fez isso por ignorância, segundo suas próprias palavras, ele conhecia a severidade do senhor. Sua recompensa foi a perda de todos os seus bens e a exclusão do gozo do senhor, ou seja, a perdição.
Ele foi egoísta guardando o seu talento apenas para si. Mas, “ninguém suponha que possa viver vida de egoísmo, e então, tendo servido aos próprios interesses, entrar no gozo do Senhor. Não puderam participar da alegria de um amor desinteressado. Não se adaptariam às cortes celestes” (parábolas de Jesus, 364).
Os três poderiam ter multiplicado os seus talentos e ganhado o gozo do Senhor, mas apenas dois escolheram fazer. Isso mesmo, é uma questão de escolha.
Como dissemos no início, o contexto desta história é a volta de Jesus. “O homem que partiu para longe representa Cristo, que, ao proferir esta parábola, estava prestes a partir da Terra para o Céu” (Parábolas de Jesus, 325). O momento do reencontro do senhor com os servos corresponde ao ajuste final de contas que Cristo fará ao retornar.

Mensagem para os que esperam por Jesus

Há nesta parábola preciosas lições para nós que aguardamos o retorno de Cristo para os nossos dias. Todos nós recebemos pelo menos um talento de Deus e a maneira certa de esperar por Cristo é aplicando esses talentos na obra de Deus.
Muitos ainda focam a data da segunda vinda e esquecem-se do trabalho que Deus espera que façamos enquanto Ele não vem.
Todos em algum momento da vida já tivemos que esperar por alguém. Às vezes esta espera demora horas. A melhor maneira de esperar é se ocupando, assim o tempo passa mais rápido. Ficar sem fazer nada parece que segura os ponteiros do relógio. Esse princípio também funciona para a espera por Cristo.
No dia do acerto final, Jesus pedirá contas das responsabilidades que ele nos deixou. A principal delas é a pregação do evangelho. Cada um de nós tem que anunciar as boas novas de salvação usando os dons que recebemos. Alguns anunciarão usando a música, outros a pregação, alguns a escrita ou estudos bíblicos, enfim, cada um faz de acordo com seus dons. “Os seguidores de Cristo foram redimidos para ser úteis ao próximo” (Parábolas de Jesus, 326).
É assim que Jesus Cristo deseja que o esperemos. Enquanto Ele não vem devemos estar ativos, aplicando e multiplicando os dons que Ele nos concedeu.


domingo, 27 de maio de 2012


Paz na Tempestade
Felippe Amorim


            Às vezes nos deparamos com histórias de pessoas que estão ameaçadas de morte por terem sido testemunhas de algum crime ou coisa parecida e por isso entram no programa da polícia de proteção às testemunhas.

Mesmo sob a proteção policial, pessoas ameaçadas de morte não vivem tranquilas. Certamente é muito incômoda a sensação de estar com a vida em risco. Se a ameaça vem de alguém próximo como um parente, a situação é pior ainda, pois além de tudo ainda envolve laços familiares quebrados e muita mágoa.

O grande rei Davi sofreu ameaças de morte e perseguição de algumas pessoas. Possivelmente as mais dolorosas foram as ameaças vindas do seu próprio filho.

Foi nesse contexto de perseguição da parte de Absalão que Davi escreveu o Salmo três. Este Salmo é uma súplica individual, inspirada num profundo sentimento de dependência de Deus. Há uma preciosa mensagem de fé contida neste trecho da Bíblia.


A Tempestade



                 O Salmo começa assim: “Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim” (v. 1). A situação enfrentada por Davi era bastante complicada. Não era apenas Absalão que o perseguia, mas muitos dos seus antigos súditos.

                 Podemos perceber isso claramente do relato Bíblico: “Então, veio um mensageiro a Davi, dizendo: Todo o povo de Israel segue decididamente a Absalão” (2Sm 15:13). Aquelas eram pessoas a quem Davi havia protegido e cuidado, mas agora queriam mata-lo. Seu próprio filho, a quem ele deu o sustento e a proteção quando criança queria tirar sua vida. Sem dúvida foi uma situação muito ruim.

                 Com o coração pesaroso, o rei-salmista continua: “São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele” (v. 2). Muitos dos que viam a situação de Davi diziam que ele não tinha como escapar. Nem em Deus haveria salvação para o ele.

Muitas vezes nos encontramos em situações semelhantes. Enfrentamos problemas difíceis, somos perseguidos por pessoas próximas a nós, temos a vida por um fio. São situações para as quais as pessoas dizem que não há solução.

Mas não é com esse tom pessimista que termina o salmo. Na verdade, esses são apenas os dois primeiros versos de uma série de oito. Davi gastou apenas dois versículos apresentando o problema e em seis versículos apresenta Deus como solução e proteção. Até nesta disposição do salmo certamente podemos aprender algo. Nosso foco não deve ser no problema, assim como não foi o de Davi, nosso foco deve ser em Deus que é capaz de resolver qualquer tipo de dificuldade.


A fonte da Paz



                 No verso três já podemos perceber uma significativa mudança de tom. “Porém tu, Senhor, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça”(v. 3). A primeira palavra já demonstra que a situação mudou. A palavra “PORÉM” indica que vai começar uma parte que se opõe ao que vinha sendo dito.

                 Sempre há um “porém” nos sofrimentos pelos quais os filhos de Deus passam. Na vida dos fiéis, o sofrimento não é uma situação definitiva. Para todos os que confiam nEle, Deus coloca um PORÉM no meio do problema.

                 Davi começa a fazer uma descrição do que Deus representa para ele naquele momento. Ele diz que Deus é “meu Escudo”, ou seja, há defesa contra as setas do inimigo. O Senhor também é a “minha glória”, portanto não há fracasso definitivo. Davi diz ainda que Deus exalta a sua cabeça. Quem confia em Cristo não anda de cabeça baixa.            Quando David fugiu, estava dobrado pela humilhação (2 Sam. 15: 30), mas Deus o permitiu que levantasse de novo a cabeça ( Sal. 27: 6).

Após exaltar as características de Deus, o rei expõe as atitudes daqueles que sofrem, mas sem sair de perto do Pai. “Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde” (v. 4).

Clamar é mais que orar, clamar é se derramar diante de Deus. É abrir todos os compartimentos do ser para que Deus interfira da maneira que Ele quiser. Quem faz assim pode ter a certeza de que Deus responde, assim como o salmista tinha.


Os efeitos da Paz



“Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta” (v.5). Isso é sensacional! Somente com a confiança totalmente colocada em Deus é que alguém pode ter um sono tranquilo enquanto é ameaçado de morte. Seu sono não era produzido por um mero cansaço, nem por indolência, nem por presunção; era um ato de fé. Era certeza de proteção. Quem confia em Deus, não perde sono mesmo que esteja correndo risco de morte.

Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados” (v. 6). A ausência de medo é outra característica nítida naqueles que esperam no Senhor. Satanás nos ataca por todos os lados e usa todas as coisas e pessoas possíveis, mas não teremos medo se confiramos em Deus.

Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes” (v. 7). Se observarmos com atenção, perceberemos que Davi fala com certeza da bênção que ainda viria, ele fala como se Deus já tivesse ferido seus inimigos. Isso é fé!

“Do Senhor é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção” (v. 8). Este é o final do salmo. Aqui, Davi está tão tranquilo que começa a pensar em abençoar o povo. Sua situação pessoal já não o preocupa mais, ele pode pensar em ajudar outros a alcançar a confiança que ele adquiriu. “Na hora de sua mais negra prova, o coração de Davi estava firme em Deus” (Patriarcas e Profetas, 741).
 

Desfrutando a Paz na tempestade



Muitas vezes sofremos como Davi. Somos ameaçados por Satanás, somos perseguidos por pessoas próximas a nós, sofremos muita oposição. Se pusermos, no entanto, nossa confiança inteiramente em Deus, poderemos dormir tranquilos, viver sem medo e até ajudar a outros a enfrentarem suas tempestades.

O que precisamos é manter nosso foco em Deus e em suas promessas. O Senhor que protegeu e amparou Davi quer fazer o mesmo conosco. Ele só precisa que nos entreguemos completamente a Ele.

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem (Hb 11:1). É dessa fé que nós precisamos! “A prosperidade espiritual continua apenas enquanto o homem confia inteiramente em Deus quanto a obter sabedoria e perfeição de caráter” (Cons. Sobre Mordomia,  147).  “Deus declara que ainda que uma mãe possa esquecer-se de seu filho, "Eu, todavia, Me não esquecerei de ti" ... Deus pensa em Seus filhos com a mais terna solicitude e mantém um memorial escrito diante dEle, para que jamais possa esquecer-Se dos filhos dos quais cuida” (Fé pela qual eu vivo. MM – 1959, 280).

Diante de tão preciosas promessas, o que nos resta é confiar completamente em Deus e desfrutar de paz em meio à tempestade. Se entregue a Ele agora!


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Paulo e Marcos:

modelos para as escolhas ministeriais

(Título na Revista Ministério (Mai-jun/2012): Escolhas Pastorais)

Felippe Amorim



            Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33). Estas palavras de Cristo são reais para todos os cristãos, mas para os ministros do evangelho elas se tornam especialmente verdadeiras.

            A vida ministerial é recheada de aflições por diversas razões. O ministro é um ser humano e por isso sofre as aflições e desafios espirituais como consequências naturais do pecado. Porém na vida de um pastor há um agravante. O inimigo sabe que se fizer um pastor vacilar na fé levará junto muitas de suas ovelhas, e por isso envia aflições e desafios adicionais para a vida dos ministros.

            Nesse caso, a preocupação do pastor não deve ser se as dificuldades chegarão ou não. É certo que elas virão. O foco do pensamento deve estar em como o pastor reagirá perante as dificuldades.

            No livro de Atos encontramos um episódio que nos ajuda a meditar mais profundamente neste assunto. Está escrito: E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Porém João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém. (Atos 13:13)

            Uma leitura atenta desse verso nos ajuda a perceber que está estabelecida uma oposição entre dois personagens: Paulo e João Marcos. A palavra “porém” deixa isso bem claro. Percebemos Paulo indo e Marcos voltando. Esse dois personagens tiveram atitudes contrárias diante do mesmo desafio que era continuar a pregar o evangelho. Analisemos cada um deles.


Paulo

            O apóstolo Paulo é um grande exemplo de diligência no trabalho do Senhor. Esta é uma característica que Paulo já tinha mesmo antes de sua conversão. Era um diligente perseguidor. Quando ele se tornou um mensageiro de Deus essa característica se maximizou.

            O caminho que aquele grupo de missionários estava tomando rumo a Perge era um prenúncio de dificuldades. Perseguições, privações financeiras, pouco conforto. Para Paulo, no entanto, estas dificuldades não eram motivos de desmotivação para o trabalho.

            Para as dificuldades financeiras o apóstolo dos gentios apresentava a sua diligência no trabalho. Em Atos 18:1-3 lemos: “E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas”. 

            Paulo não tinha dificuldades em trabalhar fazendo suas tendas para não onerar a igreja, embora ele tivesse plena consciência de que Deus autorizava a igreja a sustentar seus ministros: “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho (1 Coríntios 9:14). O apóstolo não tinha medo de trabalho e também não visava lucro ao pregar o evangelho. As dificuldades financeiras não o assustavam.

            Além das dificuldades financeiras Paulo também sabia que corria risco de vida. Por várias vezes ele correu riscos por causa do ministério. Foi apedrejado, insultado, várias vezes tentaram assassiná-lo, mas diante de tudo isso ele dizia: Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro (Filipenses 1:21).

            O apóstolo dos gentios foi um exemplo de entrega total e irrestrita ao trabalho de Deus: “Quando os ministros, hoje, acham que estão sofrendo grandes agruras e privações da causa de Cristo. Visitem em imaginação, a oficina do apóstolo Paulo, tendo em mente que, enquanto esse escolhido homem de Deus está moldando as tendas, está ganhando o pão para o seu sustento, por seus próprios labores. No cumprimento do dever, enfrentava ele os mais violentos opositores, silenciando-lhes a orgulhosa jactância, e então reassumia seu humilde emprego de fazedor de tendas. Seu zelo e diligência deveriam ser uma reprovação à indolência e comodidade egoísta dos ministros de Cristo. Qualquer trabalho que beneficie a humanidade ou promova o avanço da causa de Deus deve ser considerado honroso”  (Ellen White. Paulo: o apóstolo da fé e da coragem, 106). Eis um paradigma para as escolhas ministeriais!


João Marcos


            A outra figura com a qual nos deparamos em Atos 13:13 é João Marcos. A atitude dele é apresentada em oposição à de Paulo. Não temos muitas informações sobre ele. Lucas ao escrever o livro de Atos não mencionou o porquê do retrocesso de Marcos, provavelmente por respeitá-lo, pois ao Lucas escrever seus livros inspirados, Marcos já havia se convertido e se tornado um escritor bíblico.

            Ellen White nos ajuda a entender porque Marcos voltou para Jerusalém: “Marcos não apostatou da fé, mas, semelhante a muitos jovens ministros, esquivou-se das dificuldades, e preferiu o conforto e a segurança do lar às viagens , labores e perigos do campo missionário . (EGW. Paulo: o apóstolo da fé e da coragem, 50)

Ao vislumbrar a possibilidade de enfrentar dificuldades, Marcos preferiu abandonar a carreira. Ele não deixou de amar o evangelho, muito menos deixou de amar a Jesus, mas não queria arriscar perder seu conforto por trabalhar na pregação do evangelho. Em outras palavras, naquele momento, Marcos preferia pregar o evangelho onde tivesse as melhores condições de vida e os menores riscos.


Qual modelo seguir diante das dificuldades?


No Brasil existem lugares onde o trabalho pastoral é premiado com muito conforto e segurança, mas também existem lugares onde o trabalho se torna penoso, menos confortável e até perigoso. Quando nos deparamos com esta possibilidade de chamado de Deus qual modelo seguiremos: o de Paulo ou o de Marcos?

Todos os ministros se defrontarão com dificuldades em algum momento do ministério. Essas dificuldades podem ser no âmbito espiritual, se configurando em lutas internas e externas, tentações etc. Podem ser dificuldades financeiras, dinheiro escasso e vida com menos conforto do que se sonhava. Poderão aparecer dificuldades familiares. Conduzir a família de forma que eles amem o ministério tanto quando o ministro às vezes se torna um tremendo desafio. Poderíamos ainda listar as lutas sociais como distância da família, separação dos amigos ou mesmo dificuldades administrativas em lidar com pessoas difíceis, tomar decisões complicadas etc.

            Quem decidir seguir o modelo de Paulo dirá como ele: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1 Coríntios 9:16) e ainda completará “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses  1:21). Podemos escolher como Paulo e enfrentar as dificuldades que virão confiados em Jesus Cristo.

            Alguns, porém, podem escolher o modelo de Marcos: “Prefiro o conforto de casa às lutas do campo de batalha”. “Outros poderão servir à igreja neste lugar, eu prefiro ficar aqui, pois tenho mais vantagens financeiras”. “Prefiro ser pastor em determinada região porque morarei melhor”, enfim, os que escolhem como Marcos, pensam mais em si mesmos na hora de encarar os chamados de Deus do que na missão a qual se propuseram a cumprir.

Estas são duas possibilidades de escolhas (Paulo ou Marcos) com as quais todos os ministros se deparam em seu ministério.


Esperança para os desertores


            Graças a Deus a história de João Marcos não termina em Atos 13. Ele se arrependeu de sua postura e voltou a olhar mais para Cristo do que para as vantagens terrenas. Em Colossenses 4: 10-16  Paulo escreve a respeito de Marcos: Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o; E Jesus, chamado Justo; os quais são da circuncisão; são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação.” Ele não era mais um desertor, agora era chamado de cooperador. Lemos ainda em II Timóteo. 4:11: “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério”.

            O arrependimento de Marcos traz esperança para todos aqueles que necessitam mudar o seu foco ministerial de si mesmos para a pessoa de Jesus Cristo. O seu arrependimento foi tão profundo que Deus deu a ele a oportunidade de se tornar o primeiro dos evangelistas.

            Aqueles que, em algum momento da vida, ou mesmo agora, estão tomando a decisão de Marcos antes da conversão, podem como ele se arrepender e se tornarem muito úteis à obra de Deus.

Que Deus ajude a todos os seus ministros a sempre fazerem escolhas baseados no que Deus quer e não no que eles querem.

quinta-feira, 10 de maio de 2012


Crescer sem parar
Felippe Amorim



Imagine a seguinte situação: uma criança de três anos de idade é abordada na escola por seu professor que a faz o seguinte pedido: por favor, me explique todo o processo de digestão que acontece em seu corpo depois que você almoça.

Agora continue imaginando outra situação: O mesmo professor encontra-se com outro aluno. Dessa vez é um adulto que já está cursando a faculdade e faz o seguinte pedido: indique-me onde em seu corpo fica o estômago. O mais interessante é que esse aluno adulto não sabe responder a esta questão.

São duas situações extremas, mas nos ajudam a entender um conceito importante. As pessoas passam por graus de maturidade ao longo de sua vida. Da mesma forma que seria muito estranho se a criança desse a explicação pedida pelo professor, seria estranho que um adulto na universidade não saiba onde se localiza o estômago em seu corpo. Espera-se que em cada estágio da vida as pessoas estejam minimamente correspondendo ao grau de maturidade adequado.

           Na vida espiritual não é diferente, cada pessoa está em um grau de maturidade diferente e deve ser cobrada de acordo com este fato.

           A Bíblia tem um verso que fala a esse respeito: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv. 4:18).


A vereda dos Justos



           O versículo começa falando da vereda dos justos, portanto, precisamos atentar para o que faz de alguém justo. Nossa mente pecaminosa pode tentar nos levar para uma justificação por nossas próprias obras. Na concepção bíblica ser justo não tem ligação direta com os méritos humanos, mas sim com os méritos divinos.

           O apóstolo Paulo nos ajuda a entender a questão da justiça. “Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Rm. 4:5). A justificação é uma obra que acontece fora de nós e que nos transforma internamente.

           Lemos ainda em Romanos: “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” (Rm. 5:17). A justiça é um dom de Deus para o ser humano, ou seja, na Bíblia o homem justo é aquele que recebeu a justiça de Cristo, não aquele que a alcançou sozinho. A luz de Deus é enviada para aqueles que aceitam a morte de Cristo como justificadora, ou seja, para quem compreende a Justificação pela fé na graça de Jesus.



Paciência com os novos na fé



           A aplicação mais comum do nosso verso inicial relaciona-se com a paciência para com os recém-conversos. Esta é uma boa aplicação, realmente não podemos cobrar muito de quem é criança na fé. Alguns querem fazer um verdadeiro vestibular bíblico para aceitar novos membros.

           Existe, é verdade, um conhecimento mínimo para que uma pessoa ingresse na igreja através do batismo, mas não podemos exigir um conhecimento bíblico profundo. O que a pessoa deve ter é um profundo interesse de se entregar a Jesus e seguir as orientações de Deus para sua vida. Os novos na fé tem que ter se entregado irrestritamente a Jesus e estarem dispostos a segui-lO. O conhecimento profundo da Bíblia será adquirido com o tempo.

O cuidado com os novos da fé é necessário. “Tenham em vista os membros mais velhos da família que essa parte da vinha do Senhor necessita ser fielmente cultivada, e decidam aplicar suas melhores capacidades no sentido de tornar atraente o lar, e tratar com paciência e sabedoria os filhos mais novos (EGW. CPPE, 160).

“Paulo tinha uma aguda intuição do conflito que cada alma há de sustentar com as agências do mal que continuamente estão procurando enlaçá-las e enganá-las; e incansavelmente havia ele trabalhado para fortalecer e confirmar os novos na fé” (EGW. AA, 299).


Crescer sem parar


           Existe outra possibilidade de aplicação para o nosso texto original que não é muito comum de ouvirmos.

O texto apresenta uma luz que não para de ficar mais forte. Essa é uma observação que nos faz pensar a respeito da nossa condição individual.

Alguns cristãos tem usado este texto para justificarem sua falta de aplicação no estudo da Bíblia. Não tiram tempo para estudar, têm poucos momentos dedicados ao crescimento no conhecimento das Escrituras e quando são questionados por causa de sua falta de conhecimento recitam o texto como escudo.

Paulo escreveu sobre cristãos que estão atrasados em seu crescimento espiritual:

“quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido (Hb 5:12). Esta é a situação de muitos cristãos que estão na igreja há anos, mas ainda estão com o conhecimento de crianças na fé.

           As ilustrações são úteis, embora, muitas vezes não perfeitas. Vamos propor uma então. Um curso normal de graduação dura em média quatro anos. Um mestrado dura em média dois anos e um doutorado dura quatro anos em média. Portanto, em dez anos alguém pode crescer em conhecimento do nível da graduação até o de doutorado.

           Se a vida cristã seguisse essa lógica, você deveria estar em qual estágio? Em qual estágio você está agora? A comparação não pode ser aplicada ao pé da letra, mas, figurativamente, há alguns que deveriam ser doutores no conhecimento bíblico, mas ainda estão nas “séries primárias”. Paulo escreveu: “Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança.(Hb 5:13). Não há problema em ser criança, o problema é não sair da infância espiritual.

           O apóstolo continua: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal (Hb 5:14). Infelizmente, muitos cristãos que deveriam ser professores de Bíblia não conhecem o suficiente para sustentar a sua própria convicção.

O verdadeiro cristão, o justo, deve crescer todos os dias até que um dia, na volta de Jesus, seja luz perfeita.

"Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição." II Ped. 1:10. Não precisamos ter uma suposta esperança, mas certeza. Tornar firmes nossa vocação e eleição é seguir o plano bíblico de examinar-nos atentamente a nós mesmos, pesquisar estritamente se estamos realmente convertidos, se nossa mente é atraída para Deus e as coisas celestiais, renovada nossa vontade, toda a nossa alma transformada. Fazer nossa vocação e eleição firmes requer incomparavelmente mais diligência do que alguns estão pondo nesse importante assunto. "Porque fazendo isto" - viver segundo o plano de adição, crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo - subireis, degrau por degrau, a escada vista por Jacó, e "nunca jamais tropeçareis". II Ped. 1:10. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (EGW. Manuscrito 13, 1884).

Todos os cristãos deveriam orar a Deus para receber ajuda para organizar um horário diário e um local de estudo da Bíblia. É somente assim que cresceremos sem parar.